Luna - INTERATIVA
7 Capítulo VII
Notas iniciais
Vênus Aeelyn Albuquerque fora a primeira menina com um vestido longo dentre todas as selecionadas tirando uma ou outra talvez. Mass nem se lembrava mais. Depois de beijar a mão de Vee, o príncipe sentiu seu braço um tanto quanto mais leve. A princípio, pensou que talvez fosse o toque da selecionada, mas então olhou, e percebeu que estava com seu relógio de sempre. Será que havia se esquecido de colocar de manhã? E só havia percebido naquele momento? Bom, depois se preocuparia com isso. Vênus tinha olhos curiosos e agitados, e pareciam captar cada detalhe de tudo. Mass sorriu – conhecia aquele olhar. Pietro o carregava: era hiperativo. Ponderou se a selecionada também seria, mas perguntaria em outra oportunidade.
— Gostaria de me fazer alguma pergunta, senhorita?
— Hum... acho que sim. Vossa Alteza já correu de pijamas pelo palácio?
Mass achou graça. Abaixou a voz e se inclinou na mesa, em direção a selecionada, como que prestes a revelar um segredo.
— Já. Quando chove, corro até o outro lado do palácio, onde fica um dos jardins, para tomar chuva. É um dos únicos jardins que meus pais não conseguem ver da janela do quarto, mas fica em frente aos quartos das selecionadas. Acho que perdi minha privacidade por um tempo.
Vênus soltou um risinho.
— Pode ficar tranquilo. Seu segredo está seguro comigo. – Mandou-lhe uma pisadela. Vee pensou por um tempo se deveria fazer certa pergunta, até que decidiu chutar o balde de uma vez. Já estava lá mesmo. Porque não perguntar? – Vossa Alteza já se apaixonou?
Por essa Mass não esperava. Mudou de posição no sofá e mexeu no cabelo, pensando em como responder a essa pergunta. Não tinha a menor intimidade com a selecionada! Mas, pensando por outro lado, poderia estar sentado na frente de sua futura esposa. Ah, dane-se.
— Talvez. Nem eu sei. E a senhorita?
Os olhos de Vênus se perderam em algum ponto inexistente, e ela sorriu de lado.
— Vossa Alteza ficará muito brava se eu responder o mesmo que você?
— De forma alguma.
Após observa-la sair, Mass notou seu relógio em cima da mesinha. Era oficial: deveria estar ficando louco.
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A sombra verde contida nas pálpebras da selecionada Marina Mattedi destacava o castanho de seus olhos, fazendo-os parecer um tom de mel. O que A Seleção está fazendo comigo? Eu não entendo nada de maquiagem! Mass notou que Marina não fora tão polida e educada quanto a maioria das outras meninas, mas também não havia sido grossa como algumas.
— Senhorita, o que acha que têm em comum comigo?
Ela pareceu pensar.
— Bom, não conheço muito bem você, — o príncipe conseguia ver nos olhos de Ada a repreensão. Nunca se chama um membro da realeza de você sem que tenha muita intimidade com o tal – mas também tenho um irmão mais novo. Sei que tem dois, mas eu tenho um só.
— E a senhorita briga muito com seu irmão?
— Eventualmente – deu de ombros.
— Tem muitos amigos em casa?
Mass sentiu que tocou em um ponto sensível de Marina.
— Alguns.
O príncipe limpou a garganta, tentando aliviar a tensão.
— E a senhorita trabalha?
— Estou na faculdade de direito, mas gosto muito de cantar.
— Bom, então nó e mais algumas selecionadas que já me disseram gostar de música teremos que organizar algo qualquer dia.
— Pode ser.
Como viu que Ada estava quase explodindo, Massimiliano resolveu cortar a conversa por ali, – e, segundo seus cálculos, já havia dado o tempo – porém não quis eliminar Marina. Havia algo por baixo daquelas camadas de autodefesa, e ele estava intrigado a saber o que era.
