Notas iniciais
Olha quem voltei!!! Depois de quase morrer pra escrever meu TCC, consegui terminar e estou quase livre, só falta a banca. Como comemoração, capítulo novo!

Clara enviou a mensagem e sorriu satisfeita consigo mesma. Tinha combinado com o motoboy que ele a avisaria assim que saísse da casa de Marina. Só então diria a ela o significado que atribuíra às peças que enviara.

Quando o rapaz lhe devolveu a caixa, ela pagou pelo serviço e foi para o seu quarto. Se jogou na cama. Ivan estava com o pai, ela tinha, portanto, tempo para dormir um pouco. Afinal, de acordo com os seus planos, a noite seria bem agitada. Não suportou a curiosidade e abriu a caixa: tinha ideia de qual seria a escolha da namorada quando enviou as peças, todavia, se fosse surpreendida, tanto melhor.

Sorriu: tinha conseguido o que queria. Colocou as peças sobre o criado mudo e rolou para o lado. Pouco depois, rolou para o outro lado. A expectativa pela noite dificultava o sono. Pensamentos absolutamente impuros dominavam sua imaginação e faziam com que sentisse a excitação tomar conta de seu corpo. MA-RI-NA. Era tudo que lhe vinha à cabeça. Marina e a noite que teriam juntas.

Clara sabia como poderia relaxar. Apenas tinha a intenção de não fazê-lo. Queria guardar todo a excitação de seu corpo para quando estivesse a sós com Marina. Por outro lado, queria descansar um pouco para estar completamente desperta quando ficasse sozinha com a namorada. Depois de meia hora, virando de um lado para o outro, entendeu que teria de resolver o problema. E só havia uma forma.

No centro da cama de casal, Clara virou-se, ficando deitada de costas. Dobrou os joelhos e abriu o botão e o zíper do short, tirando a peça lentamente. A mão esquerda deslizou por baixo do tecido leve de sua blusa, enquanto a direita seguia para dentro de sua calcinha.

A imagem da fotógrafa, dos lábios vermelhos da fotógrafa, dos dedos longos da fotógrafa, das delicadas pernas de pele branca da fotógrafa... A voz e os gemidos dela... Tudo isso invadia a mente da morena, enquanto seus dedos acariciavam o ponto rígido entre seus lábios. A mão esquerda agora apertava os seios e às vezes corria as unhas pelo abdômen definido, ao mesmo tempo em que dois dedos seguiam para dentro de si e, em movimentos de vai e vem, a base da mão pressionava o clitóris. Sua imaginação a colocava junto da namorada e quando o gozo chegou, parecia a Clara que fora Marina a lhe dar prazer. Finalmente, com o corpo saciado e os pensamentos calados, virou para o lado e adormeceu.

Acordou com a campainha tocando, já eram mais de sete da noite. “Caraca, dormi a tarde inteira”. Procurou pelo short e abriu a porta, dando de cara com Ivan, acompanhado de Cadu. Educadamente, pediu desculpas pela demora em abrir e se despediu do ex-marido. Lembrou o filho de que iriam para a casa de Chica e o mandou para o banho. Pensou que estava atrasada, logo Marina, a sua Marina, chegaria. Foi para o banho também.

Gastou algum tempo no banho. Sabia que a namorada reconhecia seu cheiro, que gostava de seu perfume, e decidiu massagear o corpo com o óleo de banho da mesma linha. Assim o corpo todo teria aquele cheiro. Sim, ela estava decidida a provocar.

Por sobre a lingerie que Marina escolhera, decidiu usar roupas simples. Afinal, o jantar era na casa de sua mãe, apenas para algumas pessoas, por assim dizer, “da família”. Vestiu uma saia longa, preta, com uma fenda lateral que começava um pouco antes do meio da coxa, e uma regata, também preta, bem justa no corpo. O decote era generoso, como ela gostava de usar. Sandálias rasteiras pretas, maquiagem que realçava os olhos combinando com o batom rosa claro, os cabelos soltos, de forma selvagem. Olhou o espelho e sorriu para o resultado: simples e casual. E provocante, com certeza.

***

Clara não tocou a campainha, apenas abriu a porta. Ivan entrou correndo e a morena puxou Marina pela mão para a sala do apartamento de Chica. Em dias de festa e reuniões de família, a porta estava sempre aberta. Cumprimentaram Ricardo e Virgílio, e logo Helena apareceu, preparando a mesa. Clara foi até a cozinha, atrás da mãe e Marina, sem saber muito bem o que fazer, foi atrás dela.

Chica recebeu as duas com beijos no rosto. Embora Marina ainda tivesse algum receio de ser rejeitada pela família da namorada, era nítido para ela que a sogra tinha a melhor das disposições em fazê-la sentir-se bem vinda. O que não a impediu de expulsar a ela e Clara da cozinha.

