Lovely Madness
1 Prólogo

Mais uma dose de seis comprimidos pela manhã. Caso eu não os ingerisse, minha mente começava a produzir alucinações e imediatamente minha doentia mental voltava a tona. A dor de cabeça era insuportável, como se minha cabeça estivesse prestes a explodir.
Já era meu quarto aniversário dentro de um quarto branco, amarrado pelo braço esquerdo a uma barra de metal da cama. Ninguém visitava aquele quarto a semanas, a não ser que fosse para me alimentar com uma mistura horrível de água e alguns pedaços de carne que mais pareciam chiclete de tão mal cozidos. Aquilo era um inferno particular, onde as pessoas eram levadas para serem encarceiradas e perdendo sua humanidade pouco a pouco.
Como eu vim parar aqui? Bem, foi simples. Desde meus seis anos eu comecei a frequentar psicólogos bem treinados e que solucionavam 99% dos casos em que se intrometiam. Pode-se dizer que fui eu que tirei a garantia de 100% desses homens. Assim que começaram o meu atendimento, logo perceberam que eu era um garoto bem mais complexo do que eles pensavam que eu seria. Psicótico, porém medroso. Me tornava insuportável ao ouvir uma palavra apenas. Não tinha uma personalidade definida. Eu ignorava maioria das perguntas e brigava constantemente com aqueles caras, ameaçando matá-los com uma faca ou até mesmo um compasso. Eles me achavam loucos e logo me expulsavam, dizendo que já não havia cura para mim. Era claro que eu me sentia vitorioso quando me dispensavam. Aquele lugar era insuportável.
Na minha oitava mudança de psicólogo, o cara nem ao menos olhou para mim direito. Viu os cortes em meu corpo, minhas olheiras e meu formulário. Aquilo foi o bastante para ele me enviar para a porra de um manicômio. Se eles acham que aqui eu iria melhorar, eu acho que estavam bem errados. Diferente de alguns centro de tratamento, eles nos tratam como animais. Se bem que, um animal recebe um tratamento bem melhor do que esse. Então eu poderia dizer que somos tratados como ratos! Se duvidar, aposto que eles colocam algum tipo de veneno na comida de algum dos que estão aqui, porque todo dia morre uma pessoa. Eu espero que esse dia chegue para mim também.
Eram três horas da manhã quando eu relembrava e refletia nisso tudo enquanto anotava em um caderninho desgastado com a capa de couro, mas quem se importa? Eu já não dormia a dias. Se contei corretamente, já não durmo a quase uma semana, apenas sobrevivendo do café que eles servem pela matina, uma das únicas coisas que eles fazem de bom aqui. É forte e quente para que fiquemos acordados o dia todo e a xícara é do tamanho de um balde de praia infantil. Exagero? Não. Estou falando sério! Aquilo é enorme. E se não bebermos tudo, eles nos dão mais algumas pílulas. Bem suspeito que aquilo seja maconha, já que Kenzo, meu vizinho de cela, acabou se viciando à aquelas drogas, deixando de tomar café para cheirar aquele "troço". Totalmente repugnante.
Um som metálico muito alto acabou me fazendo borrar uma palavra no meu caderninho, o que fez com que eu levantasse a cabeça irado, prestes a xingar quem houvesse jogado fosse lá o que na grade da jaula. Péssima ideia. Se não houvesse me segurado, o marechal que cuidava do local teria me jogado aquele porrete que sempre carrega para castigar aqueles que o desrespeitam.
— Como está a noite, Seung-Jo? — perguntou ele, em um tom de desprezo.
— Uma porra. Aquela dor de dente voltou de novo. Se continuar assim eu vou quebrar meu dente com uma pedra.
— Sua voz já me irrita. Pare de falar coisas banais se não quiser morrer antes de sair daqui.
— Foda-se! Me mate logo!
Já respirava ofegante, escondendo minha vontade de esquartejar o homem. Já ele permanecia parado, aproveitando o show de horrores. Assim que me sentei na cama novamente, limpando o sangue de meus braços.
— Posso falar? — perguntou ele.
— Fala logo...
— Okay. Já é o seu décimo oitavo aniversário e pensamos que o senhor já teria um certo controle por si mesmo, portanto nós vamos te libertar.
— Me libertar? Pra onde? Meu pai não me acolheria em casa.
— Vai aprender a dirigir. A polícia vai te sustentar financeiramente.
— Quanto dinheiro? — Perguntei, levantando.
— Mais ou menos uns 8.000 por mês. Não sei porque eles decidiram lhe dar essa quantia. Por mim seria apenas 1.000 e pronto.
Permaneci calado. Vendo que não haveria uma resposta, ele abriu a sela, indo até mim enquanto mexia em um molho de chaves a procura de uma em específico. Assim que achou, abriu as algemas e me puxou pelo braço, dando um leve sorriso. Olhei para ele friamente, resmungando:
— O que é? Minha falta é tão gratificante?
— Não. Só acho bom a ideia de que você vai sair para viver o que perdeu. — Respondeu ele, olhando de volta.
— O que?
— Huh... nada. Continua a andar!
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