Lustrux

1 A sombra...


Notas iniciais
É uma história original, meio estranha, mas interessante. Espero que gostem

Sete dimensões divididas em seres imortais, os mortais e seres mágicos. Lustrux são como o ser humano com o cérebro mais desenvolvido e nós somos um pouco mais altos.
Os rostos são leves e delicados, na testa há um símbolo ao qual descreve o seu descente. E na melhor parte é que os Lustrux têm asas, asas de pássaros. Todos têm asas marrons, poucos têm asas mistas de marrom com branco.

Alguns de nós nascemos com orelhas de cachorro, em cima da cabeça. Ao invés de terem asas, mas também concedem uma agilidade e os cinco sentidos extremamente aguçados. Não somos imortais, não seria um termo bem utilizado ao nos caracterizar, pois podemos ser mortos por uma espécie de planta que só é encontrada no fundo dos oceanos, raramente alguma nasce junto com alguma grama. Dificilmente elas são encontradas.

Podemos ser mortos, mas não envelhecemos depois dos trinta anos. Nossa idade adulta só é atingida depois dos trinta anos de idade. Aos dez anos entramos na escola, aos quinze ainda somos considerados crianças e aos vinte entramos na adolescência. Vinte e sete anos é a nossa maior idade, onde podemos poder ter nossos direitos como “Lustrux Complexus”

“Venha pra aula logo” – a voz de meu professor de musica Lustrux soou na minha cabeça e eu ri.

- já vou, já vou. Ainda bem que ele tem esses poderes concedidos por Justina, deusa da inteligência.

Corri em direção a minha mãe, ela lia preocupada o jornal.

- Algum problema? – ela continuou lendo o jornal, ignorando totalmente minha pergunta. – Mãe? – seus olhos se viraram para mim e eu podia jurar que ela estava com raiva, seus olhos me olhavam como se eu fosse a pior pessoa do mundo. Mas logo ela baixou os olhos de novo e voltou-se com um sorriso.

- Nada, minha filha. Onde você está indo? – ela perguntou, nem se importando muito.

- Aula de música, sabe como é, se eu não vou ele vem me buscar. – sai pela porta nem esperando a resposta dela, sai correndo. Já que eu não podia voar, as minhas asas... Elas nunca levantaram um voo, parece que eu nasci com uma doença rara dos Lustrux, as asas elas são aleijadas. São caídas e não tem cor alguma, são brancas. Parecem doentes, não tem vida assim como eu. Há alguns anos atrás quando eu tinha vinte e um queriam tirá-las de mim, mas Chulés, meu professor de música não permitiu.

As pessoas sempre ficam me olhando atravessado, a maioria delas se pergunta porque eu não voo e porque eu não tenho símbolo algum na minha testa. Isso é algo que eu nunca irei descobrir, talvez eu seja meio humana ou uma prole defeituosa de Deuses?

“Cadê você? Eu acho que vai acontecer algo ruim, estou com um pressentimento ruim” meu professor dizia preocupado na minha mente.

Está todo mundo chato e preocupado hoje. Só porque eu não tenho asas pra voar, ou um deus pra me defender.

“ Isso é perigoso.” Respondeu ele.

Mas eu nem falei contigo! Pensei alterada, enquanto tentava não resvalar nas plantas. “Conexão telepática, qualquer coisa que acontecer contigo eu posso te proteger. Além de poder ouvir todos os seus pensamentos.” Ele respondeu, rindo de leve.

Haha, isso é falta de privacidade. Respondi, mas ele não havia falado nada. Corri mais depressa, pois sentia que alguém me seguia.

- Finalmente minha aluna preferida chegou! – ele falou me abraçando e massageando um pouco as minhas asas caídas. — Seriam lindas. – Ignorei completamente o seu comentário e o fato que Sules conseguia ver minhas asas até quando elas estavam invisíveis.

- Me dá um tempo. – falei. Ele deu um sorriso maldoso. – Eu estou bloqueando meus pensamentos. – Ele riu e me puxou até o estúdio.

Sules era bondoso comigo sempre foi e como Justino ele sempre sabe o que eu preciso e como eu tenho que lidar com as situações. O símbolo dos Justinos é o Alus a primeira letra do nosso alfabeto. Cada letra se mostra a partir de seu deus, e por assim dizer. Alus significa o mais sábio de todos. Mas para ele sua marca teria que ser Helenius, a letra celestial. Sules não era um Lustrux qualquer, ele esbanjava a sua felicidade e sua bondade a todos. Muitos talvez se aproximassem dele por ele ser ingênuo e magnificamente perfeito.

Sua aparencia era algo que eu nunca reclamaria, ele tinha cabelos pretos e os olhos verdes, seus olhos mesclavam entre cores de azul e verde. Suas sombrancelhas eram tão pretas quanto o cabelo o que realçava a cor dos olhos. Seu corpo não era tonificado, muito menos fraco demais. Ele era forte dava para notar e as roupas que ele usava sempre o deixavam mais sensual do que o normal.

- O que você acha de ir tentar tocar um pouco de flauta hoje? Flautas são importantes instrumentos para os Lustrux. Eu vou te dar essa de presente e a qualquer enrascada que você se meter a assopre. — Eu peguei a flauta e... – Não! Não faça isso! – Toquei um dó e ele caiu no chão tapando os ouvidos.

-Ai meu Deus, desculpa! – disse eu me ajoelhando e largando a flauta no chão. – eu não... – eu lacrimejava e Sules levantou o rosto e deu um sorriso.

