Lutando Por Mim
4 Capítulo 3
Notas iniciais
Apreciem com moderação, okay?!
Capítulo 3
Resolvi por em prática o plano de vestir-me bem. Fiquei pensando o que Melanie ou Alice me diriam numa hora dessas e decidi coloca uma calça jeans escura apertada, uma regata branca com uma jaqueta parecida com couro por cima; calcei uma sapatilha e arrumei o cabelo em um coque frouxo. Acho que fiz um bom trabalho pois quando meu pai me olhou ficou de boca aberta.
- E aí pai gostou? – dei uma voltinha para ele ver direito. Quase escutei Melanie dizendo "Uma vadia de classe".
- Você... Bella você está muito bonita – ele veio me abraçar. Aparentemente eu acertei na minha decisão de mudar.
Meu pai saiu dizendo que iria para casa de Billy, então pedi para ele mandar um abraço à todos e fui assistir televisão. Que saco, não tinha nada de bom pra fazer. Fui pegar o celular, quem sabe a Melanie não me ligava contando as novidades. Quando o liguei tinha três chamadas perdidas da minha mãe e uma da Melanie. Já iria ligar para a minha mais nova amiga quando o celular tocou.
- Hey baby, pronta para hoje? Tenho novidades e um presente para você.
- Bom dia Melanie, eu vou bem, obrigada por perguntar – falei ironicamente.
- Foi mal. Estou animada hoje! Chego na sua casa daqui a pouco, estou saindo de casa agora.
- Você ainda lembra onde fica? – perguntei.
- CLARO! – ela gritou e desligou.
Fiquei curiosa para saber qual era esse tal presente, então fui fazer o almoço pra parar de pensar nisso. Resolvi fazer algo menos elaborado, mas que ocupasse um pouco minha mente; meu famoso bife com batatas serviria. Eu estava dístraída colocando a mesa quando a Melanie apareceu na minha frente.
- Ah! Que susto, quer me matar, sua louca?
- Quê? Calma garota! Eu bati você que não escutou. Humm que cheirinho bom, você cozinha muito bem.
- Eu te perdoo só por causa do elogio – nós rimos e ela foi sentar-se a mesa – Então, tem alguma novidade sobre o meu carro?
- Um cara que eu conheço conhece um cara que é amigo do cara que quer vender uma picape. O modelo é uma Hilux Turbo 2000 – sei que minha expressão de não entender nada ficou evidente, mas ela decidiu continuar seu relato – Eu queria algo mais novo. Eu acho que você vai gostar, ela é bonita e imponente como você queria. Pedi para ele levar no Fred, os vidros estavam sem a película e como Fred me deve um favor então ele vai fazer. Só preciso que você confirme uma coisa.
Eu estava colocando comida nos pratos enquanto ela pegava os talheres, deveria agradecê-la por em tão pouco tempo conseguir me deixar feliz. Eu ainda estava confusa em como ela conhecia tanta gente.
-Você vai querer os vidros claros ou escuros? Tipo, a minha película é 80%. Eu particularmente acho que dá um certo charme no carro... além de você poder transar e ninguém saber o que está acontecendo.
Ruborizei imediatamente, ainda existia muito da antiga Bella em mim. Melanie era completamente absurda, eu realmente tentava entender se ela havia falado isso por brincadeira ou se era verdade. Será que ela já havia transado? Bom, isso claro que sim, porém dentro do carro?
- Nunca mais eu entro no seu carro.
- Ai garota, como você é santa, vou adorar de corromper – Ela gargalhou e completou o que dizia – Fica calma que eu nunca transei no meu carro.
Eu entendi muito bem o "nunca transei no meu carro". Ri, achando estranho demais uma pessoa sentir vontade de fazer sexo no carro, adolescentes são loucos demais. Quem sabe um dia eu até tente...
A convivência com Melanie me deixava incoerente, de onde surgiu o pensamento de fazer sexo dentro do carro? Melhor parar de pensar nisso.
- Eu gosto também, pode ser igual ao seu. Mas que cor é a picape?
- Eu queria vermelha para você não perder o costume da Chevy, mas eles só conseguiram preto. Tudo bem né? – ela perguntou receosa sobre minha reação.
- Claro, está perfeito. Como você conhece essa gente toda? – eu estava realmente curiosa.
- Bella eu ando por aí. Sabe, pessoas normais têm amizades, eu gosto de conhecer gente nova – ela assumiu uma expressão mais preocupada e falou – Eu quero que você tenha em mente que gosto muito da sua amizade, acabei fazendo algumas coisas erradas e sei que quando você descobrir como enfrento minha dor irá se afastar.
