Love as Sakura | 爱如樱
7 第7章 Mau começo
— Peng Peng, kuái*!
Ying Kong Shi acordou com o grito. Piscou algumas vezes para a visão focar e encarou o relógio sobre o criado mudo. Duas da manhã. A voz vinha do seu quarto e, olhando em volta, se deu conta que estava no quarto de hóspedes do seu apartamento. As lembranças foram se encaixando aos poucos e recordou de Yan Da e da razão para ela estar dormindo na sua casa.
— Não! — Havia uma nota de desespero na voz dela. — Peng Peng!
Shi afastou os cobertores e correu para seu quarto abrindo a porta para se deparar com sua hóspede febril sobre a cama. Uma camada de suor cobria o rosto de Yan Da e grudava os fios escuros de seu cabelo na pele, a frente da sua blusa estava molhada e deixava a mostra o contorno dos seios. Ela se movia inquieta sobre a cama e continuava chamando aquela pessoa, Peng Peng, Shi se perguntou quem seria, um namorado? Um irmão? Conhecia de vista os filhos de Huo Yi e nunca havia ouvido falar em alguém com aquele nome.
— Meng xiaojie. — Chamou sentando-se ao lado de Yan Da segurando a mão dela e tocando-lhe o ombro levemente. — Meng xiaojie, acorde.
— Peng Peng! — Gritou com angústia. — Deixem-no em paz!
— Meng xiaojie! — Shi segurou o rosto dela entre as mãos e percebeu que ela ardia em febre. — Droga...
Ele correu até a cozinha e jogou água fria com gelo em uma bacia, pegou uma toalha de mão e o celular. Voltou para o quarto e mergulhou a toalha na água torcendo-a enquanto, com um comando de voz, fazia uma chamada para Huang Tuo.
— Espero que seja importante pra me ligar a essa hora bem no meu dia de folga. — A voz sonolenta soou do outro lado da linha.
— Ela está com febre! — Retrucou Shi, impaciente.
— Ying Kong Shi, o que você é, uma criança? — Reclamou o médico. — Que tipo de homem não sabe tratar uma febre?
— Ela não deveria estar com febre, você disse que era só uma concussão! — Atacou o jovem, pressionando levemente a toalha no rosto de Yan Da. — E muitas das coisas que envolvem cuidar de uma febre eu não posso fazer com uma mulher, Huang Tuo!
— Por exemplo? — O médico soava provocativo. — Qual a dificuldade em resfriar um corpo humano?
— Está me dizendo para enfiar a mão dentro da blusa dela? — Baixou a voz sentindo o rosto esquentar. — Mesmo com uma toalha e uma situação isso não é apropriado.
— Bem, pelo menos isso prova que você está vivo, afinal, se consegue se constranger nessa situação. — Riu. — Eu cheguei a pensar que você era gay, não que eu tenha algo contra, claro.
— Isso não é hora para piada. O que eu faço?!
— Onde está sua empregada?
— Precisou viajar para Tianjin, está com a mãe doente.
— Bem, então a menos que uma de suas irmãs venha de Xiam tratar a febre dela, você vai precisar dar uma de enfermeiro hoje, até porque a culpa é sua. — Devolveu Huang Tuo com um bocejo. — Jia you*!
— Ei, espera aí, Huang Tuo!
Chamada encerrada. Shi praguejou baixinho olhando para Yan Da cujo rosto bonito estava contorcido pela agonia. Lágrimas escorriam por suas têmporas e, se não estivesse prestando atenção, pensaria que era suor também. Ele suspirou, seu coração enchendo-se de compaixão, mergulhou a toalha novamente na água e espremeu-a com força tornando a pressioná-la na fronte de Yan Da cujos gritos converteram-se em sussurros pelo mesmo Peng Peng. Shi não fazia ideia do que havia acontecido, mas parecia ser bem ruim.
Por um momento, lembrou-se da reprimenda dela horas atrás acerca de seus pré-julgamentos a seu respeito e a vergonha tomou-o com ainda mais força. Vendo a jovem naquele estado, não importava o caráter de seus parentes, Shi lembrou-se de que ela era humana e, como ele e qualquer outro, tinha o direito de cometer erros, isso não a tornava pior que ninguém. Não obstante, a constatação não diminuía o desconforto da situação, mesmo que estivesse em circunstâncias propícias, a simples ação de tocar Yan Da sem seu consentimento fazia Shi sentir-se um tarado.
