— Ô buc... — Xingou um Caleb de 14 anos, que voltava da escola e havia ficado um tanto mais tarde por conta das conversas com os amigos e mal viu o tempo correr que o sol já tinha se posto. Caleb foi vítima de um inseto Maria Fedida que caiu bem em cima de seus cabelos e imediatamente deixou o horrível odor impregnar a seus cabelos escuros. Sua camisa longa, shorts, casaco muito largos moviam com o vento, esquecia que seus cadarços estavam desarramados no tênis que já estava surrado e, por sorte, não tropeçava neles.

Correu para casa e, para seu azar, deu de cara com algumas pessoas conhecidas e viu a careta que elas fizeram, que levaram a mão ao nariz para cobrir e ouvir alguns dizer "moleque fedido", "eca".

Quando chegou em casa, se deparou com a surpresa de que não tinha ninguém lá e ele estava sem as chaves. Pegou seu smartphone no bolso e viu que recebeu inúmeras mensagens dos pais perguntando onde ele estava, que um dos amigos dele havia respondido no lugar de Caleb, que era pra ele ficar na casa de um amigo umas horas pois foram às compras e nisso a bateria do dispositivo se esgotou, para ainda mais desespero dele. Não podia ficar lá fora sendo chamado de fedido, decidiu correr em busca de um rosto conhecido e amigo.

Alex havia terminado seu expediente no Angel Coffee Shop, trancou as portas, certificou-se que estava tudo bem seguro e quando virou para a calçada e saiu das sombras para a luz quando viu um Caleb desesperado correndo em sua direção, o que fez Caleb tropeçar e Alex conseguiu segurá-lo nos braços para acabar com um Caleb suado e de olhos arregalados exclamar:

— O que foi isso? Um dorama?!

Alex riu e sentiu o aroma nada atraente do inseto do quinto dos infernos, soltou Alex, para cobrir o nariz, que deu um baque seguro no chão e um gemido apenas como alívio cômico do rapaz

— Minha nossa, o que é isso? Maria fedida? Brigou com uma? — Alex disse com uma careta.

— Ah, você também não... Não me chama de... — Ganiu um Caleb que tanto se esforçava na sua higiene e também no seu cheirinho que seria uma tragédia se essa fama de limpinho fosse embora. — Eu fui tomar um banho em casa e fiquei pra fora, meus pais saíram. Eu posso tomar um banho na sua casa?

— Vem. — Alex concordou com a cabeça e chamou-o. — Mas não vem tanto. — Alex riu pra se afastar do garoto.

Quando chegaram na casa, Alex procurou roupas de troca para Caleb, o que não foi nada difícil achar, mesmo naquela idade, ele já era troncudo o suficiente pra vestir algo de Alex e o que foi uma camisa e uma calça de pijama um tanto surrada, além, claro de roupa de baixo. Caleb havia corrido para o banheiro onde se ouviu ele lavando furiosamente a cabeça. Para o susto de Alex, Caleb berrou que não estava conseguindo tirar aquele cheiro fedido.

— Caleb? Eu posso ajudar. — Alex bateu na porta do banheiro. — Se veste e vem aqui atrás.

— Eu não quero ter que raspar o cabelo, Alex. — Choramingou um Caleb de toalhada enrolada do torso até mais da metade dos joelhos, era uma toalha bem grande mesmo.

— Não precisa, mas a gente vai ter que descolorir seus cabelos. É um técnica meio agressiva mas deve tirar o cheiro. — Alex sugeriu enquanto abria a torneira de um tanque de água e tinha um pote de descolorante nas mãos.

— Manda ver! — Caleb falou e abaixou a cabeça para Alex despejar e espalhar bem o descolorante.

Alex, com as luvas, foi deslizando as mãos pelos cabelos do rapaz.

"Coça!", "Arde!", "Dói!", "Desespero!", "Angústia" — foram as palavras que Caleb gemeu depois de alguns minutos com o descolorante nos cabelos. Alex riu e, enquanto ambos estavam no sofá de Alex aguardando dar o tempo para remover o descolorante.

