Luz da minha vida
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Assim que fechou a porta de seu quarto, Regina deixou seu corpo cair sobre a cama e mordeu os lábios, observando o teto. O quarto era lindo, tudo tão delicadamente a seu gosto. Esticou seu braço pegando a flor que estava em um pequeno vaso artesanal sobre o baú também artesanal que estava aos pés, a levou de encontro a seu nariz inalando assim seu cheiro maravilhoso.
Tulipa vermelha, sua preferida. Emma sabia.
Graham jamais lhe havia dado tulipas, sempre rosas vermelhas. Fez uma careta torcendo o nariz. Se ele soubesse que ela detestava rosas vermelhas, admirava apenas as rosadas e as brancas. Emma sabia disso. Suspirou mordendo novamente os lábios. Esqueça Graham! Ordenou-se em pensamentos. Sentou-se corretamente sobre sua cama e deslizou sua mão pela colcha macia e bela. Olhou novamente seu quarto e se emocionou, era tão lindo quanto o restante da casa. Emma havia pensado em cada detalhe! A cor, o cheiro, as flores, os móveis. Tudo a seu gosto. Era como se ela mesma houvesse decorado aquele quarto. E a casa tão aconchegante, tão... lar.
E o berço do bebê? Não pôde evitar um sorriso trêmulo, acompanhado de uma lágrima. Ela havia até mesmo lhe dado um berço! Fechou os olhos apertando-os com força. Não choraria... não tinha porque chorar, não mais. Tinha Emma para lhe cuidar, Henry e logo teria um lindo bebê em seus braços para lhe fazer ainda mais feliz e, de alguma maneira, os quatro seriam uma família. Swan mesmo havia dito, cuidariam daquela criancinha que estava por vir. Ambas iriam amá-la e protegê-la de tudo. Sim, seriam uma família.
Mesmo não querendo, seus pensamentos se voltaram para Graham e Cora. Será que eles ao menos tinham alguma noção do que haviam feito? Eles ao menos sabiam que haviam jogado fora um pedacinho de si mesmos? Balançou a cabeça sentindo um nó se formar em sua garganta. Eles não mereciam nem um tipo de pensamento, nem sequer um pensamento contendo ódio e raiva, eles não mereciam nada.
Então observou a flor sobre sua cama e a levou a seu rosto, inalando seu cheiro novamente. Emma estava sendo perfeita a cuidando e mimando dessa forma. Ela, que não tinha parentesco com a criança, já lhe havia dado um teto, um berço e uma promessa silenciosa de carinho. Enquanto que Cora lhe havia expulsado de sua vida… Bateu o punho sobre a cama furiosa consigo mesmo. Esqueça-os, Regina! Esqueça-os!
Passou a mão pelos cabelos, os ajeitando e então pegou a mala colocando sobre a cama. Abriu-a tirando algumas peças de roupas, o que precisaria para aquela noite e, amanhã, arrumaria tudo. Assim, a fechou colocando em pé ao lado da cama e então pegou a valise, retirando rapidamente o que precisaria para tomar um banho. Suspirou, seguindo em direção ao banheiro no corredor.
***
A água morna estava sendo um remédio e tanto para todo aquele cansaço em seu corpo. Apoiou sua cabeça na borda da banheira fechando os olhos e respirou fundo, sentindo o cheiro de seu sabonete tomar conta do ar. Toda sua vida lhe passou diante de si em uma fração de segundos, sua infância ao lado da irmã, a morte de seu pai, as brigas com a mãe, a primeira vez em que havia falado com Emma, a festa em que tinha conhecido Graham, os beijos e promessas de carinho e respeito, sua gravidez e, então, as palavras duras e decepções.
Encolheu seu corpo abraçando seus joelhos, encarou um ponto perdido na parede a sua frente e então chorou.
Chorou deixando toda sua dor extravasar.
Chorou sentindo seu corpo tremer balançando com os fortes soluços que escapavam de sua boca. Soluços esses que abafava mantendo sua boca contra seus joelhos.
Chorou sentindo seu peito sangrar diante de tanta mágoa e ressentimento.
