Notas iniciais
Oii gente! Estou viajando, mas deixei o capítulo programado para vocês. Assim que retornar, responderei todos os comentários gentis que vocês deixaram. Obrigada!

Já era tarde da noite quando Regina se recolheu para o seu quarto. Com o aparelho celular a tira colo, fez todo o ritual de cuidados antes de deitar-se na confortável cama.

A irmã ainda não havia entrado em contato, sequer tinha visualizado a mensagem que a morena mandara mais cedo. Certamente, Zelena estaria em aula ou então ocupada demais para verificar suas mensagens.

Regina bocejou, sentindo-se sonolenta. Sem esperanças de falar com a irmã, depositou o aparelho na mesinha de cabeceira e se aconchegou na cama. Já estava quase dormindo quando o seu telefone tocou.

— Sis, desculpe por demorar a te responder. — disse de forma urgente assim que ouviu a voz da irmã — Você está bem? O que houve?

— Calma, eu estou bem. — passou a mão no rosto para desanuviar o sono — Só precisava conversar com você.

— Não faz isso comigo, idiota! Precisa ser tão dramática na mensagem? — falou em um tom exasperado.

— Não fui dramática! — se defendeu — Você que é muito nervosa.

— Regina, estou prestes a comprar uma passagem para Seattle só para dar na sua cara. — A morena revirou os olhos, gesto espelhado pela irmã. — Me diz o que está acontecendo!

— Antes, quero que prometa que não vai surtar, ok? — brincou ansiosamente com a dobra do cobertor, ouvindo a ruiva concordar. — Estou gostando de uma mulher.

Houve alguns segundos de silêncio e finalmente Zelena esboçou alguma reação, reação essa que quase fez a morena jogar o celular no chão ao ouvir o grito agudo do outro lado da linha.

— Ah, eu sempre soube que você tinha um pezinho no vale, sis! Bem-vinda ao lado colorido da força. — a mulher soltou uma gargalhada exagerada — Ei, espera… E o Graham? Ah esquece esse embuste! Quero que me fale sobre aquela que te resgatou de Nárnia.

— Ela se chama Emma Swan. — abriu um sorriso bobo — Ela é inteligente, atenciosa, divertida e muito carinhosa, além de ter um corpo maravilhoso.

— Ounn que coisa mais fofa! — fez uma vozinha infantil — Mas trabalho com fotos, irmãzinha.

— Espere, vou enviar. — entrou na galeria do telefone e escolheu a sua foto preferida da loira. — Pronto.

— Uauuu! Que loira fabulosa! Olha, sis… Você tem bom gosto para mulher.

— Ela é linda, não é? — suspirou, sorrindo em seguida. — Eu adoro essa foto. Esse sorriso tímido, de bochechas coradas, me desarma de uma forma que eu só consigo pensar em como seria se eu a beijasse.

— Regina, vocês ainda não se beijaram? — ergueu uma sobrancelha.

— Bem, então... outro dia estávamos na cozinha e ela se apoiou no balcão para pegar um copo, mas ficou praticamente colada em mim, meio que me imprensou no balcão. Nossas bocas ficaram tão próximas que por um momento eu achei que ela fosse me beijar.

— E ai? — perguntou ansiosa.

— Ela pegou o copo, se afastou e soltou uma piadinha. — bufou — E eu fiquei lá, decepcionada.

— Meu conselho para a próxima vez: Se peguem! Sexo na cozinha é maravilhoso, não sabe o que perdeu.

— É complicado, sis. Não quero bancar a louca e estragar nossa amizade.

— Além desse dia que vocês quase se beijaram, aconteceu mais alguma coisa?

— Não, mas ela vive me abraçando, me pegando no colo. É tão amável…

— Continuo sem entender.

— O que?

— O porquê de você ainda não ter tascado um beijo nessa loira! Está na cara que ela quer algo mais que amizade. Como pode ser tão lerda, Regina?

— Acho que só estou um pouco confusa, pois nunca havia me sentido assim com ninguém! Ela está mexendo com meus pensamentos, meus sentimentos e com meu coração.

— Entendo, sis.— disse pensativa — Sei muito bem como é.

