Luz da minha vida
42 Capítulo 42
Notas iniciais
Os empregados da mansão Mills andavam pisando em ovos desde que a patroa havia voltado do breve passeio. O motorista não ocultava o assombro ao narrar como a Sra. Mills ficara transtornada ao chegar no prédio em que a filha morava e perceber que Regina tinha deixado de residir no imóvel há vários meses, inclusive o apartamento estava até mesmo alugado.
— Nunca vi a patroa daquele jeito. — dizia o motorista, nervosamente passando a mão nos fios ralinhos que enfeitavam sua calvície.
— Nem quando a senhorita Zelena jogou tinta vermelha em seus casacos de pele? — A cozinheira questionou com a testa franzida.
— Parece que coisa é mais séria, me lembra a ocasião em que a senhorita Zelena foi expulsa da escola. — respondeu o motorista, servindo-se de uma xicara de café.
— A pergunta que não quer calar é... Onde está a senhorita Regina?! — o jardineiro indagou, arrastando uma cadeira para que pudesse se juntar aos colegas.
— Ninguém sabe, mas quando fui servir jantar ouvi a patroa ao telefone pedindo a indicação de um detetive. — cochichou a empregada.
— Algo me diz que esse é apenas o início dos problemas. — a governanta comentou sabiamente sob os olhares atentos de todos ali.
Com a visita de Graham Humbert puderam comprovar a veracidade daquelas palavras. Da cozinha podiam ouvir os gritos alterados da patroa durante a conversa, algo distinto a sua personalidade fria e controladora.
— Exigi apenas uma coisa, uma única maldita coisa...E não foi capaz de fazer. — Cora Mills tinha os olhos injetados de fúria encarando o homem a sua frente. — Deveria somente se casar com Regina e eu lhe daria a presidência da Mills!
— Estávamos caminhando para isso, planejei pedi-la em noivado, mas você sabe como Regina pode ser difícil. — Graham deu de ombros.
— E você um idiota que não soube manter as calças fechadas.
— Ora, eu sou homem, tenho minhas necessidades. — ele se defendeu — O problema foi aquela história da gravidez, fiquei assustado.
— Não passa de um moleque inútil que não conseguiu segurar uma mulher. — disse com o rosto corado pela raiva. — Esqueça a proposta que lhe fiz, certamente não serve para estar à frente de minha empresa.
— Mas Cora...
— Cale-se! Estou farta de tanta incompetência, me recuso a ouvir mais bobagens. — rugiu, chamando a atenção do segurança. — Retire-se, meu segurança o acompanhará.
— E quanto ao meu carro? — questionou insatisfeito — Preciso que me compense, afinal sua filha quem o quebrou.
— Zelena é maior de idade, pode responder por seus atos, se quiser vá cobrar indenização dela. — sinalizou com a cabeça para o segurança — Agora desapareça da minha frente.
Cora assistiu um Graham contrariado deixar a sua casa. Negou com a cabeça e pôs-se a andar de um lado para o outro até para em frente ao aparador, onde haviam porta-retratos com as fotos da família.
— Bem, se quiser algo bem feito, faça você mesma. — disse encarando uma fotografia em que aparecia elegantemente sentada em uma poltrona, ladeada pelas filhas. — Preciso apenas colocar os pensamentos em ordem e calcular meus próximos passos.
***
Alheias ao que acontecia do outro lado do país, Regina e Emma estavam ocupadas em convencer Zelena e Ruby a não se mudar. Tudo havia começado no dia anterior quando a corretora contratada pela ruiva tinha entrado em contato com o casal, informando que encontrara a casa perfeita para elas. O local parecia ser incrível mesmo, pois fecharam o contrato no mesmo dia e agora eram as orgulhosas locatárias de uma bela casa, segundo Ruby.
— Vocês não precisam ir, sabem disso, não é? — Emma falou intercalando o olhar entre as amigas.
Estavam no antigo apartamento de Ruby, ajudando a empacotar as coisas e carregar os móveis que levariam para a nova residência.
— Gente, já está na hora. Logo vocês vão começar uma reforma, depois tem que organizar o quarto do bebê. — Ruby explicou pela centésima vez. — Deixem de drama.
— Não é drama, apenas não queremos que vá. — disse Regina com a voz embargada.
— Nossa, nem quero imaginar quando for a vez do moleque sair de casa para a faculdade. — Zelena comentou ao ver a irmã caindo no choro, amparada por Emma. — Chega, sis, não é o fim do mundo! Até parece que iremos para o outro lado do país.
— O negócio é o seguinte... Vocês vão nos prometer fazer visitas sempre que estiverem por perto. — Emma disse taxativa.
— Socorro, esse momento é meu! Alguém filma essa declaração, faz favor. — Ruby sacou o celular e o entregou para a namorada — Amor, grava bem o que essa loira está dizendo porque depois precisarei de provas.
