Notas iniciais
Galerinha linda, estou de volta! Tentei voltar o mais rápido possível assim que minhas provas acabaram. Muitíssimo obrigada pelos comentários, amei a interação. Capítulo é inteiramente dedicado a vocês ♥

Regina revirou os olhos ao ouvir o nome do pai de Henry. Sentia refluxo só de pensar naquele ser humano. Levantou-se da cama e seguiu para o banheiro, pedindo mentalmente que o súbito telefonema não fosse sinônimo de problemas.

— Você só pode estar de brincadeira comigo! — Emma falou indignada — Não acredito que me ligou essa hora da manhã para falar merda.

— Então para você deve estar tudo bem o garoto agir desse jeito?

— Continuo sem entender o porquê desse chilique todo. Afinal, qual o seu problema, cara? — passou a mão livre pelos cabelos revoltos.

— Não estou criando um filho para ser afeminado, Emma. — berrou indignado.

— Em primeiro lugar, baixa a bola ai, cara! Você não tem moral para abrir a boca e dizer que está criando o seu filho.

— Está sendo injusta comigo. — mudou o tom de voz, fazendo-se de vítima.

— Sério? Até onde eu sei visitas anuais e ligações mensais não significam que você está criando e muito menos educando alguém.

— Eu sempre dei tudo o que o menino pediu!

— Exceto a sua presença na vida dele. Auxílio financeiro e presentes caros não substituem o seu papel de pai, Neal! Quando vai aprender isso?

— Já disse que ando muito sobrecarregado no trabalho, preciso conseguir uma conta muito importante. — se justificou de uma forma nada convincente.

— Isso não é desculpa para negligenciar o Henry. — sentou-se na beirada da cama, revoltada. Cassidy trazia sempre a mesma justificativa.

— De qualquer forma, o que você está fazendo que não presta atenção no garoto, deixando que ele passe ridículo na cidade? Posso estar distante, mas estou bem informado do que acontece com meu filho.

— Quem está fazendo papel de ridículo é você. Está tão bem informado que não sabe que se trata de um trabalho da escola, onde a classe de Henry precisa cuidar de um falso bebê.

— É um absurdo a escola entregar bonecas para os rapazes tomarem conta.

— Sim, deve ser um absurdo enorme querer que eles tenham responsabilidades em relação a gravidez precoce. — se expressou em um tom mais debochado que podia. Regina que saía do banheiro sorriu ao ouvir o que a loira falava — Mas sabe o que é pior? Querer que esses meninos, quando se tornarem pais, cuidem de seus filhos. Veja só, um homem sendo pai de verdade, não apenas no papel!

— Emma, eu...

— Você vai engolir todo esse seu preconceito idiota e vai apoiar o seu filho, Neal. Eu não vou aguentar desaforo, principalmente vindo de você.

Irritada, a loira interrompeu a ligação. Sinceramente não tinha paciência para lidar com Neal, o homem era tão babaca que a tirava do sério na maioria das vezes em que se falavam.

— Se eu soubesse que ficaria chateada, não teria permitido que o atendesse. — disse Regina se aproximando da namorada. Usava apenas um par de lingeries bordô.

— Ele teria insistido o dia todo, amor. — suspirou abraçando a cintura arredondada de Regina. Encostou sua face na lateral da barriga, sentindo a pele morena sob o seu tato.

— Será que ele vai causar problemas? — acariciou levemente os fios loiros.

— Espero que não. — ergueu o rosto encarando os olhos amendoados.

— Caso queria conversar sobre, estou aqui.

— Eu sei, linda. Não se preocupe com aquele idiota, ok? — beijou o ventre carinhosamente. — Bom dia, pandinha.

— Oh, ela se mexeu! — sorriu levando a mão ao local em que sentiu a leve movimentação — Acho que está cumprimentando a mamãe Emma.

Swan se desdobrou em sorrisos bobos, não via a hora de sentir os pequenos chutes de sua princesinha.

Quando o casal desceu, encontraram a mesa do desjejum organizada e uma ruiva se deliciando com uma boa xicara de café. Obviamente Ruby havia passado por ali.

