Love me like a Cat

10 Falling in Love


Notas iniciais
Sentiram saudades? Espero que gostem!

“Só me explica, por que essa ração é tão cara?” Miguel cruzou os braços para Dênis, que cantarolava uma música distraído enquanto passava o pacote de ração super premium no caixa. O loiro olhou para ele, focou os seus lábios e logo desviou outra vez, se esforçando para não ficar vermelho. Nada que o outro pudesse ter percebido.

“Não tem corante, nem muito sódio, e tem os nutrientes que o animal precisa, ao contrário dessas mais baratas… E até mesmo de algumas caras que só tem marca. Assim o gato tem menores chances de ter problemas de saúde futuros.” Respondeu naturalmente.

Miguel ergueu as sobrancelhas, um pouco surpreso, pegou a ração depois de ter pagado. “Entendido. Até mais tarde Dênis”

“Até mais tarde, Miguel” ao se despedir, deu um sorriso involuntário, que o moreno devolveu com um meio sorriso antes de ir embora.

Antes de surtar como uma adolescente apaixonada, precisou controlar a expressão para atender outro cliente, mas o sorriso enorme era impossível esconder.

“Você ta felizinho hoje, Dê!” Luana disse mais tarde, ela também parecia feliz. “Aconteceu alguma coisa?”

“Ainda não Lu” ele deu uma risada, era raro esse tipo de pergunta, geralmente se perguntava isso quando a pessoa estava triste, não é? “Mas quando acontecer eu te conto” disse, mas não era de todo verdade.

Era péssimo não poder contar algumas coisas para Luana, ela era sua melhor amiga, mas Dênis temia que fosse difícil pra ela aceitar que ele gostava de garotos. A menina vinha de uma família muito conservadora e por consequência, surgiu o preconceito, ele nunca a viu xingando nem desrespeitando alguém por ser homossexual, mas seu desgosto era evidente.

“Ok. Avisa pro Fred que a mulher do cachorro com conjuntivite ligou, diz pra ele retornar.” Ela falou com indiferença. O dia passava de forma comum e lenta, engolido pela rotina.

Dênis foi pra casa depois do trabalho e se arrumou pra aula, pensando seriamente na possibilidade de faltar. Estava tão cansado, e a cama parecia o puxar de forma sutil e eficaz, o prendendo ali.

Mas o loiro acabou se sentindo culpado por faltar sem motivo e mudou de ideia outra vez, resolvendo comparecer. Fred buzinou à sua porta e logo Dênis apareceu, trancou a casa e entrou no carro como de costume.

“Oi de novo” o loiro cumprimentou, afivelando o cinto de segurança que por sinal o motorista não se importou em colocar.

“E aí” respondeu Fred, engatou a marcha e acelerou. Ele dirigia daquele jeito despojado que poucas pessoas conseguiam ser, parecendo relaxadas demais ao volante. O cabelo curto estava ajeitado com gel e a barba por fazer, o tecido da camisa não permitia que se amarrotasse, mas do contrário, a roupa com certeza estaria amassada. Esse era o Fred. “O que está olhando?”

Dênis desviou o olhar para a janela do lado do passageiro, havia sido pego de surpresa reparando-o. “Só estava vigiando para ver quando os seus bíceps vão esvaziar que nem balão”

“Engraçadinho… Vai ver é um soco bem no meio da sua cara” ameaçou com um sorriso.

“Você só ameaça” o garoto colocou as mãos atrás da cabeça, relaxado. Parecia bem confiante no que dizia.

“É óbvio, eu não sou covarde. Você nem teria chances de se defender” gargalhou o maior, que logo levou um soco no braço. Nem ao menos fez cócegas.

xXx

“Que tédio...” murmurou para si mesmo, se esparramando na mesa. faltavam poucos minutos para o fim da aula e o professor não liberava de jeito nenhum. Saco.

Ao perceber a amiga do outro lado da sala se preparando para ir embora, Dênis pegou seu material, guardou na mochila e saiu junto de Isabella. Ela simplesmente fazia o que tinha vontade, e o garoto a admirava por isso, já que ele mesmo não conseguia sozinho.

“Oi Bella.” Ele disse, já passando o braço envolvendo os ombros dela.

“Oi Dênis, beleza? Saiu mais cedo também?” Ela perguntou, mas não parecia interessada, então o loiro só fez que sim com a cabeça. “Aquele ali não é o seu professorzinho…?” Ela apontou para um homem andando perto deles, na direção do banheiro. Os desatentos nem perceberiam que ele entrava em uma porta distinta, ao lado dos banheiros. “Ué, onde ele está indo?”

Dênis franziu as sobrancelhas, não sabia onde aquela porta dava “não sei…”

“Vai lá!” Ela o empurrou de leve na direção de Miguel. O garoto olhou pra ela como se fosse louca “o que tá esperando?”

“Não sei se é uma boa ideia.” Ele olhou para a porta. Essa o atraia mais do que sua cama, tamanha a curiosidade.

“Depois você me conta” Isabella deu dois tapinhas nas costas de Dênis e desceu as escadas, o deixando ali.

Com uma única opção.

Aproveitando que não tinha ninguém por perto, ele correu até a porta misteriosa e a abriu. Ao contrário do que imaginou, não era o armário de limpeza. Graças a Deus, não podia imaginar o que Miguel iria fazer em um quartinho cheio de vassouras, produtos de limpeza e papel higiênico.

Ele fechou a porta atrás de si. Havia uma escada subindo, levava a outra porta, mas esta estava aberta e era possível ver as estrelas. Ele subiu as escadas, pisando pela primeira vez no terraço da faculdade. Abraçou seu corpo e rangeu os dentes, não era uma noite excepcionalmente fria, mas ali cima os ventos eram livres.

