Luisa, A Pequena Bela
1 Único
Notas iniciais
"Parabéns, pra você. Nessa data querida. Muitas felicidades. Muitos anos de vida" .... 15 anos :)
[FeliciaStryder]
Único
Era uma manhã fria e calma no grande castelo. Os empregados, que eram praticamente parte da família, corriam pelas escadarias aos preparativos do aniversário de 15 anos de Luisa, a filha de Bela e o Príncipe, antes chamado de Fera.
Anos haviam se passado desde a famosa historia de “A Bela e a Fera”, e hoje a história ainda é contada de boca a boca, livros e filmes. O fruto desta história era a pequena garotinha de pele rosada e longas madeixas onduladas, prezas sempre por uma fita em seu cabelo de princesinha, as vestes simples e seu lindo sorriso prateado contornado por seus lábios marfim vivos.
“Luisa, Luisa... Pequena Luisa... Onde esta essa menina?” dizia Horloche, olhando para os lados e a cada intervalo de segundo para o pequeno relógio de bolso que carregava sempre consigo.
“Meu caro amigo Horloche, você tem que aprender a se preocupar menos. A menina pode esta apenas querendo ficar sozinha” falou Lumiere com seu topete charmoso enquanto passava pelo corredor iluminado pela luz das grandes janelas segurando uma bandeja com parte da decoração das mesas que já haviam sido levadas para o salão.
“Sozinha. Sozinha?! Essa menina nunca fica sozinha desde os 5 anos quando conheceu Janaína, aquela menina nunca bateu muito bem da cabeça” Horloche parecia esta com uma pulga atrás da orelha, provavelmente pensando se alguma coisa desse errado hoje, seria tudo considerado culpa sua.
“Ora, ora... Talvez ela precise disso agora, é um grande passo pra ela, talvez precise ficar um pouco sozinha com ela mesma, quem sabe?” Lumiere sorriu, e tirou um lencinho do montinho na bandeja “Tome, limpe esse suor, e tente não procurar ela hoje”
“Não procurar, não procurar. Até parece que não conhece a peça! Ela demora horas pra ser encontrada... Tento não lembrar do dia que ela quis brincar de esconde-esconde no castelo todo, eu mau consigo achá-la no quarto dela” ele sentou em uma das cadeiras que ainda não tinha sido empilhada, passando o lenço sobre a testa franzida.
“Bom, Horloche, se quer mesmo achar Luisa procure por Janaína, ela deve estar na cozinha ajudando Madame Samovar, não tem outra pessoa que encontre a Maria Luisa tão rápido quanto ela, a não ser talvez Zip... Mas você já sabe disso, então até mais, tenho que arrumar muita mesa ainda”
“Menina das mãos de ouro essa menina, tomara que ela faça aquele Pudim de Leite delicioso que fez ano passado, ou melhor, aquela Torta Prestigio com o nome do irmão dela, o Zip, feito de baunilha com coco, e a cobertura de chocolate derretido, ou até no aniversario de casamento do patrão, aquele Merengue de Morango pra sobremesa foi demais...” e Horloche continuou fantasiando com as deliciosas sobremesas e bolos que só Janaína sabia fazer
[...]
Longe dali, estava Luisa sentada na casinha da arvore, que era comodamente acoplada a uma das janelas da grande biblioteca do castelo, o “Porto Seguro”. Lendo mais uma vez aquele conto tão conhecido, e familiar “Diário de Anne Frank”.
Nossa, que história. Ela sorriu, rindo de seus próprios pensamentos.
Segurou aquele pequeno livro de capa grossa, na mão esquerda e sem tirar os olhos das palavras, tentou pegar o potinho de Frozen, porém...
Ops... O copo de plástico caiu derramando todo seu conteúdo pelo chão de madeira.
“ Que droga!” ela disse aborrecida.
