Lua
2 Cafagestes, porém nem tanto.
Notas iniciais
Lua soltou a coruja que voou em direção a sua casa. Estava animada com a ideia de ir a Hogwarts, um lugar onde diziam que a magia podia ser sentida ao respirar, e que haviam muitas aventuras para se viver.
Escrevera uma carta aos seus pais, dizendo que seria transferida. Os dois já estavam acustumados com as mudanças repentinas de Lua, e apenas desejavam boa sorte, além é claro, de um conselho fraternal. Seus pais eram muitos solidários e amáveis, mesmo que gostem de manter uma distância segura dos trouxas e bruxos. Viviam em um lugar isolado, e que Lua se lembrava bem, cheio de árvores e ensolarado, em uma montanha. Jamais soube o nome daquele lugar, por isso chamava-o de Montanha do Luar, nome dado pelo seu pai enquanto caminhavam em uma noite estrelada, Lua tinha aproximadamente quatro anos.
A menina checou mais uma vez sua mala. Livros, uniformes, material para poções, adivinhação, etc. Tudo estava em seu devido lugar. Com um simples gesto de sua varinha, ela levitou seu malão. Já estava vestida devidamente para a nova escola, com a capa de cor preta e a blusa com os quatro brasões das casas de Hogwarts. Seus cabelos ruivos alaranjados, repicados e pintados, estavam bem penteados e arrumados na medida do possível. Não queria chegar desleixada ou até arrumada demais, estava normal, sem chamar atenção (mesmo que, uma garota com cabelos coloridos não pudesse chamar atenção).
Chegara a hora. Iria para Hogwarts, um novo futuro. Sua última chance.
Andou vagorosamente nos corredores da Instituição, tentando não esquecer os detalhes que faziam aquele lugar especial. Os quadros, os vasos com as flores que dançavam e lhe davam bom dia toda a manhã. Os fantasmas que passavam lá e ali, cumprimentando Lua sempre que possível.
– Ah, menina Lavender! Soube que nos deixará, venha visitar esse velho fantasma sempre que possível, sim? — disse um dos fantasmas que passava ali por perto. Lua sorriu gentilmente.
– Claro que virei visitá-lo, Sir William Darcy. — disse ela, e o fantasma fez um reverência, que foi imitada por Lua, em meio aos risos.
Ela nem notou que tinha atravessado boa parte do caminho, e já estava na frente da grande bailarina de argila que dava passagem para a sala da diretora. A bailarina rodopiava devagarzinho, e assim que viu Lua ali parada, perguntou:
– Seu nome e objetivo. — disse com uma voz doce, dando início a mais um rodopio.
– Lua Lavender. Sobre a transferência de escola. — respondeu.
A bailarina rodopiou, mas agora ela flutuava. Lua esticou o pescoço, dando a visão da porta de cor lilás, um tanto grande de fato, e bem limpa. Lua flutuou seu malão para dentro e entrou logo em seguida.
A sala era grande. Com muitos livros e objetos mágicos. Viu alguém tossir e olhou para o lado. Do alto de uma pilha de livros, sentada na mesma, se encontrava Leonora Flamel. Era uma mulher muito bonita e estranhamente jovem, pois ela deveria ter quase seus quatrocentos anos. Leonora é professora de Defesa Contra as Artes das Trevas e vice diretora da escola.
– Bom dia, Professora Flamel. — falou Lua, tentando ser simpática.
– Bom dia, Senhorita Lavender. — disse ela, pulando de cima da pilha de livros. — Aqui no Brasil faz muito calor, tive que instalar um feitiço no meu gabinete para ter um pouco de ar fresco. Acho que os trouxas tem algo parecido...como se chama mesmo?
– Ar-condicionado. — disse Lua, em meio a um risinho.
– Claro... — falou distraídamente Leonora. — A diretora já está vindo. Negócios no Ministério...
E mal terminou de falar, quando no canto da sala surgiu Wanda Bennet, com roupas estravagantes e muito chamativas. Ela observou por um momento a aluna a sua frente e deu um sorriso acolhedor.
– Albus já está de acordo. Só falta agora você ir. — falou ela, arrumando seu coque preso no alto de sua cabeça. — A professora Leonora vai levá-la.
– Legal. — sussurrou Leonora baixinho. Lua a achava engraçada, pois ela tinha muitos anos de vida, filha do famoso Nicolau Flamel, e ainda se comportava como uma adolescente.
– Quando vamos? — perguntou Lua.
– Bom, agora mesmo. O pó de flú está pronto. — disse, apontando para a chaminé de onde veio. Lua sentiu Leonora puxá-la animadamente.
