Luz da minha vida
12 Capítulo 12
Notas iniciais
O caminho para o hospital nunca pareceu tão distante quanto naquele momento para Regina. Com Ruby em seus calcanhares para apoiá-la entrou na recepção tão rápido quanto podia. Diferente do que se via em filmes e programas de televisão, o local estava praticamente deserto, salvo pela recepcionista que se encontrava no balcão, distraída com um livrinho de palavra cruzada.
— Por favor, queremos notícias de Emma Swan. — disse Ruby ofegante — Nos diga como ela está!
— A senhorita é o quê para a paciente? — encarou de forma monótona a morena de olhos verdes.
— Sou amiga dela, Ruby Lucas. Foi para mim que ligaram para dizer que Emma estava aqui.
— Desculpe, mas as informações a respeito dos pacientes são repassadas apenas para os familiares.
— Pois então trate de nos pôr a par de tudo, imediatamente. — Regina disse sem paciência e de uma forma que não deixava espaço para contestações — Sou a esposa e exijo saber do estado de saúde da minha mulher!
Ruby olhou assustada para a morena baixinha ao seu lado, porém não emitiu uma única palavra. Estava dividida entre o nervosismo por saber notícias de Emma e orgulho por Regina.
Regina podia sentir o olhar de Ruby sobre si, mas pouco se importava. Todos achavam que ela era casada com Emma de qualquer forma, não seria nesse momento que ela se faria de rogada e não usaria a informação a seu favor.
— Sim, senhora. — a atendente arregalou os olhos, abandonando a revistinha e se virou para o computador, digitando rapidamente. — Sua esposa está recebendo o atendimento médico no momento. As senhoras podem esperar na salinha ao lado, pois logo o doutor dará mais informações.
O tempo passava lentamente. No grande sofá da sala de espera, Ruby tentava fazer Regina comer algo, já que ela quase não falava e permanecia com o olhar perdido, despertando apenas quando uma ou outra enfermeira passava pelo corredor.
— Tem certeza que não quer uma água ou um salgadinho? — perguntou apontando para a máquina de snacks, no corredor.
— Não, querida. Estou bem não se preocupe. — alcançou a mão da amiga e apertou carinhosamente. — Obrigada.
— Argh essa espera é horrível! — suspirou, passando uma das mãos nos cabelos.
— Rubs, talvez devêssemos ligar para os pais de Emma e avisar que ela está aqui.
— Eles estão fora da cidade, visitando uma parente ou algo assim. — negou com a cabeça. — Olhe, aí vem o médico.
Levantaram quando o senhor de meia idade, trajando um jaleco branco, se aproximou junto com um enfermeiro que lhe entregou um prontuário.
— Familiares de Emma Swan? — perguntou o médico gentilmente — Desculpe-me fazê-las esperar.
— Tudo bem, doutor. — Regina tomou a frente — Só nos diga como ela está!
— Bem, eu sinto muito dizer, mas infelizmente não pudemos fazer nada…
Ao ouvir as palavras do médico, Regina começou a se tremer dos pés à cabeça e alguns pontos negros já ameaçavam obscurecer suas vistas. Quando pensou que desabaria, ela ouviu uma voz, seguida de um grito ultrajado. Ela reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
— Emma!!!
O grupo imediatamente focou sua atenção na figura loira vestida com uma bata de hospital, que se aproximava em uma velocidade relativamente rápida, levando-se em conta que tinha uma das pernas imobilizada e utilizava a outra sadia para se deslocar, pulando. Com todo esse malabarismo, apoiava-se arrastando um suporte de soro que havia encontrado pelo caminho. Provavelmente, a loira havia saído de uma das salas do corredor, pois uma enfermeira idosa apertava o passo para alcançá-la.
Emma trazia o semblante fechado e um olhar mortal toda vez que olhava para sua “perseguidora”.
— Eu já disse que não sou peneira para ser furada. — rugiu a loira — Me deixa em paz, maldição!
— Como eu estava tentando dizer… — o médico tomou a palavra. — Infelizmente, não pudemos tratar totalmente da leve entorse da xerife. Como podem ver, ela não deixa que a enfermeira aplique a medicação necessária.
Voltaram a olhar para Emma que mais parecia o personagem principal de Karate kid, prestes a dar o Golpe da garça. A loira tentava se defender ou atacar, ao mesmo tempo, em que se equilibrava em uma só perna.
O alívio de Regina por ver que a loira estava sã e salva, foi tão grande que ela correu em disparada até a amiga, abraçando-a fortemente. A morena apenas fechou os olhos, agradecendo mentalmente aos céus e sorriu.
