Luz da minha vida
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Regina revirou os olhos ao ouvir o nome do pai de Henry. Sentia refluxo só de pensar naquele ser humano. Levantou-se da cama e seguiu para o banheiro, pedindo mentalmente que o súbito telefonema não fosse sinônimo de problemas.
— Você só pode estar de brincadeira comigo! — Emma falou indignada — Não acredito que me ligou essa hora da manhã para falar merda.
— Então para você deve estar tudo bem o garoto agir desse jeito?
— Continuo sem entender o porquê desse chilique todo. Afinal, qual o seu problema, cara? — passou a mão livre pelos cabelos revoltos.
— Não estou criando um filho para ser afeminado, Emma. — berrou indignado.
— Em primeiro lugar, baixa a bola ai, cara! Você não tem moral para abrir a boca e dizer que está criando o seu filho.
— Está sendo injusta comigo. — mudou o tom de voz, fazendo-se de vítima.
— Sério? Até onde eu sei visitas anuais e ligações mensais não significam que você está criando e muito menos educando alguém.
— Eu sempre dei tudo o que o menino pediu!
— Exceto a sua presença na vida dele. Auxílio financeiro e presentes caros não substituem o seu papel de pai, Neal! Quando vai aprender isso?
— Já disse que ando muito sobrecarregado no trabalho, preciso conseguir uma conta muito importante. — se justificou de uma forma nada convincente.
— Isso não é desculpa para negligenciar o Henry. — sentou-se na beirada da cama, revoltada. Cassidy trazia sempre a mesma justificativa.
— De qualquer forma, o que você está fazendo que não presta atenção no garoto, deixando que ele passe ridículo na cidade? Posso estar distante, mas estou bem informado do que acontece com meu filho.
— Quem está fazendo papel de ridículo é você. Está tão bem informado que não sabe que se trata de um trabalho da escola, onde a classe de Henry precisa cuidar de um falso bebê.
— É um absurdo a escola entregar bonecas para os rapazes tomarem conta.
— Sim, deve ser um absurdo enorme querer que eles tenham responsabilidades em relação a gravidez precoce. — se expressou em um tom mais debochado que podia. Regina que saía do banheiro sorriu ao ouvir o que a loira falava — Mas sabe o que é pior? Querer que esses meninos, quando se tornarem pais, cuidem de seus filhos. Veja só, um homem sendo pai de verdade, não apenas no papel!
— Emma, eu...
— Você vai engolir todo esse seu preconceito idiota e vai apoiar o seu filho, Neal. Eu não vou aguentar desaforo, principalmente vindo de você.
Irritada, a loira interrompeu a ligação. Sinceramente não tinha paciência para lidar com Neal, o homem era tão babaca que a tirava do sério na maioria das vezes em que se falavam.
— Se eu soubesse que ficaria chateada, não teria permitido que o atendesse. — disse Regina se aproximando da namorada. Usava apenas um par de lingeries bordô.
— Ele teria insistido o dia todo, amor. — suspirou abraçando a cintura arredondada de Regina. Encostou sua face na lateral da barriga, sentindo a pele morena sob o seu tato.
— Será que ele vai causar problemas? — acariciou levemente os fios loiros.
— Espero que não. — ergueu o rosto encarando os olhos amendoados.
— Caso queria conversar sobre, estou aqui.
— Eu sei, linda. Não se preocupe com aquele idiota, ok? — beijou o ventre carinhosamente. — Bom dia, pandinha.
— Oh, ela se mexeu! — sorriu levando a mão ao local em que sentiu a leve movimentação — Acho que está cumprimentando a mamãe Emma.
Swan se desdobrou em sorrisos bobos, não via a hora de sentir os pequenos chutes de sua princesinha.
Quando o casal desceu, encontraram a mesa do desjejum organizada e uma ruiva se deliciando com uma boa xicara de café. Obviamente Ruby havia passado por ali.
Emma, ainda chateada com o episodio do Neal, estava com o semblante sério, o que aguçou a curiosidade da cunhada.
— Qual foi o bicho que mordeu a loira? — perguntou discretamente para a irmã.
