Luz da minha vida
20 Capítulo 20
Notas iniciais
A claridade que adentrou pelas frestas da cortina lhe despertando. Franziu a testa enquanto passava sua mão repetidas vezes pelo rosto, soltando um inaudível murmúrio enquanto abria lentamente os olhos para logo tampá-los rapidamente com a mão, sentido os raios do sol lhe causar uma pequena ardência na vista sensível. Virou seu corpo preguiçosamente para o outro lado, ficando de costas para a janela e assim se atreveu novamente a abrir os olhos e então passá-los por cada canto daquele quarto, ao mesmo tempo que, em seu rosto surgia um imenso sorriso. Suspirou alto se lembrando de cada momento vivido a pouco e mordeu o lábio inferior, apertando o lençol contra seu peito.
Oh, seu corpo ainda queimava.
Suspirou mais uma vez sentindo como parecia ser incapaz de caber em si mesma tamanha sua felicidade. Sua mão se embrenhou pelos próprios cabelos arrumando-os e fechou os olhos por alguns segundos com força tendo assim toda a noite passando em sua mente. Cada toque. Cada detalhe.
Emma, que havia sido imensamente maravilhosa, lhe tocando com todo o cuidado como se tivesse medo de machucá-la e ao mesmo tempo lhe proporcionando um prazer que jamais pensou existir. Emma, que havia beijado cada pequeno pedacinho de seu corpo, deixando no mesmo o rastro cálido e sensual dos seus lábios. Emma, que havia adentrado em seu corpo o tomando para si e, ela sabia... ah, sim. Ela sabia que seu corpo pertencia apenas a Emma! Jamais em sua vida poderia ser tocada ou beijada por outra pessoa, seu coração pertencia a loira e a amava. Um sorriso bobo brotou em seus lábios, fazendo-a levar a mão a eles, soltando um tolo suspiro... a amava tanto. Amava a Emma e... Emma?!
Sentou-se rapidamente na cama segurando o lençol contra o corpo para tapar-se e mordeu o lábio inferior enquanto seu olhar rodava pelo quarto, ao mesmo tempo em que apurava os ouvidos na tentativa de ouvir algum barulho. Talvez a loira estivesse no banho... ou quem sabe até mesmo estava preparando um café da manhã para lhe fazer uma surpresa... Era algo a se esperar de Swan. Mas não foi capaz de ouvir nenhum ruído. De pronto seus olhos se encheram de lágrimas e Regina apertou o tecido contra seu corpo, encolhendo seus joelhos de encontro a seu peito. Emma havia se arrependido. Talvez para a loira havia sido um erro ou quem sabe apenas uma noite de prazer e agora... Um soluço se prendeu em sua garganta enquanto seus olhos já vermelhos ardiam pelas lágrimas contidas.
Seu peito doía de uma forma que ela pensou ser incapaz de aguentar. Jamais tinha sentido uma dor tão grande. Com certeza Swan havia se arrependido.
— Oh, Regina o que esperava também? — perguntou furiosa consigo mesma —Você não vive em um Conto de Fadas, sua idiota! Está na hora de conviver com a realidade.
Mas isso não fez a dor passar.
Então apenas respirou fundo engolindo a seco, sentindo como se tivesse algo entalado em sua garganta que lhe impedia até mesmo o ar de passar. Arrumou os cabelos enquanto enrolava o lençol pelo seu corpo, levantando-se daquela cama, recusando-se a olhar para a mesma, por mais que seu coração implorasse. Não queria ver, não queria lembrar, não queria sentir.
Mas isso não adiantou.
As lembranças estavam em sua mente e ficavam passando como um flash a todo segundo. Levou a destra até os lábios, tentando evitar um soluço e caminhou em direção ao banheiro. Talvez o banho a ajudasse a se sentir melhor, um banho quente e relaxante de banheira lhe faria se sentir bem melhor, com certeza. Sorriu forçadamente, tentando convencer a si mesma daquilo e girou a torneira, deixando a água passar por sua mão. Fechou os olhos, tentando pensar em algo, qualquer coisa que lhe fizesse se esquecer do que havia acontecido.
Mas isso não aconteceu.
Soluçou então.