— Vamos lá remover o creme. — Alex disse olhando para o relógio e Caleb obedeceu numa disparada pra tirar a química do mal. Alex, agora sem as luvas, foi removendo delicadamente e carinhosamente a mistura dos cabelos de Caleb, dando uma visão muito próxima um do outro, Caleb fitava Alex que, por sua vez, estava com todo foco nos cabelos dele, deslizando numa massagem muito relaxante que fez Caleb lugar contra a vontade de fechar os olhos "Que cheiro bom..."

— Pronto. Pode ir secar os cabelos e vestir-se, essa toalha já deve estar desconfortável. — Caleb prontamente subiu para o quarto de Alex.

Alex decidiu preparar algo para ambos comerem, não demorou para Caleb retornar. Ouviu os passos do garoto e olhou para trás, ele havia vestido das roupas de Alex.

— As roupas serviram, que bom, né? Está confortável?

— Só meio apertado aqui embaixo. — Caleb brincou e Alex riu. — Até que ficou legal. — Caleb deslizou a mão direita pelos cabelos descoloridos, ficaram cachos platinados.

— Ficou.... Da hora. — Alex disse e fez o sinal do dedo mindinho e polegar pra cima e o resto para baixo. — Espero que seus pais aceitem, qualquer diga peça pra me ligar que eu converso.

— Okay. O que está fazendo? — Caleb perguntou chegando perto, seus olhos registrando a silhueta de Alex "Parece mulher".

— Pão de Alho Coreano. — Alex respondeu, mexendo em algo que parecia ser creamcheese.

— Que legal, quero ajudar. — Não era algo que parecia complicado mas foi depois necessária instrução do mais velho.

— Alex... — Caleb chamou quando ambos estavam aguardando aos pães assarem, Alex olhou-o numa resposta visual. Alex estava cortando tomates.- ... Então, você não tem nenhuma pessoa especial na sua vida?

— Especial quer dizer... Namorado? — Alex questionou e Caleb afirmou com a cabeça. Alex entortou a boca numa expressão facial contemplativa e sacudiu a cabeça negativamente. — Não, não tenho. — Nisso ele espetou o dedo com a faca pontuda e Caleb prontamente pegou na mão do mais velho pra ver se não havia se machucado e o pequeno corte, Caleb abocanhou o dedo de Alex que pareceu se espantar um tanto.

Caleb notou a surpresa do outro, soltando delicadamente a mão de Alex.

— Ah, minha mãe fazia isso quando eu machucava meus dedos. Mania que peguei quando criança, saca?

— Ah sim, eu acho que eu entendo. — Alex cerficou-se se os pães estavam prontos e estavam tão dourados que poderia achar que eram de ouro.

— Um tesouro mesmo. — Caleb elogiou ao pão coreano que haviam feito. — Quero aprender como faz.

Ouviram a porta bater, era Chris, pai de Caleb.

— Oi. Ele está aqui? — Chris perguntou, um tanto desconcertado.

— Está sim, não se preocupe e não brigue com ele. — Alex pediu e Chris entrou após seu convite.

— A gente perdeu a conta de quantas vezes ligamos pra saber onde você tava. — Chris falou alto e Caleb deu um sobressalto que quase derrubou ao pão coreano.

Caleb tentou se explicar, o que parecia só irritar Chris.

— A culpa é minha, eu que devia ter avisado ou ter lembrado ele de entrar em contato. — Alex disse, chamando toda atenção pra si. Falou calmamente e Caleb se calou. — Eu quis ajudar ele a se livrar logo do cheiro, não é brincadeira, deixa no chão qualquar coisa que tenha olfato. E acabei que esqueci de avisar. E não tem problema dele vir aqui, somos amigos. — Alex sorriu, Caleb sentiu o rosto corar... Mas por quê?

— Não tem problema de eu bancar a babá. — Alex riu e Caleb franziu o cenho.

Chris acompanhou Caleb até o carro após ambos darem despedida a Alex. Caleb ficou quieto a viagem toda, só ao guardar o carro na garagem houve um papo:

— Pai, o Alex realmente parece uma mulher, né? — Quebrou o silêncio. — Será que é trans?

— O Alex é muita coisa. — Grunhiu Chris que deixou Caleb com pulga atrás da orelha.

O garoto jogou-se na cama, ainda com as roupas de Alex, olhou para o teto e para as roupas. Segurou a gola da camisa e sentiu o aroma. Aquele aroma. Cheiro de Alex.

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