Notas iniciais
Oi, gatalhada! Sei que faz tempo, muito tempo. Culpa do verão, que me empurra pra vida social na piscina e nos botecos, além de derreter meu cérebro, junto com todo o corpitcho. E culpa também do meu trabalho, que me mata. Mesmo assim, tá aqui, finalmente, mais um capítulo. Bjo e até lá embaixo!

Clara entrou no bistrô apreensiva. Tinha acabado de deixar o filho na escola e estava no Galpão a pedido de Cadu, que telefonara pela manhã. Marina tinha se oferecido para acompanhá-la, porém ela havia recusado. Receava mais um confronto com o ex-marido e, por algum motivo que nem mesmo ela saberia explicar, acreditava que as coisas se ajeitariam mais facilmente se evitasse qualquer embate direto entre a namorada e o pai de Ivan. Pensava que, talvez, a fotógrafa e o chef pudessem, mais rapidamente, manter um relacionamento civilizado se não discutissem por sua causa ou por causa do relacionamento que ela tinha com a fotógrafa.

Cadu não demorou a sentar-se à sua frente. Tensa, a morena recusou o café que lhe foi oferecido e, controlando ao máximo as próprias reações, ouviu o ex questionar a presença de Marina junto dela e de Ivan logo cedo, como ele havia visto dias antes.

– Vocês estão dormindo juntas? Com o Ivan em casa?

– Cadu, a Marina é minha namorada. Você já sabe disso há bastante tempo – Clara se esforçou para não alterar o tom de voz. De forma alguma ela permitiria que o chef estipulasse regras para sua vida.

– Saber, eu sei, claro. Você me trocou por ela – afirmou.

– Você me chamou aqui pra falar sore isso de novo, Cadu? – a morena demonstrou impaciência – Eu já expliquei tudo isso antes: nós já não estávamos bem, nosso casamento já não fazia a gente feliz. Eu não procurei por isso e a Marina também não tem culpa, A – CON — TE – CEU! – afirmou de maneira enfática e o encarou firmemente, esperando que ele desafiasse as suas palavras. Todavia ele apenas sustentou seu olhar por alguns instantes. Por fim baixou os olhos e voltou a alar:

– Eu não pretendo mais discutir sobre isso. Você tem razão, a gente já não dava mais certo como casal, agora eu vejo isso – calou-se por algum tempo, inspirando profundamente, como se tateasse as palavras para escolhê-las. Levantou os olhos e Clara pode ver que ele hesitava.

– Porque você me chamou aqui, Cadu? O que você quer?

Quando ele finalmente começou a falar, a morena contraiu os músculos, o corpo tensionado, uma forma explícita de reação àquilo que ouvia. Aquele não parecia, definitivamente, o homem com quem ela vivera até algum tempo atrás. Com certeza não era nesse homem que se transfornara o rapaz que ela amara um dia, o rapaz com quem havia se casado. Sério mesmo que ele achava que podia exigir que ela mantivesse seu filho no escuro acerca de seu relacionamento com Marina? Ele realmente acreditava que ela seria capaz de trocar carícias mais intimas com a namorada diante do filho?

– Clara, olha só – Cadu tinha adotado um tom condescendente, como se explicasse para uma garotinha – o Ivan ainda é uma criança, isso pode confundir a cabecinha dele. Não é certo vocês ficarem se...

– Nem mais uma palavra, Cadu! – as mãos estalaram espalmadas sobre a mesa, atraindo alguns olhares curiosos. Ela fechou os olhos e seus pulmões puxaram todo o ar que podiam, buscando reencontrar o equilíbrio necessário. Queria gritar com ele, queria apontar o dedo para o nariz do ex-marido e fazê-lo engolir as coisas todas que tinha dito. Em vez disso, procurou cada fragmento de tranquilidade dentro de si, para falar, a voz baixa, rouca e repleta de certezas:

