Luz da minha vida
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Emma retornou alguns minutos mais tarde, já de banho tomado e vestida com as roupas que geralmente usava no trabalho. Ela não tinha uniforme, mas usava o mesmo estilo de roupas, pois prezava pela praticidade e conforto. Estava linda para variar, Regina refletiu. Aquela combinação de jeans, camiseta, jaqueta de couro e botas sempre causavam algo na morena.
Foi complicado para Regina manter o foco depois dos acontecimentos daquela manhã. Henry e Emma tagarelavam sem parar enquanto que a morena brincava com a comida e tentava acompanhar a conversa entre eles.
— Então o diretor disse que poderemos ser liberados da educação física desde que entreguemos uma declaração na secretaria, constando que estamos cursando uma modalidade de esporte. — Henry explicou.
— Veja o que você gostaria de fazer. Eu soube que o centro comunitário está ofertando alguns cursos. — disse a loira, servindo-se de mais uma panqueca. — Inclusive, eles estão dando a modalidade de yôga para grávidas, Regina.
Emma ergueu o olhar para a morena, visto que ela permaneceu calada. Trocou um olhar com Henry que deu de ombros.
— Linda? — estalou os dedos na frente da amiga. — Ei, morena!
— Oi… Desculpe-me, estava no mundo na lua. — sorriu constrangida. — Vocês querem mais panquecas?
Henry aceitou, servindo-se de mais comida. Emma negou e sorveu um gole de suco na tentativa de ocultar um sorriso. Talvez Ruby estivesse com a razão.
Terminaram a refeição e cada um foi para um lado. Regina organizou a cozinha e depois se sentou no balanço da varanda, com Byron deitado ao seu lado. O livro que lia ficou esquecido sobre o colo quando se pegou relembrando do acontecimento de mais cedo. Depois de muito pensar, chegou a uma conclusão que era tão evidente que saltava à vista, porém estava hesitante em admitir para si mesma.
***
Alguns dias depois, Emma havia saído mais cedo do trabalho e se encontrava em casa, ajudando Regina a preparar o jantar. A loira cuidava da massa ao mesmo tempo em que Mills aprontava o molho à bolonhesa para utilizar na lasanha.
— Linda, veja se a espessura está boa, por favor. — a loira indicou a massa que havia acabado de passar no cilindro.
— Está ótima! — disse verificando a massa — Pode cortar, meu anjo.
Emma assentiu satisfeita, voltando a tarefa. Massa fresca dava trabalho para preparar, mas aprendeu com Regina que o sabor era muito melhor do que o da massa pronta. Terminou de cortar o macarrão em retângulos e os reservou para que Regina os usasse em seguida.
— Huum... o cheiro desse molho está espetacular. — comentou assim que a morena destampou a panela, deixando o aroma delicioso tomar conta da cozinha.
— Quer provar? Me diga se está bom de sal.
Regina que estava de frente para o balcão, suspirou ao sentir a loira praticamente colar o corpo ao seu. A morena sorriu, apreciando aquele contato enquanto assoprava e levava uma colherada do molho até a boca da amiga.
Estavam tão absortas em sua pequena bolha que não ouviram a porta da frente bater.
— Alguém em casa? — Henry gritou antes de encontrar as mulheres na cozinha — Ah, vocês estão ai.
— Oi, filho! Chegou cedo. — passou a língua nos lábios limpando o excesso de molho.
— A professora nos liberou mais cedo para que terminássemos uma pesquisa em dupla. — indicou a menina morena de olhos verdes, que estava ao seu lado, segurando timidamente a alça da mochila. A garota usava uma calça jeans desbotada nos joelhos, moletom com estampa do BTS e um boné virado para trás.
— Quem é sua amiga? — a loira perguntou simpática.
— É a Lauren! Ela se mudou há pouco tempo para a nossa rua. — a menina sorriu, cumprimentando-as. — Laur, te apresento a minha mãe Emma e Regina.
— Seja bem-vinda, querida! — a morena retribuiu o sorriso da garota. — Vai ficar para o jantar? Estamos fazendo lasanha.
— Sério?! — Henry perguntou contente, pois havia se tornado seu prato favorito. — Laur, se você ficar vai provar a melhor lasanha do mundo.
— Eu aceito se não for um incomodo. — disse educadamente.
— Imagina, fique à vontade. — dessa vez foi Emma quem respondeu.
— Vamos subir para adiantar o trabalho, ok? — Henry guiou a amiga até seu quarto, ouvindo a voz da mãe se propagar no andar de baixo. “Nada de videogame ou televisão! Estou de olho, garoto.”
— Seu quarto é legal. — Lauren comentou ao observar um pôster de uma banda teen decorando uma parte da parede do cômodo, misturando-se com alguns elementos do mundo mágico de Harry Potter e animes.
— Valeu. — sentou na cadeira giratória enquanto esperava o notebook iniciar — A decoração não faz muito sentido, mas eu gosto.
— Meus pais não me deixam colar nada na parede — revirou os olhos — Dizem que vai estragar.