Sua Emma estava bem!
***
Depois da confusão no corredor, a loira voltou para o quarto e aproveitou para passar um sermão em Ruby por ter preocupado Regina à toa. A morena de olhos verdes se desculpou com Regina, mas não ouviu nem metade da reclamação, pois estava mais ocupada em trocar mensagens com a namorada.
— Já chega dessa conversa, Emm. — afofou o travesseiro, indicando que era para a loira deitar e sossegar — Se fosse ao contrário, se houvesse acontecido algo comigo, você gostaria de saber.
— Claro que sim! — disse convicta.
— Pois então ela agiu certo em me avisar e ponto final.
Emma revirou os olhos e deitou-se no leito, contrariada, sob o olhar de Regina e da enfermeira que aguardava para dar a medicação. Ruby havia saído para buscar o jantar e verificar como Henry estava se comportando na casa da avó Lucas.
— Agora seja uma boa menina e deixe a enfermeira aplicar a injeção.
— Não! Ninguém vai enfiar essa agulha no meu traseiro. — disse ameaçadora. Emma tinha um verdadeiro pavor de agulhas.
— Meu anjo, não faz assim… Você está sentindo muita dor, é perceptível que está sofrendo. — acariciou a face da loira — Toma a injeção, vai.
— Tudo bem, mas fica aqui comigo? — falou manhosa.
— Prometo que vou ficar aqui, do seu ladinho, segurando a sua mão.
Emma suspirou com resignação e, em seguida, rolou, puxando a bata hospitalar para cima, expondo a bunda branquela e redondinha. A enfermeira fez a assepsia na região e preparou a seringa.
— Calma, meu bem. — Regina tranquilizava a loira, fazendo um cafuné — Já vai passar.
Emma choramingou e apertou a mão da morena quando sentiu a agulhar perfurar-lhe a carne.
Após a administração da medicação para a dor, a enfermeira logo se retirou, deixando-as mais à vontade.
— Desculpa por ter te dado o bolo. Você queria tanto assistir aquele filme.
— Haverão outras oportunidades. O que importa é que você está bem. — sorriu tranquilizando-a — Aliais, o que aconteceu para ser premiada com essa entorse?
Emma começou a relatar que haviam recebido um chamado na delegacia sobre um casal de adolescentes desaparecido. Os jovens acharam que seria muito romântico acampar na floresta, mas no final das contas, haviam se perdido no meio da mata. Depois de algumas horas de buscas, conseguiram encontrá-los no instante em que o temporal desabou. Já estavam voltando para onde a viatura estava estacionada quando Emma escorregou no meio do lamaçal e acabou sofrendo a torção.
— Então, os rapazes me trouxeram para cá. — completou sonolenta.
— Ainda bem que não passou de um susto. — beijou a têmpora da amiga, que adormeceu vencida pelo efeito do medicamento. — Não sei o que faria sem você, minha teimosinha.
No dia seguinte, Swan recebeu alta. O médico recomendou que ficasse em repouso por alguns dias, mas Emma sendo Emma, decidiu que voltaria para o trabalho. Só não contava que acordaria com o corpo mole, garganta arranhando e espirrando bastante. Teimosamente, ignorou o pedido de Regina para que ficasse em casa, pegou as muletas e foi trabalhar.
Cada vez que o telefone tocava ou quando um dos oficiais falava um pouco mais alto, sentia sua cabeça latejar de dor. Já era quase o horário do almoço e Emma estava se sentindo pior que um trapo, não parava de espirrar e estava com o nariz tão vermelho que mais se parecia com a rena Rudolph.
Mais cedo Ruby havia passado para deixar os lanches e verificar seu estado de saúde, provavelmente a mando de Regina. A morena de olhos verdes tinha ameaçado de ligar para Regina, caso Emma se negasse a voltar para casa, mas a única resposta da loira foi um espirro e um gesto obsceno. Portanto, quase caiu da cadeira quando, alguns minutos depois, deu de cara com Regina a sua frente, com um semblante nada amigável.
— Será que eu preciso te amarrar ao pé da cama? — perguntou a morena, cruzando os braços.
— Olha… até que não seria má ideia. Bondage não faz muito o meu estilo, mas poderíamos experimentar. — brincou, com a voz arrastada.
— Não me venha com suas gracinhas, Swan! Dê o seu expediente por encerrado, pois nós vamos agora mesmo ao médico.