– Eu não consigo acreditar que você me chamou aqui pra fazer esse discurso absurdo! Quem você pensa que eu sou? – ele tentou balbuciar alguma coisa, mas ela não lhe deu chance de prosseguir: ergueu ambas as mãos, como se impusesse uma barreira entre eles – Fica quieto. Você falou todos os absurdos que quis, agora você vai me ouvir! Em primeiro lugar, fique sabendo que o bem estar do Ivan sempre foi prioridade na minha vida. E é só por isso que eu não meto a mão na sua cara aqui mesmo. Eu tô tentando fazer a nossa relação não virar uma guerra desde antes da gente se separar. Eu realmente quero manter uma relação civilizada com você, pelo bem do NOSSO filho. Mas você não tem o direito de falar assim comigo, você sequer tem o DIREITO de pensar essas coisas, nem de mim, nem da Marina, tá entendendo? Eu tenho o direito de seguir a minha vida, eu tenho o direito de ser feliz. E a Marina faz parte disso, o Ivan faz parte disso. Eu não te devo explicações sobre como eu passei a noite, se ela dormiu em casa, se dormimos juntas ou não. O Ivan, que é quem realmente importa nisso tudo, tá aceitando essa minha nova realidade com naturalidade, tá se aproximando aos poucos da Marina. Eu só vou admitir que ele me questione, e mais ninguém. E se eu achar que você tá colocando meu filho contra o meu relacionamento, Cadu, você me paga.

– Eu não faria isso. Você me conhece, Clara – ele sussurrou, culpado.

– Eu achei que te conhecia. Mas o homem com quem eu casei nunca teria feito esse discurso preconceituoso, nunca teria dito que meu filho não tem idade para entender o amor entre duas pessoas só porque elas são do mesmo sexo. O Cadu que eu conheci não me acusaria de expor minha intimidade pro meu filho!

– Não foi isso, cara! – o chef aproveitou a pausa que ela fez. Podia notar as lágrimas que se formavam nos olhos castanhos. Lágrimas de raiva, ele sabia – Eu me expressei mal, poxa. Eu só queria pedir pra você tomar cuidado na frente dele. Sabe, nos carinhos... Ele ainda...

– Chega, Cadu! Chega! Você acha o que? Que eu vou ficar de amasso, vou ficar me esfregando na Marina na frente dele? Você falaria assim se eu estivesse com um homem? Você levaria numa boa se arrumasse uma namorada e eu viesse te dar um sermão parecido? – ela levantou bruscamente, empurrando a cadeira atrás de si – Que eu me lembre, desde que o Ivan nasceu, eu que sempre tive que te lembrar de trancar a porta do quarto, eu que evitei essas cenas! Quem você pensa que eu sou? Eu não sou menos mãe agora do que eu era quando tava casada com você.

Ela se virou para sair. O chef ainda tentou segurá-la pelo braço, tentou balbuciar uma explicação, mas ela não parou para ouvir. Afastou-se a passos surpreendentemente rápidos para quem usava saltos tão altos. Cadu a seguiu até o estacionamento e somente conseguiu alcançá-la porque ela, devido ao nervosismo, não conseguia achar as chaves do carro dentro da bolsa.

– Clara! Clara, me ouve! – o chef apoiou-se uma das mãos no carro e esperou que a morena olhasse para ele. Ela já havia posto os óculos escuros, mas ele podia adivinhar a ira na forma como comprimia os lábios.

– Eu não quis te ofender. Não pretendia te irritar, tá ok? Minha única preocupação é o Ivan – esperou que ela respondesse, mas isso não aconteceu – Eu fico preocupado com ele. E se ele se sentir desconfortável com essas mudanças? Com o seu namoro?

– Você falou com ele, por acaso? – Clara perguntou de maneira incisiva, respondendo a própria pergunta em seguida – Não, tenho certeza que não. Óbvio que não.

Ele quis saber o motivo da pergunta. Como assim, ela perguntava se ele tinha conversado com o garoto sobre aquele assunto? Ele era só uma criança.