- Isso, não se preocupe. Eu imaginei que você fosse fazer isso, por isso eu me preveni com protetores de ouvido, mas eles não eram tão fortes. A nota dó deixa qualquer ser mágico imóvel por alguns minutos, mas como eu estava com os protetores consegui me safar. Eu preciso que você passe essa noite aqui, eu tenho que te ensinar tudo que eu posso sobre os instrumentos música Lustrux. Ele se levantou e me deu outra flauta, mas dessa vez uma com asinhas na ponta traseira. Era linda, tinha uma textura que parecia antiga e era feita em um tipo de granito talvez? Eu peguei-a temerosa, ele sorriu e segurou a minha mão. – Essa me fará bem e a você também. Acho que você ficará feliz com o resultado. Toque a música que mais te faz feliz.

Segurei a flauta fortemente e fechei os meus olhos, assoprei e senti um alivio nas minhas costas. Nas minhas pernas, tudo parecia mais leve, um delicioso aroma de jasmim rondava o lugar e pensamentos bons vieram a minha mente.

“Abra os olhos” Sules sussurrou na minha mente. Abri lentamente os olhos e os olhei para baixo. Lá estava ele sorrindo, isso seria possível? Eu encarei as minhas costas. “ Eu não te disse que eram lindas? Agora desce aqui e não pare d..” Eu parei de tocar imediatamente, minhas asas caíram e eu caia.

- AH! – gritei, quando senti que Sules havia me pego no ar. – Ai, tu sabe que eu te amo né?

- Você sabe que você nunca me ouve né? – ele disse irônico baixando lentamente.

Houve um silencio per turbante durante um momento e quando eu ia falar alguma coisa, Sules pediu para eu ficar quieta.

- Me diz você não sentiu nada na sua mãe antes de sair de casa? Um comportamento estranho?

Ou um comportamento estranho de algumas pessoas na rua? – Ele sentou em uma cadeira próxima de mim e me encarou completamente sério. Até diria que estava acontecendo algo muito sério e que eu não sabia.

- Minha mãe, ela me olhou estranhamente antes de eu vir pra cá. Ela parecia estar em transe, pois quando ela me olhou de primeira seu rosto estava transtornado de raiva e depois ela me olhou sorrindo do modo que ela sempre faz. As pessoas na rua, algumas paravam e ficavam me encarando. Era como se elas conseguissem ver as minhas asas. — ele engoliu em seco e se levantou indo de um lado para o outro. Ouvi uma batida de porta, mas Sules estava entretido demais para ouvir algo do que se passava fora da mente dele.

Eu senti uma tontura no meu corpo e continuei sentada olhando para os meus pés, tentei não me preocupar com o barulho de porta e algo havia entrado dentro da minha pele, como uma faca. Levantei um pouco a blusa para ver a minha barriga. Estava sangrando, havia um corte profundo. Sules me encarou e se surpreendeu, olhou para o lado e correu até a porta tentando trancá-la.

- Temos que sair daqui. – ele disse pensando rápido. – Não era para ele conseguir te rastrear.

- Sules! Sules! Meu Deus! – eu disse, sentindo uma presença que não conseguia descrever o poder que se escondia atrás de uma aura neutra. Era uma aura neutra com cheiro de cinzas, cheiro de carne queimada.

–Eu sei, eu notei. Você ainda consegue mudar de dimensões? – ele perguntou me surpreendendo tamanha a idiotice que ele iria cometer.

- Mas, Sules. Você sabe que eu posso fazer nós ficarmos presos em uma dimensão para sempre. – eu disse tentando ficar mais calma o possível.

- Eu prefiro vivo a mortos.

- Tudo bem. Segura na minha mão. – Disse atormentada e Sules pegou tantos instrumentos quanto conseguiu mais uma mochila cheia de coisas. Tentei me concentrar, minha mãe tinha me ensinado como me tele transportar para uma dimensão que eu criara quando pequena. Lá eu sempre estava segura, ninguém sabia como chegar até lá.

A porta se foi levantada por uma força sobrenatural, a porta voou metros. Quase me acertara. Havia uma figura preta na porta, era difícil de descrever, ela parecia estar nublada. Era como uma foto totalmente sem foco, tremida. Quanto mais eu olhava, mais assustadora ela estava ficando. A primeira coisa que consegui identificar foram dois olhos vazios sem órbitas, apenas dois buracos pretos. Eu vi tantos Lustrux, filhos de deuses e humanos sendo queimados vivos.

Até Deuses eu conseguia ver dentro daqueles buracos, o manto preto queimava na parte de baixo onde saiam cabeças de cobras. Na parte de cima havia dois chifres na cabeça, mas era impossível ver o rosto por era tapado por um pano.

“ A Flor, me dê a flor” um sussurro grave e sinistro apareceu na minha mente e aquelas cobras se aproximavam de mim. O cheiro de queimado estava me deixando cansada e eu me sentia fraca. Eu tossia era como uma parede de fumaça invisível. Meus membros das pernas aqueciam levemente, era desconfortável.

-Me leva daqui! Leva-nos DAQUI! – eu gritei quando uma das cobras acariciou uma das minhas pernas e eu vi aquelas órbitas a menos de um metro de mim. Eu me apavorei, eu estava com medo. Muito medo. Fechei meus olhos e senti meu estomago revirar e minha cabeça girar dez vezes até eu bater de cara no chão.

- mas que diabos? — Sules olhava para os lados tentando descobrir onde estávamos e o pior é que eu também não sabia. Nós não estávamos onde eu costumo ir, era mais como uma cidade. Nós estávamos... Não acredito. – Sules. – eu o chamei e seu rosto estava totalmente sério.

- Humanos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.