— Mas Regina, eu… — a morena levantou o indicador, interrompendo-a.
— Ah, não queira testar minha paciência. Eu estou por um fio, Emma Marie Nolan Swan!
Opa!
— Está bem. — suspirou — Eu aceito voltar para casa, mas nada de médico, ok?
— De jeito nenhum, senhorita. A proposta de ir para casa foi feita por Ruby, comigo a coisa muda de figura.
— Não quero ir, eles vão me dar injeção. — disse toda manhosa.
— Só se for preciso, meu anjinho. — sorriu do biquinho que a loira fazia — Prometo segurar sua mão o tempo todo.
Para o alívio de Emma, a injeção não foi necessária. O médico apenas a examinou e receitou alguns medicamentos, além do anti-inflamatório que ela já estava tomando para tratar a leve entorse. Porém foi taxativo ao recomendar descanso absoluto.
Havia passado um pouco do horário do almoço quando elas chegaram em casa, após passar na farmácia. Ao entrar no quarto, com o auxílio da amiga, a loira deixou a muleta de lado e foi logo se desafazendo das roupas, enquanto Regina foi até o closet buscar uma camisa mais folgadinha e confortável para a amiga vestir. Emma estava sentada na cama, apenas de calcinha quando a morena lhe estendeu a peça de roupa. Regina tentou, mas foi difícil desviar o olhar daqueles belos seios, de tamanho perfeito e mamilos rosadinhos. De repente subiu-lhe um calor…
— Linda? Regina… Regina?
— Ah? O que foi? — engoliu em seco.
— Perguntei se quer que eu peça comida para você. Não pode ficar muito tempo sem se alimentar. — fez uma careta de dor quando Regina ergueu suavemente sua perna acidentada para colocá-la sobre o travesseiro.
— Pode deixar que eu faço algo rapinho. — acariciou-lhe os cabelos — Só preciso que você fique aqui quietinha e repousando.
Emma assentiu e ligou a televisão em um canal de esportes, mas poucos minutos acabou pegando no sono, estava sonolenta por causa do resfriado. Nesse meio tempo, Regina aproveitou para fazer uma canja que havia aprendido com uma das cozinheiras da mansão Mills. Era uma ótima receita e, modéstia a parte, ficava muito saborosa.
Enquanto o caldo cozinhava, a morena preparou uma rápida refeição e almoçou tranquilamente, estava faminta. Quando a canja ficou pronta, Regina serviu em uma tigela e arrumou na bandeja ao lado de um copo com água e dos remédios que a loira precisaria tomar.
Emma ainda ressonava tranquilamente quando entrou no quarto, carregando cuidadosamente a refeição. Colocou a bandeja no criado-mudo e sentou-se, observando a amada dormir. Desejava não ter que acordá-la, mas Swan precisava se alimentar e ser medicada. Ficou ali, passando a mão pelos cabelos loiros e macios a fim de despertá-la, porém se perdeu em pensamentos, lembrando-se da aflição que sentiu quando Ruby informou sobre o acidente, embora nada comparado ao pânico que experimentou quando interpretou erroneamente as palavras do médico. Sentia a respiração falhar apenas ao lembrar-se do ocorrido.
— Ei, linda. — a loira piscava lentamente, sonolenta.
— Oi, meu bem. — sorriu ao ouvir a voz rouquinha pelo sono. — Como está se sentindo?
— Como se houvesse sido atropelada por uma manada de elefantes.
— Já vai melhorar, querida. — disse suavemente — Veja, trouxe uma canja para você tomar antes dos remédios.
Emma esfregou os olhos para afastar o sono e a olhou curiosa enquanto se sentava na cama, apoiando-se nos travesseiros. A morena desdobrou as pernas da bandeja, deixando-a como se fosse uma mesinha e colocou-a zelosamente no colo da loira, que torceu o nariz ao ver o que estava na tigela.
— Não adianta fazer essa carinha, coloquei até uns pedacinhos de frango desfiado e massa em formato de letrinhas. — Emma sorriu ao ver que havia um verdadeiro alfabeto mergulhado no caldo — Quero vê-la limpar o prato, huh.
— Você colocou muita comida. — respondeu dengosa. Emma doente era a manha em pessoa.
— Coloquei o suficiente. Anda, você precisa se alimentar. — mergulhou a colher no líquido espeço e levou até a boca da loira — Olha o aviãozinho!
Emma não aguentou e soltou uma gargalhada. Oh, como ela amava essa morena!