- Como assim? O que você fez? Ou ainda faz?
- A gente fala disso depois. Acaba de comer que vou te mostrar meu presente.
Nós terminamos de comer e ela foi lavar os pratos enquanto eu secava e guardava. O que ela disse me deixou um pouco receosa, mas eu estava a fim de perder a linha, então teria a mente aberta e aceitaria só por ser uma amiga maravilhosa. E quem sabe funcionasse para mim também.
Ela foi no carro e quando voltou segurava uma maleta prata, mas era um pouco grande.
- Bella, para sua mudança estar completa falta uma parte básica. Você tem que saber se maquiar. Você já fez um ótimo trabalho com as roupas, eu sempre soube que você era das minhas. Agora vamos cuidar desse rostinho. Seus olhos serão o foco.
Na maleta havia várias coisas, nem sabia por onde começar. Melanie foi paciente e me mostrou como usar tudo, ela disse que meus olhos eram lindos e me ensinou como deixá-los mais vivos. Segundo ela era umas das táticas de parecer feliz. Eu via a cada segundo aquela Bella coitadinha morrendo lentamente.
Mesmo assim sabia que essa noite seria ruim, pois eu já estava há duas noites sem gritos e choros. Eu estava tensa. Melanie dormiria essa noite na minha casa e eu falaria com ela sobre ele.
Charlie chegou, deixei Melanie conversando com ele enquanto arrumava um lugar no chão para ela dormir. Eu iria perguntar se ela não queria vir tomar banho e agente podia pedir pizza. Quando estava no meio da escada parei, eles estavam conversando sobre mim.
- Senhor Swan eu sei que tem algo que ela tem que me contar mas eu prefiro que ela mesma fale.
- Melanie ela já está há duas noites sem ter os ataques, eu acho que boa parte é por você estar dando força.
- Fique tranquilo, sei exatamente o que fazer. Eu costumava ter esses ataques, perdi meus pais muito jovem.
- Oh, querida, eu não sabia.
Entrei na cozinha e meu pai segurava a mão de Melanie. Eram raras as vezes, segundo eu saiba, que ela falava disso com outras pessoas, como também as demonstrações de carinho do meu pai. Eu sabia que ela precisava de um abraço e foi o que fiz.
- Bom a gente pode pedir uma pizza e assistir um filme – falei olhando para o meu pai.
- Fiquem a vontade, eu comi muito na casa do Billy. Vou dormir, amanhã tem trabalho. Tchau meninas e durmam bem – ele deu uma olhada em Melanie como se quisesse dizer algo que a consolasse, mas era tímido demais para isso. Beijou minha cabeça e subiu as escadas.
- Bella estou sem fome! Na verdade acho que devemos conversar.
- Eu sei, não estou conseguindo espantar essa dor. Você com certeza vai ver o quão pátetica eu sou.
- Hey gostosa! Você é apenas humana, falha e com sentimentos – ela levantou minha cabeça, olhou-me nos olhos e me abraçou.
"Esse é o problema. Eu sou apenas humana." Ficamos ali naquele abraço até as primeiras lágrimas começarem a surgir no meu rosto. Contei quase tudo para a Melanie, é claro que eu não iria contar que Edward era vampiro, assim como sua família.
- O pior de tudo é que imaginei nosso futuro juntos, meus planos já estavam traçados para acompanhar ele para onde fosse preciso. Eu estava disposta a largar tudo e todos, perdi contato com minha mãe, mal falava com meu pai... Enfim, me doei só para escutar ele dizendo: "Bella, não quero que você venha comigo" – passei a mão pelo meu coração sentindo a mais terrível das dores – O que recebi em troca foi ser deixada dentro da floresta com apenas uma frase: "Você não é boa para mim, Bella".
Nesse momento eu já estava completamente transtornada, sempre me policiava para não trazer recordações nenhuma dos Cullen, principalmente de Edward que foi o que mais magoou. Eu compreendia Alice, pois tinha certeza que sua falta de contato se devia a seu irmão.
- Certo ele é um filho da puta, um idiota completo, mas você o ama e esse sofrimento todo só prova isso. Eu começo a entender o ponto de vista dele, Bella. Edward é apenas um adolescente, ficou perdido por achar que o relacionamento estava sério demais. Foi apenas medo de errar.
