Loving In The Dead
13 A invasão
Notas iniciais
Não demora tanto para que Martin termine de ajeitar a perna mecânica em mim, e então me vejo andando novamente sobre duas pernas. Minha felicidade é tanta que eu saio saltitando até Martin e o abraço, repetindo mil vezes um “obrigada, Martin!”.
– Não tem de quê – ri ele. – Agora vá se mostrar para seus amigos, creio que eles estão animados para vê-la assim.
Corro e saltito um pouco para testar a firmeza da perna, e vejo que está tudo certo. Então, antes de ir encontrar com Rick e Carl, Martin me dá algumas dicas para cuidar da perna, e quando ele termina eu corro para o meu chalé, onde encontro Rick e Carl conversando.
– Tenho minha perna de volta! – exclamo, assustando-os, e me jogo entre os dois, que começam a rir. – Yeaaaah!
– Tão pouco tempo e eu já estava com saudades da Lindsey de duas pernas – comenta Rick.
– Eu também – retruco, fazendo um sinal de positivo com o polegar. – Precisamos comemorar. O sino já vai ser tocado, vamos matar alguns Errantes?
– Com certeza – respondem os dois.
. . .
No meio da madrugada eu acordo com o barulho de algo esmurrando a porta de baixo. Vejo que Carl está bem próximo de mim, então ele é a pessoa que eu empurro para acordar. Ele acorda, assustado, mas sua expressão se alivia ao me ver ali.
– O que houve? – sussurra ele, sonolento.
– Tem algo lá na porta – sussurro de volta. Nós nos levantamos, eu com um pouco mais de dificuldade por estar com a perna adormecida, e descemos até a porta. O ruído de um Errante nos surpreende e, em seguida, um grito agonizante de dor. – Diga que não é o que eu estou pensando.
– PAI – grita Carl. – PAI!
Rick aparece com cara de sono na portinha pro nosso quarto.
– O vilarejo – diz Carl, e tão pouco fez com que Rick entendesse. Corremos pegar nossas coisas. Carl e Rick com as armas na mão e eu com minha preciosa katana. Abro a porta e corto a cabeça de um Errante. Metade do vilarejo está de pé, gritando e tentando se defender dos Errantes, que estão em vantagem. Nós corremos para ajudar os outros, atirando e golpeando os Errantes.
Sinto algo me puxar pela a camiseta, mas um tiro impede o Errante de completar a ação, e eu encaro Walter em forma de agradecimento. Ele sorri para mim. Está ensanguentado e parece que foi acordado com um balde de água fria.
– SOCORRO – berra uma voz feminina esganiçada. Lily.
Saio correndo para a direção de onde o berro de Lily veio, ofegante. Chego tarde demais.
– Oh, não – sussurro, acertando o crânio do Errante que devora Lily. Mas ela ainda está respirando, ainda está consciente, mas sei que não é por tanto tempo. – Não, Lily...
– Vá – diz ela. – Fuja, Lindsey. Encontre a cura, sei que você consegue. Você é forte.
Você é forte.
Foram as últimas palavras de Lily antes de fechar seus olhos para sempre. Aperto meus olhos e cravo minha espada em seu crânio, sentindo as lágrimas já escorrendo pela minha face. Mais um amigo que eu tive que sacrificar.
Me levanto, furiosa, e começo a cortar as cabeças de todos os Errantes que aparecem na minha frente. Meu coração bate loucamente, minhas roupas estão manchadas de sangue, e o sangue também escorre pela lâmina brilhante da minha katana.
Algo segura minha mão, e eu me viro para golpear a criatura, mas dou de cara com Carl.
– Lindsey, nós precisamos ir – diz ele, começando a me puxar.
– Não! Precisamos ajudá-los! – protesto.
– Não há mais o que fazer, Lindsey.
– E Walter? Martin?
– Eles são fortes, sei que darão um jeito de dar no pé.
Olho em volta.
– Onde está Rick?
– Nós vamos encontrá-lo – suspira ele. – O encontraremos nos trilhos.
– ESTAMOS DEIXANDO RICK AQUI?
– Vá por mim, Linddie, ele sabe o que faz.
Começo a me debater, tentando voltar para ajudar os outros, mas Carl me pega no colo e começa a andar apressadamente para longe dali. Me debato nos braços dele, desesperada, mas ele não cede. Quando chegamos nos trilhos ele me solta na grama.
– Precisamos voltar e ajudá-los! – digo eu. – Carl, por favor!
– Não – diz ele firmemente. – Eles vão se virar, Lindsey.
– Carl, por fa...
A pressão dos lábios dele nos meus interrompe minha fala, e eu arregalo meus olhos, perplexa. Sem perceber estou correspondendo ao beijo com mais intensidade e abraçando o pescoço dele. É uma sensação boa da qual eu nunca sentira. Carl corre as mãos dele pelas minhas costas, não perdendo um minuto sequer enquanto me beija desesperadamente. Tenho certeza que, se eu beijasse mil homens, o melhor beijo sempre seria o de Carl. Isso... Isso é uma coisa indescritível e, por mais que me esforce, nunca descreverei completamente o quanto eu me senti bem quando eu o beijei, o quanto eu me senti apaixonada, o quão bom era. Estávamos explodindo de amor, um amor que por muito tempo ficou guardado às sete chaves nos nossos corações. Mesmo que não tenha certeza de que Carl pensava como eu, eu tinha certeza de mim.
Eu estava perdidamente apaixonada por Carl Grimes.
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