— Huuum! Que minha mãe não ouça, mas a sua canja é a melhor que eu já provei. — elogiou depois de tomar algumas colheradas.
— A fome é o melhor tempero. — brincou, observando a loira se alimentar com gosto.
— Nah, está realmente deliciosa.
Emma acabou limpando o prato, deixando Regina satisfeita. Depois de ingerir os remédios, lavou o rosto e voltou para deitar-se na cama. Ficaram no quarto, assistindo bobagens na televisão até a hora que Henry chegou e se juntou a elas na cama, mesmo a contragosto de Emma, que reclamava o tempo todo que poderia passar o resfriado para eles.
***
Antes de dormir, Regina ajustou o termostato da casa, deixando o ambiente mais ameno, já que as noites outonais estavam se tornando mais frias. E, em seguida, foi até o quarto da amiga para verificar como a loira estava e ficou preocupada ao vê-la toda enrolada no grosso edredom. Se aproximou e tocou-lhe a testa, sentindo a pele quente, indicando uma possível febre. Logo o termômetro digital comprovou, estava com 38,5º de temperatura.
Sentou-se na cama ao lado dela, para decidir o que fazer. Achou melhor ministrar o antitérmico que o médico receitou em caso de febre. Também lembrou-se de quando era pequena e sua babá costumava baixar a febre passando por seu corpo um paninho embebido em álcool e água morna. E assim fez, cuidando de Emma o tempo todo até sentir que a febre havia finalmente cedido.
— Linda, quero tomar um banho, me refrescar e melhorar essa cara de bicho doente.
Nessas alturas, Swan já havia acordado. Na verdade, estavam assistindo algo na televisão enquanto esperavam a temperatura normalizar.
— Tudo bem. Vou buscar algo para proteger a perna imobilizada.
Regina voltou com uma sacola plástica e colocou sobre as bandagens, selando com uma fita adesiva para que não entrasse água. Em seguida entregou a muleta para a loira e a ajudou durante o banho, evitando olhar diretamente o corpo nu da amiga. Emma se divertia com aquela situação, mas se fazia de ingênua para não constranger a morena.
O banho foi rápido, somente para tirar o suor do corpo. Logo Swan colocou outro camisetão de tecido leve e deitou novamente ao lado de Regina, que havia decidido que seria melhor dormirem na mesma cama, assim poderia cuidar da amiga, caso a febre retornasse.
Foram alguns dias de cuidados até que o resfriado desaparecesse. Emma obedeceu o período de repouso e no terceiro dia já estava melhor, tanto do resfriado quanto da entorse, ainda mancava, mas já não doía tanto.
Regina havia dormido todos aqueles dias no quarto da loira e agora que a amiga estava melhor, não tinha mais desculpas para continuar lá. O problema é que tinha se acostumado aquela rotina, tinha se acostumado a dividir a cama e principalmente tinha se acostumado aos carinhos de Emma.
Dormir estava sendo complicado aquela noite para ambas, na realidade. Do outro lado do corredor, Emma também se revirava na cama, agarrada ao travesseiro que Regina usou nas noites anteriores. Estava a ponto de levantar-se para buscar sua mulher no outro quarto quando ouviu um estrondo no andar de baixo. Respirou fundo e foi verificar o barulho antes que toda a casa acordasse, porém foi tarde demais, Regina e Henry já estavam no corredor, prontos para entrar no quarto dela.
— Mãe, ouvi um barulho, acho que veio da cozinha. — disse entregando para a loira um taco de baseball que havia ganhado do pai no último aniversário.
— Emm, será que é a Ruby novamente?
— Eu não sei, linda. Mas juro que se for aquela maluca outra vez, eu acerto esse taco bem no focinho dela. — respondeu enquanto se encaminhava para as escadas, mancando e segurando o taco de madeira.
Já estavam na sala quando ouviram o barulho novamente. Dessa vez conseguiram identificar, vinha do lado de fora da casa.
— Não olhem para mim. — Henry se pronunciou baixinho — Eu fechei o contêiner.
— Vou lá fora olhar, fiquem aqui, certo? — pediu vendo os dois concordarem com a cabeça.
— Coloque um agasalho, Emm! — Regina sussurrou.
A loira se enrolou em um casaco que estava pendurado na porta da cozinha e em seguida pegou uma lanterna, apesar de que estava acesa a lâmpada que iluminava a porta dos fundos. Quando abriu a porta, arregalou os olhos, logo ouvindo uma exclamação de Henry e um gritinho de Regina.
Bem, por essa ninguém esperava...
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