Notas iniciais
Boa leitura!

O dia começou cedo no casarão da ODM. Antes do relógio marcar as seis horas, Vitor batia à porta de Lucille, informando que logo o café seria servido. Haveria uma reunião logo após as oito horas, onde eles passariam as informações já conhecidas, e um plano de ação seria montado. A bruxa parecia abismada e satisfeita com a organização de seus novos colegas. Tudo funcionava com um relógio suíço na ODM, e precisamente as oito horas, eles foram conduzidos para um anfiteatro dentro do casarão, onde Odete e Elísio já esperavam no palco. A mulher usava uma túnica laranja e leggings roxas, sua coleção de colares ainda pendurada em seu pescoço. Elísio por outro lado vestia apenas preto, dos pés a cabeça, e sua barba parecia ter sido domada com gel para cabelo.

Vários rostos se viraram para Lucille quando ela entrou, interessados e cheios de dúvidas. Mas também pareciam receosos de se aproximar, eles conheciam as histórias dos Plenus, como eram endeusados nas épocas antigas, e, como nos dias de hoje, deveriam não mais existir. Desconfortável a bruxa caminhou até seu acento ao lado de Vitor e Daiana. A fada parecia tão animada quanto sempre, como se a qualquer momento ela fosse explodir em purpurina ou algo assim.

— Não é excitante? — Perguntou, seu sorriso era perfeitamente alinhado e branco – Uma mobilização em prol de ajudar você, salvar o mundo. — Seus olhos negros brilhavam em euforia.

— É, maravilhoso. — Disse Vitor com um leve tom de deboche – O mundo pode acabar, mas para você está sempre tudo maravilhoso.

— Melhor isso do que ser ranzinza. — Ela retrucou ainda sorrindo.

Ao lado dela estava Andrew, sua expressão austera inabalável, como uma máscara sobre seu rosto. Lucille pensou por alguns segundos, observando Odete que ainda conversava com Elísio, certamente acertando os últimos detalhes do que diriam, e começou:

— Desculpe se eu foi intrometida ontem. — Soltou apenas, sentando-se no banco entre ele e a fada.

— Não tem problema. — Disse com seu sotaque carregado. Algo em sua expressão se suavizou – Foi indelicadeza a minha não lhe dar resposta alguma, logo, sou eu quem deve pedir desculpas.

— Se esse é um assunto complicado, eu entendo. — Lucille assegurou, tentando um breve sorriso compreensivo.

Andrew espelhou seu sorriso. Seu rosto se tornava agradável quando não estava preso em expressões de seriedade, suas feições se tornavam gentis como alguém há muito acostumado a ajudar o próximo.

— Bom dia, meus caros amigos e colegas. — Começou Odete, ela andava descalço pelo palco – Nós nos reunimos hoje para discutir algumas das informações que temos da Anemis.

— Sabemos que eles precisam de Lucille para concretizar seus planos. — Elísio adicionou – Mas precisamos saber como eles estão obtendo certas informações, e, principalmente, precisamos pegar a pedra Nihil e trazê-la para cá.

— Nesse meio tempo, algum de vocês serão designados para missões atrás dos Anemis, e outros seguirão com as missões habituais. — Odete disse – Os grupos que eu chamar, virão comigo, nós nos aprofundaremos no assunto dos Anemis, vocês serão responsáveis por espioná-los, descobrir tudo que eles sabem, e como obtiveram as informações. Os demais grupos permanecerão aqui com Elísio, vocês serão encarregados das missões de sempre.

— Assim que nós obtivermos mais informações dos Anemis, montaremos um grupo especial que terá como único objetivo recuperar a Nihil. — Elísio complementou. Os demais no anfiteatro concordaram.

Os grupos foram chamados. Lucille, Vitor, Daiana e Andrew não ajudariam nas missões sobre os Anemis ainda, eles esperavam ajudar Lucille a desenvolver ainda mais seus poderes, e então se achassem seguro, a colocariam na missão de resgate a Nihil. No momento eles se juntaram nas cadeiras mais próximas do palco com mais vinte outros integrantes da ODM.

Um a um, Elísio foi designando aos grupos missões, uma bruxa do mal que estava atacando crianças em São Bento, um lobisomem a solta em Balneário Camboriú, um grupo de sereias atacando o caís em Itajaí. Quando chegou a vez do grupo de Lucille, Elísio sorriu.

— Deixei o melhor para vocês. — Seu sorriso aumentou um pouco – Pessoas em Camboriú relataram ter visto fantasmas de familiares andando pela casa, quando tentaram se comunicar com os espíritos, eles ficaram agressivos. Temos duas baixas, um casal que tentou lutar com os fantasmas. Os demais só estão abalados e um pouco feridos, abandonaram suas casas. Achamos que isso pode ter sido ato de algum grupo ligado com magia maligna. Quero que vocês investiguem e, obviamente, se livrem dos fantasmas.

Os quatro concordaram e saíram.

— Fantasmas. — Daiana disse com entusiasmo – Eu nunca tinha ido atrás de fantasmas antes.

— É, você pode sufocá-los com a sua alegria. — Vitor ralhou, ao que Daiana lhe mostrou a língua.

— Qual a idade de vocês? — Lucille quis soar indignada, mas estava achando graça de tudo aquilo.

— Não ligue para o Vitor, nós podemos nos bicar as vezes, mas somos como irmãos, não é mesmo? — Ela passou um de seus braços pelo pescoço dele, bagunçando seu cabelo loiro.

Vitor resmungou, mas acabou entrando na brincadeira. Alguns segundos depois Evan e seu grupo passaram, e Vitor tentou a todo custo se desvencilhar de Daiana, arrumando seu cabelo desalinhado. Daiana olhou para ele com cumplicidade e uma nota de humor.

— Pronta para sua primeira missão? — Para a surpresa de Lucille, fora Andrew quem perguntara. Eles já estavam próximos da entrada da dimensão.

— Sim, faz alguns dias que não uso meus poderes, sinto minha magia enferrujando. — Gracejou, ao que o rapaz soltou uma breve risada.

Lucille olhou de relance para Vitor e Daiana que pareciam surpresos, parece que as risadas do rapaz inglês não eram muito comuns.

Andrew e Daiana foram os primeiros a passar para a outra dimensão. A fada dando pulinhos de animação e soltando polem pelos dedos.

— Acho que ele gostou de você. — Vitor disse, sugestivo e debochado antes de passar para o outro lado.

Lucille apenas negou levemente com a cabeça, pesando que, afinal de contas, era bom ter novos colegas, pessoas com quem conversar, um lugar para onde ela pudesse voltar. Ela só esperava que esse sentimento fosse durar, e com uma mistura de medo e afeição, ela atravessou a entrada da dimensão.

Notas finais
Espero que tenham gostado!