— Estou filmando. Pode repetir, cunhadinha? — disse a ruiva entrando na brincadeira, fazendo Regina sorrir.
— Não sejam palhaças. — revirou os olhos — Agora vamos voltar ao trabalho, pois essas caixas não vão se organizar sozinhas.
Terminaram de encaixotar e desmontar os moveis quase no fim de tarde, assim Ruby, Emma e Zelena trataram de colocar tudo no pequeno caminhão sob orientação de Regina.
— Bom trabalho, galera, acho que já guardamos tudo. — informou Ruby, abraçando por trás a namorada, depois de avaliar o baú do caminhão que havia locado.
— Por fim, já não aguentava mais carregar essas suas tralhas. — implicou a loira, ocupada em prender as madeixas em um coque frouxo.
— Eu também não. Nunca vi pessoa para acumular tanta bobagem, amor. — Zelena disse se virando para fitar a namorada.
— Ei, guardo apenas o essencial. — cruzou os braços — Um dia nos podemos precisar dessas coisas, vai saber.
— Ok, vou fingir que acredito. — Zelena arqueou a sobrancelha — Só esteja avisada que em breve teremos uma venda de garagem.
— Até parece que vou me livrar das minhas coisas, vai sonhando... — a morena de olhos verdes resmungou se afastando.
— O que você disse, Ruby Lucas? — a ruiva perguntou com as mãos na cintura.
— Nada, Leninha, só estava cantando. — respondeu depressa, abrindo a porta para a namorada subir no veículo.
— Isso porque ela comia na sua mão, né Rubs?! — Emma debochou quando a amiga passou por ela.
Regina verificou se o apartamento estava devidamente trancado e se juntou a Swan, olhando curiosamente para a janela da residência ocupada pela avó da cunhada. Franziu o cenho quando percebeu uma breve ondulação das cortinas, indicando que estavam sendo observadas.
— O que foi, linda? — a loira perguntou ao ver a namorada dispersa.
— Eu tive uma leve impressão de que a Sra. Lucas estava naquela janela, onde tem a jardineira.
— Provavelmente você a viu mesmo. Elas mal se falaram depois da discussão e quando Ruby contou que se mudaria, ela pareceu não se importar. — suspirou, enlaçando a cintura arredondada da morena.
— Que situação chata, espero que essa senhora perceba o grande erro que está cometendo. — ergueu o olhar, fitando o belo par de esmeraldas.
— Eu também, amor... eu também. — disse selando seus lábios.
Sons de buzina chamaram a atenção do casal, fazendo com que se apressassem até o outro carro, parado no meio fio. O combinado era seguirem até a casa de Emma para passar a noite e no dia seguinte, iriam para a nova residência descarregar a mudança.
Era domingo de manhã, bem cedo, o típico dia em que todos queriam dormir até mais tarde, exceto um casal bem desajuizado.
O relógio marcava exatamente 6:37h da manhã, o sol ainda estava tímido, quando começou um incomodo som de furadeira. Emma se revirou na cama, se desvencilhando da namorada e tentou inutilmente usar o travesseiro para abafar o barulho.
— Sério?! Só pode ser brincadeira. — sussurrou irritada.
Depois de alguns segundos, o barulho parou e ela pôde tentar voltar a dormir ao lado da morena, que acabou despertando com tanto movimento.
— A menos que tenham formigas na cama, é bom que você sossegue, Swan. — Regina murmurou sonolenta.
Swan suspirou e se acomodou novamente debaixo dos lençóis, já estava pegando no sono quando novamente veio o som de furadeira.
— Que droga! Não acredito em uma coisa dessas! — choramingou, esfregando o rosto sonolento. Começou a se remexer pelo colchão de novo, embolando todo o cobertor.
— Já tive o bastante disso, para mim chega! — disse a morena aborrecida, se levantando da cama.
— O que você vai fazer, linda? — perguntou com os olhos arregalados, observando-a alcançar o robe.
— Eu não, você. — apontou enérgica para a porta, após se vestir — Use toda a sua autoridade de xerife e acabe com esse barulho!
Uma Emma descabelada e usando apenas um robe por cima do pijama, atravessou o gramado de sua casa até o território vizinho, a fim de acabar com aquela bagunça. Regina vinha logo atrás com uma carinha de brava que tirava a concentração de qualquer um, principalmente de certa loira, tanto que sequer notou o caminhãozinho estacionado em frente à casa vizinha.
Agora o som da furadeira estava mais intenso, porém foi interrompido assim que Swan praticamente martelou a campainha com os dedos.
— Apenas gostaria de saber o tipo de pessoa responsável por uma situação dessas. — Regina falou irritadiça, cruzando os braços.
— Se eu não conhecesse os nossos vizinhos diria que se trata de... — seu tom de voz foi diminuindo assim que a porta de entrada foi aberta.
— Ora, ora... Parece que há um pequeno comitê de boas-vindas aqui!
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