— Espere ai... Minha irmã, adepta do “pega, mas não se apega” disse que me entende?

— Ok, vou te dar um spoiler da minha vida. Estou namorando!

— Ah, sim. Por acaso encontrou algum australiano gato? — brincou, pois achava que a irmã estava zombando.

— Credo! — fez uma careta de desgosto — Laura Prepon que me defenda do dia em que eu gostar de macho!

— Você está falando sério?

— Claro, irmãzinha. Mas a minha morena gostosa não é australiana, é americana mesmo. Inclusive, vou apresentá-la a família assim que chegar aos Estados Unidos. Estou louca para ver a cara de mamãe.

Regina ficou em silêncio, imaginando a surpresa que Zelena teria ao encontrá-la.

— Podemos até combinar um almoço e você apresenta a sua mulher também.

— Ela não é minha mulher, Zelena. — corrigiu constrangida.

— E não vai ser mesmo se você continuar nessa moleza! Olha, eu acho que você deveria investir nela. Penso que é melhor me arrepender pelo que fiz, do que me arrepender pelo que deixei de fazer. — aconselhou a ruiva — Se ficar na sua zona de conforto, você nunca vai saber em como poderia ter terminado ou o que poderia ter acontecido. Na pior das hipóteses, ela pode te dizer um não. Na melhor, você vai viver o amor ao lado dela. Arrisque, sis!

Regina adormeceu pensando nas palavras da irmã. Chegou à conclusão de que Emma é alguém por quem vale muito a pena arriscar-se.

Apenas permita-se!

***

Era madrugada quando a morena ouviu um barulho estranho vindo do andar de baixo. Imediatamente entrou em alerta, esperando para ver se ouvia novamente. Alguns segundos depois só se ouvia os sons noturnos, uma coruja piando, uma cigarra empolgada e... enfim o barulho novamente!

Regina sentou-se na cama cuidadosamente, pensando que provavelmente poderia ser Emma ou Henry que havia descido para beber água ou algo do tipo. Calçou os chinelos macios e levantou da cama, logo dando de cara com a loira que tinha um semblante preocupado e gesticulou para que falassem baixinho.

— Ouvi um som vindo da sala. — a morena sussurrou.

— Também ouvi, por isso vim olhar se você estava no quarto.

— Henry? — perguntou preocupada.

— Está dormindo. Acabei de sair do quarto dele. — encarou Regina — Linda, acho que tem algum intruso em casa. Preciso descer para verificar do que se trata.

— Não! Emm, é perigoso.— disse ficando mais nervosa — Por favor, não vá.

— Ei, calma… Vai ficar tudo bem! — tocou-lhe o queixo carinhosamente — Eu sou a xerife, esqueceu? Preciso descer e ver o que está acontecendo.

— Certo, mas eu vou com você. — disse apavorada pela ideia de Swan enfrentar um criminoso sozinha.

— De jeito nenhum! — parou no corredor, impedindo a morena de lhe seguir. — Fique no quarto com o Henry. Pegue esse celular, tem o número da delegacia na discagem rápida, ok? Se eu não voltar em cinco minutos, você pede reforço.

— Emm… — agarrou o braço da loira, estava chorosa.

— Shiii vai ficar tudo bem. — beijou-lhe a testa — Tranque a porta quando eu sair.

Swan caminhou cuidadosamente pelo corredor, já com a arma em punho, apesar de a pistola estar com a trava de segurança. Na sala já se podia ouvir o som da televisão transmitindo a reprise de uma série de comédia. Franziu o cenho. A situação ficava cada vez mais estranha. Já estava terminando de descer as escadas quando Byron soltou um miado agudo e pulou de repente no encosto do sofá, quase provocando um enfarto na loira.

Na mesinha de centro haviam duas garrafinhas de cerveja, uma latinha de refrigerante, mais um pacote de salgadinho e o precioso sorvete de Regina. Emma ergueu a sobrancelha quando o micro-ondas apitou e o cheiro de pipoca invadiu o ambiente.

— Mas que merda está acontecendo aqui?! — murmurou observando toda aquela bagunça.