Viu Miguel um pouco a frente de costas para si e com os braços cruzados, seus cabelos balançavam a medida que o vento batia, assim como suas roupas.

Miguel descruzou os braços e se virou, podendo ver Dênis a alguns metros de distância. Ele ficou surpreso por alguns segundos, mas logo deu um sorriso de lado, se aproximando. “Como foi que me achou aqui?” Foi a primeira coisa que disse.

“Aaah, vi você entrando em uma porta misteriosa que eu não sabia onde dava” respondeu ele, tentando tirar o cabelo do rosto. Só conseguiu quando o vento cessou, mas sabia que não ia durar muito.

“E foi atrás, sei. Eu sempre tive certeza que ninguém iria prestar atenção em qual porta eu entraria, e que eu saiba a única pessoa que reparou foi você” ele deu uma risada.

“Não sei como ninguém viu.” O loiro deu de ombros, omitindo o fato de que fora Isabella que flagrou Miguel entrando ali.

“Na verdade as pessoas costumam enxergar as coisas, mas não ver. Entende?”

“Um pouco…” Respondeu o garoto, Para não dar uma negativa completa.

“Ok, feche os olhos. Vou fazer uma brincadeira com você.” Miguel colocou as mãos nos ombros de Dênis, e este expressava sua confusão, mas acabou fechando os olhos. Era péssimo não ver o que o outro estava fazendo. “Agora tente se lembrar de tudo o que você viu ao seu redor. As grades que cercam esse terraço… São grades verticais ou horizontais? Não vale espiar!.”

Dênis ficou um momento pensando, por fim torceu os lábios sem conseguir se lembrar “horizontais?” Falou em tom duvidoso, abriu os olhos antes mesmo do outro lhe dizer para fazê-lo, procurando confirmar sua resposta. Miguel mantinha um sorriso maldoso no rosto. “Não tem grade! Assim não vale, você me induziu ao erro!!” Exclamou o loiro, indignado, enquando Miguel ria.

“Se você tivesse prestado atenção nesse detalhe, não teria caído. Feche os olhos de novo.” Falou. Antes de fazê-lo, Dênis reparou em tudo o que podia, para dessa vez não ser pêgo.

“Pronto. Não me faça de idiota, se não eu te jogo lá em baixo aproveitando que não tem nada que impeça” falou, mas a ameaça acompanhava um sorriso.

“Pode ficar tranquilo dessa vez. Preste atenção… Tem certas coisas que você não vai perceber apenas olhando. Então tente escutar.”

Miguel se dirigiu para o lado do loiro, tampou um dos ouvidos do menor, o do lado contrário em que estava. “O que você ouve desse lado?” Murmurou perto da orelha de Dênis, que se esforçou pra conter um arrepio.

Ele se concentrou nos sons. Conseguia acompanhar a respiração do moreno, o vento passando, as folhas das árvores balançando e talvez o som de insetos. De certo ele não se lembrava da floresta de pinheiros que havia ali, na escuridão da noite.

“A floresta…” Respondeu, ainda se perdendo nos sons da mesma.

“Sim. Não abra os olhos ainda” Miguel foi para o outro lado, repetindo o processo de lhe tampar o ouvido contrário “o que escuta agora?”

Dessa vez Dênis não precisou pensar muito, era claro. De um lado da universidade havia a floresta, e do outro a cidade. Trânsito, buzinas, algumas pessoas falando ao longe…

“A cidade.” O homem parou a sua frente, a vontade de abrir os olhos era dominadora, mas quando ia fazê-lo, Miguel segurou seu rosto e tocou-lhe as pálpebras com delicadeza. É claro que deu pra assustar um pouco, qualquer toque inesperado tem esse poder.

“Isso. Ainda não… Agora o mais importante. Você tem que saber ouvir a si mesmo.” As mãos de Miguel escorregaram até tampar os dois ouvidos de Dênis, que dessa vez não conteve o arrepio. Se concentrou no que conseguia escutar sem usar a propriamente a audição. Conseguia ouvir as batidas do seu coração, fortes e insistentes, e não era difícil inferir o significado disso.

O loiro passou os braços envolta do pescoço de Miguel, e como se este lesse os seus pensamentos, deslizou as mãos até sua nuca, agarrou de leve os fios, trazendo o garoto para mais próximo de si, colando seus lábios aos dele.

Era como se o único desfecho possível fosse esse, e a espectativa os consumiu até ali, tornando aquele beijo voraz e ao mesmo tempo sutil, um momento novo, um sentimento desconhecido característico daquele frio na barriga que sentimos em uma queda. Talvez seja essa a origem do termo “falling in Love”.

Em algum momento seguinte eles interromperam o beijo, movidos pela necessidade de oxigênio. Encararam um ao outro.

Dênis via olhos verdes entreabertos, que pareciam deslumbrados ao mesmo tempo que tentavam descobrir tudo sobre o que aqueles olhos castanhos escondiam. Pareciam inocentes demais para Miguel, pareciam pedir outro beijo.

Eles se afastaram devagar, com uma pequena dose de constrangimento. Dênis olhou a hora no relógio de pulso e constatou que a aula havia acabado há alguns minutos. “Eu tenho que descer. Você vai ficar aí?”

Miguel assentiu. “Sim, vou ficar mais um pouco. Até logo...” se despediram, Dênis desceu as escadas e Miguel ficou por lá, acendeu um cigarro e fechou os olhos, relembrando o momento. O unico erro era não terem ficado mais tempo ali, se beijando.

Notas finais
Espero reviews hein u_u