Então sorriu.
Sorriu em meio a lágrimas porque, depois de muito tempo, estava se sentindo realmente segura e protegida.
Sorriu porque, depois de muito tempo, pode sentir o calor de um abraço sincero.
Sorriu porque, depois de muito tempo, se sentiu em paz.
***
Os pássaros cantavam vigorosamente lá fora anunciando um novo dia. Regina abriu lentamente os olhos, sentindo a luminosidade do brando sol de outono banhar a face e por alguns segundos não fez ideia de onde estava. Levantou com cuidado já esperando sentir o costumeiro enjoo e se espreguiçou ao notar que o estômago estava ótimo aquela manhã. Quinze minutos depois, já usando um vestido simples, descia para a cozinha, sentindo o delicioso aroma de café fresco. Aproximou-se do balcão vendo Emma arrumar um farto desjejum em uma bandeja.
— Bom dia! — a morena saudou, se apoiando no balcão — Hummm que cheiro delicioso!
— Bom dia, linda — deu um beijo na testa dela — Achei que fosse dormir mais um pouco e me dar a chance de te surpreender.
— Oh, desculpe! Devo voltar para a cama?
— Engraçadinha… Vem senta aqui e me diz o que quer.
— Você vai me deixar mimada, depois não reclame.
— Não se preocupe, posso viver com isso.
— Já que é assim, vou querer uma xícara desse café e algumas torradas com geleia. — disse, vendo a loira erguer a sobrancelha — O que?
— Não está pensando que vai comer só isso, não é?
— Qual o problema? — sorvendo um gole de café — Urgh o gosto não combina nem um pouco com o aroma, isso é propaganda enganosa.
— É descafeinado — sorriu achando engraçada a expressão de desagrado da morena — Cafeína não faz bem ao bebê.
— Emm...— soltou um muxoxo.
— Deixe de reclamar e abra a boca. — a xerife mandou, lhe dando um pedaço de torta.
— Humm... isso é bom. — elogiou antes de receber mais uma garfada do doce. — Você que fez?
— Ah, não. Você sabe que sou uma negação na cozinha, só sei fazer o básico para não matar a mim e ao Henry de fome. — esclareceu, servido um prato generoso para a amiga — Foi Ruby quem fez especialmente para você.
— Que gentil da parte dela, preciso agradecer.
Aquele pedacinho do céu abriu o apetite de Regina que comeu com gosto tudo o que a amiga havia colocado para ela. Quando terminaram, guardaram as sobras e puseram a louça suja na lava louças.
— Regi – olhando o relógio — Vou ter que passar na delegacia, mas não demoro.
— Posso ir com você?
— Não prefere ficar em casa? Pode voltar a dormir ou arrumar suas coisas... Pode ser aborrecido lá.
— Minha resposta é “não” para todas as suas sugestões.
— Está bem então. Vamos?
Emma parou no pequeno estacionamento em frente à delegacia. Desceram do carro e Regina ficou por um momento observando a estrutura do lugar enquanto a amiga pegava algumas coisas e trancava o carro. Segundo Emma, o Departamento do Xerife de Weston era a única Delegacia de Polícia da cidade. Lá dentro Regina pôde observar como prédio era bem cuidado, continha mesas para os policiais, o escritório de Emma, sala de interrogatório e duas celas.
— Até que enfim resolveu aparecer.
Regina virou o rosto, encontrando uma mulher morena de olhos verdes e tez clara, quase da mesma estatura de Emma se aproximar. Reconheceu imediatamente a pessoa graças as fotos que Emma sempre publicava nas redes sociais.
— Linda, essa mala que eu chamo de amiga é Ruby Lucas. — indicou a morena de olhos verdes brincalhões — Ruby essa é Regina Mills.
— Bem-vinda a Weston, Regina. — Lucas se curvou, alcançando a destra que Regina estendia em sua direção e em seguida depositou um beijo galante. — Espero que Swan não a assuste com seus modos.
— A única que vai assustá-la é você com suas bobagens. — bufou observando-a cheia de cavalheirismo para com Regina.