Subitamente um vulto passa correndo a sua frente, carregando um balde de pipoca.

— Filha da mãe! — rugiu, baixando a arma rapidamente — Eu deveria meter um tiro nessa sua cabeça de vento.

— Ain, mulher! — Ruby deu um pulo, colocando a mão no peito — Que susto, eu heim!

— Susto? Você acha que se assustou? — disse indignada — Regina está lá em cima, apavorada porque imagina que um criminoso invadiu a nossa casa. Sem contar que eu quase atirei em você, idiota. Que merda você tem na cabeça, Ruby?!

— Poxa, não fala assim comigo, sua grossa. — sua voz embargou e adquiriu um tom magoado — Eu estou sensível, ok? E você, como minha melhor amiga, deveria me acolher e não brigar comigo.

Emma passou a mão pelos cabelos em um gesto de impaciência e resolveu contar até dez. Tinham horas que Ruby a tirava do sério.

— Desculpa, ok? — a loira suspirou, sentindo-se mais calma — Fica ai, já volto.

— Onde você vai? — perguntou fazendo beicinho. Emma ergueu novamente a sobrancelha.

— Vou avisar à Regina que é você quem estava assombrando a casa ou então daqui a alguns minutos teremos uma viatura aqui na porta. — começou a subir as escadas, mas parou lembrando-se de algo — Ah, esconde esse pote de sorvete pelo amor de Xena.

Quando chegou em frente ao quarto de Henry, a loira deu algumas batidinhas leves na porta antes de chamar pela amiga.

— Pode abrir, Regina. Está tudo bem. Era só a louc… — Emma não conseguiu terminar a frase, pois a porta foi aberta rapidamente, deixando passar uma Regina agoniada, que grudou no pescoço da loira. — Ei, calma… Você está tremendo, linda.

— Oh, Emm! Eu estava tão nervosa, com medo de que acontecesse algo com você.

— Tente ficar tranquila, ok? — afagou os cabelos escuros, depositando um beijo ao final da carícia — Vamos descer, você precisa de um copo de água com açúcar.

— Mas e o bandido?

— Alarme falso. Era só a Ruby achando que seria uma boa ideia assaltar a nossa geladeira.

Regina sorriu, sentindo-se mais calma.

— Ei, espere um instante, linda.

Swan aproveitou que Regina estava mais calma e seguiu para o seu quarto, onde guardou a arma em total segurança.

— Pronto. — falou ao entrar no corredor novamente.

— Ainda bem que não acordamos o Henry.

— Esse garoto tem sono de urso. — disse a loira ao observar o filho dormir serenamente — O mundo pode vir abaixo que ele nem se mexe.

Desceram as escadas ouvindo a voz de Ruby se misturar com o som da televisão. A morena de olhos verdes estava no maior papo cabeça com Byron.

— Então você acha que eu estava errada, By? — o gato soltou um miado prolongado em resposta — Verdade, mas ela nem ao menos me deixou explicar.

— Vai falar com ela. — Regina sussurrou para a loira que estava ao seu lado.

— Mas você precisa…— foi interrompida pela amada, que tocou seus lábios com a ponta do indicador.

— Eu estou bem. Ruby é quem precisa da amiga para desabafar. — fez um sinal indicando a cozinha — Vou comer alguma coisa enquanto vocês conversam.

A loira assentiu e caminhou lentamente até o sofá, onde Ruby estava refestelada.

— Ei, lobinha o que aconteceu com você?

— A Lena, Emms… A Lena aconteceu.

Ruby contou tudo à amiga. Que estava namorando a distância uma bela ruiva que conheceu, por acaso, em um grupo destinado a uma série televisiva. Contou que haviam brigado, pois Ruby tinha saído para beber na noite passada e, Lacey, uma mulher que não perdia a oportunidade de dar em cima de Ruby, publicou uma foto onde estava agarrando a morena de olhos verdes.

— E como se não fosse o suficiente, Lacey ainda colocou uma legenda extremamente provocativa. — desabafou para Emma que ouvia tudo atentamente.

— Por que deixou que ela te agarrasse? Você sabe como é a Lacey! Aquela mulher parece um polvo.