– Uma criança mais madura que você, Carlos Eduardo. O Ivan lida bem melhor com o meu namoro com a Marina. Ele pode não falar dela como minha namorada ainda, mas ele reage de forma bem mais madura. E só pra você saber: enquanto você pulava de um emprego pra outro, enquanto você gastava todo o seu tempo livre sonhando acordado com o dia de ser um grande chef, eu – ela bateu a mão espalmada no próprio peito – EU ensinei o Ivan que ele sempre poderia confiar na mãe e no pai dele, na família dele. E que sempre que ele se sentisse confuso, com medo ou desconfortável, ele poderia falar comigo ou com você. Se ele não disse nada, é porque ele está bem. Pode ter certeza disso, ele está bem com as mudanças que tão acontecendo.

O homem parado à sua frente parecia perplexo. Podia ser pela fúria que sua voz denunciava, podia ser pelas afirmações acerca de Ivan, da certeza de que ele falaria com um deles se algo não corresse bem. Ela não esperou para saber o que se passava na cabeça do ex-marido. Abriu a porta do carro e deixou um último aviso.

– Cadu, eu viajo com a Marina na próxima terça. Eu tomei todos os cuidados para que o Ivan fique bem. Não se atreva a tentar colocar bobagens na cabecinha dele enquanto eu estiver fora. Não se atreva a tentar jogar meu filho contra mim e a Marina.

Sem esperar resposta, ela entrou no carro e bateu a porta, arrancando logo em seguida. Dirigiu sem rumo por algum tempo, as lágrimas ameaçando embaçar seus olhos. Queria correr para o abraço de Marina, queria o conforto e a tranquilidade que sempre encontrava junto dela. Todavia, teve receio de ir direto para a casa de Santa Teresa. A fotógrafa tinha andado frágil nas últimas semanas e era Clara quem tentava devolver-lhe a autoconfiança, a segurança necessária para levar a exposição para Londres, para retornar ao cenário artístico com força total. Tinha conseguido fazê-la outra vez segura de si e não permitiria que o seu nervosismo abalasse a fotógrafa. As suas lágrimas e inquietações não fariam nenhum bem a Marina.

***

Quando chegou ao estúdio, Clara já estava tranquila. Depois de sair do Galpão Cultural havia gastado cerca de uma hora caminhando descalça na praia, enquanto falava com Duda ao celular. A mulata continuava, como antes, disposta a ouvir e dar palpites e a fazê-la rir quando nada mais funcionava. Sempre fora assim, por maior que fosse o seu drama, Duda a ouvia, aconselhava e por fim fazia comentários absurdos e a fazia gargalhar. Ela já se sentia bem outra vez quando desligou o telefone e correu ansiosa para a namorada.

A tarde foi de bastante trabalho. Enquanto Marina e Flávia faziam a edição das fotos do último ensaio Clara fazia contato com jornalistas especializados em arte para divulgar a exposição em Londres. Em um canto afastado, Vanessa mantinha os olhos fixos na tela de seu notebook, aparentemente concentrada. Clara sabia que aquele era um sinal de que ela havia se desentendido outra vez com Marina. Apesar da curiosidade, preferiu guardar suas perguntas para quando a ruiva não estivesse por perto.

Fizeram uma pausa quando se aproximava a da morena buscar o filho na escola. Marina deitou a cabeça nas coxas da namorada e ficou assim alguns minutos, aproveitando o carinho que ela fazia em seus cabelos. Por fim perguntou sobre o encontro com Cadu.

– Amor, eu não quero falar disso agora – Clara realmente não queria. Ainda não sabia se devia contar o que acontecera entre eles. Inclinou-se sobre a fotógrafa e beijou-lhe a testa – Tá quase na hora de eu ir embora, não quero gastar esse tempo falando do Cadu...

Marina não insistiu no assunto. Preferiu aproveitar o tempo para convencer a morena a voltar para sua casa depois de pegar o filho.

– A gente pode aproveitar o restinho do dia na piscina, nós três – sugeriu.

– Marina, ele tem aula amanhã. Deve ter dever pra fazer...

– E ele pode fazer aqui. Você ajuda o Ivan com o dever enquanto eu faço o jantar...

– Marina! – Clara gargalhou com a sugestão – Você não sabe cozinhar! E eu não quero meu filho com dor de barriga!