Sentaram-se no sofá que havia na sala, enquanto Emma organizava a papelada da delegacia. Regina, que conversava com Ruby, já sentia como se fossem amigas de longa data, a conversa fluía de uma forma tão descontraída e alegre, que a morena de olhos castanhos sentia-se aliviada pela forma carinhosa que tinha sido recebida pela amiga de Emma. A xerife sempre mencionava Ruby como pessoa especial e agora conhecendo-a não poderia ter outra imagem.
De vez em quando Ruby e Emma se alfinetavam de alguma forma, lembrando Regina de sua irmã Zelena. Mills imaginou com uma pontada de humor que se Zelena e Ruby, por algum acaso da vida, se encontrassem, provavelmente dominariam o mundo.
Não puderam conversar mais, pois Ruby recebeu uma ligação da avó, pedindo para que voltasse ao restaurante da família.
— Ei, Xerife, agora que colocaram a conversa em dia, será que pode me soltar?
As mulheres giraram o rosto em direção a uma das celas que abrigava um homem entroncado, de aparência rude, roupas amarrotadas e um olhar sonolento.
— O que você ainda está fazendo aqui, Leroy?
— Chefe, os rapazes disseram que só a senhora poderia autorizar minha soltura. — deu de ombros.
— Que seja. — pegou o molho de chaves de dentro de uma gaveta e abriu a cela, deixando o homem passar. — Assine o documento, Leroy. E, por favor, tente não arrumar confusão com ninguém hoje, quero ao menos um dia de paz, sem ter que receber queixas suas.
— Você é quem manda, irmã. — fez um joinha com a mão — Tem café?
— Aqui não é hotel, cara. — disse exasperada. Regina apenas assistia aquela interação incomum, ocultando um sorriso na face.
— Por favor, chefe. Só para começar bem o dia. — pediu suplicante.
— Ele tem razão, Emm. — a morena se pronunciou — Não se nega uma xícara de café.
— Até sua senhora concorda, xerife. — falou contente por ter conseguido uma aliada. — A propósito, sou Leroy, estou às suas ordens.
— Leroy, pegue o maldito café e desapareça da minha frente, vai. — a loira apontou para a máquina de café expresso.
O homem se apressou para se servir da bebida quente. Ponderou que não era uma boa ideia testar a paciência da xerife.
— Que figura, heim. — Regina comentou após a saída de Leroy.
— Nem me fale. Leroy é uma excelente pessoa quando está sóbrio, mas quando bebe se converte em uma dor de cabeça. É inofensivo, porém irritante e arruaceiro.
— Já pensaram em encaminhá-lo para tratar essa dependência de álcool?
— Tentamos o AA, mas ele passa alguns dias sóbrio e depois se entrega ao vício novamente. — respondeu com pesar, deixando uma Regina pensativa.
Logo, que terminou de organizar os relatórios, Emma levou a morena para conhecer um pouco a cidade até dar a hora que Henry chegaria da excursão.
Assim que o ônibus escolar estacionou na frente da escola onde o garoto estudava, as crianças desceram do veículo parecendo uma manada de cavalos. Dentre eles estava Henry que, carregando a mochila nas costas, olhava para os lados a procura de alguém. Assim que avistou as figuras paradas ao lado do carro, o menino mal conteve a alegria e correu para abraçá-las.
— Regi você veio mesmo!
— Eu disse que ela viria, garoto. — falou a loira arrepiando os cabelos castanhos do menino.
— Enfim pude conhecer pessoalmente meu pequeno príncipe. — piscou para Henry que sorriu mais ainda.
— Você é ainda mais bonita pessoalmente, Regi. Certo, mãe?
— Ela é linda, filho. — sorriu de canto vendo a morena corar — Agora vamos lá, preciso alimentar vocês.
— Podemos comer no Grannys? — perguntou o menino animado, já puxando a morena pela mão — Você vai adorar, Regi, servem o melhor hambúrguer de todos.
Emma apenas sorriu vendo a interação dos dois. A verdade era que Regina e Henry haviam criado laços de amizade também e a loira não podia negar que adorava vê-los juntos.
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