Lua Vermelha
2 Lua Minguante - Parte I

O céu era vermelho, assim como o sangue que pingava do corte de sua mão direita, sua respiração estava ofegante, havia suor escorrendo por sua testa, a roupa, antes perfeitamente alinhada, estava puída e rasgada. A espada, segura entre seus dedos, estava parada, imóvel, enquanto o sangue que escorria por entre seus dedos misturava-se ao sangue de seus inimigos sobre a lâmina. Seu grito de guerra havia sido silenciado e as lágrimas escorriam por entre seus olhos.
— Por favor, Adjib. Não precisa ser assim... Não precisa terminar assim. — implorou o homem de cabelos prateados como a neve e olhos azuis como água cristalina, caindo de joelhos em frente à mulher.
— Eu o amei Tristan. — ela respondeu.
A mulher flutuava a sua frente, enquanto sua espada continuava erguida em direção ao homem. Ela estava vestida para a batalha, suas roupas já rasgadas em reflexo da batalha anterior, seus longos cabelos cacheados e negros flutuavam ao redor de si devido a sua energia que a envolvia. Os olhos tinham um estranho tom avermelhado, a mandíbula levemente trincada devido ao ódio e a dor que sentia.
— Com todas as minhas forças, com cada pedaço do meu ser... Eu te amei. — continuou a jovem com a voz levemente embargada devido às lágrimas que se recusava a deixar derramarem.
— Por favor... Escute-me apenas mais uma vez. Eu sei que errei... Mas... Volte para nós. — Tristan pediu com sua voz falhando em algumas palavras. — Eles precisam de você. Eu preciso de você. Nós precisamos de você.
A espada da mulher fraquejou entre seus dedos, uma expressão dúbia surgiu em seu rosto e o guerreiro sabia que estava indo para o caminho correto.
— Ilíria, por favor. — pediu o prateado, estendo sua mão na direção da mulher.
A morena fraquejou por alguns segundos e por um breve momento ela estendeu seus dedos em direção à mão que lhe fora estendida, mas então uma voz interrompeu o interlúdio.
— Não o escute. — dizia a voz.—Ele a enganou antes... Não se deixe levar pelas falsas palavras de amor.
Como se retomasse o controle de si mesma, Ilíria se afastou e com um grito furioso, empunhou novamente sua espada e assumiu uma posição de combate.
— Lutamos até a morte essa noite Lobo Branco... — ela disse com uma voz de desdém ao seu apelido. — Apenas um de nós saíra vivo daqui. Levante-se... Lute!
— Não precisa ser assim... Ilíria... Baby
— CALE-SE! Você não tem mais o direito de me chamar assim traidor. LUTE COMIGO.
— Não! Eu não vou erguer minha espada contra você novamente, essa briga não tem nenhum sentido.
— Então morra...
E, após respirar fundo, a jovem ergueu sua espada, se preparando para dar o golpe mortal naquele que era o amor de sua vida, o único que havia conquistado seu coração, capturado sua confiança. E então, num jogo cruel do destino, tinha se mostrado seu pior inimigo.
ADJIB — "Adijibi" > Querido (a). Amado (a)
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