Emma, ainda chateada com o episodio do Neal, estava com o semblante sério, o que aguçou a curiosidade da cunhada.

— Qual foi o bicho que mordeu a loira? — perguntou discretamente para a irmã.

— Discutiu com o Neal. — Regina respondeu apenas movimentando os lábios, sem emitir som.

— Heim? Não entendi. — a ruiva falou em um tom mais alto, atraindo a atenção da loira — Quem é esse tal de Nilo?

Emma franziu o cenho, mas logo compreendeu aquela conversa estranha. Sorriu ao ver a namorada enviar um olhar aborrecido para a irmã.

— O quê? Eu não sei essa droga de leitura labial, sis.

— Você é uma causa perdida, Zelena. Neal é o pai do Henry. — A morena esclareceu.

— Sim, e daí? — mordeu despreocupada a torrada com geleia.

Emma explicou superficialmente a discussão para a cunhada, Regina também aproveitou para comentar alguns pontos sobre a ausência do homem na vida do filho.

— Ou seja, esse cara é um idiota. — a ruiva concluiu. — Por que você não o manda ir se foder?

— Aí vem o principal motivo. — Regina respondeu indicando a chegada de Henry.

O garoto murmurou alguns cumprimentos e praticamente se arrastou até a mesa, com o semblante cansado que denunciava a noite mal dormida. O motivo da indisposição, ou seja, Henriet, estava acomodada no peitoral de Henry, em uma espécie de sling improvisado.

— Querido, parece que você teve uma noite difícil. — Regina falou complacente.

— Difícil? Ele levou um verdadeiro baile dessa boneca estranha. — a ruiva implicou — Juro que estava a um passo de chamar os irmãos Winchester.

— Será que ela está com defeito? — Henry perguntou esperançoso. — Não deve ser normal chorar tanto.

— Sinto muito, querido, mas bebês agem dessa mesma forma. — disse a morena.

— Na verdade, bebês reais exigem mais cuidados, pois sentem cólicas e outros desconfortos. — Emma informou, fazendo o garoto choramingar. — Criar um filho não é fácil, Henry.

— Mães, já que vocês entendem tanto de crianças, o que acham de ficar um pouquinho com a sua neta? — deu um sorrisinho amarelo.

— Quando porcos criarem asas talvez. — Swan respondeu tranquilamente, se servindo de uma porção de ovos mexidos.

— Tia Zel...

— Me erra, garoto. Eu que não vou servir de babá para a Tiffany. — fez referência a boneca, personagem do filme A noiva de Chuck.

Henry suspirou. Achava que tomar conta daquele falso bebê seria a coisa mais fácil do mundo, que tiraria de letra. Nunca esteve tão enganado!

***

A casa inteira exalava um cheiro maravilhoso de biscoitos, resultado das várias fornadas que Regina e Henry assaram naquela tarde. Tudo para que o garoto pudesse levar os cookies para um evento que aconteceria em sua escola no dia seguinte.

Mãe e filho cozinhavam, cantavam e degustavam os biscoitos ao som de uma playslist escolhida pelo garoto quando, de repente, buzinadas quebraram a harmonia. Regina saiu para a varanda afim de verificar do que se tratava aquele barulho irritante e, para a sua surpresa, encontrou um Mercedes estacionado no meio fio, em frente a casa. A morena arregalou os olhos e levou palma da mão até a boca, não acreditando no que estava vendo.

— E aí, gata? — apoiou o cotovelo na janela do automóvel. — Aceita uma carona no meu possante?

— Zelena! Esse é o meu carro, mas como...?

— Mandei que trouxessem antes de viajar, irmãzinha.

— Adorei a surpresa, sis. — sorriu dando a volta no carro, mas parou ao se atentar a um detalhe.

— Eu penso em tudo, fala a verdade! — disse se vangloriando — Já pode me agradecer.

— Sim, mas antes quero saber o que foi esse amassado. — pôs as mãos na cintura, encarando a ruiva que fazia cara de paisagem.

— Então, você acredita que uma caixa de correio apareceu do nada quando eu estava manobrando?!

— Eu não acredito é no fato de você ter conseguido a habilitação. — negou com a cabeça. — Dê-me as chaves, vou colocar o carro na garagem antes que outro misterioso objeto se materialize e cause mais um amassado.

