— Você não vai parar de falar nisso tão cedo não é, Almofadinhas?

James seguia para o bar Três Vassouras com seus três mais chegados amigos, como de costume, numa sexta-feira ao final da tarde. Sirius contava festivamente sobre o seu quinto encontro com Marlene McKinnon naquela semana – ria e agitava suas mãos no ar, gesticulando exageradamente como uma criança que acabara de ganhar um presente deveras ansiado numa manhã de Natal.

— E desde quando eu pararia de vangloriar-me tão fácil das minhas conquistas, Pontas? Parece até que não me conhece... – O moreno tinha um riso jocoso nos lábios, fitando o parceiro grifinório com certa vaidade. Remus não consegue disfarçar o desgosto estampado no rosto.

— Qual é o problema, Aluado? – Peter chama a atenção do menino com um apontar de cabeça. Remus parecia saído de um transe, absorto nos seus próprios pensamentos. Ele faz uma pausa, parecendo lutar para desviar a atenção do livro que lia antes de adentrar o Três Vassouras – os olhos pesados, examinando vagarosos os rostos dos amigos.

— Vocês não mudam mesmo – Remus sorri fraco, implicando com os dois. — É o nosso último ano em Hogwarts e ainda levam à sério essa disputazinha infantil. – O garoto suspira e volta a sua atenção para o livro.

— Está absolutamente certo, Aluado! – Sirius estica sua mão para o alto e dá três tapinhas rápidos no topo da cabeça de Remus, como se acariciando um cachorro pelo seu bom-comportamento. – É o nosso último ano em Hogwarts – O rosto de Sirius se fecha, mas a carranca é logo substituída por um sorriso pueril. – E nós temos nosso direito à uma despedida digna!

— Afinal, daqui pra frente seremos senhores muitíssimo respeitados! – James completou.

— Heróis do mundo bruxo eu diria, Pontas. Donos de uma grande responsabilidade! — Sirius discursava, engrossando a voz e batendo a mão no peito com um orgulho encenado. Os quatro grifinórios sentaram-se à mesa do bar, barulhentos e caóticos como nunca. Sirius chamou a atenção de uma garçonete conhecida, pedindo por uma dose de whisky de fogo – sorrindo galanteador.

— Aurores, nada mais. Acreditem, essa profissão pode ser nada glamorosa. Não é sobre pegar alguns caras maus e ser aclamado por isso. Você não sabe o que te espera do campo de batalha. – Remus fitava-os assertivo. – Bruxos que dividem uma cerveja com você agora, nesse bar, podem nunca mais voltar para as suas casas. E bruxos que dependem da sua amizade hoje, podem te matar num piscar de olhos amanhã, sem nenhum remorso ou compaixão.

— Ah, qual é, Remus. – James tentou animá-lo, oferecendo-lhe um gole do seu suco de abóbora. – Eu não quero pensar numa guerra agora. Eu não vim aqui pra isso. — Pontas censurou o amigo.

— Não se preocupe, Aluado. Nós vamos saber nos cuidar quando a hora chegar. — Sirius sorriu sem mostrar os dentes, um tanto preocupado com o discurso anterior do amigo. — E eu tenho vocês. Enquanto estivermos juntos, nada pode nos parar. — James sorriu ao ouvir aquilo sair da boca de Sirius – levantou sua caneca no alto, acompanhado de Sirius e Pedro. Remus hesitou. Os amigos o olhavam na expectativa. Ele bufou e se rendeu ao brinde. O som de canecas e copos colidindo uns com os outros invadiu o ambiente, os grifinórios explodiam em "vivas" eufóricos.

— Aos marotos! – Sirius puxou um coro animado. — A melhor coisa que já aconteceu a Hogwarts!

—---

Depois de algumas horas no bar, Sirius e Remus caminhavam juntos de volta ao castelo. Os dois seguiam calados, um ao lado do outro, apenas encarando-se ligeiro e desviando o olhar em seguida. Não havia sinal de James e Peter. Os dois saíram do Três Vassouras cedo, errantemente bêbados, balbuciando cantorias sem-sentido, escorando-se nos arbustos altos de Hogsmeade, seguindo para caminhos opostos um do outro.

— Preocupo-me com James e Peter. Deveríamos voltar para busca-los. – Remus decidiu dar meia-volta para procurar os outros dois, mas Sirius o deteve.

— Já devem estar longe à essa hora. Não tenho a menor dúvida de que James fora procurar Lily e Peter... Bem, não tenho ideia do que deve estar a fazer, mas com certeza não é bom. – Remus riu baixinho do comentário de Sirius.