— Aqui é tranquilo desde que eu mantenha meu quarto limpo e organizado. — deu de ombros.
— Cara, fala para as suas mães me adotarem, nunca te pedi nada. — disse largando a mochila em cima da cama. — Alias, por que não me disse que tem duas mães? Isso é muito irado!
O garoto ficou sem fala. Sua amiga havia entendido errado, mas sinceramente, ele não corrigiria, afinal adorava a ideia de ter duas mães, ver sua mãe e Regina juntas era incrível.
No andar de baixo, Emma estava toda atrapalhada tentando juntar os cacos de um prato de bolo que havia derrubado.
— Cuidado para não se machucar, meu anjo — disse torcendo o nariz, pois aquele cheiro de doce estava enjoando-a.
— Não sei como isso escorregou da minha mão. — fez uma cara de choro ao terminar de recolher os pedacinhos e limpar o chão — Era a última fatia, precisei negociar com o Henry.
— Oh, meu neném, não fique triste. — beijou-a no rosto — Depois faço outro para você, ok?
— Na verdade, nem tem mais os ingredientes. — fez um biquinho — Precisamos ir ao mercado essa semana, a despensa está parecendo um deserto de tão vazia.
Regina assentiu, colocando a lasanha no forno. Quando a morena ergueu o corpo, deu um pulo de susto ao ouvir um barulho vindo do quintal.
— Aposto o que você quiser como foi aquele guaxinim endemoniado que derrubou o lixo novamente — disse a loira aborrecida. — Já avisei ao Henry para deixar o contêiner fechado, mas ele sempre esquece.
Swan travava uma verdadeira batalha com uma dupla de guaxinins que tinham como objetivo de vida espalhar o lixo pelo quintal inteiro e estressar Emma.
A loira havia acabado de sair para o quintal, quando a campainha tocou. Regina enxugou as mãos no pano de prato sem saber o que deveria fazer, Henry estava estudando e a loira estava muito ocupada espantando os bichos. Suspirou indecisa pensando que a amiga poderia não gostar que ela atendesse a porta já que era apenas uma hóspede naquela casa. O som ecoou impaciente dessa vez não deixando alternativa além de verificar quem estava à porta.
Uma senhora de pele muito alva e cabelos negros, de feições bonitas e simpáticas a estudou com curiosidade.
— Pois não? — Regina indagou solicita.
— Bem, se não frequentasse a essa casa há anos teria certeza que tinha me enganado de endereço. — brincou, observando a cara de confusão da jovem morena.
— Mamãe? — disse uma Emma ofegante aparecendo ao lado da amiga.
— Olá, querida!
Regina arregalou os olhos. Aquilo era inesperado, jamais pensou encontrar a mãe de Emma assim tão rápido e naquelas condições. Começando a se sentir envergonhada analisou a roupa que vestia, talvez não desse para notar a barriguinha.
Droga, o que a mãe de Emma diria quando soubesse que a filha acolhia uma grávida?!
— Regina, esta é minha mãe, Mary Margareth. Mãe está é Regina, minha amiga.
— Prazer em conhecê-la, Sra. Swan — falou com um sorriso amigável.
— Querida pode me chamar de Mary. O prazer também é meu e... Oh, meu Deus! Você está grávida! — exclamou encantada.
Regina sentiu que a face ficava vermelha e não soube o que dizer.
— Vem, mãe, vamos entrar. — disse conduzindo a mãe para dentro de casa e ajudando-a a retirar o casaco leve que a senhora usava.
— Obrigada, filha. — a mulher se acomodou no sofá, sob o olhar atento de Regina.
— Aconteceu algum problema, mamãe?
— E precisa acontecer alguma coisa para uma mãe visitar a filha e o neto? Faz tempo que a senhorita e Henry não aparecem em casa, mas agora já vi o motivo. — o sorriso largo no rosto da senhora desmentia o tom de repreensão.
— Estava um pouco ocupada essa semana. — coçou a nuca, desconcertada — Como está o papai?
— Teimoso como sempre. — piscou — Onde está Henry?
— Está no quarto, fazendo um trabalho da escola.
— Mary, você aceita um café ou suco de uva? — Regina ofereceu de forma acolhedora.
— Um suco está ótimo.
— Deixe que eu sirvo. — disse a loira ao ver a amiga começar a se levantar.
Regina suspirou sabendo que a simpática senhora a observava, levantou o olhar vendo um semblante condescendente na face da outra.
— De onde você é, querida?
— Sou de Seattle.
— Da cidade grande. Pode ser difícil se habituar, pois Weston parece um ovo de codorna.
— Por incrível que pareça estou adorando o lugar. — as duas sorriram.
— Seus pais moram em Seattle?
— Apenas minha mãe, meu pai já é falecido.
— Oh, querida, eu sinto muito. — pegou nas mãos de Regina.
— Obrigada.
— Aqui está. — Emma depositou na mesinha de centro a bandeja com os copos de suco.
