Luz da minha vida
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Alguns minutos depois, Emma saiu do quarto com a desculpa de que iria até a lanchonete, mas sua intenção era dar oportunidade para que as irmãs conversassem. Quando estava no corredor, deu de cara com Ruby e Henry.
— Ei, filho. — beijou a testa do garoto — O que estão fazendo aqui?
— Leninha ligou para informar sobre a Regina, disse que ela ficaria em observação. — Emma assentiu — Por isso trouxemos essa bolsa com mudas de roupa e itens de higiene.
— Você é maravilhosa, Rubs. Obrigada, amiga!
— Eu sei, meu bem. — disse convencida.
A conversa foi interrompida pela aproximação da médica, acompanhada da enfermeira responsável pela ala.
— Emma, o meu turno está finalizando, mas já repassei o prontuário de Regina para o meu colega que vai assumir o plantão. — informou.
— A minha mãe e a minha irmãzinha estão mesmo bem? — Henry indagou, queria se certificar de que não estavam escondendo nada.
— Estão ótimas, rapazinho. — Kristin sorriu com simpatia. Em seguida indicou a enfermeira ao seu lado. — Por favor, confirmem para a enfermeira o nome de quem acompanhará Regina durante a noite.
No quarto, Zelena estava cheia de cuidados com a irmã, inclusive se ofereceu para dar a comida na boca assim que a ceia chegou.
— Sis, sossega, por favor. Vem aqui! Já sei o que está passando por essa cabecinha ruiva! — deu duas batidinhas na beirada do leito — Não foi sua culpa. Pode esquecer essa ideia absurda.
— Claro que foi! Exagerei tanto que a minha cavalice te colocou nessa cama de hospital.
— Não seja boba. — indicou novamente a cama — Você quer fazer o favor de sentar?
— Emma comentou que você havia passado mal também na noite em que liguei. — sentou-se ao lado dela.
— Apenas fiquei preocupada com a sua reação explosiva. Temia que fizesse alguma besteira caso soubesse o que aconteceu.
— Vontade não me falta, irmãzinha. — respirou fundo — Mas vou respeitar sua escolha, principalmente em relação a dona Cora.
— Obrigada. — sorriu do semblante contrariado da ruiva — Sis, lembrar-me do que passei não me deixa mal, não mais. Afinal, libertei-me de relações toxicas, de um emprego que não me completava e um estilo de vida que não me satisfazia. — encarou os olhos azuis brilhantes a sua frente — Encontrei tudo o que sempre busquei ao lado de Emma e nunca fui tão feliz.
— Mas....?
— Mamãe me magoou profundamente. Relembrar todas a palavras duras que ela usou para me atingir mexe com o meu emocional de uma forma que eu nem sei explicar. Então, eu te peço para não trazer esse assunto de volta e, principalmente, para não entrar em contato com ela.
— Relaxa, sis, pois dessa vez a dona Cora escapou. — disse, pousando a destra na barriga da morena. — Deixo claro que estou fazendo isso por você e pela minha sobrinha.
— Obrigada, Zel. Eu só quero ter uma gravidez tranquila, sem me preocupar com mamãe batendo em minha porta.
— Até porque ninguém merece topar com Cora Mills na porta de casa. Se bem que seria útil no Halloween, você sabe, para assustar as crianças, mas o feriado já passou então... — brincou, fazendo a irmã sorrir.
Ouviram algumas leves batidas na porta e logo o trio que aguardava do lado de fora entrou para visitar a gravidinha. Logo Regina se viu envolta de cuidados e muitos mimos vindos de sua família, porém não puderam ficar por muito tempo, afinal o horário de visitas havia terminado.
— Emma, eu gostaria de acompanhar a Regina durante a noite. — disse a ruiva, tocando no ombro da cunhada. Aproveitou para abordar o assunto, já que a irmã estava distraída se despedindo de Ruby e Henry.
— Tem certeza? Você chegou de viagem e mal teve tempo de descansar. Eu posso ficar com a minha morena, sem problemas.
— Passei tanto tempo longe da minha irmã e depois desse susto que a safada nos deu, eu só quero estar com ela, cunhadinha.
— Tudo bem, Zel. — sorriu para a ruiva — Sua namorada trouxe algumas coisas de casa naquela bolsa, mas se precisarem de algo é só ligar.
— Vai tranquila, loira. Nós faremos apenas uma festinha do pijama básica, nada demais.
— Você nem é doida, Zelena!