– Hogwarts! Parece interessante. — falou ela animada, arrumando seus enormes cabelos negros que batiam na altura de seus ombros.
Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts
Salão Comunal da Grifinória
– Se pensar em tocar mais uma vez em mim, será um homem morto, Potter! — fuzirou Lilian, enquanto se afastava do garoto.
James suspirou vencido e foi se sentar com os amigos que conversavam no canto do salão. Sirius riu do rosto frustado do melhor amigo, Peter e Remus também fizeram o mesmo.
– Outro fora, Prongs? — perguntou Remus com um meio sorriso descarado estampado no rosto.
– É bem óbvio, caro amigo Moony. Olhe para este rosto. Um verdadeiro veado que foi chutado. — disse Sirius, caindo para trás de tanto rir com sua própria piada.
– É cervo! — reclamou James um tanto vermelho. Frustado, se jogou mais ainda no sofá. — Ah...estou desanimado demais para discutir contigo, Padfoot.
– Isso se chama amor. — falou Peter.
– E é uma droga. — completou Sirius. Remus, que agora estava prestando atenção em seu dever de casa de Adivinhação, ergueu o olhar de maneira curiosa.
– Desde quando sabe disso, Black? Achei que fosse um galinha. — falou Lupin acusador. Sirius ergueu as mãos em discordância.
– Sou um galinha por ter sofrido de uma ilusão amorosa. — disse.
– Nunca me contou isso. Prossiga. — falou o Potter, interessado. Sirius iria falar quando foi interrompido.
Minerva estava na frente dos alunos com uma companhia a mais. Era uma menina de pele clara e jeito misterioso. Sirius logo deu seu melhor sorriso sacana, enquanto Peter cutucava Remus para olhar.
Lupin se virou e observou a bela garota de cabelos ruivos alaranjados.
– Alunos, essa é Lua Lavender. Ela está sendo transferida hoje e passou pelo chapéu seletor, caindo logicamente na Grifinória. Por isso estou aqui. — disse a mulher, arrancando um pequeno sorriso de Lua. — Tratem-na bem, ou então...
Mas não terminou a frase, de modo a da ênfase no castigo perigoso. Minerva saiu e deixou Lua, que começou a explorar o local. Os alunos que estavam presentes voltaram aos seus afazeres, normalmente, ignorando a presença da garota.
Lua achou melhor assim. Não queria fazer laços, mas sua ideia foi cortada por um trio de garotas que se aproximou.
– Seja bem vinda, Lua. Eu sou Lilian, mas me chame de Lily. — disse a ruiva, de belos olhos verdes claros. Lua sorriu nervosa.
– Olá, sweet! Sou Marlene, pode me chamar de Lene. — disse uma morena de cabelos longos.
– Sou Dorcas, prazer. — a loirinha falou gentilmente.
– Hã...eu sou a Lua. — disse ela dando um sorriso sem graça. Marlene fez uma careta engraçada e pulou em cima de Lua.
– Ai meu Merlim! Você é muito fofa, podemos ficar com ela? — perguntou Lene para as amigas. Lua estava ficando sufocada com o abraço "carinhoso" da morena e se sentindo um filhotinho de cachorro com toda aquela atenção.
– Lene, vai matá-la desse jeito. — uma voz masculina foi ouvida. Lua observou o garoto de cabelos um pouco grandes e castanhos, um olhar sedutor e um sorriso cafageste aparecer.
– Saia daqui, Black! — Lene reclamou. Sirius pareceu ignorar e pegou a mão de Lua.
– Sirius Black, madame. — disse ele beijando a mão da Lavender. Lua sentiu suas bochechas esquentarem, mas isso durou pouco quando um furacão ruivo passou por cima do Black.
– Ela não vai cair na sua história! — disse Lily, empurrando Sirius para longe.
– Ai! Suas unhas parecem garras, ruiva! — disse Sirius massageando o braço que foi atacado.
Lua estava estremamente confusa e achou melhor se manter calada. Olhou em volta e viu um garoto de cabelos castanhos claros intrigado com um livro. Ele tinha um ar cansado, quase como...nossa! Lua estava ficando meio paranóica.
– Dorcas...onde é o dormitório? — perguntou Lua para a única que estava quieta ali.
– Lado direito. — apontou para a escada.
Antes de Lua sair, viu mais um garoto muito bonito, de olhos castanhos esverdeados, que eram tapados por óculos redondos entrar na briga. Pegou Lily pela cintura, separando-a de Sirius. A ruiva se debateu horrorizada, mas Lua teve a breve imprenssão de que o garoto estava gostando. Lene estava sendo segurada por um menino gorducho com cara de rato.
