Luz dos meus olhos
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Clara permaneceu vendada durante quase toda a noite. Ela se esforçou para não pedir que a namorada retirasse a venda, mas falhou. Quando cavalgava no colo de Marina, subindo e descendo de maneira afoita, sentindo as mãos delicadas pressionando seus seios, acabou pedindo. Pedindo não, implorando. E Marina negou, dizendo que só retiraria a venda para encerrar a noite. Nenhuma das duas queria que a noite chegasse ao fim.
Privada da visão, a morena se deixou possuir por horas. Delirou cavalgando em Marina, na cama e também na poltrona. Lambeu o próprio sabor no objeto que a fotógrafa usava para penetrá-la, antes de apoiar, submissa e dócil, as pernas nos ombros da namorada para senti-la outra vez dentro de si. Com os lábios e a língua, voltou a dar prazer à mulher que a dominava. E finalmente, já sem saber quantas vezes fora ao céu, atendeu ao comando de Marina e ficou de quatro sobre a cama.
A fotógrafa se debruçou sobre o corpo da amada. Afastou os cabelos que grudavam na pele suada e a abraçou, as mãos apalpando os seios, percorrendo a barriga definida com um roçar de unhas, provocando arrepios. A língua quente e úmida deslizou por trás da orelha e percorreu a nuca. Sorriu, sentindo que a morena se empinava, pressionando a bunda contra seu corpo, ao mesmo tempo em que balbuciava o seu nome. Resolveu também movimentar o quadril, fazendo com que o pênis preso em seu corpo deslizasse ao longo do sexo da namorada, provocando. Aos poucos, sua boca percorreu as costas de Clara, em trajetos incertos e molhados, enquanto as mãos acariciavam barriga, costelas, seios, cintura, todo e qualquer centímetro que alcançassem no tronco da morena. Quando seus lábios chegaram à curvatura da coluna, beijou e lambeu com gosto. Sabia o que os carinhos naquela região faziam com a namorada. Alisou, apertou a bunda de pele dourada, afastando-se para admirar o corpo que iria possuir outra vez.
Clara reclamou quando o corpo de Marina se afastou: precisava do toque, da pele, dos beijos da fotógrafa. Empinou mais o quadril e baixou o corpo até a cama, oferecendo-se, provocando. E a namorada aceitou a provocação. Sentiu as mãos espalmadas, apertando cada lado da sua bunda e, com uma leve pressão, afastando um do outro. Quando Marina beijou aquele traseiro dourado e percorreu o espaço entre as nádegas com a língua, até atingir o delicado ponto rosado, que beijou e acariciou com a língua, Clara gemeu alto. Sentiu a mão da fotógrafa acariciando seu sexo, sem que a boca se afastasse de onde estava. Começou a rebolar.
– Ah, Clarinha! Tão gostosa... – Marina beijou cada lado de sua bunda – Tão molhada!
A morena não pode evitar: pediu que a namorada a fodesse outra vez. Foi atendida: logo recebeu dentro de si o objeto que Marina usava e ali, de quatro, gemeu, rebolou e se deixou possuir no ritmo que a jovem lhe impunha. Logo ficou claro que não suportaria muito mais: seus movimentos perdiam a força, seus gemidos se assemelhavam aos soluços de um choro contido, exceto pelo fato de que estavam impregnados de luxúria.
Percebendo que o fim estava próximo, a fotógrafa estendeu o corpo sobre a morena, apenas para alcançar a pilha de travesseiros que havia na cabeceira da cama. Puxou dois deles e os colocou sob o corpo da morena, para, em seguida, intensificar as estocadas. Arremetia com força para dentro da morena, fazendo com que barulhos molhados ecoassem pelo quarto. Falava obscenidades e fodia, cada vez com mais força, até que Clara desabou sobre os travesseiros, que garantiram que sua bunda permanecesse empinada o suficiente para que a penetração continuasse. Marina reduziu a velocidade das estocadas, concentrando-se em ir cada vez mais fundo, preenchendo totalmente a sua adorada amante, até que ambas explodiram juntas, tomadas por um prazer tão intenso que perderam, por instantes, a noção de realidade.