— Discutiu com o Neal. — Regina respondeu apenas movimentando os lábios, sem emitir som.
— Heim? Não entendi. — a ruiva falou em um tom mais alto, atraindo a atenção da loira — Quem é esse tal de Nilo?
Emma franziu o cenho, mas logo compreendeu aquela conversa estranha. Sorriu ao ver a namorada enviar um olhar aborrecido para a irmã.
— O quê? Eu não sei essa droga de leitura labial, sis.
— Você é uma causa perdida, Zelena. Neal é o pai do Henry. — A morena esclareceu.
— Sim, e daí? — mordeu despreocupada a torrada com geleia.
Emma explicou superficialmente a discussão para a cunhada, Regina também aproveitou para comentar alguns pontos sobre a ausência do homem na vida do filho.
— Ou seja, esse cara é um idiota. — a ruiva concluiu. — Por que você não o manda ir se foder?
— Aí vem o principal motivo. — Regina respondeu indicando a chegada de Henry.
O garoto murmurou alguns cumprimentos e praticamente se arrastou até a mesa, com o semblante cansado que denunciava a noite mal dormida. O motivo da indisposição, ou seja, Henriet, estava acomodada no peitoral de Henry, em uma espécie de sling improvisado.
— Querido, parece que você teve uma noite difícil. — Regina falou complacente.
— Difícil? Ele levou um verdadeiro baile dessa boneca estranha. — a ruiva implicou — Juro que estava a um passo de chamar os irmãos Winchester.
— Será que ela está com defeito? — Henry perguntou esperançoso. — Não deve ser normal chorar tanto.
— Sinto muito, querido, mas bebês agem dessa mesma forma. — disse a morena.
— Na verdade, bebês reais exigem mais cuidados, pois sentem cólicas e outros desconfortos. — Emma informou, fazendo o garoto choramingar. — Criar um filho não é fácil, Henry.
— Mães, já que vocês entendem tanto de crianças, o que acham de ficar um pouquinho com a sua neta? — deu um sorrisinho amarelo.
— Quando porcos criarem asas talvez. — Swan respondeu tranquilamente, se servindo de uma porção de ovos mexidos.
— Tia Zel...
— Me erra, garoto. Eu que não vou servir de babá para a Tiffany. — fez referência a boneca, personagem do filme A noiva de Chuck.
Henry suspirou. Achava que tomar conta daquele falso bebê seria a coisa mais fácil do mundo, que tiraria de letra. Nunca esteve tão enganado!
***
A casa inteira exalava um cheiro maravilhoso de biscoitos, resultado das várias fornadas que Regina e Henry assaram naquela tarde. Tudo para que o garoto pudesse levar os cookies para um evento que aconteceria em sua escola no dia seguinte.
Mãe e filho cozinhavam, cantavam e degustavam os biscoitos ao som de uma playslist escolhida pelo garoto quando, de repente, buzinadas quebraram a harmonia. Regina saiu para a varanda afim de verificar do que se tratava aquele barulho irritante e, para a sua surpresa, encontrou um Mercedes estacionado no meio fio, em frente a casa. A morena arregalou os olhos e levou palma da mão até a boca, não acreditando no que estava vendo.
— E aí, gata? — apoiou o cotovelo na janela do automóvel. — Aceita uma carona no meu possante?
— Zelena! Esse é o meu carro, mas como...?
— Mandei que trouxessem antes de viajar, irmãzinha.
— Adorei a surpresa, sis. — sorriu dando a volta no carro, mas parou ao se atentar a um detalhe.
— Eu penso em tudo, fala a verdade! — disse se vangloriando — Já pode me agradecer.
— Sim, mas antes quero saber o que foi esse amassado. — pôs as mãos na cintura, encarando a ruiva que fazia cara de paisagem.
— Então, você acredita que uma caixa de correio apareceu do nada quando eu estava manobrando?!
— Eu não acredito é no fato de você ter conseguido a habilitação. — negou com a cabeça. — Dê-me as chaves, vou colocar o carro na garagem antes que outro misterioso objeto se materialize e cause mais um amassado.
