Luz, Câmera E Tesão
35 A nova Cullen
Notas iniciais
Eu espero que voces tenham tido um feliz natal!
Eu dedico o ultimo capitulo do ano a Chelley Lima que fez uma recomendação perfeita para a historia. Obrigada querida, as suas palavras me emocionaram.
Então vamos ao capitulo que atrasou, mas chegou.
Espero que gostem, boa leitura.
Pov. Esme
Eu passei o dia todo pensando em como seria esse jantar, em como seria ter aquela garota dentro da minha casa, sentada na minha mesa, com o meu filho.
Imaginei o quão vulgar ela seria, se ela sabia se comportar a mesa ou se pelo menos não tivesse modos. Eu conseguia ver uma garota que fala alto e só besteiras, dessas que constrangeriam qualquer mãe de família. E foi por isso que eu fiquei atenta, o jantar todo, a cada movimento dela, analisando cada gesto e cada palavra que saiam da boca dela.
Mas não foi bem isso que eu vi quando ela chegou. Que era uma moça linda isso eu não poderia negar jamais, e ao contrario do que eu imaginei ela era simples e educada, tímida, com as bochechas sempre vermelhas.
Eu via a forma como ela se comportava com os meus filhos. Eles gostavam dela e ela deles. Eu vi a intensidade com que ela devolvia o olhar apaixonado que o Edward dirigia a ela e isso me deixou comovida. Mas ainda assim o que ela fazia ainda falava mais alto, eu não conseguia esquecer quem ela era e o que estava fazendo com o meu pobre filho.
Muitas vezes, ela encontrava o meu olhar e fingia que não, continuava interagindo como se nada estivesse acontecendo. Percebi que ela não queria alertar o Edward, não queria que ele percebesse o modo que eu estava agindo, que para ela deveria ser completamente hostil dado as circunstancias em que nos vimos da ultima vez.
Ao mesmo tempo em que eu a analisava, ia me lembrando de tudo o que a Alice me contou sobre ela, sobre o que fizeram com ela e sobre o quanto essa menina sofreu na vida, vendo o gesto altruísta dela que eu tomei a minha decisão, eu precisava falar com ela, expor tudo o que eu sentia numa conversa franca e resolver tudo de uma vez.
Depois do jantar ficamos na sala, já que o Emmett insistia em mostrar as fotos do Edward criança, até que foi tocado no assunto do contrato e surgiram novos fatos sobre a vida da Isabella, mais podres da mãe dela vieram à tona e eu me senti horrível em ouvir aquilo. Tanto por saber que meus filhos estavam envolvidos nisso até o pescoço quanto pela pobre moça que já viveu tanta coisa e ainda tem muitos obstáculos a passar.
Eu definitivamente não seria mais um.
Aos poucos a sala foi ficando vazia e logo eu me vi sentada de frente para Isabella, só nós duas ali. Ela estava tão encolhida, tão imóvel como se quisesse que o sofá a engolisse, como se quisesse desaparecer. Suspirei e fui me sentar ao lado dela, tinha algumas coisas que eu precisava esclarecer.
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Pov. Bella
Eu ainda não tinha coragem de olhar para cima, de me mexer ou até mesmo de respirar. Eu sabia que ela me olhava, seu olhar queimava na minha pele e eu estava com medo, com muito medo do que viria a seguir.
-Isabella? – ela me chamou com a voz doce e quando eu não olhei esticou a mão e tocou a minha e eu pulei assustada me afastando – Calma, não precisa ficar assim...
-Não! Esta tudo bem, eu... Eu só estava um pouco distraída – tentei sorrir e acho que consegui. – Desculpe.
-Se tem alguém que precisa pedir desculpas aqui sou eu. Não só por agora, mas pelo outro dia também, eu não agi muito bem com você...
-Eu entendo, não se preocupe. Como a Alice disse não é todo dia que se encontra o filho com uma atriz pornô no sofá de casa.
-Alice disse isso mesmo? –Ela riu e eu não consegui acompanhar – Espero que não tenha se sentido ofendida, ela fala muito às vezes.
-Esta tudo bem, ela só disse a verdade.