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Era inevitável que a primeira coisa a se notar em Hwa Yang Mi fossem seus fogosos cabelos, que o príncipe também se lembrava de ter sido a primeira coisa que notara nela durante os anúncios. Enquanto a selecionada se sentava, Mass tomou mais um gole de seu suco, e, involuntariamente, começou a tossir enquanto engolia, o que causou um terrível desastre em sua ética e quase fazendo o suco sair por suas narinas. Yang Mi tentou segurar o riso enquanto Massimiliano se recompunha.
— Não precisa se preocupar em tentar manter a postura comigo, você provavelmente vai me achar mais estranha que as outras.
Mass achou graça.
— Tem certeza? Cerca de uma hora atrás tenho quase certeza que conversei com um alienígena. – Ambos riram. – Então, senhorita, vejo que tem uma cor bem peculiar de cabelo.
— Sim. Em meu país, devido a genética, acabamos sendo todos muito parecidos em relação a olhos, cabelo, tom de pele e afins. Gosto porque me faz diferente do resto.
— Fico feliz que não tenha pitado durante aas transformações.
— Acredite, eu também.
O príncipe sorriu.
— A senhorita tem irmãos?
— Não, mas tenho um gato, Jisoo. Costumo dizer que ele é Hwa Jisoo, o caçula da família.
O sorriso que Yang Mi sempre portava se abriu mais quando falou de seu bichinho.
— Eu também vejo meus animais de estimação como parte da família, e não sei como poderia ser diferente.
— Vossa Alteza tem animais de estimação? Sério? Quais?
A selecionada havia ficado bem animava com o tema da conversa, e essa animação acabou por refletir em suas mãos, de forma a derrubar o copo de água de Yang Mi no chão. Ela bateu uma das mãos na testa.
— Lógico! Lógico que eu ia derrubar algo! Mas é óbvio!
— Por favor, não se preocupe – disse o príncipe, enquanto se virava para chamar um mordomo para limpar aquela bagunça, mas já havia um limpando, e outro trazendo um substituto ao copo de agua derrubado.
— Desculpa! Mesmo! Eu sou super estabanada!
— Sem problemas. A senhorita deveria ver a minha casa no Natal. Eu ficaria assustado se pelo menos uma dúzia de copos não fossem quebrados acidentalmente.
— Vocês quebram copos de propósito?
— Normalmente são pratos.
A selecionada riu.
— Deve ser divertido.
— Cachorros.
— Perdão?
— A senhorita perguntou se tenho animais de estimação. Tenho três cachorros.
— Ah sim, claro. Devem ser lindos!
— São sim. Espero poder continuar a conversa em outra oportunidade.
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Maya Mahala Adichie definitivamente parecia mais nova do que era, afinal, quem olhava para ela nem imaginava que ela tinha vinte anos. Porém, assim que ela chegava mais perto, qualquer um sentia a maturidade que praticamente exalava de seus poros.
— Diga-me, senhorita, porque se inscrever na Seleção?
— Bem, é uma história um tanto quanto longa. Sou arquiteta, porém sou formada também em artes plásticas, e faço parte de um projeto artístico que consiste em organizar exposições de pela cidade. Na última exposição, eu e algumas amigas fizemos uma aposta: a autora da obra de maior repercussão teria que se inscrever na Seleção, então aqui estou eu.
— É muito interessante como a senhorita é eclética em tema de conhecimento. E tem algum projeto arquitetônico também?
— Projeto abrigos para os sem-teto.
— Isso é fantástico! Qualquer dia a senhorita se importaria de me mostrar mais a fundo o seu projeto? Acho que poderíamos dar um jeito de expandi-lo.
— Isso seria ótimo!
Ada limpou a garganta, avisando o príncipe do tempo. Mass se despediu de Maya, e respirou fundo como nunca antes, se largando no sofá. As conversas haviam finalmente acabado!
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