Ele fez uma careta quando olhou para a blusa molhada dela, sabia que não tinha coragem de tirá-la embora precisasse. Quase chorou de frustração naquele momento. Seu desespero era tamanho que chegou a desejar não ter mandado Lan Shang embora — e por si só isso já era uma prova da sua inquietação absurda, uma vez que detestava a garota. Suspirou. Não pode ser tão difícil! Pensou. Quando ela acordar eu me ajoelho e deixo que me açoite se for preciso. Quando segurou a barra da blusa, Shi parou e conteve um grito de constrangimento. Nunca se atrevera a tirar a blusa de uma mulher antes, nem mesmo de suas irmãs!
— Peng... Peng... — A voz de Yan Da era um sussurro rouco e lamentoso. Ela ainda suava.
Shi sabia, por própria experiência, que não deveria subestimar uma febre. Ele encarou Yan Da por longo tempo, a face esquálida, os lábios secos, os cabelos desgrenhados e banhados de suor, a respiração difícil. Respirou fundo e apagou a luz do abajur sobre o criado mudo, tirou a blusa dela implorando mil desculpas mentais e procurou no seu closet por algum suéter limpo que pudesse servir nela. Com uma delicadeza e uma cautela redobradas ele resfriou o tronco dela com a toalha gelada evitando o colo, protegido apenas pelo sutiã, o máximo que podia e repetindo para si mesmo que estava fazendo aquilo para salvar a vida dela. Apenas aquela convicção podia salvá-lo da sensação de ser um pervertido e do pensamento de que ela o denunciaria tão logo acordasse e o escândalo que havia sido evitado no dia anterior, explodiria em proporções muito piores.
Munido de uma força de vontade quase sobrenatural e a força compassiva de sua natureza, Shi vestiu seu suéter nela no escuro — e torceu para estar fazendo certo — enquanto a jovem senhorita Meng choramingava pelo misterioso Peng Peng, a febre se recusava a baixar e Shi começava a se sentir inquieto. Com alguma dificuldade, conseguiu fazer Yan Da engolir um antitérmico que ele machucou e dissolveu em um copo com água, manteve a toalha gelada sobre a testa dela e segurou sua mão quando os dedos impacientes dela buscaram o conforto do personagem de seus pesadelos.
O coração do jovem Ying aqueceu-se perante a frágil devoção e docilidade demonstrado pela mulher na sua cama. Sentiu-se compelido a um desejo inesperado de conhecê-la melhor, desvendar as camadas do seu coração. A madrugada foi sendo engolida pelas horas, que pareciam arrastar-se enquanto ele vigiava, e conforme a febre cedia espaço a um descanso tranquilo para a jovem adormecida, Ying Kong Shi entregou-se ao alívio e imperceptivelmente foi rendido pelo sono.
※ ※ ※
Yan Da acordou com um sobressalto. Seus olhos se abriram de modo abrupto e ela encarou o teto do quarto de Ying Kong Shi. Ela se lembrava do encontro constrangedor no elevador, de ter vomitado no terno dele, da discussão na sala e... o que mais? Apressou-se em sentar na cama e então se deu conta de uma mão segurando a sua. Virou a cabeça devagar apenas para ver Shi debruçado sobre a cama, a cabeça apoiada no próprio braço desfrutando do sono dos justos. Os olhos da jovem se arregalaram e ela baixou o rosto para o próprio corpo notando o suéter preto que vestia e estava com as costas viradas para frente de modo que a etiqueta fazia cócegas no seu queixo.
Puxando a mão, ela afastou a gola para se certificar que não estava nua. Um terror misturado com constrangimento ia lhe engolindo aos poucos, afastou o lençol e fitou a saia amassada que usava no dia anterior e apalpou por dentro dela para garantir que calcinha continuava no lugar. Mas, se não usava seu blazer combinando com a saia e sua blusa de botões branca significava que o homem adormecido ao seu lado havia tirado sua blusa e colocado aquele suéter que, julgando pelo tamanho, pertencia a ele. Os olhos de Yan Da foram abrindo-se mais e mais conforme ela assimilava a situação e imaginava os dedos de Shi tocando a sua pele e...
O grito ecoou pelo apartamento.
Shi levou tamanho susto que caiu da cadeira onde se sentara na noite anterior olhando para os lados em busca de alguma ameaça. Na cama, Yan Da o olhava com uma mescla de indignação e vergonha, os braços protetivos ao redor do próprio corpo enquanto ele se punha de pé, ainda atordoado, e tentava entender o que estava acontecendo.
— Meng xiaojie, qual o problema?
— N-n-n-n-ni!* — Gaguejou ela apontando um dedo acusador na direção dele. — O que fez comigo?!
— O que eu... fiz? — Shi estava confuso e levou um tempo para entender do que ela estava falando.
