Luz da minha vida
44 Capítulo 44
Notas iniciais
Já havia escurecido quando Swan chegou em casa. A loira respirou fundo e girou a maçaneta, sentindo-se trêmula pelo o que acabara de acontecer. Se arrependimento matasse... O olhar aflito de Regina caiu sobre si, deixando-a ainda mais nervosa e culpada.
— Amor, onde você estava? — perguntou em meio a ação de lavar um copo na pia — Fiquei preocupada com a sua demora e... Que cheiro horrível é esse?
— E-eu.. que cheiro, linda? — engoliu em seco.
— Esse fedor de perfume barato que estou sentindo. — encarou-a seriamente e estreitou o olhar na figura loira — Talvez queira me explicar o que é essa marca de batom na sua blusa.
Swan abriu e fechou a boca, sem conseguir emitir nenhum som sequer, principalmente ao encontrar o olhar de sua mulher repleto de raiva, decepção e dor.
— Você me traiu, Emma Swan?!
O copo de vidro passando rente a sua cabeça fez Emma sair de seu estado letárgico. A loira arregalou os olhos feito um par de pires verdes tamanho o susto, se abaixou e saiu praticamente engatinhando pela sala, tentando se proteger atrás do sofá.
— Responde, Emma! — a morena gritou, arremessando uma colher, que era o objeto mais próximo ao seu alcance.
— Não é o que você está pensando, amor, eu juro. — pegou uma almofada para tentar se proteger enquanto saia de seu esconderijo.
— Não me chama de amor. — disse entredentes.
— Tudo bem, tente se acalmar, por favor. — Emma pediu cautelosamente. Se Regina fizesse qualquer movimento brusco, a loira sairia correndo — Só me escute.
— Você tem cinco minutos para se explicar. — entortou a boca e apoiou as mãos na cintura em uma pose imponente.
— Certo, eu vou contar o que houve. — coçou a nuca, procurando as palavras adequadas — Você quer os detalhes? Porque talvez seja melhor você se sentar.
— Apenas me esclareça de uma vez, pois a minha paciência está no limite! — disse a morena secamente.
— O-ok... Você se lembra da Ariel, não é?!
Os olhos de Regina cintilaram de raiva e Emma engoliu em seco novamente, já arrependida pela forma em que começou.
— Caso não tenha percebido, eu não sofro de amnesia. — Regina falou irritadiça, sentando-se de frente para a loira.
— Hum... então... — respirou fundo e soltou o ar — Quando estava em minha última ronda, recebi uma ocorrência de furto em uma residência. Claro que fui verificar o que havia acontecido e ao chegar no local do chamado encontrei Ariel.
— Deixe-me adivinhar... A coitadinha usava roupas curtíssimas, ou melhor, estava de roupão. — disse irônica.
— Estava de toalha. — ergueu as mãos para acalmar a namorada — Mas sequer notei no primeiro momento, linda. A situação era séria!
— Claro que era. — ergueu uma sobrancelha — Continue.
— Precisei vistoriar a residência em busca de alguma pista, no meio da inspeção, Ariel acabou caindo em contradição. — explicou cautelosamente — Quando a confrontei, ela disse que havia inventado aquela situação apenas para chegar até a mim, pediu perdão pelo o que fez no passado, falou que queria se aproximar de mim, pois não tinhas amizades aqui em Weston.
— E você obviamente não acreditou, não é, Emma?
— Bom, ela pareceu convincente. — murmurou sentindo o rosto afoguear de vergonha. — Eu queria ter o poder de descobrir se a pessoa está mentindo ou não.
— Quanto a mim, gostaria de gerar bolas de fogo para tacar nas fuças daquela coisinha cínica. — olhou séria para a namorada — Você também não escaparia, Srta. Swan! Como pode ser tão ingênua assim?!
— Regina, a perdoei porque não guardo mais magoas, ela é algum indiferente para mim. Graças a você consegui superar, o nosso amor curou tudo de ruim que Ariel me causou. — argumentou a loira — E foi isso que disse a ela. Deixei claro que não quero aproximação e muito menos amizade.
— Parece que ela entendeu ao contrário. — seu olhar caiu novamente para a marca de batom.
— Regina, aquela mulher simplesmente me empurrou no sofá e pulou em mim, agarrou de uma forma que parecia um carrapato. — gesticulava muito irritada ao se lembrar — Foi um custo arrancar aquela louca de cima. Acho que me bati inteira tentando sair do sofá.
Regina ouvia tudo calada, observando as expressões da namorada.
— Eu juro, linda, jamais te trairia, acredita em mim, por favor. — o olhar cristalino e verdadeiro de Emma falava por si. Claro que a morena acreditava na palavra de sua mulher.
— Eu confio em você, Emm. — suspirou, observando a namorada ajoelhar a sua frente, aliviada por suas palavras. Passou a destra pelos fios loiros — Você está bem? Ela chegou a feri-la?