A fotógrafa deu um gritinho indignado e fez sua melhor cara de ofendida, antes de perguntar como Clara pretendia resolver o problema do jantar. Não, ela não deixaria que a morena cozinhasse.

– Imagina! Daqui a pouco o Ivan vai achar que eu tô explorando a mãe dele. Deixa que eu dou um jeito na parte da comida. Afinal, eu preciso impressionar o Ivan se quiser que ele me deixe namorar a mãe mais gata desse mundo!

***

Depois de se divertirem juntos na piscina e de jantarem (Marina acabou optando pelo delivery, como Clara já imaginava que fosse acontecer), Ivan sentou-se no estúdio para fazer o dever, enquanto as duas conversavam sobre o que as esperava em Londres. Em pouco tempo estavam ambas sentadas junto do garoto, esclarecendo as dúvidas do pequeno sobre a matéria e ajudando com as tarefas.

Mãe e filho ficaram para dormir. Clara não pensou duas vezes diante do convite e do brilho que viu nos olhos do filho a noite toda. Desta vez ela deixou o pequeno no quarto de hóspedes e avisou a ele que estaria logo ao lado, no quarto de Marina. Diferente do esperado, ele não fez perguntas. Recebeu o abraço carinhoso da mãe e lhe desejou boa noite. E quando viu a fotógrafa parada na porta, observando a cena, disse, arrancando risos:

– Não precisa ficar olhando não, Marina. Eu sei que eu sou lindão e que você também quer me dar um beijo antes de ir dormir!

***

Sozinhas no quarto, Clara resolveu que o melhor era contar à namorada sobre a sua discussão com o ex-marido. Afinal, mais cedo ou mais tarde, Marina iria encontrá-lo e era justo que ela soubesse o que esperar. Procurou falar tranquilamente, de forma a evitar que a fotógrafa se preocupasse. Por dentro, debaixo de toda a aparente calma, entretanto, ela sentia o coração apertado. Não tinha a ilusão de viver o seu amor sem encarar manifestações de preconceito, óbvio. Já tinha encarado uma cena assim dentro do prédio onde morava. E agora o pai de seu filho agia daquela forma. Justo ele, que era tão importante para o menino, ele, que havia sido importante para ela própria durante tanto tempo. Enquanto contava o final da conversa não conseguiu evitar que seus olhos ficassem marejados com o pensamento de que ele poderia influenciar o menino ou mesmo fazê-lo sofrer ao provocar disputas e brigas que eram tão comuns entre ex-casais.

Ela não precisou explicar os olhos molhados. Tampouco chegou a chorar de verdade. Sentiu os braços delicados da namorada envolverem seu corpo e aconchegá-la em um terno abraço. Depois de algum tempo em silêncio, Marina se pôs a tranquilizá-la, escolhendo as palavras com cuidado. Fez com que Clara se lembrasse de que, quando se conheceram, Cadu jamais havia demonstrado problemas em conviver com a sua homossexualidade, que não tinha havido nunca uma demonstração de preconceito da parte dele. Lembrou a morena das vezes em que ela garantira que o ex era um cara legal.

– Talvez, Clarinha, ele ainda não conseguiu superar a separação e não pensou direito pra falar – sugeriu, enquanto acariciava o rosto da morena.

– Ai, Marina, eu queria acreditar nisso, sabe? Mas ele me chamou lá pra isso, não foi uma coisa que ele falou de impulso não...

– Ele também pode tá preocupado de verdade com o Ivan – a fotógrafa tentou mais uma vez. Acabou contando para a namorada sobre a discussão que tivera com o chef tempos atrás, sobre como ele demonstrara preocupação com o bem estar do garoto caso elas se separassem. Preferiu omitir a parte em que ele afirmara que Clara teria vergonha de passar a vida com uma mulher: isso não ajudaria em nada. No fundo, ela não acreditava que Cadu fosse capaz de confundir a cabecinha de Ivan: a morena não teria se enganado tanto ao se envolver com ele.

Já mais calma, a assistente procurou pelos beijos de Marina e, depois de trancarem a porta, elas se amaram. Não foi um amor tórrido, intenso. Fizeram amor de forma lenta, terna. Um carinho delicado que calou os pensamentos de Clara e fez com que as duas adormecessem em paz.