O semblante alarmado da xerife fez a ruiva gargalhar, atraindo a atenção de todos, principalmente de Regina que estava satisfeita por ver que ambas estavam se entendendo.
— Amor, sua irmã vai passar essa noite com você. — a loira informou, sentando-se ao lado da namorada. — Mas cedinho eu venho te buscar, certo?
— Tudo bem, meu anjo. — Regina sorriu, erguendo a destra para afastar uma mecha dourada do rosto amado. — Tenta relaxar, por favor.
— E você também, lembre-se do que a médica falou.
— Amo você! — a morena declarou, lhe acariciando a face.
— Também te amo, linda. — Swan beijou-lhe os lábios e, em seguida, beijou a barriguinha coberta pela camisola — Tchau, amorzinho da mamãe.
Depois que as visitas se foram, as irmãs conversaram mais um pouquinho enquanto assistiam a um programa de variedades na televisão, mas logo adormeceram. Regina sonolenta pelos medicamentos e Zelena devido ao cansaço da viagem.
Durante a madrugada, a enfermeira passava para examinar a paciente, constatando que estava tudo normal. E assim passou a noite, sem sustos. Na manhã seguinte, Regina já se preparava para voltar para casa.
— Zel, eu posso tomar banho sozinha.
— Porra, Regina! — ralhou enquanto enxaguava as costas da irmã — Cala a boca e me deixa te ajudar.
— Sabe o que isso me lembra? As vezes em que caía de bêbada nas festinhas e eu tinha que cuidar de você.
— Bons tempos, fala a verdade. Sua adolescência seria uma merda se não fosse por mim.
— E eu não teria me metido em metade das encrencas.
— Ingratidão é foda. — alcançou a toalha e a desdobrou para acolher a irmã — Vem, bunda de tanajura.
Zelena também a ajudou a se enxugar e vestir. Logo estavam tomando o desjejum e aguardando Kristen para autorizar a alta médica.
— Para um hospital até que a comida estava boa. — concluiu a ruiva, afastando as bandejas vazias.
— Sim, estava ótima. — suspirou — Comi além da conta.
— Você não comeu quase nada, Regina! — revirou os olhos. — Termina o suco pelo menos.
— Não, estou satisfeita, criatura implicante.
— Pois eu não estou. — fez beicinho — Quero meu cigarro. Onde você escondeu?
— Mal levantei da cama, Zel. — cruzou os braços, observando a irmã procurar a carteira de cigarros — De que forma eu esconderia essa porcaria?
— Ah, aqui estão vocês, meus queridinhos! — sorriu ao encontrar os cigarros — Será que vão perceber se eu acender no banheiro? Estou com medo daquela enfermeira.
Regina sorriu, lembrando-se da noite anterior. Zelena havia saído para se despedir da namorada no estacionamento e, obviamente fumar um pouco, quando a enfermeira chefe passou o maior sermão sobre as consequências do tabagismo.
— Acende esse cigarro e eu te faço engoli-lo inteirinho, Zelena.
— Rude! Eu só estava brincando para descontrair. — olhou de soslaio para a irmã.
— Como se eu não te conhecesse, irmãzinha. — negou com a cabeça.
Não tardou para a xerife chegar, ansiosa para ver a namorada. O casal então ficou em uma melação tão grande, que fez Zelena agradecer quando a médica entrou no quarto, trazendo o prontuário da paciente em mãos.
— Passei para verificar como estava antes de ir, Regina. — informou a médica loira.
— Estou ótima, Kristen. Pronta para voltar para casa.
— Sim, estou vendo. — sorriu suavemente — Sua alta já está assinada. Preciso apenas que mantenha o repouso pelo restante do dia e que evite o estresse.
— Posso voltar ao trabalho amanhã? — a morena questionou.
— Sim, poderá voltar as atividades normais, incluindo o sexo. — sorriu de lado.
— Agora sim, hein, cunhadinha! — falou a ruiva, dando um empurrãozinho em Swan, que estava vermelha de vergonha.
Lola ficou enlouquecida quando chegaram em casa. Regina precisou de alguns minutos agradando-a para que a filhote se acalmasse. Assim que Lola deu uma trégua, Emma pegou a namorada no colo, levando-a direto para seu quarto. A morena nem ao menos questionou dessa vez, pois amava estar nos braços de sua mulher.
— Pronto. Está entregue, minha rainha. — disse a xerife ao colocar a morena na cama de casal. Sentou-se ao lado dela e retirou-lhe os sapatos com delicadeza.