-Sim, mas isso não me dava o direito de te tratar como eu tratei. –Ela suspirou – Eu perdi a cabeça sabe? O que nós mães mais queremos na vida é ver nossos filhos felizes, e nós encaminhamos nossos filhos para isso. Duvido que você consiga imaginar o que se passou pela minha cabeça quando eu te reconheci naquele dia. –Abaixei minha cabeça sem conseguir agüentar o peso das palavras e do olhar de Esme exerciam sobre mim. Mas ela não parou de falar.
-Não é fácil ver o filhinho que a gente cuidou e protegeu com tanto carinho a vida toda ir por um caminho que a gente julga ser errado e naquela hora eu só conseguia pensar no quão errado era o caminho que ele estava pegando, só conseguia pensar em como você é o que há de mais errado para o meu filho – eu lutava bravamente contra as lagrimas que queimam meus olhos. Eu sabia que aquilo era verdade, eu tinha consciência do que estava fazendo com a vida do Edward, mas eu preciso tanto dele que eu não conseguiria ficar sem ele mesmo se eu quisesse.
–Você estragou a vida do meu filho –Ela continuou –Você o condenou a ser o que você é a fazer o que você faz. Eu ouvi dizer que você odeia isso. Como você pode condenar alguém que você supostamente ama a algo que você odeia?
-Senhora Cullen, eu nunca quis isso. A senhora disse que as mães fazem de tudo por seus filhos, mas a minha não era assim. Foi ela que me obrigou a isso. Na época e era praticamente uma criança, eu passei a vida inteira sem a minha mãe e na primeira oportunidade que tive de ficar perto dela eu quis fazer de tudo para que ela tivesse orgulho de mim. E foi bem ai que eu me dei mal, eu tive muito medo que minha mãe pensasse que eu era uma garota ruim, que tinha ido até ela só para conquistar o padrasto, que cai na chantagem do Aro.
-Depois quando eles colocaram meu pai no meio eu não tive alternativa, não poderia de jeito nenhum deixar que meu pai pagasse por isso, já que ele não tinha culpa. –Suspirei – Eu fui condenada a essa vida senhora, e eu seria incapaz de condenar alguém comigo. –Terminei com a voz embargada, mas ainda segurando minhas lagrimas com todas as minhas forças.
-Querendo ou não, foi o que você fez com o Edward.
-Eu não tive culpa. Eu nem queria estar ali, menos ainda que alguém me notasse que alguém me reconhecesse ou viesse atrás de mim. Eu jamais imaginei uma coisa dessas.
-Mas você iludiu meu filho. Ele acredita cegamente que você esta tão apaixonada quanto ele. Edward faria ou seria qualquer coisa por você, o que você pedisse o que precisasse. Ele te ama.
-E eu o amo também senhora Cullen, acredite eu amo o seu filho com todas as minhas forças, de todo o meu coração. –Ela colocou as mãos nos cabelos bagunçando, como o Edward faz quando esta nervoso ficou de pé e começou a andar de um lado para o outro.
-Eu tive tanto medo por tanto tempo, medo da obsessão que ele sempre teve por você e quando eu te vi aqui... –Ela sentou-se no sofá em frente ao que eu estava e me encarou com um sorriso fraco – Eu sempre ensinei meus filhos que não se deve julgar as pessoas, principalmente se você não as conhece, mas foi isso que eu acabei fazendo com você, e agora te ouvindo falar assim, eu não sei o que pensar. –Eu olhei para as minhas mãos entrelaçadas no meu colo completamente sem jeito.
-Eu acredito em você –ela sussurrou –acredito que você ama o meu filho e ele é tão feliz com você, que escolha eu tenho afinal? Eu só posso pedir para que você continue fazendo ele feliz, é tudo o que eu quero.
-Eu... -tentei dizer, mas ela me cortou
-Alice me contou o que sua mãe fez com você, e eu sinto muito querida. Eu fico pensando como ela pode? Alice é a minha filhinha, meu bebe e eu não consigo suportar a idéia de alguém desrespeitá-la o que dirá... Eu nunca deixaria ninguém fazer mal a ela, e eu tão pouco o faria.