– Vão pra sala, as duas. Essa cozinha é pequena e daqui a pouco eu vou lá pra sala com vocês, tô acabando aqui!

–Mas mãe... – Clara tentou interromper.

– Mas nada, mocinha! Marina, melhor levar a Clara pra lá. Se ela ficar aqui vai começar a beliscar e não vai sobrar comida pra por na mesa!

A fotógrafa riu e Clara fez a melhor cara indignada que conseguiu, enquanto era arrastada de volta à sala. Reclamou, afinal o cardápio da noite, frango com polenta, era o seu predileto e a mãe raramente o fazia. Falou alto, para provocar a mãe:

– Tô sabendo, dona Chica! No fundo a senhora sempre quis me trocar pela Duda, pensa que eu não sei? – riu, segurando a cintura da namorada, interrompendo os passos antes de chegarem à sala. Marina parou de andar e virou-se para ela. Um breve momento, o primeiro daquela noite em que ficavam a sós, já que tinham vindo do apartamento de Clara junto com Ivan. O olhar da fotógrafa percorreu todo o corpo de Clara e fixou-se nos seus lábios, que ela acariciou com um dedo, enquanto a morena a encarava, quase que em transe.

– Você tá linda, Clarinha – sussurrou.

O som da campainha fez com que despertassem e fossem de uma vez até a sala. Duda tinha acabado de chegar. Clara a cumprimentou com um abraço apertado e a ergueu do chão, balançando para os lados, arrancando um gritinho e fazendo Helena e Virgílio rirem.

– Continuam duas molecas, essas aí! Melhor tomar cuidado, antes que elas destruam o apartamento todo – Chica falou, vindo da cozinha aos risos.

O jantar foi regado a risos e lembranças. Clara chegou a perguntar se a família pretendia assustar Marina falando das estripulias que ela e Duda já tinham aprontado juntas. Ivan ria das histórias e não perdeu a oportunidade de dizer que, perto das coisas que sua mãe tinha feito, ele era o garoto mais bem comportado do mundo e gargalhou com o olhar de indignação da mãe quando Marina concordou com ele.

A fotógrafa parou de prestar atenção na conversa quando sentiu o olhar da morena, sentada à sua frente, pesando sobre si. Encarou os olhos castanhos e quase esqueceu do mundo quando sentiu o toque macio do pé que subia entre suas pernas. Teve dificuldade para disfarçar o calor que tomou seu corpo nessa hora.

Passaram da mesa de jantar para a sala de estar para tomar um cafezinho, que Clara foi ajudar Ricardo a preparar. Duda conversava animadamente com Ivan, como se tivesse a idade dele. Helena e Chica, com a ajuda de Virgílio, comentavam, animadamente, as lembranças do tempo em que Duda e Clara, inseparáveis, aprontavam na escola, no condomínio e em casa.

– Acredita que chegou num ponto que, quando elas vinham da praia, eu mandava as duas pro chuveiro, pro mesmo chuveiro, juntas? – Chica ria – Sim, por que se não fosse assim, uma tomava banho e a outra enchia a casa de areia. Ou eu tinha dois banheiros cheios de areia. Era o caos.

– Ah, dona Chica – Clara voltava da cozinha com o café – até parece que você achava ruim, né? Sentia quase mais falta que eu quando a Duda não dormia aqui.

– É, sentia falta mesmo de ter que recolher os colchões que vocês jogavam no chão – Chica olhou para Marina – Essas duas não desgrudavam nem pra dormir. Em vez de ficar cada uma numa cama, juntavam os colchões no chão, dá pra acreditar?

Clara estava em pé, atrás do sofá onde Marina estava sentada. Aproximou-se e apoiou as mãos nos ombros da namorada, mas não conseguiu ver seu rosto, não soube como ela tinha reagido ao que a mãe disse. Tentou mudar o rumo da conversa:

– Mãe, desse jeito você vai convencer a Marina de que eu sou essa peste que vocês tão descrevendo aí... – Não pode deixar de notar que a própria Marina não falou nada a esse respeito. Pensou um pouco e deu a volta no sofá, sentando-se em uma banqueta quase em frente da namorada. Cruzou as pernas e a fenda de sua saia expôs as penas bem torneadas. Pelo canto do olho, viu a namorada morder os lábios e teve certeza de que conseguira a sua atenção. Passou o resto da noite brincando com a fotógrafa, cruzando e descruzando as pernas, fazendo com que ela ficasse cada vez mais corada.

