Luz da minha vida
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Depois de organizarem a louça do jantar, Henry correu para a sala e ligou o videogame. Estava empolgado para estrear seu presente. Quando a tela inicial do jogo apareceu, os olhos do garoto brilharam.
Regina se acomodou no sofá e deu umas batidinhas ao seu lado para que a loira sentasse, mas Emma resolveu se estirar sobre o móvel, deixando a cabeça descansar sobre as coxas da morena. Regina sorriu e começou a acariciar os cabelos loiros enquanto assistia o personagem controlado por Henry correr e saltar na tela da televisão.
— Daqui a uns dias é o Halloween e vocês não decidiram sobre a fantasia. — a loira comentou. — Vocês sabem que a Ruby está enchendo meus ouvidos por causa daquela festa. Ela quer todos fantasiados.
— Pensei que a Granny houvesse barrado a festa. — Regina ponderou.
— Ela realmente embargou. Disse que não queria bagunça no quintal dela, pois da última vez, segundo ela, alguns selvagens haviam destruído seus canteiros de flores. — riu lembrando-se da idosa ralhando com Ruby. — Então entraram em acordo e agora a festa será no restaurante.
— Eu já tenho uma ideia para a minha fantasia. — falou Henry, pausando o jogo.
— Ainda não sei o que usar. — Regina disse, pensativa.
— Regi, podemos ir até a loja de fantasia? — o garoto perguntou animado — Se você quiser, eu te ajudo a escolher algo bem legal.
— Obrigada, querido. Passo para te buscar depois da aula, ok? — sorriu para o menino que assentiu satisfeito. — E você, meu bem? Parece que já decidiu o que vai vestir.
— Sim, mas é segredo! — riu quando ambos bufaram.
— Mãe, você não está pensando em ir de Supergirl de novo, não é? — Henry encarou a loira com uma sobrancelha erguida. Aquele menino ficava cada dia mais parecido com Regina.
— Claro que não, filho. Que ideia! — Droga, agora teria que pensar em outra fantasia, pensou a loira.
— Emm, nós sabíamos que você pretendia usar aquela fantasia novamente. — Regina disse, dando um beijinho na testa da amada.
— Agora vocês sabem ler mentes, é? — cruzou os braços.
— Você usou dois anos seguidos aquela roupa, mãe. Sem contar que eu estava com você quando a levou para a lavanderia.
— Como vocês são chatos! Não quero mais falar com vocês, só vou conversar com a minha pandinha. — ergueu um pouquinho da camiseta da morena e beijou a barriguinha. — Ei, lindinha, diz para a mãe Emma qual fantasia você vai querer usar ano que vem. — encostou a orelha na barriga de Regina, como se estivesse ouvindo o bebê falar. — Ah, sim… Sei! Compro… Mamãe compra, pode deixar.
Continuou bem à vontade conversando com a criança, sob os olhares risonhos de Regina e do filho.
— Tudo bem, querida… Boa noite — beijou novamente a barriga — Mamãe Emma te ama.
— E então, vai nos contar qual será a fantasia da nossa filha?
— Não, ela disse que eu não deveria contar porque vocês foram malvados comigo. — provocou.
— Minha nossa! Como você é boba. — Regina gargalhou, vendo a loira sorrir de lado.
Henry negou com cabeça e se levantou do chão, iria até a cozinha buscar mais um pedaço de bolo. No meio do caminho, o celular de Regina, que estava no balcão da cozinha, tocou.
— Veja quem é, querido, por favor.
— É a tia Zelena. — disse olhando o identificador. Correu até a morena e entregou o aparelho.
Regina sorriu ao ouvir a voz da irmã. Estava com tanta saudade da ruiva, não via a hora do curso acabar e Zelena voltar aos Estados Unidos. Imaginava que a irmã teria um ataque quando descobrisse o que estava omitindo durante aqueles meses, mas sabia que Zelena a apoiaria em sua decisão quando percebesse o quanto estava feliz com Emma e seus filhos.
Ficou tão envolvida na conversa que nem viu o tempo passar. Quase uma hora depois, olhou pela janela e percebeu que Henry estava do lado de fora, conversando animadamente com um grupo de colegas da escola. Enxergou Lauren abraçada a uma garota com traços latinos, provavelmente deveria ser a namorada da menina, haviam também mais três garotas e dois rapazes.
Caminhou até a cozinha e encontrou Emma ao telefone. A loira tinha um semblante preocupado e seu tom de voz era imperativo.
— Tudo bem. Tentem falar com a esposa dele e me mantenham informada caso surja uma novidade. — disse antes de encerrar a ligação.
— Problemas? — a morena perguntou, observando Emma esfregar a fonte.
— Sim, parece que Leroy desapareceu. — Regina arregalou os olhos — Eu deveria saber, pois tem mais de uma semana que ele não aparece na delegacia.
— Então, meu anjo… Preciso te contar algo sobre o Leroy. — Emma a olhou desconfiada.
— Regina, sua hesitação está me deixando mais preocupada do que já estou.
— Calma. — a puxou pela mão, trazendo-a até o sofá. — Bem, vou contar desde o início…
Emma se acomodou no estofado e esperou que a morena começasse a narrativa. Regina contou desde o dia em que encontrou Leroy no supermercado, onde o homem admitiu precisar de tratamento para lidar com o vício do álcool. Disse que havia sentido a necessidade de ajudá-lo, então marcou um almoço com Leroy e Astrid, a esposa dele.
— Ao conversar com Astrid, confirmei toda a história que Leroy havia me contado. — suspirou.