Já o outro garoto, continuava inerte em sua leitura, como se quase não estivesse ali. Lua suspirou e subiu os degraus. Dumbledore falou que ela começaria suas aulas no dia seguinte.
Chegando na porta de seu quarto, suspirou pesadamente. Iria tomar cuidado na próxima lua cheia, que seria ao passar de três semanas. Verificara tudo enquanto andava pelos corredores, iria sair antes do escurecer e vagar em algum lugar. Talvez a floresta proibida, que soube que tinha ali? Ou quem sabe tentaria sair da escola? Talvez as masmorras seriam uma boa pedida, vazia (a não ser pelos sonserinos, mas estes estava seguros nos dormitórios) e frio. Entraria em uma sala qualquer, se trancaria, esconderia sua varinha e pronto! Se por um acaso se descontrola-se, pelo menos estava longe de todos.
Suspirou mais uma vez e abriu a porta, observando atentamente o dormitório. Era grande e iluminado, com as cores da casa (vermelho e dourado) e alguns objetos mágicos. Viu que tinha mais três camas, e estavam ocupados. A quarta, perto da janela dando vista para as estufas, Lua deduziu ser a dela.
Ouviu três garotas entrarem em seguida, e as reconheceu como as meninas com quem havia conversado fazia menos de dez minutos no salão comum.
– Vai dividir o quarto conosco? Isso sim é coinscidência. — disse Marlene divertida.
– Meninas... sabem onde estão meus brincos? — Dorcas perguntou. Agora Lua notava a loira direito. Usava vestes bem estranhas, muito pano. Tinha uma saia que ia quase até seus pés, os cabelos eram bagunçados, mas não deixavam de ser bonitos. Usava um óculos grande para seu rosto (que ela acabara de encontrar na bagunça de Lene) e uma blusa preta, com um casaco azul e o cachecol com cores da casa. Não era uma combinação muito boa.
Já Marlene parecia incrívelmente vaidosa. Tinha cabelos castanhos muito bem penteados, indo abaixo de seus ombros. Um sorriso travesso sempre ficava estampado em seu rosto, e ela usava uma maquiagem provocadora, com um batom vermelho que destacava seus lábios. Usava uma blusa branca de botões (cujo os quatro primeiros estavam abertos, como se ela quisesse provocar "alguém") e uma saia acima dos joelhos, mais não muito curta.
Já Lilian era talvez a mais bela. Seus cabelos ruivos cacheavam nas pontas, e ela fazia questão de deixá-los soltos. Talvez o mais belo na ruiva fosse seus olhos, pois era de um verde ipnotizante e profundo. Ela usava o uniforme como o protocólo da escola exigia, fechado até o último botão.
– É sim. — respondeu Lua, ainda observando as estufas ao lado de fora.
– Ei, algum problema? — perguntou Dorcas. Lua a fitou com os olhos arregalados.
– C...Claro que não. — respondeu. Dorcas sorriu gentil enquanto consertava seu óculo.
– Desculpe por aquele idiota. Ele e os amiguinhos dele são uns panacas. Junte-se a nós e protegeremos você do mundo machista que eles montaram dentro da escola. — Lilian disse.
– Ele não me parecia ruim. — falou Lua. Marlene tossiu de maneira dramática.
– O quê?! Sirius Black é um grande cafageste! — disse a morena. — Assim como James Potter e Remus Lupin!
– Rem é outro caso. — Lily falou rápido.
– Mas ainda sim anda com eles. — falou Dorcas, calmamente.
– Eu estou confusa. De quem estão falando? Eu sou nova aqui, sabem... — disse Lua de maneira indignada.
– Ah, claro! O jantar é daqui a pouco e vamos te apresentar tudo! — Marlene falou. Lua deu um passo para trás, olhando para as estufas novamente.
– E...Eu acho que não há necessidade. — disse ela.
– Somos suas novas amigas, certo meninas? — Dorcas disse, recebendo acenos positivos de Lily e Lene.
Amigos...Lua tinha certo medo daquela palavra.
[...]
No salão, James ria de maneira exagerada da cara de Sirius. O animago estava acariciando a bochecha por conta de um tapa que levara de Marlene, quando disse que talvez — TALVEZ — ele quisesse tirar uma casquinha da novata com nome esquisito.
– Pare de rir, veado! — reclamou ele, socando o ombro de James.
– Ta, parei. Mas então? O que acharam da novata? — perguntou o Potter tentando achar um assunto que o fizesse parar de rir.
– Gostosa. — declarou Sirius.
