Lucky
2 Ursos
Notas iniciais
– FRANCESCA, CADÊ VOCÊ, CARAMBA? – Diego gritava do jardim, em frente a janela da melhor amiga. Eles iriam acampar no sitio do tio do garoto e Fran também iria.
– JÁ VOU, DIEGO! – ela gritava enquanto descia as escadas com a sua mala, em direção ao amigo. – Cheguei, vamos!
– Antes tarde do que nunca. – ele riu e todos foram para o carro do senhor Hernandez.
XXX
– Até que fim, a Natureza... como eu amo... – Francesca falava com os braços abertos e rodando no meio do nada, quando saíram do carro. Diego ria e balançava a cabeça, a amiga sempre gostara mais da Natureza e de tudo que a desligasse da correria da cidade.
– Gosta daqui, não? – ele falava e olhava para a amiga com um sorriso bobo nos lábios.
– Amo. – ela parou, o olhou e sorriu aliviada e um pouco envergonhada por ter os penetrantes olhos do moreno fincado nela.
– Eu sei disso. – ele riu e a abraçou de lado – Vamos falar com meu tio e depois vamos pra floresta armar a barraca.
– Uh, uh. – garota brincou e seguiu o amigo até a casada do seu tio.
XXX
– Eu tô começando a ficar com medo, Di. – a garota falou para o amigo – Você ouviu o que o seu tio disse, não é?
– Não tem nenhum urso por aqui, Fran. – ele riu e balançou a cabeça – Ele só queria te assustar.
– Jura? – a menina fez beicinho e Diego riu.
– Juro, vem cá. – ele puxou-a para perto e a abraçou.
Fran tentava agir o mais naturalmente desde que descobrira os seus fortes sentimentos pelo melhor amigo, mas quando ele a abraçava era como se suas pernas fossem perder toda a força e acabar cedendo e fazê-la cair. Ela suspirou e continuou andando em direção a cachoeira em que acampariam, no meio da floresta. Ao chegarem, a garota foi admirar a paisagem enquanto o amigo montava a barraca. Seria complicado dormir ao lado de Diego sem fazer nada e sem baixar a guarda.
– Vem me ajudar, folgada!
– Que chatinho! – ela disse enquanto andava até ele rindo – Vou ajudar porque sou boazinha.
– Ah é né? – o garoto colocou as mãos na cintura, descansando, e encarou a menina – Quero ver quando os ursos vierem te pegar, ai eu vou pensar se vou ser bonzinho ou não.
– Ah, qual é, Die? – a garota começou a rir e o abraçou — Era brincadeirinha, você sabe disso, né?
– Sei, sei... – ele balançou a cabeça rindo e ficou olhando diretamente para o sorriso da amiga, e ali ele sentiu algo voltar a se manifestar.
Diego sentia coisas por Francesca há muito tempo mas por culpa da forte amizade deles, ele tentou ocultar tudo aquilo. A menina o havia feito sentir como nenhuma outra garota fizera, assim que eles se conheceram, o sorriso terno e cativante da garota o havia feito perder o chão, e ali ele soube que se perderia toda vez que ela sorrisse.
– Er... A barraca. Isso. – ele falou e foram montar a barraca.
XXX
– DIEGO! – a garota gritou ao sentir alguma coisa tocando seu pé – DIEGO SÃO OS URSOS, DIEGO, ELES VÃO ME LEVAR PRA CASAS DELES, SOCORRO.
Francesca gritava aos quatro ventos com o rosto fundo no travesseiro, com medo de levantar o olhar e encontrar com ursos olhando-a. A menina gritava pelo amigo, até que ouviu uma gargalhada muito alta no meio de todo o silêncio e dos gritos desvairados dela.
– EU NÃO ACREDITO, DIEGO HERNANDEZ! – a menina se virou para a frente e se encontrou com o melhor amigo rindo sem parar, já vermelho, quase sem respiração. – VOCÊ É UM IDIOTA CARA!
– Você é muito idiota, Fran! – ele falava entrecortadamente por causa da risada – Os ursos vão te levar para a casa deles?
A menina se estressou e puxou a perna do amigo o derrubando, ele não parava de rir e ela já estava irritada. Ela subiu em cima dele e começou a dar tapas no peito dele, também rindo, se deixando levar pela risada do amigo.
– Cala a boca, Hernandez! – ela ria e ele tentava se livrar dos socos.
– Para, para, para... – ele falava enquanto tentava segurar os pulsos dela.
– Só quando você parar de rir! – ela bufou e o bateu mais.
– Então não vai parar nunca! – ele falou rindo e segurou os pulsos dela, finalmente – Ahá! – ele inverteu as posições, ficando por cima da garota, cuidadosamente. – Perdeu!
– Não vale! – ela bufou e ambos foram parando de rir aos poucos, ficando com a respiração arrastada, por culpa tanto da brincadeira quanto da proximidade.
– Vale sim. – ele sorriu e soltou um dos pulsos da garota com cuidado, para poder tirar uma das mechas do cabelo dela que caiam pelo seu rosto.
Francesca ficou olhando nos olhos de Diego, ambos ainda estavam ofegantes e cansados, a garota sorriu de lado e, rapidamente, o sorriso foi correspondido pelo garoto, que sentiu todas as suas barreiras desmoronando ante o sorriso dela.
– Eu... – a garota ia começar a falar quando o moreno colocou um dos dedos sobre a boca dela delicadamente e balançou a cabeça negativamente.
– Não, não fala nada. – ele sorriu de lado e fez carinho com a parte exterior das mãos no rosto da menina, ao que ela fechou os olhos rapidamente e depois os abriu, para olhá-lo no fundo dos olhos. – Não estraga tudo como sempre.
Ambos riram, já que aquilo era a mais pura verdade, Francesca falava pelos cotovelos e, muitas das vezes, exagerava. Pararam de rir aos poucos, quando Diego começou a se aproximar da morena, ele sorria e fazia carinho no rosto dela. Ficaram próximos e roçaram os lábios um no outro e um sorriso se formou no rosto da garota, que mal podia acreditar naquilo tudo. Eles iam se beijar, quando algo bateu na parte de fora da barraca. Francesca, assustada, empurrou o garoto com toda a sua força, para que ele saísse de cima dela, e começou a gritar mais uma vez. Diego se levantou e saiu rapidamente da barraca para averiguar o que havia acontecido.
– O que era, Di? – a menina perguntava encolhida em um canto da barraca – Eram os ursos?
– Se por ursos você quis dizer gambá, então sim. – o menino entrou na barraca com as mãos no nariz, já verde de tanto prender a respiração.
– Eca! – Fran disse rindo e fazendo gestos com as mãos, enquanto o amigo bufava, agora era ela que ria dele.
– Calada! – ele disse enquanto sentava, cedendo a ela e começando a rir também.
– Eu em, não quero você dormindo perto de mim, vaza! – ela riu e se deitou no canto da barraca, bocejou e olhou para Diego que a olhava – Boa noite, Die. – ela murmurou e sorriu, deitou-se de costas para ele, com um sorriso impossível de ser apagado.
– Boa noite, medrosinha. – ele falou e deitou-se também.
Se tinha uma coisa que não sairiam de ambos naquela noite, era o sorriso. Diego e Francesca estavam desfrutando daquele quase beijo no silêncio de seus sonhos mais apaixonados e mais secretos.
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