— Sinto meu pescoço arder e meu joelho está dolorido. — respondeu passando a mão no local. Foi quando a morena viu os vergões no braço e no pescoço da namorada.
— Agora que acabo com aquela nojenta, isso não vai ficar assim! — Regina rugiu indignada, tentando se levantar, mas sem sucesso já que a barriga avantajada lhe tirava o equilíbrio. — Maldição, me ajude!
— Ei, se acalme. — pediu a loira.
— Se você me pedir calma mais uma vez, eu juro que... — apontou o dedo para a namorada que o segurou, dando um beijinho na ponta.
— Já disse como você fica fofa quando está nessa brabeza?
— Emma! — bufou formando um imenso bico — Vou dar uma lição naquela mulherzinha e você não vai me impedir.
— Nem em sonho permitiria que saísse atrás daquela insana. — negou com a cabeça — Pensa na nossa filha. Você está gravida, Regina!
— Tudo bem, mas que não atravesse o meu caminho. — falou contrariada.
— Duvido que ela teria coragem de enfrentar a minha ferinha. — sorriu de lado, abraçando a morena.
— Argh, fique longe! — torceu o nariz — Esse cheiro horroroso está me enjoando.
Swan puxou a gola de sua camisa e cheirou o tecido, sentindo um perfume extremamente adocicado impregnado em sua roupa. Fez uma careta.
— Vem comigo, meu bem. — pediu entrelaçando seus dedos aos da namorada.
— Onde você vai me levar? — seguiu feito um cordeirinho, de olho no rebolado da morena.
— Vou te dar um banho, não aguento mais esse odor de perfume barato em você.
Emma obviamente amou a ideia. Mal conseguia disfarçar o sorriso ao assistir sua mulher caminhar nua pelo banheiro enquanto preparava o banho delas, escolhendo alguns sais para misturar à água da banheira.
— Meu anjo, você ainda está vestida?! — pôs as mãos na cintura, na típica pose de grávida.
— Desculpa, amor, estava admirando a vista. — disse maliciosa.
— Então deixe-me ter o mesmo privilegio. — proferiu ajudando a loira a se desnudar, mas suspirou ao observar os arranhões. — Oh, Emm...
A loira nada disse, apenas deixou a sua mulher limpar os leves ferimentos, ouvindo-a dizer que aplicaria o antisséptico após o banho. No caminho de volta para a banheira, Regina soltou um gemido alto e deixou o frasco de shampoo cair, levando as mãos até o ventre.
— Amor, o que foi? — perguntou a loira alarmada — Você está sentindo alguma coisa?
Para o desespero da xerife, a morena apenas chorava, esfregando a mão na barriga.
— É o bebê, não é? Oh, Deus, eu causei o seu estresse, foi tudo minha culpa. — falava a beira das lágrimas — Calma, linda, vou me vestir e nós vamos para o hospital agora!
— Amor, não surta, vem aqui... — Regina pediu em meio ao choro. Alcançou a mão da namorada e pousou sobre seu ventre. — Consegue sentir?
— O que? Eu... Ah, mexeu! — sorriu, já derramando as primeiras lágrimas — Ela mexeu! Posso sentir nossa menina, Regina.
— Ela está se comunicando com você, dizendo o quanto a ama. — falou acariciando os cabelos loiros.
— Neném da mamãe, estou tão feliz por esse presente que você me deu. — limpou uma lágrima que percorria a sua bochecha e sentiu mais um pequeno chute — Saiba que eu também te amo muito, muito, muito... — disse intercalando beijinhos na barriga arredondada, fazendo a namorada sorrir.
— Vem, amor, cuidarei de você. — chamou tocando delicadamente a face alva — Depois vocês conversam.
Emma assentiu e ajudou a morena a se acomodar na banheira, entrando logo em seguida. A água morninha estava maravilhosa e os sais de banho aromatizavam o ambiente, relaxando-as.
Regina alcançou o frasco de shampoo e despejou o produto na palma da mão, espalhando-o pela cabeleira úmida da loira. Massageava delicadamente, fazendo a namorada suspirar de prazer. Assim que terminou de cuidar dos cabelos, usou uma esponja para aplicar o sabonete liquido e esfregou cada pedacinho da pele alva que agora exalava o delicioso cheirinho de baunilha. Ao final, enxaguaram seus corpos e trocaram a água da banheira, onde ficaram apenas relaxando.
Swan recostada na banheira, tinha sua a mulher deitada sobre seu peito. A loira acariciava o seu rosto e passava seus dedos bem devagar nas costas dela. Conversavam baixinho, apenas aproveitando aquele momento agradável e íntimo, não falaram mais sobre o que ocorrera mais cedo e, sinceramente, Emma preferia assim. O ataque a deixara nervosa, não pelo ato em si, mas pelo medo de Regina não acreditar nela e decidir pela separação.