– Tem um nome curioso. — Peter comentou.
– E você, Remus? — James perguntou. O Lupin estava concentrado em sua leitura, e só o atendeu quando Sirius lhe deu um tapa na cabeça.
– Quê? Ahn? — perguntou, olhando assustado para os amigos. Seu olhar irritado pousou em Sirius. — Por que me bateu, seu cachorro pulguento?!
– Uh...O lobo mal está irritado. Salvem-se quem puder. — disse Sirius de forma dramática. Peter riu, cuspindo uma quantidade considerável de balas de alcaçuz em cima de James.
– Eca! Que nojento, seu rato imundo! — falou, fazendo Peter corar.
– Desculpe, Prongs. — disse.
– Mas diga, o que achou da novata, lobão? — perguntou Sirius, recebendo um olhar reprovador de James por ter o interrompido em um possível sermão.
– Normal. — declarou Remus, voltando a sua leitura. Sirius arrancou-lhe o livro. — Me devolva esse livro, Sirius!
– Não sem antes você responder algo legal sobre a novata. — disse, fechando o livro. Remus bufou.
– Tá, o que quer ouvir? — perguntou.
– A verdade.
– Normal. — respondeu novamente, tentando pegar o livro. Sirius o encarou desafiador. — Tudo bem, ela é bonita. Pode me devolver o livro?
– Era disso que eu estava falando. — disse Padfoof. — E mais, com um nome bem engraçado. Quem se chama "Lua"?
– Ela, aparentemente. — respondeu Remus ríspidamente, fechando o livro de uma vez, pois sabia que não iria conseguir ler naquela bagunça (e porque Sirius fechou o livro sem marcar a página).
– Quanto mal humor. — James se pronunciou. — Vamos, já está quase na hora do jantar.
– Aleluia, estou com fome! — Peter falou.
– Diga uma novidade. — Sirius disse, arrancando algumas risadas de seus amigos.
[...]
O salão principal estava cheio. Lua entrou um pouco atrás do trio de meninas, e começou a observar o lugar. Era grande, o teto estava estrelado, e a garota sorriu. Sabia muito bem que aquilo era um feitiço, tinha lido em Hogwarts, uma história. Lua mal conseguiu apreciar o local direito, e foi puxada por uma mão.
– Ei! Se não é a Lavender. — James disse, colocando-a bem ao lado dele. Do seu lado esquerdo estava Sirius, e a sua frente um menino gordinho e o garoto que ela observou lendo.
– Eu...ahn...preciso ir e... — mas Lua nem terminou, pois Lene chegou atrás de si.
– Deixem-na em paz, seus canalhas. — disse a morena.
– Ora...estamos fazendo amizades. — disse Sirius, dando um riso maroto.
– Lene, tudo bem. Estamos conversando, eu já vou para junto de vocês. — comentou Lua. A morena lançou um olhar mortal para os quatro garotos e se distânciou.
– Bela escolha, laranjinha. — disse Sirius. — Então, porque veio para Hogwarts?
– Eu...ahn... — Lua gaguejou. Logo, lembrou-se de uma brincadeira que fizera em seu terceiro ano, e sorriu de lado com a lembrança. — Eu toquei fogo nas roupas da minha colega de quarto.
– Você o quê?! — o castanho a sua frente engasgou. Lua riu da cena, sendo seguida por James, Sirius e Peter.
– Toquei fogo nas roupas da minha colega de quarto. — repetiu Lua, ainda risonha.
– Essa é das nossas! — Sirius disse abraçando os ombros da garota, fazendo a mesma corar.
– Não diga isso para Lily, Lene e Dorcas, por favor. — comentou Lua baixinho. — Eu ainda não sei os seus nomes, sabe.
– Oh! — James exclamou. — James Potter, melhor artilheiro de quadribol da história da Grifinória e futuro namorado de Lilian Evans.
– A última parte eu dúvido. — disse Sirius, recebendo um olhar reprovador de James. — No meu caso, já me conhece.
– Claro. — Lua disse, e olhou para os outros dois garotos.
– Eu sou Remus Lupin. — disse o castanho com roupas esfarrapadas. Lua sorriu para ele de maneira gentil, o que fez ele corar por um momento.
– Meu nome é Peter Pettigrew. — disse o gordinho com cara de rato.
– Muito prazer. Eu vou para o lado das garotas. Acho que Lilian está demasiada desconfiada dos meus sorrisos. — disse Lua, de maneira risonha. Se despediu dos garotos e assim que virou-se de costas suspirou de maneira cansada e tristonha. Fazer amizade com aquelas pessoas seria ótimo, mas...ela deveria?
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