— Obrigada, filha. —se ajeitou no sofá, sorvendo um gole do líquido refrescante — Oh, que cabeça a minha! Já estava me esquecendo! — devolveu o copo para a bandeja e abriu a bolsa, retirando alguns frascos de dentro — Olha o que eu trouxe!
— Geleia? — a loira disse empolgada.
— De maçã, a sua preferida. Fiz bastante. Você gosta, Regina?
— Eu adoro, estava até mesmo desejando comer esse doce. Obrigada!
— Que bom, é ótimo para o bebê. — falou contente — Por falar em bebê... Essa semana, por um acaso do destino, separei um monte de cupons para pacotes de fraldas. Posso enviá-los, se quiser, querida.
Regina ocultou um sorriso ao ver a loira esconder o rosto, sentindo vergonha. Emma já havia dito, certa vez, que a mãe era maníaca por cupons, que inclusive, exibia orgulhosamente para as visitas uma dispensa cheia de produtos adquiridos por meio de cupons.
— Vai ficar para jantar conosco, mãe?
— Hoje não, querida. — olhou o relógio — Bem, tenho que ir, seu pai está me esperando. — beijou a filha.
— Mande um beijo para ele. — a mais velha assentiu, se despedindo de Regina.
— Não esqueça o jantar de ação de graças, filha — recomendou, encarando as duas mulheres mais novas — E, é claro, que está convidada, Regina. Teremos o maior prazer em recebê-la.
Depois que a mãe de Emma se foi, ambas se entreolharam sorrindo. E mais uma vez Regina não evitou o sentimento de ser bem acolhida por aquelas pessoas. Mesmo curiosa, a animada senhora não a deixou constrangida e foi tão amável que confirmou a sensação de saber que havia feito a coisa certa.
O telefone tocou fazendo Emma ir atendê-lo e Regina voltar para desligar o forno. Ela pegou os frascos de geleia do balcão e virou para guardá-los no armário, no momento em que Byron se levantou manhosamente do cesto de roupas limpas que Swan havia deixado na sala.
— O que foi? — o gordo felino pulou no balcão recebendo um afago dela — Emma vai reclamar se o enxergar ai em cima .
Como resposta o gato miou, lançando um olhar aborrecido a ela, que lhe acariciou o pescoço.
— Não me olhe assim, as regras são dela.
A voz de Emma saiu mais alta na sala e o gato pulou do balcão indo se esfregar nas pernas da morena enquanto Regina examinava as panelas.
— Está manhoso hoje, mas saia do meu caminho. Logo servirei sua comida. — sem dar atenção a ela, o gato continuava na passagem — Assim vai me fazer cair! Aiii!
A morena tropeçou feio e logo ouviu um barulho de passos apressados na sala. Emma entrava na cozinha a toda velocidade e em um movimento rápido pegou o gato no colo, arrancando um miado ultrajado do animal.
— O que está fazendo?
— Colocando essa bola de pelos para fora antes que a faça cair e eu tenha que matar a dona dele.
— Deixe-o, Emma. — disse tentando tirar o gato do colo da loira — Ele só está pedindo comida.
— Regina, esse gato passou o dia todo comendo, isso já é manha! Você viu o cesto de roupas limpas? Está entupido de pelos!
— Você reclama demais, deixe-o no chão.
— Certo, mas não o pegue no colo, está pesado.
O felino miou zangado e fitou Emma fixamente, que devolveu o mesmo olhar intenso.
— Está tudo bem, rapaz. — a morena o afagou.
— É um abusado. Regina, se ele a fizer tropeçar… — apontou para o felino como se quisesse garantir sua ameaça.
Byron despreocupado apenas fechou os olhos e lambeu a pata, ignorando qualquer intimidação. Emma grunhiu. Será que nem aquele pulguento a levava a sério?
Regina ouviu Swan xingar até a quinta geração de Ruby, a dona do gato. Negou com a cabeça. Ela sabia que, por mais que o gato fosse encrenqueiro, que afiasse as garras no sofá e roubasse a comida do balcão, a loira adorava o animal atrevido. Nem queria imaginar como Emma ficaria depois que Ruby levasse Byron de volta para casa.
A morena foi até o forno e retirou a lasanha, colocando-a em cima do balcão enquanto Emma havia se incumbido de organizar a mesa. Geralmente Henry era o responsável por arrumar e retirar a mesa nas refeições, porém o liberariam da tarefa por hoje.
Swan levantou os braços e abriu as portas dos armários, pegando a louça e os copos sob o olhar atento de Regina, que apreciava suas curvas moldadas pelo vestido de malha. Emma era uma tentação e a morena estava se sentido atraída pela amiga, principalmente depois da cena que compartilharam no outro dia. Talvez fosse pelo descontrole dos seus hormônios causados pela gravidez, mas em seu íntimo, sabia que não era uma simples atração.
Regina suspirou, pegando o aparelho celular que estava ao seu lado, no balcão. Abriu no aplicativo de conversas e rapidamente digitou uma mensagem.
Sis, preciso de você!
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