— Não deixei! Só tenho olhos para aquela ruiva esquentadinha. — limpou uma lágrima — Eu estava distraída, loira. Quando dei por mim, ela já estava atracada comigo!

Emma assentiu e Ruby continuou o relato. Disse que agora a namorada não queria saber dela, que inclusive havia bloqueado ou desligado o telefone. A loira aconselhou e amparou a amiga que, de vez em quando, se entregava ao choro.

Minutos depois, Ruby estava mais calma, trazia um semblante mais leve, apesar de tudo. Até mesmo fazia mais uma de suas brincadeiras, que tinham o intuito de tirar Emma do sério.

Outra reprise já estava começando na televisão quando ouviram a voz de Regina se propagar da cozinha.

— Emm, não encontro o meu pote de sorvete. — as amigas arregalaram os olhos e imediatamente seus olhares caíram sobre embalagem vazia de Ben&Jerry abandonada no chão da sala.

— Eu te disse para esconder isso! — a loira sussurrou aflita.

— O que eu faço? — Ruby indagou no mesmo tom que amiga.

— Eu não sei! Dá um jeito de engolir, desintegrar ou qualquer outra coisa, mas some com isso, Ruby.

— Emm? — Regina chamou mais alto, sinal de que estava caminhando para a sala.

— Oh… Eu… Eu acho que você comeu o último na noite retrasada, meu bem. — fez sinal para a amiga enrolar a embalagem em uma sacola e esconder debaixo do sofá

— Será? Eu poderia jurar que havia visto mais um pote. — disse chateada.

— Ah, isso acontece, Regi. — Ruby se intrometeu. — Ainda mais em casos de despensa vazia como a de vocês. É como se fosse uma miragem ou algo do tipo.

— Bem, talvez seja isso mesmo. — comentou pensativa. — Já que não tenho mais o meu sorvete, o jeito é dormir.

— Por falar nisso, já estou indo para casa. — Ruby acenou, se despedindo.

— Nossa, mas está muito tarde. Por que você não dorme aqui?— Regina sugeriu vendo que Emma concordava com ela.

— Não, obrigada. Esse sofá é muito duro. — fez uma careta. — E eu não durmo de jeito nenhum com essa loira, vai que ela me agarra no meio da noite. Credo! Me deu até um choque ruim.

— Como você é ridícula! — Emma revirou os olhos.

— Você pode dormir no meu quarto, Ruby. — Regina propôs sob o olhar indignado de Emma. — E eu posso dormir com a Emma, se ela não se incomodar, é claro!

— Por mim está perfeito. — a loira logo se adiantou em dizer. — Bem, então vamos dormir?

Regina assentiu e começou a subir as escadas, alheia ao sorriso debochado que Ruby destinava à Emma.

— Está me devendo uma, loira safada.

— Acabei de te salvar da fúria de uma mulher grávida, então você não fez mais que a obrigação. — deu uma piscadinha e subiu depressa atrás da amada.

No quarto, Emma organizava os lençóis para que a morena ficasse mais confortável, quando Regina entrou timidamente no cômodo, depois de uma passadinha no banheiro para escovar os dentes.

— Então, tem algum lado preferido? — perguntou a morena apontando para a cama.

— Não, fique à vontade para escolher. — a loira falou bobamente, vendo a amada se aconchegar confortavelmente, como se pertencesse aquele cenário.

— Você não vem, Emm?

— Ah, sim. Claro!

Swan se deitou, de modo que ficaram uma de frente para a outra. Trocaram um olhar significativo e sorriram lindamente.

— Boa noite, meu anjo. — Regina desejou antes de beijar o rosto da amiga e se virar de costas para Swan, que engoliu em seco, decepcionada. Porém esse sentimento ruim foi esquecido quando a morena, ainda de costas, alcançou o braço de Emma e o colocou sobre sua cintura, em um convite mudo para que a loira a abraçasse, ficando na posição de conchinha.

— Boa noite, minha morena. — Emma sussurrou no ouvido da amada, retribuindo o beijo em seguida.

Ambas adormeceram abraçadas, com um sorriso suave na face e um gostinho de felicidade.

Notas finais
Até a próxima!