Henry havia acabado de ligar a televisão, quando as irmãs entraram em casa. O garoto apenas sorriu, pois era hilário assistir a implicância de uma com a outra.
— Regi, coloquei a duas últimas fornadas de cookies para assar. — informou, sintonizando em um canal de animes.
— Obrigada, meu príncipe. — acariciou-lhe os fios escuros.
Zelena sendo a melhor tia do mundo, capturou o controle remoto e trocou de canal sem se importar com o garoto que estava acompanhando o desenho.
— Hey, eu estava assistindo! — Henry protestou.
— Exatamente. Você “estava” assistindo. — piscou implicante.
— Mãeee, a tia Zel não me deixa ver meus animes. — se queixou para a morena.
— Zelena, pelo amor de Deus. — Regina bronqueou, defendendo o filho, que fazia caretas debochadas para a ruiva — Você está implicando com uma criança!
— Que porra, Regina! — revirou os olhos, se levantando do sofá e seguindo para a cozinha — Olha o tamanho desse moleque, de criança não tem nada. Além disso, ele passa a tarde inteira assistindo South Park! Graças a esse desenho aprendi palavrões suficientes para renovar meu repertório.
A ruiva continuou reclamando nos ouvidos da irmã, Regina por sua vez fingia nem ouvir as queixas infantis que Zelena fazia. Na verdade, a morena estava se segurando para não gargalhar do bico manhoso.
— ... E eu também tenho diretos nessa casa, sabia? Em algumas partes do mundo, as visitas são tratadas como se fossem da realeza — continuou a ruiva.
— Ainda bem que estamos nos Estado Unidos, não é mesmo? — respondeu tranquilamente, retirando uma bandeja de biscoitos do forno.
— Huumm! O cheiro está ótimo, devem estar uma delícia. — falou já esticando a mão para pegar um cookie.
— Esses são para a escola do Henry. Não mexa! — deu um tapinha na mão da irmã. — Separei a última bandeja para o lanche da tarde, já que comemos a outra.
— Vocês comeram uma bandeja inteira de cookies!
— Sim, comemos! — ergueu uma sobrancelha — Por que?
— Misericórdia. — sussurrou assombrada pelo apetite da irmã — Por nada, sis. Só curiosidade.
Regina estreitou os olhos e foi até a dispensa ao lado da cozinha para buscar algumas embalagens. A ruiva deu de ombros e capturou mais dois biscoitinhos.
— Ei, tia. O que você está comendo?
— A língua dos perguntadores. — disse enfiando outro cookie na boca.
— Você está devorando os cookies da escola! Ô mãe, a tia Zelena está acabando com os cookies.
— Você parece uma criança, Zelena! Eu já disse para não mexer nesses biscoitos. — gritou lá de dentro.
— Moleque fofoqueiro. — arrepiou o cabelo dele e fugiu com mais alguns cookies.
Quando estava passando pela sala, encontrou Emma entrando em casa. Swan pendurava o casaco no armário quando viu a ruiva atravessar a sala com um punhado de biscoitos.
— Zelena, recebi uma ocorrência da vizinha, a Sra. Hannes, sobre uma caixa do correio depredada. Você sabe me dizer algo a respeito?
— Como é que eu vou saber? — deu de ombros — A xerife aqui é você, cunhadinha.
— Relataram que viram uma ruiva ao volante.
— Essa bela cor de cabelo infelizmente não é exclusividade minha. — se fez de inocente e a loira a olhou desconfiada. — Ei, a sua mulher fez biscoitos. Corre lá, cunhadinha!
Emma não continou a conversa e ingenuamente foi atrás dos cookies. Zelena saiu feito um raio de casa, mas ainda pôde ouvir o rugido de Regina.
— É, acho que posso me acostumar com essa cidade. — cruzou as pernas ao sentar-se no balanço da varanda, observando a Sra. Hannes praguejar em sua direção com o punho fechado, do outro lado da cerca.
Lógico que ela arcaria com os prejuízos, não era nenhuma inconsequente, mas isso não a impedia de se divertir um pouquinho.
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