Notas iniciais
Esse capítulo acabou saindo curtinho, eu sei. É que as ideias ainda não se organizaram, embora eu já saiba o caminho. Espero que me perdoem.

Já haviam se passado duas semanas desde que Clara e Marina haviam se entendido. Clara voltara a trabalhar no estúdio, com horários flexibilizados para que pudesse atender às necessidades de Ivan. Como os médicos ainda não haviam autorizado Cadu a dirigir, ela continuava com o carro e com toda a responsabilidade sobre os horários de aula, judô e qualquer outro compromisso do menino. Ela não se queixava: toda a vida desejara ser mãe, cuidar do seu pequeno sempre a fazia feliz. E como ele havia ficado no apartamento com o pai, esses momentos eram extremamente importantes para ela, ainda que em algumas noites ele resolvesse dormir com ela.

Ela e Marina estavam encantadas com a relação que estavam cultivando. Os olhares se tornavam mais cumplices a cada dia, o tempo que passavam distantes era consumido por lembranças e mensagens pelo celular. Só a rotina de trabalho é que se tornava tensa, graças a um único elemento: Vanessa. A ruiva, desde o começo, não aceitara o envolvimento delas. Havia se relacionado brevemente com Marina no passado e se permanecia por perto era mais por desejar reacender a antiga paixão do que por afinidade profissional.

Se Vanessa nunca perdera a chance de alfinetar Clara desde que ela se aproximara de Marina, a situação tinha se agravado muito como retorno dela ao trabalho. As farpas tinham se tornado mais afiadas, principalmente porque a Marina entregava nas mãos de Clara as atribuições que exigiam maior proximidade entre assistente e fotógrafa e isso irritava a ruiva, que sempre fora a assistente preferida por ali.

Os comentários ácidos de Vanessa nunca chegaram a ser um problema: Clara sabia responder à altura, sem nenhum tipo de socorro. O que deixava tanto Clara quanto Marina confusas era o fato de Vanessa não ter voltado a interromper propositadamente qualquer momento íntimo das duas. Afinal, nenhuma delas acreditada que as interrupções anteriores tivesse sido por acaso. Clara era quem estranhava mais, afinal sempre percebera os esforços dela para separá-las, o que incluía provocar em Marina a crise de ciúme no final de semana em que ela se separara de Cadu.

Naquela sexta, após buscar o filho na escola e deixa-lo com o pai, Clara seguiu para sua nova casa, para se arrumar. Ia jantar com Marina, dessa vez na casa dela. Por mais que cuidasse sempre para estar bela ao encontrá-la, nesses encontros fora do horário de trabalho ela procurava sua melhor aparência e acabava levando horas para decidir a roupa, a maquiagem, tudo. Por fim, depois de testar diversas opções, chegou à casa de Marina usando um short de alfaiataria preto, com uma regata também preta, por cima da qual usava um camisete solto, de tecido leve, na cor vermelha. Maquiagem leve, saltos altos, pretos e finos, o cabelos sedoso solto, meio indomável como sempre. Foi procurá-la direto no estúdio.

“Linda! Como pode ser, como que ela pode ficar cada vez mais bonita?” – Clara pensou ao ver Marina em pé, esperando por ela num vestido branco curto, frente única. O tecido era leve, a saia levemente rodada. O cabelo solto caía em ondas sobre os ombros e a boca vermelha era um convite ao pecado.

Marina se aproximou e tomou-lhe as mãos. Baixou os olhos para as pernas bem torneadas e vagarosamente subiu o olhar pelo corpo de Clara, que sentiu cada pedacinho do corpo em chamas ao ser olhada com tanto desejo e não resistiu: puxou a fotógrafa para si, tomando seus lábios. Com as bocas coladas, mordeu levemente o lábio inferior de Marina e logo as línguas se encontraram e se acariciaram, até que elas perderam o fôlego e separaram as bocas.

– Ficou uma maquinha aqui – Marina riu e usou o polegar para limpar o batom vermelho que deixara no canto da boca de Clara – Vem! – puxou-a na direção da piscina, onde a mesa já estava posta – Vem, antes que eu desista do jantar – falou baixinho e riu, colocando seus braços ao redor da cintura dela.

Mesmo que o jantar estivesse ótimo (Marina havia feito o pedido num ótimo restaurante de frutos do mar) elas quase não comeram. Consumiram o tempo em conversa, silêncios sorridentes, pequenas confissões de amor e pequenas carícias que a mesa entre elas permitia. Clara elogiou a escolha do vinho branco, fazendo comentários sobre sabor, aroma e safra que chamaram a atenção de Marina.

Como o vinho acabara, Marina buscou outra garrafa e convidou Clara para beber na sala da casa, afinal a temperatura estava caindo. Sentaram-se no chão, entre o sofá e a mesa de centro. Clara sentia o frio se irradiar de seu estômago até o alto da garganta quando Marina a puxou para um beijo, que começou leve, delicado, e aos poucos se tornou intenso, exigente. Quando separaram as bocas, Clara tomou sua taça quase de um gole só e em seguida procurou pela boca de Marina novamente, segurando-a pela nuca.

Marina foi quem interrompeu o beijo, descendo os lábios pelo queixo de Clara, em direção ao pescoço, ao mesmo tempo pousou a mão em suas coxas e as acariciou, fazendo uma leve pressão com os dedos, sentindo a pele macia e ao mesmo tempo firme. As duas gemeram com esse carinho e Marina seguiu com os beijos no pescoço de Clara, rumo ao ombro, afastando a camisa enquanto avançava com os lábios.

Notas finais
Por favor, comentem! Digam se o rumo da história está bom ou não!