Henry havia acabado de ligar a televisão, quando as irmãs entraram em casa. O garoto apenas sorriu, pois era hilário assistir a implicância de uma com a outra.

— Regi, coloquei a duas últimas fornadas de cookies para assar. — informou, sintonizando em um canal de animes.

— Obrigada, meu príncipe. — acariciou-lhe os fios escuros.

Zelena sendo a melhor tia do mundo, capturou o controle remoto e trocou de canal sem se importar com o garoto que estava acompanhando o desenho.

— Hey, eu estava assistindo! — Henry protestou.

— Exatamente. Você “estava” assistindo. — piscou implicante.

— Mãeee, a tia Zel não me deixa ver meus animes. — se queixou para a morena.

— Zelena, pelo amor de Deus. — Regina bronqueou, defendendo o filho, que fazia caretas debochadas para a ruiva — Você está implicando com uma criança!

— Que porra, Regina! — revirou os olhos, se levantando do sofá e seguindo para a cozinha — Olha o tamanho desse moleque, de criança não tem nada. Além disso, ele passa a tarde inteira assistindo South Park! Graças a esse desenho aprendi palavrões suficientes para renovar meu repertório.

A ruiva continuou reclamando nos ouvidos da irmã, Regina por sua vez fingia nem ouvir as queixas infantis que Zelena fazia. Na verdade, a morena estava se segurando para não gargalhar do bico manhoso.

— ... E eu também tenho diretos nessa casa, sabia? Em algumas partes do mundo, as visitas são tratadas como se fossem da realeza — continuou a ruiva.

— Ainda bem que estamos nos Estado Unidos, não é mesmo? — respondeu tranquilamente, retirando uma bandeja de biscoitos do forno.

— Huumm! O cheiro está ótimo, devem estar uma delícia. — falou já esticando a mão para pegar um cookie.

— Esses são para a escola do Henry. Não mexa! — deu um tapinha na mão da irmã. — Separei a última bandeja para o lanche da tarde, já que comemos a outra.

— Vocês comeram uma bandeja inteira de cookies!

— Sim, comemos! — ergueu uma sobrancelha — Por que?

— Misericórdia. — sussurrou assombrada pelo apetite da irmã — Por nada, sis. Só curiosidade.

Regina estreitou os olhos e foi até a dispensa ao lado da cozinha para buscar algumas embalagens. A ruiva deu de ombros e capturou mais dois biscoitinhos.

— Ei, tia. O que você está comendo?

— A língua dos perguntadores. — disse enfiando outro cookie na boca.

— Você está devorando os cookies da escola! Ô mãe, a tia Zelena está acabando com os cookies.

— Você parece uma criança, Zelena! Eu já disse para não mexer nesses biscoitos. — gritou lá de dentro.

— Moleque fofoqueiro. — arrepiou o cabelo dele e fugiu com mais alguns cookies.

Quando estava passando pela sala, encontrou Emma entrando em casa. Swan pendurava o casaco no armário quando viu a ruiva atravessar a sala com um punhado de biscoitos.

— Zelena, recebi uma ocorrência da vizinha, a Sra. Hannes, sobre uma caixa do correio depredada. Você sabe me dizer algo a respeito?

— Como é que eu vou saber? — deu de ombros — A xerife aqui é você, cunhadinha.

— Relataram que viram uma ruiva ao volante.

— Essa bela cor de cabelo infelizmente não é exclusividade minha. — se fez de inocente e a loira a olhou desconfiada. — Ei, a sua mulher fez biscoitos. Corre lá, cunhadinha!

Emma não continou a conversa e ingenuamente foi atrás dos cookies. Zelena saiu feito um raio de casa, mas ainda pôde ouvir o rugido de Regina.

— É, acho que posso me acostumar com essa cidade. — cruzou as pernas ao sentar-se no balanço da varanda, observando a Sra. Hannes praguejar em sua direção com o punho fechado, do outro lado da cerca.

Lógico que ela arcaria com os prejuízos, não era nenhuma inconsequente, mas isso não a impedia de se divertir um pouquinho.

Notas finais
Até a próxima!