-A senhora é uma boa pessoa, carinhosa e dedicada. Uma mãe de verdade. Coisa que a Renée nunca foi e nem nunca vai ser. Meu pai disse que ela nunca nem me pegou no colo, ela foi embora assim que teve alta da maternidade. Ela nem olhou para trás, nunca telefonou para saber se eu tinha sobrevivido ou não, para saber como eu estava, mas apesar disso eu sempre esperava um telefonema no meu aniversario e no natal, mas ele nunca veio. Até eu fazer quinze anos.
-Ela ligou e disse que estava arrependida de ter sumido por todo esse tempo, e que queria compensar o tempo perdido. Ela me ligava toda a semana depois disso e eu ficava eufórica a cada ligação. Meu pai não gostava nenhum pouco, ele me disse para eu não ficar dando atenção a ela e que não e faria nada bem ouvir o que ela diz. Ate que ele se casou e ela me convidou para morar com ela, meu pai implorou para que eu não fosse.
-A culpa toda é minha, eu não deveria ter dado ouvidos a ela, eu não deveria ter vindo. Se... Se eu tivesse ficado, nada disso teria acontecido... –As lágrimas que eu tanto lutei para que não caíssem me impedirem de continuar falando e eu me senti envergonhada com elas – Me desculpe – balbuciei tentando conter as lágrimas – por favor, me desculpe.
De repente eu senti os braços de Esme me abraçando, senti o cheirinho aconchegante que vinha dela, um cheiro de paz, cheiro que toda mãe deve ter.
-Oh querida, não fique assim, as coisas acontecem como tem que acontecer. Você não teve culpa, apenas confiou em sua mãe que te fez muito mal, não se culpe nunca mais, esta me ouvindo – Eu apenas assenti incapaz de responder. Tentei me afastar dela para não arruinar o vestido caro e bonito que ela usava com minhas lagrimas, mas ela apenas me abraçou não se importando com isso.
-Isabella, ouça bem. Você não teve uma mãe que te defendesse antes– ela falou quando eu consegui me acalmar um pouco – Mas agora você tem a mim. –Esme se afastou e olhou em meus olhos – Você é minha agora, minha nora e minha filha, ninguém mais vai te fazer mal por que eu não vou deixar entendido? –Seus olhos verdes, idênticos aos do Edward, estavam sérios e brilhando com lagrimas contidas exatamente como os meus.
-Mas senhora... Eu...
-Eu sei que não começamos bem querida, e como eu disse, eu te julguei muito mal. Você é uma criança que não teve um carinho de mãe e eu imagino como você sofreu vivendo essa vida, mas isso ficou no passado, você é da minha família agora, e nós protegemos a família com unhas e dentes.
-Obrigada senhora Cullen, muito obrigada –a abracei emocionada – Eu nem sei o que dizer
-Que tal pra começar parar com esse senhora, eu me sinto a minha sogra quando me chamam de senhora Cullen –ela me apertou em seu abraço – me perdoe por ter sido injusta com você querida, me perdoe por tudo o que eu disse.
-Tudo bem, eu...
-Como é que pode uma pessoa tão burra e infantil ser capaz de ser um bom advogado? –ouvimos a voz do Edward chegando à sala e nos separamos – Emmett Cullen é verdadeiramente uma caixinha de surpresas. –enquanto ele chegava Esme e eu tentávamos secar nossas lagrimas, antes que ele visse, mas não tivemos muito sucesso e assim que ele me viu, correu em minha direção me abraçando –Heey o que houve aqui? Por que estão chorando? Mãe o que fez com ela? Eu sinto muito Bella.
-Edward eu seria incapaz de fazer algo contra ela.
-Então por que ela esta chorando? O que houve meu amor? –Antes que eu pudesse responder Alice entrou na sala com um sorriso enorme
-Para de ser corta clima Edward. A mamãe estava apenas dando as boas vindas à nova Cullen.
-Isso é verdade mãe?
-Claro que sim, afinal ela é da família agora, não é mais a sua Bella, mas sim a nossa Bella Edward, de todos nós.
-É isso ai mãezinha, é assim que se fala! –Emmett gritou – olha que Bellinha Cullen soa muito bem.