Levantando-se pôs o livro sobre a mesinha cabeceira, e passou o pé para dentro da biblioteca. Olhou para os lados e nada, sentou-se pegando o tênis de dentro da casinha, amarrou os cadarços e ajeitou o vestido, passou pela frente de um espelho correndo, e deu uma pequena arrumada nos fios emaranhados.
Desceu um jogo de escadas, e corria para a cozinha atrás de um pano, quando foi parada por Clarissa, a Antiga Senhora-Guarda-Roupa, que agora se via como uma mulher corpulenta, vestida de maneira impar, discreta e muito chique, parando-lhe.
“Aonde pensa que vai mocinha?” ela a olhou com olhar severo, porém sorrindo.
“Eu ia, ia... Eu ia...” gaguejava entre as palavras, não iria contar do esconderijo dela e de Janaína. Quando, como que por um milagre, avistou alguém que poderia ajudá-la “Fifi, Fifi!” ela gritou, e amenizou o som continuando “Lumiere me disse que Fifi queria falar comigo, pois bem, eu vim aqui pra falar com ela”
Sra. Clarissa, virou-se e Luisa fez cara de ‘me salva’ por de trás da grande senhora, Fifi sorriu tentando conter sua cara de espanto.
“A sim, er, Luisa tenho que lhe mostrar uma coisa na biblioteca...” Fifi se aproximou.
“Bem, Luisa termine de conversar com Fifi, seja lá qual seja essa ‘coisa’ e depois vá para o seu quarto imediatamente para se arrumar, sua mãe e seu pai estão vindo da cidade, chegam daqui a pouco e vão falar com você, sim?”
“Ah, claro. Com certeza!” Luisa fez cara de animação.
Ela se foi corredor a diante.
“Obrigada Fifi”, ela abraçou a moça de feições lindas, corpo perfeito.
“De nada querida... Sempre que precisar. Bem, tem alguma coisa que queira que eu faça agora por que... eu tenho que falar com Lumiere ainda” Fifi sorriu, e sua face ficou tão vermelha quanto um tomate.
“Tem sim, se não for pedir muito, preciso que você fale pra Janaína ir no Gala, e leve um pano pra limpar, eu fiz besteira... Só isso, e também fingir que não ouviu o que eu disse agora depois que der o aviso.”
“Vocês meninas e seus segredos... Ok, vou procurá-la. Tenha juízo Maria Luisa”
[...]
“Sua louca irresponsável! Podiam ter descoberto o esconderijo, sorte que Fifi estava lá pra te ajudar, custava ter vindo logo pro seu quarto pra Tiazinha que eu não lembro o nome te arrumar de uma vez”, Janaína olhava pra mim séria, que na verdade me davam vontade de rir, por ser uma das únicas coisas que ela não sabia fazer ‘Ficar séria’.
“Pare de fingir que é minha mãe, sua magrela. Até parece que não me conhece, eu ia vir aqui... só estava adiando essa monotonia, eu não pedi pra ser parecida com a mamãe” ele fechou a cara, fazendo bico e olhando para a janela
“Eu sei criatura, mas olha, tem tanta menina que queria ter o seu lugar, é uma festa! De 15 anos, a sua festa. Qualquer garota gostaria de ter uma festa dessas, quer dizer, sei que você não quer...” Janaína tentou acalmar os sentimentos de sua amiga, acariciando seus cabelos entre seus dedos longos.
“Não é que eu não queira, é só...” a garotinha se perdia em entre um dilema ao qual nem ela mesma sabia qual era.
“Eles vão sempre te comparar com a sua mãe e blá blá blá... eu sei, eu sei... Você podia falar com ela”
“E ela vai me entender? Que eu não quero encarar essas pessoas, pra ela e papai é fácil, eles sempre foram lindos, nunca tiveram problemas, todo mundo ama a ‘Bela e o Príncipe’ mas comigo é diferente... Eles só querem ver o quanto eu não sou perfeita ” as lagrimas saiam de seus olhos leves, finas e lentas, como se estivessem com rumo mas sem a vontade de sair dos olhos de Luisa.