— Obrigada, amor. — tomou a mão da loira, beijando-a carinhosamente. — Você tem mesmo que ir trabalhar?
— Sim, vida. Hoje está agitado por lá e ainda preciso entregar os relatórios para a prefeitura. — beijou-lhe os lábios, percebendo que a amada estava sonolenta — Tentarei chegar mais cedo.
A loira ficou no quarto até que Regina pegou no sono, o que aconteceu em questão de poucos minutos. Pegou as chaves do carro e desceu rapidamente, encontrando Ruby e Zelena no maior amasso no sofá da sala.
— Sosseguem, vocês duas! — apontou para ambas e, em seguida, saiu de casa.
— O que foi que ela disse? — Ruby franziu a testa, encarando os olhos azuis.
— Ela disse “Se peguem, vocês duas”. — deu uma piscadinha safada.
— Então vamos obedecer! — a morena em um movimento rápido, deitou a namorada no sofá, retomando o que haviam parado.
Nunca uma ordem foi tão gostosa de ser cumprida.
***
Em Weston High School, mais especificamente na turma de Henry, a professora Medeiros terminava de passar um vídeo sobre educação sexual e listava as consequências de uma gravidez precoce.
— Qual é professora... Cuidar de um bebê nem é tão difícil assim. — disse Dinah Jane Hansen, a humorista da turma. — Eu ajudei meus pais com os meus irmãos menores.
— E olha que a casa dela é quase uma creche, professora. — Lauren se intrometeu, zoando a amiga.
— Ninguém te chamou na conversa, folha A4. Fica na sua. — devolveu Dinah.
— Isso é uma roda de conversa, Cheechee. Ela pode opinar se quiser. — Camila tomou partido da namorada e continuou o bate-boca.
— Poxa morena, você nem me defende! — Dinah reclamou para Normani, que assistia tudo ao lado de Camila.
— Amorzinho, seus pais nem eram adolescentes. — Normani falou tranquilamente — Não sei porque está criando caso se o assunto é gravidez precoce.
— Vocês estão atrapalhando a aula. — Allyson apontou com a cabeça para a professora que as observava, exasperada.
— Silêncio, meninas. — a docente bateu no quadro branco com o apagador, chamando a atenção da turma — Camila, saia do colo da Lauren e vá sentar no seu lugar. Muito bem, como eu estava dizendo... A adolescência em si já é uma fase bem complicada e conturbada para se passar, imaginem somado a isso uma gravidez. Teriam que deixar seus sonhos em segundo plano para ter que cuidar da vida que será responsável a partir daquele momento. Vocês estariam prontos para enfrentar essa situação?
A sala inteira permaneceu em silêncio, refletindo sobre as palavras da professora.
— Deixarei que vocês tirem suas próprias conclusões. Minha proposta de atividade vale metade da nota, dependendo do desempenho de vocês pode ser que aumente a pontuação. — sorriu encarando a expressão atenta dos adolescentes. — Vocês vão passar um mês, a partir de hoje, cuidando de um bebê de brinquedo.
— Sério, professora? Isso vai ser moleza. — Henry comemorou, chocando a mão com a de Dinah.
— Tem certeza? Essa boneca é programada para agir como um recém-nascido de verdade. E, além de cuidar do brinquedo, quero que entreguem um relatório narrando as suas experiencias com o bebê e também uma simples planilha de custo, justificando os gastos que a criança gerou. — a senhorita Medeiros entregou para alguns alunos as bonecas. — Escolham seus parceiros, pois o trabalho será em dupla. Creio que nem precisaria dizer que terão que levá-los para qualquer lugar que forem, inclusive para a escola.
Henry olhou ao redor, procurando por sua vizinha crush, mas para a sua decepção a menina já estava conversando com um garoto. Sua esperança de formar uma dupla com Violet tinha ido por ladeira abaixo. As amigas já haviam encontrado suas duplas, concluiu observando Camila e Lauren com um bebê no colo. Dinah e Normani também formaram uma dupla assim como fizeram Ally e Shawn.
— Henry, você já encontrou algum colega para fazer o trabalho? — a senhorita Medeiros indagou. O menino apenas negou com a cabeça, desanimado — Violet está sem par. Gostaria de fazer o trabalho com ela?
— C-claro... Claro, professora!
O garoto poderia jurar que tinha visto um sorrisinho tímido nos lábios de Violet, porém estava muito animado para ter certeza. Sem dúvidas, daquele momento em diante a senhorita Medeiros havia se tornado a sua professora favorita.
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