Luvas em Uma Máscara
1 Short Fic
Notas iniciais
POV de Iori Yagami
Eu não imaginava que por trás daquele jeito arrogante e pomposo havia um homem com complexos escondidos, necessidade de aceitação por outros, e ao mesmo tempo uma fuga medrosa dessas mesmas pessoas verem algo de negativo em si, esquivando-se do que pode ser considerado de preconceito... E pelo que vi, nojo.
Eu também não sabia por que ele usava luvas. Certo que havia seu símbolo nelas, estas mesmas que lhes chegavam quase até a metade do braço quando ele usava a jaqueta de cor escura de seu clã, dobrando as mangas. Mas havia outra luva, aquela preta, mais curta e essa ele apenas usava com sua jaqueta branca a qual era de manga comprida. Mesmo fora do campo de batalha, era raro vê-lo sem luvas, e até para treinar ele as punha.Seus braços sempre estavam invisíveis ao alheio, e ele parecia fazer questão disso.Parece que eu sou um dos únicos que sabe o que ele carrega por trás daquelas luvas, e uma vez em que fui beijar-lhe a mão enquanto estávamos deitados e eu por observar seu corpo, ele a puxou dramaticamente me olhando com um olhar espantoso e exclamou em tom de indignação: “Pare! Isso é nojento!”Eu fiquei observando o quanto toda aquela máscara que ele punha perante os outros conseguia sobrepor até mesmo a confiança e liberdade que ele tinha comigo, seu amante. “Eu não tenho nojo...Ao contrário.”, falei calmo.Ele me fitou com uma mudança de olhar problemática e desviou-se do meu com certo aborrecimento, provavelmente por sentir nojo de si mesmo e ao mesmo tempo vergonha de sua situação perante mim, depois voltando a falar: “Porque você não tem nenhuma marca?”“Desde que nasci, as chamas de ódio e rancor queimavam meu coração e me acostumei á essas queimaduras desde muito cedo. Não é apenas porque você não pode ver que signifique que não tenho nenhuma marca... E assim como as suas, elas já cicatrizaram.” – Respondi passando de leve os dedos em meu peito e olhando em seus olhos castanhos, profundamente.Ele pareceu ter amansado mais seu olhar de profundo desgosto por si mesmo, e revelou baixo: “... Eu as detesto... Me lembram quem eu sou...” — Sim, eu já sabia que ele as detestava e era notável o quanto tinha aversão do toque sobre elas, principalmente o meu toque. Para ele, aquilo era uma doença contagiosa.“É exatamente por isso que eu as amo... Elas me dizem quem você é, e me lembram de minhas próprias cicatrizes.”Mais uma vez fui penetrado pelo olhar infantil de receio e dúvidas que ele me lançava, e depois lançou á um de seus pulsos com menos raiva, passando levemente dois dedos pelo relevo de suas longas marcas pálidas, estendidas pela costa da mão até a metade de seu braço. Ele nunca precisou me explicar para eu saber que ele havia sido dominado pelas chamas muito cedo, sem estrutura e força para contê-las.Depois desse dia eu ainda notava sua esquiva interna ao me sentir tocando seus braços e os acariciando, mas ele nunca mais os puxou de mim, e pareceu conseguir notar que nós dois somos exatamente iguais.O que ele não conseguiu notar é que todas as minhas cicatrizes já foram mostradas á ele no decorrer de nossa estúpida e inevitável rivalidade.E essa mesma rivalidade é uma máscara que nós dois usamos.
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