***
Marina ainda estava deitada sobre as costas de Clara quando a livrou da venda. A morena sorriu, enquanto a jovem afastava as mechas que haviam grudado em seu rosto suado, antes de beijar-lhe a bochecha e depois o canto da boca. A fotógrafa mal conseguiu evitar um sorriso presunçoso quando, ao tirar os travesseiros de sob o corpo da namorada, a ouvir resmungar, exausta. Retirou a cinta e voltou a deitar sobre as costas da jovem. Acariciou seus cabelos e seu rosto até que ela pegasse no sono, o que não demorou muito.
***
A morena sorriu antes de abrir os olhos. Seus braços e pernas envolviam o corpo magro e delicado que a levara ao delírio na noite anterior. O quarto rescendia a sexo. A claridade que tomava o ambiente lhe dizia que já era passada a hora de sair da cama, todavia o seu corpo estava exausto. Exausto e satisfeito.
Permitiu-se ficar ali, abraçada à jovem que amava. Mergulhou o rosto em seus cabelos e aspirou o perfume que a inebriava. Em seu íntimo, vibrava a esperança de que as fantasias da noite anterior tivessem alcançado o seu objetivo, que ia muito além do prazer que haviam compartilhado. Sussurrou:
– Eu te amo!
Acordou novamente sentindo a brisa em suas costas. Marina não estava em seu abraço e suas mãos vasculharam a cama. Sem conseguir sentir o corpo delicado, abriu os olhos: a fotógrafa a observava, sentada na poltrona. Vestia um quimono de seda preta, tinha as pernas dobradas sob o corpo. O olhar era de completa adoração e o coração de Clara se aqueceu ao notar isso.
– Faz tempo que você tá acordada?
– Só o tempo de ter certeza de que eu tenho muita, muita sorte por ter a namorada mais linda do mundo – Marina falava enquanto ia para junto da namorada. Beijou-lhe a testa e o rosto, sentando ao seu lado. Ajeitando a cabeça da morena em suas pernas.
A fotógrafa tinha aberto as janelas e pedido que levassem o café da manhã até o quarto. Trocaram carinhos delicados até que a empregada bateu à porta. Marina ajeitou a bandeja sobre a cama e foi até o banheiro. Voltou com uma cartela de comprimidos, que colocou junto à jarra de suco, atraindo um olhar curioso de Clara.
– Não olha assim, amor – acariciou a mão da morena – É só que você reclamou algumas vezes durante a noite... Quando você se mexia... Ei! – segurou as mãos que a assistente usou para cobrir o rosto – Que foi?
Clara não respondeu. O rosto estava corado. Ela realmente sentia o corpo dolorido, especialmente os músculos das coxas. Não sentia vergonha nenhuma do que havia feito ou dito na noite anterior, nunca tivera problemas para encarar as fantasias sexuais como algo natural e prazeroso quando as partes estavam de acordo. O que a envergonhava era saber que reclamara enquanto dormia, como uma criança que se excede nas brincadeiras na piscina e depois resmunga durante o sono. “Droga, eu não creio nisso. Depois de uma noite tão maravilhosa, eu descubro que não deixei ela dormir! Que vergonha!”
Marina se apressou em dissipar a vergonha da namorada, mesmo sem saber ao certo o motivo daquilo. Contou que tomara um daqueles comprimidos logo que acordara. Rindo, afirmou que Clara tinha acabado com suas forças, fazendo com que ela risse também.
Quando pretendiam ir para o chuveiro, o celular da morena começou a tocar dentro da bolsa. Ela atendeu sem olhar quem era, pensando que talvez fosse o filho, ou então a mãe, que ficara com o pequeno. Marina a observou atender e, como ela conversasse animada, caminhou até o closet, com a intenção de procurar o que vestir após o banho. Logo a morena entrou atrás dela.