Marina olhava as pernas de Clara e ficava cada vez mais inquieta. Imaginava a lingerie que tinha escolhido mais cedo cobrindo o corpo da morena. Imaginava a noite que deveriam ter e se preocupava com a presença de Ivan. Tinha pensado que o menino estaria com o pai e por isso a assistente teria sugerido aquela brincadeira. Mas se ele estava ali, isso significava que elas teriam que adiar os planos.

***

– Você planejou tudo isso, bandida!

Já estavam quase chegando à casa de Santa Teresa. Marina reclamava do modo com Clara a havia torturado, deixando que pensasse que não poderiam passar a noite juntas, por causa de Ivan. Apenas na hora de se despedir a morena deixou claro que o menino dormiria na casa da avó.

– Você teria percebido antes, se não estivesse secando as minhas pernas, sabia? – a morena provocou, rindo e brincando novamente com a saia, fazendo com que a fenda se abrisse e mostrasse quase toda a coxa. Marina levou a mão à perna da namorada e apertou os dedos na pele dourada.

– Eu não estava te secando, coisinha! – levou a mão mais alto, parando próximo ao sexo e apertou outra vez – Eu prefiro você molhada, sabia?

***

Quando estacionaram, Clara desceu do carro e esperou que Marina se aproximasse. A fotógrafa a segurou pela cintura e empurrou contra o carro, tomando seus lábios de forma ansiosa.

– Você vestiu? – quis saber, num sussurro, encarando os olhos da morena.

– Quer conferir? – o sorriso largo de Clara agora era absurdamente malicioso, assim como o olhar castanho, e a visão provocou uma forte fisgada no sexo da fotógrafa, que contraiu os músculos, na tentativa de se controlar. Tinham a noite toda. Ela precisava ter paciência. Sorriu, retribuindo a volúpia dos olhos da namorada e puxando-a pela mão.

– Vou fazer bem mais que isso. Vem!

De mãos dadas, seguiram até o quarto. Não falaram nada pelo caminho, ambas concentradas no esforço de conter o ímpeto de se atracarem e se devorarem imediatamente.

Se Clara tinha conseguido manter a tranquilidade durante o jantar, a ponto de provocar a namorada enquanto brincava com a fenda de sua saia, agora a expectativa pelo que viria a seguir fazia sua libido disparar, o sangue corria quente em suas veias e nenhum banho frio poderia aplacar seu desejo. Quando entraram no quarto, a morena fechou a porta e apoiou as costas nela, tentando, inutilmente, controlar a respiração. Estava ofegante, e nem haviam, ainda, trocado qualquer carícia mais intensa que o beijo na garagem.

Marina seguiu caminhando, lentamente, até o meio do quarto, entre a cabeceira de sua cama e a escrivaninha próxima às janelas. Num giro do corpo, parou de frente para a morena e Clara sentiu a respiração falhar sob o peso de seu olhar. Eram os olhos de uma fera faminta e a assistente sentiu que eles a puxavam. Seus pés a levaram, apressadamente, até a namorada.

– Então, Clarinha, você quer brincar? – a voz de Marina saía rouca, macia e ameaçadoramente sedutora, enquanto sua cabeça pendia levemente para o lado, como um animal que estuda sua presa. Uma de suas mãos foi ao rosto de Clara, o indicador contornando o lábio inferior e fazendo a morena esquecer de responder à pergunta, concentrada apenas no toque que lhe parecia ao mesmo tempo gentil e absurdamente erótico. Marina então levou a outra mão à cintura da morena e a puxou, colando seus corpos. A mão que estava no rosto de Clara enroscou-se nos cabelos castanhos e segurou com força, todavia sem puxar, enquanto a fotógrafa se aproximou de seu ouvido, inquirindo, num sussurro:

– Você tem ideia do que vai acontecer aqui, essa noite? – terminou a frase deslizando a língua pelo maxilar da morena, parando seus lábios próximos à boca – Hein, GOSTOSA?

Clara respirou fundo antes de responder. A tensão sexual era quase palpável naquele quarto e ela sentia a umidade se espalhar em seu sexo como chamas se espalhariam em folhas secas. Ela toda estava em chamas, ansiando pelo toque de Marina. Enlaçou a namorada em seus braços e balançou a cabeça afirmativamente. Ela era quem tinha planejado aquilo, então sim, sabia o que aconteceria ali. Ou pelo menos sabia o que ELA faria ali. Com a voz mais doce e tranquila que conseguiu, sem desviar os olhos, respondeu baixinho:

– Essa noite eu vou ser a sua putinha, Marina.

Notas finais
Acho que já deu pra perceber qual a cor da lingerie da Clara, né? Tô aqui, esperando sugestões, comentários, elogios, presentes, calcinhas novas (imaginar estas cenas tem seus efeitos... kkkkk). Não fiquem na moita!