Notas iniciais
Tudo bem, galerinha? Boa leitura!

Agora o som da furadeira estava mais intenso, porém foi interrompido assim que Swan praticamente martelou a campainha com os dedos.

— Apenas gostaria de saber o tipo de pessoa responsável por uma situação dessas. — Regina falou irritadiça, cruzando os braços.

— Se eu não conhecesse os nossos vizinhos diria que se trata de... — seu tom de voz foi diminuindo assim que a porta de entrada foi aberta.

— Ora, ora... Parece que há um pequeno comitê de boas-vindas aqui!

— Zelena e Ruby! Só poderia ser. — Regina completou a fala da namorada que tinha os olhos arregalados diante da surpresa. — Que raios vocês estão fazendo aqui?

— Sis, pensei que fosse mais inteligente. — disse debochada, para variar — Somos suas novas vizinhas, é claro!

— Vocês são duas idiotas sem noção! — Emma negou com a cabeça — Regina até chorou, pensando que iriam para longe.

— E já começo a me arrepender por isso. — a morena bufou.

— Não seja mentirosa! Vocês gostaram da surpresa, eu sei. — Disse a ruiva instigando as mulheres enquanto abria caminho para que elas entrassem na residência. Regina sorriu de lado, estava mesmo feliz em ter aquelas malucas por perto.

— Vocês devem ter rido horrores de nós, principalmente depois daquela promessa ridícula. — a loira acusou, disfarçando o contentamento.

— Promessa que nunca esquecerei e farei questão de lembrá-la todas as vezes que pensar em me chutar da sua casa. — Ruby falou, vindo da cozinha para recebe-las. — Sejam bem-vindas a casa Zeby!

— Casa Zeby? — Regina questionou curiosa.

— É a união dos nossos nomes. — Ruby esclareceu.

— Eu avisei que esse nome era horrível, amor. — a ruiva comentou.

— Você também não gostou de LuMi. — Ruby lembrou-a. — Precisamos de um nome para o nosso shipp.

— Quantos anos você tem mesmo, Rubs? — Emma debochou, rindo da expressão de ofendida da amiga.

— Hey loira, não fale assim com a minha lobinha. — Zelena abraçou a namorada de lado e distribuiu beijinhos em seu pescoço, deixando-a arrepiada.

— Vocês estão sentindo isso? — Regina perguntou, franzindo o nariz.

— O quê? Tesão? — Ruby ronronou.

— Não, esse cheiro... parece alguma coisa queimado... — disse a Mills morena.

— Ah, droga! São os ovos mexidos que deixei no fogo.

Ruby correu em direção a cozinha e, por sorte, conseguiu salvar o alimento antes que tostasse por completo. Logo as outras mulheres se juntaram a ela e se sentaram para tomar o café que a bela cozinheira havia preparado.

— Tem mais panquecas se vocês quiserem — Ruby informou, colocando uma pilha do alimento no balcão.

— Oh, não, acho que até exagerei. — Regina suspirou satisfeita.

— Nem experimentou o mexido de tofu. — comentou a ruiva, oferecendo uma porção do alimento para a irmã. — Gostou?

— Hummm! É bom, sis. — disse saboreando — Ei, amor, prova um pouquinho.

— Não, obrigada. Prefiro comida de verdade. — brincou, mastigando um pedaço de bacon.

— Garanto é mais gostoso do que esse pedaço de porco que está sendo revirado na sua boca. — Zelena rebateu.

— Duvido, cunhadinha. — serviu-se de outra tira — Bacon é tudo! Fala para ela, linda.

— Por favor, me deixem longe dessa contenda. — a morena respondeu, não querendo tomar partido.

— Epa, não admito que venham discutir sobre isso. — moveu as sobrancelhas e sorriu marota. — Afinal tudo o que eu faço é gostoso.

— Eu, heim! Está repreendido. — resmungou a loira, jogando um pedaço de panqueca na amiga.

Terminaram a refeição em um clima leve e descontraído, ouvindo as anfitriãs contarem sobre como conseguiram a casa e os planos que tinham agora que estavam com mais espaço. Zelena resolveu levar a irmã para fazer um tour na casa, enquanto que Emma aproveitou para ajudar a amiga a finalizar o serviço de instalação das prateleiras, já que Ruby estava toda enrolada ao usar a furadeira.