– Amor, é a Duda. Ela tá perguntando se a gente topa ir até a praia.
Marina preferiu não sair do conforto de casa. Não depois da noite que tinham tido, seu corpo estava dolorido, mesmo que ela estivesse feliz. Sugeriu que Duda fosse até Santa Teresa, poderiam passar o dia na piscina. Vanessa e Flavinha talvez aproveitassem o dia junto delas. Clara não discordava da namorada.
A assistente combinou com a amiga, enviaria o endereço em uma mensagem. Pediu a ela que fizesse o favor de buscar Ivan na casa da avó, queria passar o dia com o filho. E queria, muito, que ele estreitasse a amizade recente com Marina. Sabia que o garoto ainda estava se acostumando com a ideia de que ela agora namorava uma mulher e queira respeitar o tempo dele. Porém, tinha certeza de que se conseguisse integrá-lo aos programas que faziam ele iria se habituar mais facilmente.
Já tinham terminado o café quando o pequeno entrou junto com Duda e Flavinha, que tinha aberto a porta para eles. O menino estava animado com o convite e, depois de beijar carinhosamente a mãe, dependurou-se num abraço apertado em Marina, que sorriu, cruzando o olhar com a morena. Vanessa apareceu nesse momento e, sem muita animação, aceitou passar o dia na piscina, o que fez com que Flavinha também aceitasse.
Ivan foi o primeiro a pular na água. Em pé, as mãos apoiadas na cintura, Clara observava o filho, ao lado de Duda. A mulata de repente falou:
– O Ivan é um amor mesmo, né?
– Claro que é – a morena provocou – é meu filho, só podia ser assim, o mais lindo, mais carinhoso, mais esperto...
– Nossa, mas você não mudou nada?- deu um leve empurrão na assistente – Continua exibida! Mas... – os olhos de Duda assumiram uma expressão zombeteira – Conversei muito com o Ivan no caminho e ele me contou que outras coisas também não mudaram nada... Fiquei sabendo que você ainda continua igual aquela menina que morria de vergonha, que não criava coragem...
– Vergonha de quê?
Clara não pode esconder o sobressalto ao ouvir a voz de Marina, que se aproximava com Vanessa, enquanto Flávia entrava na agua para brincar com Ivan. Olhou para a amiga, a voz agora divertida:
– Nada não! É só que tem gente que nunca muda, vive falando demais... Aí quando a gente diz pra calar a boca...
– Duvido que você me faça calar, Clarinha! – Duda respondeu no mesmo tom de provocação, enquanto Marina e Vanessa olhavam de uma para a outra, tentando entender a cena.
– Isso é um desafio? – a morena quis saber, apertando os olhos na direção da mulata, que deu dois passos pra trás, estendendo as mãos como se pretendesse evitar que Clara a tocasse e então se virou e saiu correndo.
– Não, Clara! Não faz isso! Para, por favor! – Duda gritava enquanto corria pela borda da piscina, tendo a amiga em seu encalço. Até Ivan e Flavinha pararam de brincar na água para observar a cena.
Marina apenas arqueou uma sobrancelha quando viu a namorada, vestida apenas com o biquíni, alcançar a mulata e abraçá-la pelas costas, colando seu corpo ao dela, se divertindo enquanto ela esperneava e gritava, antes de erguê-la no ar e jogá-la, ainda vestida, dentro da piscina.
A morena riu durante algum tempo, até que a outra conseguiu sair da água. Então ela resolveu correr, e a amiga correu também. Clara foi até Marina, que ainda não tinha reencontrado as palavras.
– Clara, isso é covardia! – Duda protestou quando a assistente se escondeu atrás da fotógrafa.
A morena abraçou a cintura da namorada e pressionou o corpo contra o dela, antes de responder:
– Eu nunca disse que era valente!
Fale com o autor