— O melhor a se fazer é esperar. Daqui a pouco James aparece reclamando de algum fora de Evans ou Peter chega pra dormir. – Sirius colocou sua mão no ombro do amigo, acompanhando-o para dentro do Salão Comunal da Grifinória. Os dois subiram para o quarto, guardando seus pertences nas malas com um simples aceno de varinha.

— Aquilo que você falou hoje mais cedo, Remus — Sirius chamou a atenção do garoto, que preparava o seu pijama e separava as vestes da manhã seguinte. – Você não disse por acaso, não é? Não disse por dizer.

— Não, Almofadinhas. – Aluado parou o que estava fazendo para examinar o amigo. – Eu me preocupo com o futuro de vocês. Eu me preocupo com o meu futuro. Eu estava falando de mim, Sirius. – Os olhos de Remus se enchiam de lágrimas, mesmo com a tentativa frustrada de esconder a angústia que sentia. – Eu tentei controlar. Não é o bastante, Sirius. Pessoas se machucam quando eu durmo, pessoas se machucam quando ele vem. – Remus gritou, um grito tão agonizante que assustou Sirius, desarmou-o por completo. — E-eu não sei o que eu seria capaz de fazer se, um dia, ele fizesse alguma coisa com um de vocês três. – Remus soluçava entre palavras, tentando parar de estremecer enquanto ouvia a si mesmo. — Vocês me acolheram, vocês são a minha casa. – Sirius continuava imóvel, os músculos rígidos, as palavras escapando dos lábios. – Vocês são tudo o que tenho. E eu não quero que isso seja tirado de mim de novo!

— Remus... – Sirius o chamou para mais perto, mas Remus se negava a ouvir.

— Não, Almofadinhas! Eu não quero machucar mais ning-

A fala de Aluado foi interrompida pelo beijo de Sirius. Ele abraçou o amigo num ato desesperado, segurando-o firme pela cintura. Remus estava atordoado. Parecia que o mundo havia parado de girar por alguns segundos. Ele queria e precisava retribuir, mas não encontrava forças para fazê-lo. Algumas lágrimas solitárias rolaram mornas até seu queixo. Ele não queria sair daqueles beijos nunca mais.

— Isso nunca vai ser tirado de você, Aluado. Não enquanto eu estiver por perto. – Sirius o fitou e sorriu, erguendo a ponta do queixo de Lupin com seu polegar, puxando-o para mais um beijo. Remus subiu nas pontas dos pés para ficar na altura do moreno, atando suas mãos em volta da nuca de Sirius. Os beijos percorreram o pescoço do menor, fazendo uma trilha até a clavícula, deixando sinais e marcas vermelhas espalhadas.

— Você não pode prometer, Sirius. Você não tem controle sobre isso. Não torne as coisas mais difíceis do que são. – Remus resmungou, desviando o olhar, tentando desvencilhar-se de Almofadinhas. — Concordo, Aluado. Não posso prometer que você não vai me machucar. – Ele fez uma pausa e beijou as mãos de Lupin, sorrindo atencioso. – Mas posso prometer que, mesmo machucado, mesmo ferido dos pés à cabeça, eu jamais te abandonaria. O meu amor não é frágil. — Remus sorriu, abraçando Sirius mais forte, agora dando a iniciativa e puxando-o para um novo beijo.

A luz da lua invadiu a torre da Grifinória, um clarão metálico iluminou os dois. Sirius agarrou o menor pelas pernas e o jogou contra a cama, descendo uma trilha de beijos e mordidas pelo seu torso. Lupin se contorcia arfando contra o lençol, as pernas pareciam não ter mais qualquer resistência. Ele estava lá, entregue ao seu amante, admirando-o ao pé da cama, brincando com seus longos cabelos negros.

— Eu ficarei todas as noites ao seu lado se for preciso, Remus, para você entender que eu nunca deixarei de te amar, independente da sua condição, independente de qualquer outra coisa que seja. Eu te amo pelo o que você é – e não preciso de mais motivos. Eu te amo.

— Eu também te amo, Almofadinhas. – A voz de Remus falhou, ele estava a ponto de desabar em lágrimas novamente.— Agora torço para que James ou Peter não entrem aqui durante o sexo, até porque seria um pouco estranho de explicar. – Sirius sussurrou ao pé do ouvido de Remus e riu zombeteiro, recebendo um tapa de advertência de Remus como resposta.

— Almofadinhas! – Remus não se aguentou e acompanhou Sirius numa risada espalhafatosa.

Notas finais
Espero de coração que vocês tenham gostado do primeiro capítulo de Lua Metálica. Ainda não consigo decidir se será uma mini-série ou um romance. Vai da avaliação de vocês, é claro. Por isso que é de grande importância que vocês interajam ao máximo e deem seu feedback para que eu saiba que estão curtindo.
Muitíssimo obrigada,
Paula.
Vejo vocês no próximo capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.