Era uma linda tarde nublada de outubro. Precisamente, dia 31. Um dia super feliz para crianças que corriam de um lado para o outro buscando doces, se fantasiando e perguntando a seus pais onde estavam os anexos de suas fantasias, como espadas, capas, capacetes, máscaras etc.

Entre todos os jovens da cidade, recém saídos da puberdade, com suas peles manchadas por acne, olheiras resultantes de festa, óculos escuros para suportar a ressaca, e bebida em mão, um, pequeno jovem se destacava com seu comportamento anormalmente sóbrio e austero apesar de ter um cigarro industrializado queimando em seus lábios. Fitava todas as pessoas que por ali passavam, e as vezes, inconscientemente deixava escapar um ou dois suspiros lamuriosos. Como órfão, e agora, despejado da casa de caridade aonde vivia, não podia, como outras pessoas, bater nas portas, gritar gostosura ou travessura e pedir doces, sorrir, e ir para casa, seguro, sabendo que monstros não existem.

Seu nome era Duncan. Não apenas Duncan, mas Duncan Avery Tarik Bedingfield Fleischer. Não que isso venha ao caso. Ele andou pelas ruas, desviando dos infantes mais eufóricos enquanto contava e recontava as várias moedinhas que conseguira coletar em seu tempo no orfanato, sendo, de certa maneira, um meliante, gatuno, e em outras vezes um auxiliar de pedreiro ou qualquer trabalho fácil que não exigisse escolaridade. Estava bem distraído quando chegava a uma alameda mais afastada do centro, que acabou esbarrando em uma garota de aproximados 1.60 de altura, com cabelos loiros claros e levemente ondulados que lhe caiam convenientemente a altura de sua cintura, para a qual os olhos do garoto foram imediatamente guiados. Encolerizado, porém ainda estagnado e surpreso com a bela estética da jovem ele apenas balbuciou com dificuldade. Sentindo seu próprio rosto arder como que em chamas, e enrubescer...

— Cuidado... vai acabar derrubando alguém se não... olhar... por... onde anda.

— Você é estranho sabia? — Ela pronunciou, fitando o jovem da cabeça aos pés. Venhamos e convenhamos ele não era feio, mas era no mínimo uma figura surpreendente de se ver, que se destacava da multidão...

— Eu sei, me dizem isso o tempo todo. Ou melhor, diziam, no orfanato.

— Sinto muito, não sabia que era órfão...

— Está tudo bem, não é como se a culpa fosse sua de qualquer maneira... – Ele abaixou a cabeça, suspirou e se sentou no chão mesmo, não era como se houvesse muitas opções de lugar aonde descansar por ali.

— Qual seu nome?

— M-me chame de Dunn... Sério. É mais prático.

— Sou Luna. Mackenzie. Você tem alguma idéia de para onde vai agora?

— Não... Nenhuma... Preciso pagar uma diária de hotel enquanto procuro um trampo, sei lá.

— Pode ficar em minha casa, Dunn. Eu sei que não te conheço, mas ninguém merece ficar sozinho no frio durante o Halloween. Pode ser assustador e perigoso.

— Eu não tenho medo, Mackenzie.- Então... vem?

Ele olhou para ela, e se surpreendeu ao notar que havia um sorriso largo e gentil no rosto da mesma, desses que não exibe os dentes, mas prova ser verdadeiro por ter também um brilho nos olhos. A pequena mão destra dela estava estendida em sua direção, e ela olhava fundo nos olhos dele, como que tentando adivinhar sua história, o que ele passou para chegar ali, naquele estado.

Nessa hora Duncan sorriu. Deu seu primeiro sinal de ter sentimentos em seu peito como qualquer um. Era um sorriso sutil, quase imperceptível, lateral, com uma sobrancelha arqueada, desses que ou tem tom de insinuação ou tem tom e dom de desafio, e conquista facilmente as pessoas que veio acompanhado de um gesto de cabeça positivo, e segurou a mão dela com a sua destra, logo se erguendo, e ficando bem próximo ao corpo dela devido a velocidade com que se erguera. O sorriso de ambos se desfez dando lugar a um silêncio cujo gosto podia ser sentido nos lábios de ambos, e havia uma música no lugar, a de suas respirações ofegantes que se misturavam devido ao tanto mínimo de espaço que se colocava entre eles.

Naquele lugar, naquele dia, Surgiu uma relação tão forte que nem o mais anárquico intenso e exacerbado dos tufões poderia arrancar de seus corações e mentes. Como duas peças essenciais para um quebra cabeça que haviam sido separadas o destino os reatara, colocando-os lado a lado porém em uma posição na qual não deveriam se encaixar naturalmente. Mas... É como dizem por aí. O amor é cego, surdo, não tem noção de biologia e genética e acima de tudo é teimoso pra cacete. E nada os afastaria a partir deste dia, antes pelo contrário.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.