Soluçou, apertando com força os olhos, implorando silenciosamente que aquelas imagens desaparecessem de sua cabeça. Não queria mais lembrar! Não queria mais sentir o toque da mão alva e suave pelo seu corpo, os beijos por toda sua pele, a forma como seu corpo havia recebido aquelas caricias como se já fosse algo habitual, como se ela já pertencesse a Emma.
Suspirou pesadamente, ela já pertencia.
Assim que a banheira encheu por completo, a morena desligou a torneira e levantou-se jogando o lençol sobre a cadeira, que havia no canto. Lentamente mergulhou na água morna, sentando-se com as pernas esticadas e a cabeça tombada para trás sobre a toalha dobrada na cabeceira da branca banheira. Observou seu próprio corpo e se arrepiou ao ver algumas marcas vermelhas das mãos e dos beijos da loira. Voltou a tombar sua cabeça, fechando os olhos. Não queria ver.
Não queria.
Abraçou o seu próprio corpo, respirando profundamente enquanto deu-se por vencida e permitiu que a noite passada viesse à tona em sua mente, deixou-se lembrar, porque assim que saísse daquele banheiro tudo deveria ser esquecido, tudo deveria voltar ao normal.
***
Emma entrou em casa sorridente enquanto fechava a porta com um empurrão de seu calcanhar, já que em um braço carregava uma caixa mediana de transporte de pets e na outra mão haviam algumas sacolas. Rapidamente foi até a cozinha colocando as embalagens sobre a mesa e se fez cargo da caixa transportadora, colocando-a no chão para abri-la, fazendo seu sorriso alargar ainda mais.
— Ei, garota!
Murmurou, pegando em suas mãos o filhote mestiço que havia encontrado em seu quintal há alguns dias. A ergueu na altura de seu rosto soltando uma baixa risada quando a cachorrinha lhe lambeu a face e soltou um latido baixo.
— Sem barulho, coisinha fofa, senão vai acordar sua dona. Já havíamos combinado no caminho o que faríamos em casa, lembra? Eu subo e a acordo, depois descemos para ela te ver. É tudo uma surpresa, não se esqueça.
Por incrível que pareça a cadela entendeu porque tombou a cabeça para o lado enquanto mantinha a boca aberta e a língua pendurada para fora, fazendo Emma sorrir, negando com a cabeça. Colocou o filhote no chão e vasculhou as sacolas retirando duas vasilhas azuis com estampa de patinhas brancas. Puxou também um pacote médio de ração para filhotes e colocou ambos no chão, enchendo umas das vasilhas com a comida e logo a outra com água fresca.
— Pronto, água e comida. Agora prometa que vai ficar aqui quietinha. — Abaixou-se novamente e segurou a patinha dela entre suas mãos — Depois você pode latir e fazer toda a bagunça que quiser, está bem? — balançou a pata como se estivesse selando um acordo e sorriu se sentindo tola — Ótimo, estou falando com uma cachorra como ela se me entendesse. O que o amor não faz com a gente?!
Ainda sorrindo, subiu as escadas enquanto tirava o casaco de couro marrom desbotado e jogou o mesmo sobre a poltrona que havia em seu quarto assim que entrou. Caminhou rapidamente até quarto de Regina e franziu a testa ao perceber no momento em que adentrou no ambiente que a morena não estava ali. Coçou a nuca, engolindo em seco ao pensar na possibilidade de ela ter se arrependido do que haviam feito na noite passada. Balançou a cabeça para o lado afastando tais pensamentos e sorriu um tanto forçado. Ela não havia se arrependido. Havia?!
Sua mão se perdeu entre seu próprio cabelo, puxando-os para trás num ato de total demonstração de nervosismo. E se houvesse passado pela cabeça dela que o acontecido era uma forma de fazê-la pagar por ter lhe acolhido em casa? E se Regina já tivesse descoberto que a loira a amava – o que era provável, já que qualquer cego era capaz de enxergar tal fato – e por pena havia se deitado com Emma? E se..
Balançou a cabeça de forma energética, afastando mais uma vez seus pensamentos e respirou fundo, fechando os olhos por alguns segundos. Tudo isso era apenas algo mal interpretado.
Regina não havia se arrependido. Regina não havia feito amor com ou por piedade.
Então onde estaria Regina?!