— Infelizmente, eles não têm condições financeiras para custear um tratamento. — disse Emma com pesar. — Certo, mas o que isso tem a ver com o sumiço? Ah, não me diga que você...
— Exatamente. Leroy aceitou de bom grado passar pelo processo de internação, então eu me ofereci para arcar com todas as despesas do tratamento. Obviamente que a clínica é especializada e renomada no atendimento de dependentes químicos. — digitou rapidamente no celular e mostrou para a loira o site da instituição. — Aqui está o contato deles.
Emma verificou o site com atenção, ainda impressionada por tudo o que Regina havia lhe contado. Ao final anotou o número de contato da clínica, enviou uma mensagem para os oficiais de plantão e, em seguida, devolveu o aparelho para a morena.
— Emm, você está chateada comigo? — Regina perguntou, cautelosa.
— Por que eu estaria? — disse orgulhosa da mulher por quem havia se apaixonado — Você não existe, linda! É uma mulher maravilhosa, sem dúvidas.
— Desculpe-me por não ter contado antes. — mordiscou levemente o lábio inferior.
— Eu realmente gostaria que você tivesse me falado, talvez eu pudesse ajudar. — a envolveu em seus braços — Mas, de qualquer forma, estou muito orgulhosa da senhorita por oferecer ao Leroy a chance de recuperar sua dignidade.
— Todos merecem ser felizes, assim como estou sendo.
Emma sorriu, seus olhos verdes cintilavam de emoção. Uniu seus lábios aos da morena, trocando um beijo suave e apaixonado, que conseguia transmitir toda a felicidade que o casal sentia naquele momento. Se separaram ao ouvir a porta da frente bater.
— Mãe, o pessoal me chamou para uma festa amanhã. — o garoto contou, entusiasmado.
— Que pessoal, Henry? — Emma franziu o cenho. — Me explica essa conversa direito.
— Os meus amigos lá da escola. — gesticulou impaciente — Acabaram de me chamar para uma festa na casa de uma colega, parece que é o aniversário da garota ou algo assim.
— Você nem sabe do que se trata essa festa, menino. Desse jeito você não vai!
— O que custa me deixar ir?
— Eu não nasci ontem, Henry. — pôs as mãos na cintura — Eu posso até permitir, mas antes quero saber o nome completo e o telefone dessa menina, vou ligar para a mãe dela.
— Ah, qual é, mãe?! — olhou para a morena, pedindo ajuda. — Regi...
— Sinto muito, mas sua mãe está com a razão, Henry.
— Não acredito nisso! — bufou, aborrecido. — Todo mundo vai. Os pais dos meus amigos aceitaram numa boa.
— Você não é todo mundo! E eu não quero saber dos outros pais. Eu tenho responsabilidade com você e com aquele bebê ali. — apontou para a barriga de Regina. — E mais ninguém.
— Obrigado por me fazer passar essa vergonha!
— Disponha, garoto. Eu sou mãe, faz parte do meu trabalho! — disse enquanto subia as escadas atrás do rapazinho zangado. — E se reclamar mais, eu peço para a sua avó te acompanhar.
Regina ergueu as sobrancelhas quando Henry bateu a porta do quarto com força exagerada.
— Bate essa porta de novo e eu vou arrancá-la de vez, menino. — aumentou o tom de voz para que ele ouvisse de dentro do quarto.
Quando a loira desceu, encontrou Regina esperando-a no sofá.
— O que foi isso? — A morena apontou em direção as escadas.
— Henry sendo um adolescente normal. Não se preocupe, amanhã eu resolvo essa história. — Estendeu a mão para Regina — Vamos dormir? Estou esgotada.
— Vamos, meu bem. — entrelaçou seus dedos aos de Swan — Vou te fazer uma massagem para você relaxar.
Quando chegaram no quarto, Regina pediu que Emma retirasse o vestido e deitasse na cama enquanto buscava no banheiro da suíte o óleo de massagem que a loira havia indicado. Emma se despiu da roupa e colocou um shorts folgadinho que usava para dormir.
Logo a morena retornou com o frasco em mãos, encontrando Emma deitada de bruços, já a sua espera. Ficou com dó, era visível o cansaço da loira. Ligou o aparelho de som, colocando uma música relaxante e subiu na cama, sentando–se sobre o bumbum firme de Emma, de modo que ficasse com uma perna de cada lado do corpo de Swan.
Entornou um pouco do conteúdo do frasco em uma das mãos e as esfregou, deliciando-se com o aroma de baunilha que exalava do óleo. Em seguida, deslizou-as pelos ombros e costas alvas da amada, sentindo como os músculos daquela região estavam rígidos. A medida que a morena massageava, mais relaxada Emma ficava, chegava até mesmo a suspirar de alívio e prazer. Assim que percebeu que a loira havia se entregado ao sono, saiu cuidadosamente de cima dela e desligou o aparelho de som com o controle remoto. Levantou-se do colchão, puxando a manta que estava dobrada aos pés da cama e cobriu a loira.
Lembrou-se que precisava verificar se as portas estavam trancadas, então preguiçosamente desceu as escadas e ativou o alarme de segurança da casa. Passou pelo quarto de Henry e deixou um beijo na testa do menino, que já estava deitado lendo uma revista em quadrinho. Ele parecia estar mais calmo e a porta destrancada foi o indicativo disso.
Alguns minutos depois, a morena estava se desfazendo de seu penhoar e deslizando para debaixo das cobertas, sentindo imediatamente os braços de Emma lhe envolver. No aconchego daquele abraço, adormeceu tranquilamente, sentindo-se a mulher mais sortuda do mundo.
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