-Maravilhosamente bem – Edward disse encontrando o meu olhar – Bem vinda a família meu amor – e me deu um beijo apaixonado.
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-Vocês não vão a lugar nenhum a essa hora –Esme falou quando Rose e eu começamos a nos despedir. Já era bem tarde e apesar de eu estar me divertindo com a minha mais nova família, o cansaço do dia puxado de trabalho começou a cair sobre os meus ombros e eu praticamente não conseguia manter meus olhos abertos. –Por que vocês não dormem aqui?
-Não queremos atrapalhar – Rose disse, mas visivelmente tentada a aceitar o convite.
-Não atrapalha querida, vai ser ótimo ter vocês aqui.
-Com certeza vai mãe, mal posso esperar para dormir agarradinho com a minha ursinha.
-Emmett – Rose o repreendeu corada e eu ri.
-Não precisa ficar com vergonha –Carlisle sorriu –é só não fazer mito barulho e esta tudo bem.
-Quando eu sugeri que as meninas ficassem Carl, eu quis dizer que ficassem no quarto de hospedes ou com Alice.
-Esme, isso não adiantaria nada, ou você acha que eles não dariam um jeito de ficar juntos no meio da noite? Vamos poupar o trabalho dos meninos.
-Apoiado – Edward sussurrou no meu ouvido.
-Ah que legal! Todo mundo vai dormir agarradinho essa noite menos eu. Que vida injusta – Alice cruzou os braços fazendo beicinho e todos riram. Carlisle foi até ela a abraçando pelo ombro.
-Você é a minha menininha, ninguém que quiser continuar vivo vai dormir agarradinho com você até que ele seja o seu marido.
-Ih Rose, avisa isso para o seu irmão – Emmett falou e deu uma de suas estrondosas gargalhadas.
-Quem foi que disse que eu dormi com o Jasper? Nós ficamos bem acordados quando estávamos juntos.
-Ok, informação demais. –Esme sorriu – Como não tem remédio mesmo, vão para a cama. E por favor, Emm, sem barulho.
-Não garanto nada mãe! –ela revirou os olhos e riu. Antes de nos retirarmos ela deu um beijo carinhoso e um abraço apertado de boa noite em cada um.
No quarto, Edward me deu a camiseta do pijama enquanto ele usava o short. Eu me deitei sobre o peito dele, e ele envolveu os braços a minha volta. Eu estava muito cansada, mas não conseguia dormir, tinha muita coisa para digerir.
Não conseguia esquecer as duras palavras de Esme. Ela se mostrou carinhosa comigo, mas antes disso disse tudo o que pensava, não que eu não acreditasse que ela tinha me aceito na família ela parecia sincera, mas que era estranho era. Eu só espero que ela não se arrependa.
-Hoje foi um dia cansativo – Edward comentou baixinho percebendo que eu ainda estava acordada.
-Foi sim, e foi também o melhor dia da minha vida, até hoje. Melhor que o dia em que meu pai e eu tomamos banho de mangueira no quintal, melhor do que os dias em que não tinha aula e eu ia para a delegacia com ele – eu sorri com as lembranças.
-E por que esse dia foi tão bom?
-Por que você estava comigo. Nosso dia no trabalho foi... Bom, o melhor que já houve. E eu estou me dando bem com a sua mãe.
-Meu pai disse que isso iria acontecer. Minha mãe não vai voltar atrás no que ela disse meu amor. Como ela mesma disse, você é nossa agora queira você ou não. –Ele falou provavelmente sentindo a minha insegurança.
-Você sabe que é o que eu mais quero.
-Eu também, quero muito. Agora durma meu amor, boa noite.
–Nós teremos muitos dias felizes juntos não é? –perguntei sonolenta, me deixando levar pelos carinhos que ele fazia em mim.
-Eu farei cada dia seu ser feliz meu amor, essa é a minha função. –Edward beijou minha testa e eu me apertei mais a ele deixando me levar pelo sono.
Notas finais
Parece que agora a vida da Bella tem tudo para entrar no eixo, ou sera que não?
Obrigada mais uma vez Chelley Lima por suas lindas palavras.
E Bem vinda novas leitoras!
Beeijos e até no ano que vem!
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