Como resposta ouviu um barulho de água vindo do banheiro e sorriu bobamente. Ela estava no banho. Em segundos já estava na porta e tentou inutilmente diminuir o imenso sorriso em seu rosto, mas não teve sucesso. Raramente em toda sua vida havia se sentido tão feliz quanto estava naquela manhã. Delicadamente abriu a porta, com cuidado para não ser ouvida e então tudo parou.
Lá estava a morena, deitada na banheira de olhos fechados e pernas encolhidas, lá estava a mulher da sua vida, que no ventre carregava sua criança, a qual daria todo o amor que uma mãe pode ser capaz de dar a sua filha. De forma rápida e silenciosa, ela se despiu da camiseta negra, jogando-a no chão, logo a peça teve companhia de suas botas.
Na ponta dos pés aproximou-se da banheira, se ajoelhando do lado da mesma e sorriu negando com a cabeça. Como podia aquela morena não perceber que não estava sozinha naquele ambiente? Das duas uma, ou acabou adormecendo ou estava muito distante em seus pensamentos. Negou com a cabeça mais uma vez, se segurando para não rir. Então, sua mão pousou sobre o pequeno, porém já dilatado ventre da mulher que abriu os olhos assustada, contudo se acalmou imediatamente quando lhe viu ali, apenas de jeans, ajoelhada a seu lado com um sorriso extremamente sensual e um brilho encantador no olhar. Sorriu.
O que poderia fazer a não ser sorrir para aquela loira que lhe roubou o coração?
— Não te encontrei no quarto quando cheguei. — disse roucamente, fazendo-a soltar o ar.
— Não te vi na cama quando acordei.
O tom foi baixo e um tanto temeroso, porém Emma apenas lhe tocou os lábios com os seus, num leve roçar e com as bocas ainda coladas lhe respondeu sussurrando.
— Sai cedo para resolver algumas coisas antes de você acordar, minha intenção era voltar rápido para casa. Queria te pegar ainda adormecida para poder acorda-la aos beijos e saboreá-la mais uma vez.
Regina, que mantinha os olhos fechados desde o contato de seus lábios, soltou um baixo gemido, seus dedos se embrenharam pelos cabelos loiros, os puxando de forma delicada enquanto sentia aquela mão delicada deslizar por todo seu corpo, se retendo entre suas pernas e acariciando sua intimidade, fazendo-a arfar.
Não demorou muito para Emma tomá-la em seus braços e carregá-la até o quarto, onde a deitou sobre sua cama e lhe fez amor durante horas da forma mais terna, delicada a apaixonada que poderia.
Emma ergueu seu rosto por cima do ombro da morena para ver o pequeno relógio disposto na mesa de cabeceira da cama e suspirou um tanto descontente. Já era hora do almoço e não queria sair daquela cama. Sentiu como Regina se encolhia entre seus braços e sorriu, aparentemente tampouco ela queria sair dali. Correu seus lábios pelo ombro dela que se encolheu ainda mais se arrepiando toda, olhou mais uma vez para o relógio e torceu o nariz.
Delicadamente retirou o braço em que Regina tinha a cabeça apoiada e se afastou com cuidado até levantar-se da cama. Riu, vendo-a se mexer até abraçar o travesseiro que Emma usou e encolher ainda mais as pernas contra seu próprio corpo. Vestiu sua roupa íntima que estava jogada em algum ponto do quarto, capturou no chão o roupão usado na noite anterior e o colocou enquanto caminhava na ponta dos pés descalços até a porta para logo a fechá-la e assim respirar aliviada. Não tinha acordado Regina. Sorriu como uma criança arteira e se pôs a caminhar até a cozinha, onde encontrou a cachorrinha deitada toda esparramada no chão perto de sua comida.
Com satisfação aprontou cuidadosamente um delicioso e nutritivo café da manhã e o ajeitou sobre a bandeja. Mesmo sabendo ser um enorme clichê, apanhou uma das flores que havia comprado pela manhã e a colocou no canto perto do copo de suco de laranja. Subiu as escadas, não sem antes observar a cadelinha que apenas balançava as patinhas como se estivesse sonhando. Franziu o cenho um tanto incrédula e voltou a trilhar o caminho para o quarto
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