Luas de Sangue
12 Epílogo
Notas iniciais
Olho meus olhos no espelho do quarto de hotel. Era um espelho luxuoso, com adornos dourados, nada parecido com o espelho de outrora, entretanto me lembrou tanto o dia em que eu ressurgi naquele quarto pequeno que um aperto em meu peito se formou. Eu ainda tinha os mesmos olhos amarelos. Os mesmos olhos cor de ouro. Que de lá para cá encantaram tantos. Olho no fundo dos olhos. Olho nos olhos do monstro. Só que desta vez é diferente. O monstro sou eu e as feras tem de temer a mim.
Sorrio com os dentes afiados para o espelho. Um sorriso preguiçoso, um sorriso sacana. Um sorriso que encanta até o melhor dos marinheiros. Um sorriso em um rosto lindo, com cabelos cinzas caindo em cachos até o meio da costa e um corpo de dar inveja nas mais belas modelos. Uma sereia andando na terra. Um sereia de voz mansa, olhos sedutores e dinheiro na conta. Um sereia com ar de loba, de assassina.
Olho no fundo dos meus olhos dourados e penso na sorte que eu dei na vida. Viajar por todos os cantos do mundo. Conhecer todos os lugares. Conhecer pessoas de todos os tipos, cores e sabores. Eu tive sorte. Sorte de ter amado a própria Afrodite e dela ter me amado de volta. A deusa que me levou ao céu e ao inferno. E eu gostei dos dois ambientes.
Olho uma última vez no espelho dourado e vejo que seus adornos perderam o brilho. Perto dela tudo perde. Nua atrás de mim está a mulher da minha vida. Minha luz, minha vida. Seus olhos verdes se encontram com os meus e ela sorri.
—Sai dessa banheiro. Tem um quarto inteiro esperando por nós.
Ela sai gingando sua adorável bunda. Pisco para o espelho do hotel parisiense. E me viro para ir atrás da única dona do meu coração. A linda mulher de cabelos negro e perfeitos olhos verdes.
É meu amor, nós sempre teremos Paris...
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