Notas iniciais
Esta one-shoot é dedicada a todos os lufanos, que já se sentiram inferiorizados pelo fandom. Vocês são sensacionais, e eu tenho muito orgulho de vocês. Principalmente da minha irmã. Justa, Leal, Gentil e disposta a tudo para defender os outros. Uma grande lufana, que mora no meu coração.

Lucy queria muitas coisas aos onze anos. Ansiava por todas as coisas que as crianças escutam dos pais: Conhecimento, bravura, ambição e bondade. E para isso, tinha que escolher uma entre as demais casas de Hogwarts.

A primeira coisa que veio em sua cabeça foi a Corvinal. Era a escolha mais óbvia. Seu pai ficaria orgulhoso e ela estaria junto a sua irmã. Queria ser inteligente. Muito mais inteligente do que já era, ansiava por ser considerada sábia. Ter na ponta da língua todos os feitiços, na habilidade das mãos todas as poções. Queria ser uma bruxa fenomenal, de múltiplos talentos mágicos. Entretanto, faltava algo. Algo essencial, desconhecido e, apesar da sede pelo conhecimento, não era algo que ela sentia necessidade de saber. Não estava destinada a gravata azul.

Na segunda vez que pensou sobre isso, a imagem do brasão da Grifinória veio em sua mente. Um Leão. Ela podia ser uma leoa. Ser corajosa e ousada como James e Fred. Já tinha se arriscado para tirar os primos de algumas encrencas. Poderia pertencer a Casa dos Bravos. Mas não pertencia. Ao repassar o perfil dos alunos, viu que, definitivamente, ali não era o seu lugar. Não era ousada o bastante.

Estava perdida, até ver Albus com seu cachecol da Sonserina no Natal. Ela harmonizava com as cobras? Dominique certamente sim, mas Lucy? Cobiçava uma vida boa, um cargo enorme que lhe desse prestígio. Desejava ser importante para a sociedade. Quando contou isso a prima, Dominique sorriu complacente. E depois lhe fez uma simples pergunta: "Lucy, você se parece com uma flor inocente, mas tem uma serpente dentro de si?". Lucy não sabia responder. Até notar que ela era flor. Apenas flor, sem serpentes.

Desistiu de Hogwarts trinta vezes depois disso. Não tinha lugar para ela lá. Setembro estava chegando e ela não tinha certeza se seria acolhida por alguma casa. Poderiam expulsa-la no primeiro dia se o Chapéu Seletor falasse que Hogwarts não era seu lugar? Estava em pânico. Todos ao seu redor faziam a mesma pergunta que não aparentava ter resposta. E quando ela explodiu, dizendo que não sabia que raios de casa ela ia cair, Teddy sentou ao seu lado e segurou sua mão, dizendo que tudo ficaria bem. Afinal, o Chapéu fazia todo trabalho, Lucy só teria que se preocupar em não cair do banquinho, coisa que ocorreu com o garoto de cabelos coloridos anos atrás. Um ato gentil. Ela almejava ser igual a Teddy Lupin. Tão doce, gentil, paciente, leal e sincero. Sem medo da dor. Pronto para se sacrificar por qualquer um. Um ombro amigo para todas as horas. Alguém que não fazia distinções entre as pessoas. E de repente tudo começou a fazer sentido. Ela pertencia a Lufa-Lufa e sabia disso. Desejava, mais que tudo, usar as vestes amarelas.

Quando o esperado dia chegou e Lucy quase caiu do banquinho, sorriu contente. O Chapéu Seletor fora tão rápido que nem dera tempo dela se acomodar direito. O grito alto, anunciando sua casa, fez a mesa dos texugos vibrarem. E ela andou até eles se sentindo acolhida, feliz e orgulhosa. Muito orgulhosa. Sorriu para Teddy mais satisfeita do que já estivera em toda a sua vida. Ela estava na casa mais legal de Hogwarts e não ligava se os outros não achavam isso. Ela era uma lufana, com um orgulho infinito por ser quem é e por estar onde estava. Na nobre, gentil e leal Lufa-Lufa.

Notas finais
Espero que tenham gostado, beijinhos ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!