“Bom, eu não posso te dizer nada, mas acho que ela pode” Janaína disse com um sorriso compreensivo, seguido de um olhar reconfortante para a grande porta que se fechava, mostrando a linda senhora moça de sorriso contagiante tão conhecida de nossos sonhos em Contos de fadas de nossa infância “Oi Tia Bela”
“Olá, Jana. É bom vê-la aqui, como sempre sorrindo.” disse Bela, pondo as mãos nos ombros de Luisa.
“Oi mamãe” ela limpou as lagrimas, e sorriu.
“Ok, essa é minha deixa... Venho aqui, quando eu estiver pronta, não saia daqui sem mim... Ou seus pais não é?!” ela riu, e saiu de fininho.
Um longo momento de silencio, enquanto Bela sentou junto a filha no pequeno sofá a beirada da janela.
“Quer me dizer alguma coisa meu amor? Estou aqui para ouvi-la”, a mãe colocou seus dedos no queixo da pequenina lhe olhando nos olhos.
“Sim, mãe. Eu não consigo mais segurar isso ...” ela se levantou, e passou a mão no rosto “Eu sempre quis lhe orgulhar, ser como a senhora, tudo é tão perfeito, a senhora e papai, o castelo, como todos vêem vocês, o vovô então, o melhor cientista que eu já ouvi falar... é muita pressão, eu não consigo ser assim... eu... eu” ela se debulhava em lagrimas no colo de sua mãe, a única que a entenderia.
“Meu amor, não chore. Nem tudo que você vê, sempre foi assim. Vou lhe contar uma história que aconteceu à muitos anos, que muita gente conhece, mas talvez você não.” Ela tirou um livro do bolso, fino, de poucas paginas, onde se dizia:
A Bela E A Fera
E assim ela começou a contar aquela história, que começa e termina do mesmo jeito de todos os outros Contos de Fada. Com um Era uma Vez e um FIM.
“Gostou querida?” ela olhou para a filha em seus braços.
“Sim, mamãe. Muito. Mas só é um Conto de Fadas, não é real” ela disse.
“Só se você acreditar que é...” a mãe sorriu.
Toc-toc. Um homem de lindos cabelos loiros presos por uma fita azulada, com vestes de realeza, pronto para a festa é a descrição correta, entrava naquele recinto.
“Como estou?” ele disse, dando uma voltinha para mostrar a linda vestimenta.
“Divino” com os olhos brilhando, Luisa correu até o pai que lhe acolheu em um abraço forte e apertado.
“Lindo, querido” ela se levantou do sofá, como uma fada que saia de uma reunião animada.
“O que eu perdi?” ele disse.
“Estava contando uma história a nossa filha” a mulher deu um singelo beijo no rosto de seu marido que retribuiu com um beijo em sua testa.
“Essa minha querida, além de ser uma ótima história, é a história de duas pessoas que te amam muito” ele sorriu dizendo isso, e passando as mãos sobre os cabelos da filha.
“Sente-se” Bela a levou para o banquinho da prateleira onde penteou-o cabelo de sua filha em um penteada único, enquanto o pai tirava da caixinha de camurça de seu bolso, mostrando a linda tiara que havia pertencido a Bela, de puro ouro e pedras preciosas “Ou você acha que seu pai sempre foi lindo e legal assim?! Levante”
“Mas porque não me contaram? De repente eu nem tivesse ficado tão triste por nada, afinal o que importa é o que esta dentro de nós mesmos” ela disse indignada. Virou-se a seu pai, que a colocou em sua cabeça com delicadeza.
“Um hora você ia entender querida” a mãe disse a Luisa sorrindo “Pronta, Linda, Perfeita, minha Maria Luisa”.
[...]
“Com licença, Tia, Tio, e Luh, posso falar com você rapidinho?” ouviu-se a voz de minha melhor amiga vinda da porta.
“Pode sim, querida nós já vamos” disse Bela, puxando o marido para fora. A porta se fechou mais uma vez.