— Loirão, veja se ficou firma essa aqui. — a morena indicou a prateleira que acabara de colocar com o auxílio de Swan.

— Olha, acho que fixou bem, espero que não caia nessa sua cabeça de jumento. — disse analisando o serviço — Acho que terminamos por aqui.

— Sim, agora só falta descarregar meu apartamento de dentro do caminhão. — disse sem graça.

— Que merda, Rubs, ainda estou moída de ontem. Por que você não contratou uma empresa de mudança?!

— E dispensar a mão de obra barata? De jeito nenhum. — deu de ombros — Sossega ai periquita, vou arrumar uns ajudantes da hora.

Quase uma hora depois, a casa estava repleta de adolescentes carregando para cima e para baixo móveis e caixas. Henry liderava a turma nada comportada formada por Lauren, Camila, Dinah, Normani, Ally e Shawn.

— Tia Ruby, onde a gente coloca essa caixa? — Henry perguntou, indicando algumas caixas de papelão.

— Vão deixando por aí, depois a gente sobe com elas. — orientou a turma que foi espalhando a carga pela sala de estar. — Garoto, pede a sua tia para descer aqui um instante.

Henry assentiu e foi atrás da tia para dar o recado, enquanto isso Ruby voltou para a preparação dos hambúrgueres. Um tempo depois, Emma apareceu na cozinha com o rosto vermelho pelo calor e as mãos sujas de carvão.

— Já acendi a churrasqueira e arrumei a grelha. — a loira informou correndo para lavar as mãos na pia.

— Valeu! Daqui a pouco levo essas belezinhas aqui para grelhar. — ponderou, empilhando as carnes de hambúrguer. — Então, deu o recado, garoto?

O rapazinho se aproximou capturando uma fatia de queijo e sentou-se no balcão.

— Ela disse que está muito ocupada e se você quiser, é para esperar e parar de lhe encher a paciência. — levou o pedaço de queijo até a boca e olhou de soslaio para a mãe — Ah, ela também falou palavrão, mas não posso repetir.

— Eita mulher brava que eu fui arrumar. — Ruby falou com os olhos verdes arregalados.

— Ah, mas eu não deixava, viu? — Swan instigou.

— Posso saber o que você não deixaria, Emma Swan?! — a voz rouca fez a xerife dar um pulo.

— Essas caixas vazias pelo caminho, linda. Imagina o perigo! — falou dando um jeito de ir organizando aquela tralha. Regina assentiu e saiu para a varanda, levando garrafas de água para os jovens. Henry aproveitou para pegar outra fatia de queijo e sumiu dali antes que lhe dessem outra missão.

— Você é muito cagona, Emma! — implicou a amiga.

— Eu só não quero contrariar a minha mulher, afinal ela está gravida, não pode se aborrecer. — se defendeu cinicamente.

— De novo essa desculpa? Quero só ver o que vai inventar depois que o bebê nascer. — disse Ruby saindo para o quintal com uma bandeja cheia de carnes de hambúrguer.

Swan deu de ombros e sorriu. Ela era trouxa mesmo por Regina, não era segredo para ninguém que a sua mulher lhe tinha envolta no dedo mindinho. E Emma amava tudo isso!

Já era quase hora do almoço quando os adolescentes haviam terminado de descarregar a bagagem, agora só faltava mesmo organizar uma pequena parte dos móveis. A turminha se encontrava na sala conversando, enquanto que Henry, Lauren e Dinah brincavam com uma antiga bola que toparam no meio da bagunça.

— Crianças, eu já pedi para não jogarem com essa bola dentro de casa, vocês podem quebrar alguma coisa. — disse Regina lhes chamando a atenção, porém logo encontrou o olhar estreito da cunhada em cima dos garotos — Ou alguma coisa pode quebrar vocês.

Foi o suficiente para os adolescentes correrem para fora de casa e improvisarem um jogo de futebol, aproveitando a tranquilidade da rua. Emma se juntou a eles e logo em seguida Zelena, completando a farra. E foi nesse momento que a diretora da escola dos garotos passou pela rua e percebeu que ali, possivelmente, estava a solução de um de seus problemas.

Ruby e Regina estavam servindo os hambúrgueres e os refrigerantes em uma grande mesa no quintal quando ouviram a algazarra. Uma turminha barulhenta vinha trazendo nos ombros a xerife que ria e gritava ao mesmo tempo, pedindo para que a pusessem no chão, Henry e Zelena eram os que comandavam a bagunça, para variar.