***

As batidas na porta acordaram a fotógrafa de madrugada. Marina abriu os olhos confusa e estendeu a mão para a mesa de cabeceira, acendendo a luminária. Clara estava ao seu lado, abraçada ao seu corpo, dormindo profundamente. As batidas soaram novamente e ela achou melhor levantar. Cuidando para não acordar a namorada, desvencilhou-se dos seus braços e vestiu rapidamente o pijama que estava ao lado da cama, antes de abrir a porta.

– Ivan? – surpreendeu-se ao ver o pequeno em pé no corredor – Porque você não tá dormindo?

– A minha mãe tá aí com você, Marina? Eu... Eu tive um pesadelo.

Sem saber muito bem o que fazer, a fotógrafa abaixou-se e pegou o garoto no colo. Pensou em levá-lo para a sua cama, junto da mãe, todavia Clara estava nua e era absolutamente incapaz de se manter coberta durante o sono. Depois do que havia acontecido com Cadu ela definitivamente não iria correr o risco de expor a namorada daquela maneira. Não podia, porém, mandar o garoto voltar para a cama sozinho depois de um pesadelo.

– Ô, pequeno... – sussurrou abraçada ao menino – Sabe, a sua mãe tava com muita dor de cabeça e tomou um remédio. Acho melhor a gente não acordar ela, sabe. Mas, bom... sei lá ... – ela ficou sem jeito ante o olhar chateado do garoto – A gente podia tomar um copo de leite morno... – começou a caminhar para a escada ainda com o garoto no colo – Quando eu era criança e não conseguia dormir, minha mãe sempre fazia um leite morno pra mim, com um pouquinho de mel...

Marina preparou o leite para Ivan, do jeito que se lembrava de ver sua mãe fazer. Para sua surpresa, o garoto reagiu bem à sua tentativa de acalmá-lo e lhe contou sobre o pesadelo enquanto tomava o leite.

– Sabe, eu também tinha pesadelo quando era da sua idade. E aí eu sempre corria pra cama da minha mãe. Até o dia que ela me contou que o pesadelo só voltava porque eu fugia – ela contava enquanto eles subiam a escada.

– Como assim?

– A minha mãe me disse que quando eu fugia o pesadelo ficava lá na minha cama, todo confortável, achando que a cama era dele. Ela falou que se eu insistisse em dormir na minha cama depois de um pesadelo ele ia entender que a cama era minha e me deixar em paz.

– E funcionou? Fácil assim?

A fotógrafa levou Ivan para o quarto que estava preparado para ele. Contou que levara algum tempo até que os pesadelos deixassem de acontecer, mas que eles cada vez a assustavam menos.

– E um dia eles sumiram...

– Você pode ficar aqui comigo até eu dormir, Marina?

Ela ficou. Deitou-se ao lado dele e começou um carinho nos cabelos claros. Quando deu por si, cantarolava baixinho uma música que lembrava de ter ouvido Clara cantando para o garoto:

– Gosto muito de te ver, leãozinho
Caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho

Para desentristecer, leãozinho
O meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho

Um filhote de leão, raio da manhã
Arrastando o meu olhar como um ímã
O meu coração é o sol, pai de toda cor
Quando ele lhe doura a pele ao léu

Gosto de te ver ao sol, leãozinho
De te ver entrar no mar
Tua pele, tua luz, tua juba

Gosto de ficar ao sol, leãozinho
De molhar minha juba
De estar perto de você e entrar no mar...

Ivan a acompanhou nas primeiras estrofes, depois calou-se e logo estava dormindo tranquilamente. Marina terminou a música simplesmente porque achou que devia e antes de sair, beijou a testa do menino.

O restante da noite foi tranquilo para todos, especialmente para o pequeno, que só voltou a acordar com o chamado da mãe, na manhã seguinte.

Notas finais
E aí? Gostaram? Tem palpites, sugestões, apostas? Tô esperando os comentários. Mesmo que eu não responda, eu sempre leio, e adoro saber o que vocês estão achando, ok? Bjos, até breve!