Ela estava com um vestido rosa que lhe caia perfeitamente bem, suas curvas destacavam-se, seus cabelos presos com uma fivela de pedras de strass, um salto agulha com fivelas.
“Você esta linda amiga” Luisa exclamou. Era um crime não dizer que Janaína não estava linda.
“Não tanto quanto você, afinal, hoje a noite é sua” deu um abraço na amiga, como se a muitos anos não tivesse se abraçado tão forte daquele jeito, aquela amizade era simples e singela, perfeita na sua imperfeição, criada a partir do tempo e das conveniências da vida, não importava as diferenças, ela eram e são amigas, para sempre.
“O que houve?” Luisa disse quando se soltaram de seu abraço.
“Você não vai acreditar se eu contar” ela fez uma risada maligna.
“Ah claro! Você me conta isso depois, mas tenho outra coisa pra lhe contar, e tem haver com meu irmão” ele olhou para mim pelo rabo de olho.
“O que? O que tem o Zip?” ela se virou para a amiga.
“Vem vira aqui pra eu ajeitar seu vestido” ele virou Luisa e fez um laço apertado na garota de vestes azul turquesa “Acho que alguém vai pedir a mão de alguém hoje, que já era de se esperar depois de tantos anos se amando por olhares. Ok ok, eu sou demais, fale a verdade, sou a melhor fonte de noticias de todo o reino”.
Luisa ficou em silencio. Paralisada. Silenciada. Calada. Sem fala. Boquiaberta. Surpresa. Tudo que uma garota que é a apaixonada por um único garoto desde a infância ficaria.
“Acorda criatura!” Janaína gritou, estalou os dedos, e deu uns tapinhas no rosto de Luisa para ver se ela saia do transe O-Sonho-Não-Acabou.
“Nossa, que maravilha. Vamos” ela saiu puxando a amiga do quarto.
[...]
Era isso, ela estava ali atrás da porta do grande salão pronta para entrar para sua Festa de 15 anos, junto de sua mãe, Bela, seu pai, Príncipe, e, sua melhor amiga, Janaína.
“A propósito, Luh”’ ela disse, segurando a mão de sua amiga.
“O que Jana?” ela apertou a mão dela.
“Eu te amo”
“Eu te amo também”
“E Feliz aniversario” ela sorriu.
“Obrigada” ela sorriu retribuindo a amiga “Obrigada mamãe e papai por tudo, por confiar em mim e pensar em mim por todos os anos, me mostrar a verdade que esta em mim”
“Parabéns meu amor, não nos deve nada, estamos felizes por você estar feliz e o bastante” a mãe abraçou-a levemente, e lhe deu um beijo na testa.
“Obrigada a você meu amor.... Soube que alguém vai dançar com Zip hoje, é bom que ele seja um bom condutor ou vai se ver comigo depois do jantar” dando uma gargalhada ele ajeitou a gravata borboleta, e posicionou o braço para que a filha o segurasse.
“Preocupado?” ela o questionou sorrindo, e colocando seu braço entre os de seu pai. Os braços mais seguros que ela encontrara na vida depois dos de sua mãe.
“Luisa, você é a minha Pequena Bela. É claro que vou ficar preocupado com você, para sempre querida” o pai sorriu, ela também.
A grande porta do salão se abriu, revelando todos aqueles olhos deslumbrados com a linda filha de ‘Bela e a Fera’, Horloche chorando de emoção, Fifi nos braços de Lumiere sorrindo para as pessoas que desciam as escadas, Sra. Clarissa com seu sorriso de satisfação de um trabalho bem feito, e Zip, um menino de cabelos loiros, olhos azuis, bochechas rosadas, sorrindo.
É ela. Ele pensava. A Bela dos meus sonhos.
FIM
Uma história, para minha Panqueca Magrela. \\
Déia, minha Linda ♥
De: Feli S.
Notas finais
Bjs Bjs
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[FeliciaStryder]
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