— Será que alguém pode explicar o que está acontecendo aqui? — Perguntou uma Regina sorridente com toda aquela cena.

— A senhora Swan é nossa nova treinadora! — Camila falou afoita em meio aos assobios.

— A diretora viu a sua mulher jogando futebol e propôs que ela ocupasse o cargo que ficou vago depois que aquele escroto foi demitido. — Zelena esclareceu com um sorrisão.

— Isso mesmo, mãe. — Henry mal cabia em si de tanto orgulho — Além disso, ela chamou a tia Zel para ser a treinadora assistente.

— Que bela notícia! Eu sempre soube que a diretora era uma mulher inteligente. — Regina exclamou alegre pela namorada, por sua irmã e, é claro, pelos garotos.

— Bem, isso merece um brinde! — Ruby sugeriu, indicando os copos de refrigerante em cima da mesa. — As nossas novas treinadoras!

— Ah, e a Casa Zeby! — Regina lembrou-se, arrancando muitos risos.

Brindaram contentes aquela nova fase em suas vidas.

***

A segunda feira após o feriado chegou preguiçosa na casa de Emma e Regina. Foi uma dificuldade para que retornassem a suas rotinas, principalmente Henry que não queria de jeito nenhum levantar da cama, foi preciso que a loira ameaçasse jogar água fria no garoto.

O café da manhã se tornou uma correria, já que todos estavam em cima da hora. Para complicar, Lola tinha horário marcado no petshop e foi outra luta para a loira conseguir colocar a coleira na cachorra, parecia que a espertalhona estava adivinhando que tomaria banho aquela manhã.

— Vamos, Lola chega de brincadeira. — Regina falou sério ao ver a bagunça que as duas faziam na sala de estar — Sentada!

Prontamente a cachorra se sentou e espero que a dona lhe colocasse a coleira.

— Isso... Muito bem, menina. — agradou com a voz doce, afagando o pelo cor de chocolate. — Vamos, amor.

— Vamos, mas deixo registrada a minha queixa contra essa daí. Inacreditável um desrespeito desses...— Swan saiu reclamando, fazendo a namorada rir.

Lola entrou no carro, se acomodando no banco traseiro e seguiu feito uma mocinha, pelo menos até a hora que se viu momentaneamente sozinha dentro do carro. Foi só o tempo de a loira acompanhar a namorada até a sua sala no Centro Social para que a cachorra fizesse a maior agitação dentro do automóvel.

— Bom dia, Xerife. — cumprimentou o porteiro do prédio — Acho que o seu cachorro está com fome.

— O quê? Mas... — seu olhar pousou na cadela que pulava dentro do carro de um lado para o outro e mordia o estofado da poltrona da frente. — Que droga! Lolaaaa! Pára, Lola... filha da mãe.

A cadelinha percebeu sua presença e a encarou com aqueles grandes olhos brilhantes e alegres, a cauda mexia sem parar igual a um espanador.

— Sua sem vergonha, se aproveita porque sabe que eu não tenho coragem de brigar com você!

Quando se sentou ao volante, acabou levando um lambeijo no rosto. Negou com a cabeça e começou a rir. Como seria capaz de se zangar com um serzinho tão fofo e adorável?! Ocupada com as traquinagens da mascote da família, não percebeu o sedan estacionado do outro lado da rua e sequer pressentiu que o seu passado apareceria para lhe atormentar.

***

Já havia escurecido quando Swan chegou em casa. A loira respirou fundo e girou a maçaneta, sentindo-se trêmula pelo o que acabara de acontecer. Se arrependimento matasse... O olhar aflito de Regina caiu sobre si, deixando-a ainda mais nervosa e culpada.

— Amor, onde você estava? — perguntou em meio a ação de lavar um copo na pia — Fiquei preocupada com a sua demora e... Que cheiro horrível é esse?

— E-eu.. que cheiro, linda? — engoliu em seco.

— Esse fedor de perfume barato que estou sentindo. — encarou-a seriamente e estreitou o olhar na figura loira — Talvez queira me explicar o que é essa marca de batom na sua blusa.

Swan abriu e fechou a boca, sem conseguir emitir nenhum som sequer, principalmente ao encontrar o olhar de sua mulher repleto de raiva, decepção e dor.

— Você me traiu, Emma Swan?!