- Melanie você não entende, se ele me amasse de verdade não teria me largado no meio de uma floresta, fiquei perdida e foi sorte ser achada tão rápido. A dor que ele me causou é irremediável, olho para mim todos os dias no espelho e vejo o zumbi que me tornei. Isso tudo é culpa dele, talvez até minha por ter me iludido tão facilmente – disse, endurecendo minha voz, começava a sentir raiva.
- Sabe Bella, eu tenho faro para essa coisas e se você quer saber eu ainda acho que ele volta para você.
- Melanie não precisa ser boa comigo – dar-me falsas esperanças não era uma atitude recomendável.
- Nesse tempo curto de vida que tenho já aprendi muitas coisas, essa é uma delas. Você sabe histórias de amor impossível não existe apenas em livros ou filmes, o que acontece com ele é medo exacerbado pelo desconhecido amor, na sua forma pura e verdadeira.
- Melanie, por favor... apenas pare! – pedi angustiada demais, minha dor agora estava dobrada, eu podia sentir meu coração querer falhar.
- Tudo bem, você que sabe, baby! Agora que eu já sei, pode ficar tranquila que seu segredo está bem guardado. Você tem uma grande motivação para mudar. Você vai ser perfeita, irá ter um belo futuro pela frente e irá modificar a história, no futuro você não vai ser a idiota que foi deixada pelo Edward. A partir de agora irão contar que o idiota deixou a gostosa da Bella.
Não pude deixar de me animar, nem que fosse um pouco, com esse comentário, estava aprendendo a focar em outra coisa que não fosse o meu sofrimento. Melanie era louca mesmo, mas ela não escaparia. Agora iria me contar o por quê de ter medo de eu não aceitá-la.
- Mas você também me deve algo, não se esqueça, mocinha. – puxei as suas bochechas brincando. Cada vez mais conseguia deixar o sofrimento para trás.
- E-eu uso drogas. Não me considero viciada... Consigo controlar o quanto uso, mas sei que posso me tornar dependente. Não conseguia lutar com a dor e as drogas foram a saída para mim. Estive em companhias não muito boas e no fim não culpo ninguém, até porque eu escolhi experimentar. Sou a responsável por tudo. Quero deixar claro que não estou te obrigando a manter a amizade, muito menos tentar o que faço. Só não me julgue, por favor.
- Melanie, eu nem sei o que te dizer... Eu sei que drogas não são a única saída, mas entendo você e por mais que meu cérebro diga que é errado eu... Er... Eu quero tentar o que você faz.
- Bella você não pode fazer isso, pense bem nas consequências, pois uma vez que você use drogas não poderá voltar atrás. Você é uma pessoa muito boa para perder-se neste caminho, quero o melhor e não o pior para você.
- Você não está entendendo – lutava para manter minha voz estável – Eu simplesmente não vivo sem ele, não respiro sem ele. Meu mundo é ele, sobrevivo pelo meu pai e mais ainda por minha mãe. Quando ele partiu levou consigo minha felicidade, convivo com uma dor emocional tão forte que a sinto corroer meu peito e todas as vezes que lembro dos momentos que passamos meu tórax inteiro dói, tento respirar, mas não consigo. Eu quero tentar, eu vou tentar.
Eu estava louca, mas não tinha saída nem para mim e nem para ela. Melanie ainda tentou me desacreditar da minha ideia, porém deixei bem claro que se não fosse ela a me dar eu procuraria alguém que fizesse isso. Ela foi até o carro e trouxe um saco que acreditava ser maconha.
- Aqui dentro não, meu pai, esqueceu? – argumentei, a adrenalina estava à mil no meu sangue.
- Vem para o meu carro que te mostro como usar.
Ela me ensinou como fazer o cigarro, como prendê-lo e como fumar. Nos drogamos até a madrugada, Melanie me disse que só usava maconha por ser mais fácil de conseguir, além de ser mais fácil de se controlar. Nunca tinha me sentido tão bem em toda minha vida, a sensação era de liberdade. Tudo a minha volta havia desacelerado, estava pouco ligando para a dor no meu peito.
Ela ajudou-me a subir as escadas, deitou-me na cama e foi dormir no chão, no lugar que arrumei para ela. Não queria ficar sozinha então a chamei para dormir comigo. Eu sentia que ela me dava força, assim como eu a ela. A cada minuto que partilhava minha dor meu peito estava aliviando, superar completamente poderia dizer que não, mas conseguiria levar uma vida normal e isso seria por mim. Já estava me negligenciando há muito tempo.
Notas finais
Próximo capítulo tem a chegada de uma pessoa na história, mas nao conto quem é kkkkk
Opniões por favor...
Deixem os reviews e semana que vem tem mais.
Bye-bye, beijitos!
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