— Meu bem, vamos sair dessa banheira? — a morena perguntou erguendo o olhar para a namorada.
— Só mais um pouquinho... — respondeu languidamente.
— A água já está ficando fria... E você nem jantou. — comentou beijando o queixo dela.
— Estou sem fome, linda. — disse manhosa.
— Você não vai ficar sem se alimentar, meu anjo. Farei um chazinho para você.
Swan sabia que não adiantaria argumentar então aceitou todo aquele cuidado. Regina saiu da banheira, se enxugou e vestiu uma camisola vermelha e um robe por cima da mesma cor.
Ao chegar na sala se deparou com os cacos de vidro e algumas almofadas caídas pelo caminho, suspirou. Na cozinha, se surpreendeu ao dar de cara com a irmã, que aparentemente estava servindo-se de algo em sua geladeira.
— Sua mulher não te alimenta, não? — perguntou assustando a ruiva que acabou batendo o topo da cabeça na geladeira.
— Mas que porra, Regina! — queixou-se massageando a testa. — Pensei que já estavam dormindo.
— Não, vim preparar um chá para a Emma — suspirou novamente atraindo a atenção da irmã.
— Ok, desembucha. Qual foi a treta que rolou? — perguntou servindo-se de uma fatia de pudim vegano.
Regina hesitou um pouco, mas resolveu contar o que aconteceu para Zelena que ao final estava surpresa com toda aquela história.
— Emma te traindo? Até parece! Aquela mulher é louca por você. Mais fácil porco criar asas, vampiros doarem sangue e mamãe virar santa que a loira te colocar chifres.
— Eu sei, Zelena! Claro que confio na minha mulher, mas até que ela me explicasse tudo o que aconteceu...
— Você já tinha quebrado o pau. — assentiu observando a bagunça da sala — Caralho, Regina, a minha cunhada está mesmo viva?
— Não seja ridícula. Talvez eu tenha arremessado alguma coisa durante a discussão. — disse envergonhada.
— Imagino, eu teria colocado a casa a baixo também. — deu de ombros — Sis, vai fazer o chá da sua mulher que eu cuido disso aqui.
Regina colocou a água para ferver na chaleira enquanto a irmã começou a organizar a sala, coletando os cacos de vidro que tinham se espalhado pelo chão da sala.
— Ainda bem que Henry pediu para ficar na sua casa essa noite. — Regina comentou quando terminaram a organização e o chá ficou pronto.
— Verdade, sis. — respondeu pensativa e sorriu de lado — Escuta, essa tal de Ariel é uma que estudou com as nossas mulheres na adolescência, não é?
— Zelena, eu conheço bem essa expressão. — olhou desconfiada — Você não vai aprontar nada com aquela mulherzinha, estou falando sério.
— Eu? Imagina! — gargalhou — Oh, acho bom você subir para ficar com a sua loira.
— Espera, Zelena... Volte aqui, eu...
A ruiva nem deu ouvidos, saiu praticamente correndo pela porta da cozinha. Regina negou com a cabeça e trancou a porta, decidindo por subir com uma bandeja contendo a xicara de chá e alguns biscoitos amanteigados para Emma.
***
Alguns minutos depois, no bairro vizinho, três figuras inteiramente vestidas de preto se escondiam atrás de arbustos frondoso e observavam o movimento na casa em que seu alvo estava.
— Ainda não entendi o que estamos fazendo aqui. — o mais novo sussurrou.
— Eu já te expliquei, garoto. — Zelena revirou os olhos — É apenas uma doce vingancinha e também para mostrar que estamos de olho.
— Amor, parece que a área está limpa. — Ruby informou.
— Certo, eu vou até lá. — pegou o embrulho que traziam — Fiquem na retaguarda.
— Tia, deixa que eu vou, sou mais rápido. — pediu Henry.
— Está doido, moleque? Se te pegarem a Regina me mata.
— Mas eu quero ir! — puxou o saco de papel da mão da ruiva.
— Não, porra. — Zelena puxou de volta.
— Chega! Eu vou. — Ruby decidiu e saiu correndo até a porta de entrada da casa, ateou fogo ao embrulho e tocou a campainha, correndo de volta até o arbusto.
Quando Ariel abriu a porta, encontrou o saco de papel ardendo em chamas e pisou para apagar o fogo, porém logo o fedor de esterco invadiu suas narinas. Havia caído na pegadinha do saco de fezes em chamas. Um envelope jazia próximo a sujeira, com muito nojo o pegou, verificando que se tratava de um aviso para que não tentasse mais nenhuma armação para cima de Emma.
— Isso não vai ficar assim! — Amassou o papel e gritou de raiva, voltando para dentro de casa mancando para não sujar o piso.
Ariel jurou vingança, mas obviamente não sabia com quem estava lidando.
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