Notas iniciais
Boa Leitura :*

Beatriz POV

–Como assim?

–Você não percebe Bia.

–Não percebo o quê?

–Deixa pra lá. – ele saiu andando.

–Agora você vai me dizer. – eu corri até ele, parando na sua frente.

–Você quer mesmo saber? – ele deu um passo na minha direção.

–Quero.

Ele olhou pra mim e saiu me puxando pelo braço.

–Me larga.

–Não. Se você quer mesmo ouvir, você vai ouvir.

Paramos de andar quando estávamos perto das arquibancadas.

–Fala agora. – eu disse, cruzando os braços.

–Eu não sei como dizer isso...

–Com a boca? – eu olhei pra ele, arqueando a sobrancelha.

–Quer para de ser sarcástica?

–Desculpa. – eu revirei os olhos. — Então diz logo.

–É que...

–É que o quê? Você fica enrolando. Fala logo o que você quer de uma vez! – eu disse, irritada.

–Eu quero isso. – ele disse e me beijou.

Eu levei um susto, claro, e o empurrei... Depois de uns dois segundos eu o puxei pela camisa, o beijando de novo. Deus, eu devo estar louca, não, pior... Eu devo estar sonhando. Como eu tenho coragem de beijar um garoto que eu não suporto? Ah, mas quer saber? Que se dane! Eu estou adorando isso.

Depois de uns cinco minutos nos beijando, nós nos separamos para respirar, mas mantivemos as nossas testas juntas. Ele abriu os olhos e disse, baixo:

–Se eu disser que te amo você acreditaria?

Eu choquei.

–O-o-o-o que?

–É isso mesmo Bia.

–Você não tem vergonha, não? – eu o empurrei de novo.

–De quê? De amar você?

–De ficar brincando com coisas sérias. – eu sai andando.

–E quem está brincando aqui? Você quer que eu repita? – ele disse, quando chegamos perto do refeitório.- eu repito então...

Eu parei.

EU ESTOU APAIXONADO POR VOCÊ, BEATRIZ! – ele gritou e eu vi todos no refeitório olharem pra mim.

–Idiota. – eu voltei e o sai puxando, enquanto todo mundo gritava e nos zoava.

–Feliz agora?

–Não... você enlouqueceu? Como você diz isso na frente da escola toda?

–Como eu digo? Com a boca... – ele sorriu.

–Porque você fez isso?

–Para todos da escola saberem que eu te amo...

–Isso é loucura. – eu me aproximei das mesas de piquenique.

–Porquê? – ele parou na minha frente.

–Porque eu não deveria gostar de você...

–Porquê? – ele sorriu mais abertamente. – Você gosta de mim? – ele puxou minha cintura de encontro ao seu corpo.

–Gosto. – eu abaixei a cabeça.

–E você tem vergonha de assumir isso... – ele disse num tom triste.

–Eu não disse isso, Eduardo... É só que... Eu não deveria gostar de você...

–Eu sou tão ruim, que você não deveria namorar comigo?

–Não... – eu acariciei seu rosto. – Você é ótimo! Mas nunca nos demos bem, nós sempre brigamos...

Ele me olhou triste.

–E você sabe disso. – eu o encarei.

–Eu sei disso, Bia. Eu implicava com você por não ter coragem de dizer o que eu realmente sentia… Mas agora eu tenho... – ele segurou meu rosto e falou, olhando nos meus olhos. – Eu te amo.

Eu olhei pra baixo.

–Duda... – eu segurei suas mãos. – Não dificulte as coisas, por favor... – eu o olhei.

–Mas Bia... – eu o interrompi.

–É melhor deixarmos como está. – eu dei um beijo em seu rosto, e voltei para a escola.

"Eu não podia fazer isso com ele, mesmo o amando tanto... ele iria sofrer quando eu partisse... é melhor assim, para os dois... assim, ninguém sofre." Eu corri até ao meu armário e fui embora pra casa. Não queria ver mais ninguém hoje...

Eduardo POV

"Por que ela fez isso? Ela disse que gosta de mim! Mas porque é que não podemos ficar juntos? Eu não entendo. Eu sei de uma pessoa que pode me responder, mas sei que ela não vai querer me dizer nada...". Eu corri para a sala cinco, no segundo andar... Tinha que falar com uma pessoa, era um caso urgentíssimo. Eu bati na porta da sala, sorte a minha que o professor já estava saindo.

–Entre. – eu ouvi de dentro da sala.

–Bom dia, professor. Eu gostaria de falar com a Mili... É muito importante.

–Tudo bem... – o professor olhou pra ela. – Milena.

Enquanto ela se levantava, Janu gritou lá do fundo da sala...

–Mal se declarou pra Bia, já ta querendo a melhor amiga dela...

–Vai à merda, Janu... – eu gritei com raiva.

–Olha a boca, senhor Eduardo.

–Desculpe, professor... Vamos logo Mili...

–Calma, calma... Tô indo. – ela saiu da sala na minha frente e parou no corredor. – O que você quer?

–O que a Bia tem?

–Co-como ass-assim? – ela gaguejou, o que foi estranho, e olhou pra mim.

–Porque é que ela diz que gosta de mim, mas quando eu penso em pedir ela em namoro ela diz que não, porque é errado e blá, blá, blá...

–Eu não tenho permissão dela, para dizer isso...

–Por favor, Mili... Eu imploro... – eu já estava começando a me ajoelhar.

–Pára, pára... Levanta.

–Você vai me dizer?

Ela suspirou.

–Vou dizer, seu chato... –ela me olhou. — Ela vai viajar.

–vai viajar? Como assim?

–Viajar... Não sabe o que é viajar, não?

–É claro que eu sei, mas como assim ela vai viajar?

–Eu não posso dizer mais... Por favor, Duda não complica. – ela começou a andar pelo corredor.

–Mas eu tenho que saber.

–Está bem... Vem... –ela me puxou pra as arquibancadas, onde só estavam os jogadores e as líderes de torcida.

–Fala logo, antes que eu enlouqueça, por favor!

Ela suspirou forte.

–A Bia ta doente. –ela disse, com um olhar triste.

–Doente? O que ela tem?

–Eu não sei exatamente, ela não quis me dizer..

–Mas é grave?

–Eu já disse que eu não sei Duda, ela não quis me dizer...

–E para onde ela vai?

–Ela vai ir para França, para começar o tratamento.

–E quando ela volta?

–Voltar? – ela suspirou, e disse num tom super triste: — Ela não vai voltar.

–O-o-o qu-que? – eu não estava acreditando.

–Mili... – Mosca viu Mili, a chamou.

–Mili, me diz... – eu tentei dizer.

–Por favor, não me pergunte mais nada... Tchau Duda. – ela correu até Mosca, ela deu um selinho nele e foram embora.

Eu não estava acreditando… A Bia, a minha Bia, estava doente. E eu era um idiota por achar que ela tinha um motivo bobo para não querer ficar comigo. Esse é o motivo... Mas eu tinha que ir até ela... E eu iria até ela.

Notas finais
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