— Biàntài*! — Gritou ela atirando um travesseiro contra ele. — Psicopata!
Outro travesseiro foi arremessado e ela estava prestes a lançar o telefone contra ele quando Shi ergueu as mãos pedindo calma.
— Meng xiaojie, mantenha a calma, não é o que está pensando! — Ele manteve distância dela numa tentativa de mantê-la ouvindo. — A senhorita teve febre essa madrugada e eu a ajudei, mas juro que foi apenas isso. Eu não vi nada.
Ele explicou com todos os detalhes possíveis o que acontecera e, julgando o estado do suéter que vestia, ela acreditou nele, ainda que isso não diminuísse seu constrangimento tampouco mudava o fato de que ele a havia tocado. Sentiu seu rosto ficando mais e mais quente conforme corava do pescoço às orelhava — e desconfiava que até mesmo seus cabelos deveriam estar ruivos naquele momento!
Ying Kong Shi tentou reprimir um sorriso. A visão de Yan Da desgrenhada e corada daquela maneira era a coisa mais adorável que ele já havia visto na vida. Ignorante aos pensamentos dele, ela ergueu o rosto tentando manter toda a sua dignidade e forçou a voz a sair o mais firme possível quando falou em tom imperioso:
— Chūqù*.
Shi não se contrapôs e acatou a ordem sem protestos deixando-a sozinha no quarto. Yan Da queria cavar um buraco e se enterrar. Nunca sentira-se tão constrangida em toda sua vida. Fazendo um esforço hercúleo para não pensar, levantou-se, caminhou até o banheiro e lavou o rosto, domou os cabelos o melhor que pôde e recolocou suas roupas, calçou seus sapatos e deixou o quarto com a postura mais altiva que a situação permitia. Ainda se sentia enjoada e um pouco zonza, mais recebera uma dispensa do trabalho no hospital de modo que não se importava de não precisar encarar o pai e Shuo Gang.
— Então, a senhorita não me odeia, não é mesmo? — Indagou Shi com um visível esforço para se manter sério.
—Ying xiānshēng, não me provoque. — Ameaçou. — Se há uma razão forte o suficiente para que eu não dê uma entrevista a um tabloide agora mesmo é porque eu seria mais prejudicada que o senhor.
— Sinto muito, de verdade.
— Pare de repetir isso. — Cortou ela. — É irritante.
— Se houver algo que eu possa fazer...
— Já fez o bastante. — Interrompeu-o em tom frio. — Tudo que eu quero agora é ficar longe do senhor!
Ela pegou a bolsa e deixou o apartamento antes mesmo que ele pudesse dizer qualquer coisa. No corredor, Yan Da parou por longo tempo incapaz de dar um único passo, seu coração batia tão depressa que ela mal conseguia respirar. No fundo, a confusão consistia na estranheza de desejar aproximar-se e, ao mesmo tempo, temer a aproximação. Quando olhava nos olhos de Ying Kong Shi ela era acometida por um tenebroso sentimento de medo que contrastava com a inexplicável vontade de conhecê-lo melhor.
Por não saber como lidar com aquelas sensações paradoxais, ela apenas afastou os pensamentos daquilo e caminhou com cautela para seu apartamento determinada a manter distância do causador de suas dores de cabeça. Quando entrou em casa, no andar abaixo do dele — e ela não conseguiu reprimir o muxoxo de desaprovação ao descobrir que moravam no mesmo prédio —, a primeira coisa que fez foi ir direto ao banheiro e livrar-se daquele terninho maligno, estava disposta a nunca mais vesti-lo — ainda cogitando se o incineraria ou não.
De banho tomado, ela entrou em contato com a empresa do pai e enviou uma cópia da sua dispensa médica afirmando que não compareceria ao trabalho nas próximas semanas. Parte de Yan Da considerava, inclusive, abandonar seu emprego na Huo Yi Enterprises. Estava cansada, não somente da falta de reconhecimento pelo que produzia, mas pela forma como era tratada pelo pai. Talvez fosse mesmo hora de começar a alicerçar seus próprios sonhos. Porém, não podia tomar decisões precipitadas e, apesar de tudo, ainda era leal e amava sua família. Frustrada, enjoada e com dor de cabeça, ela pressionou o rosto contra uma almofada e gritou.
— Ying Kong Shi, espero que eu nunca mais tenha que te ver outra vez! — Disse para ninguém.
※ ※ ※
Sentado em uma poltrona, Shi se pegava pensando na sua hóspede e no curto tempo que passaram juntos desde que se conheceram de forma nada conveniente. Intrigava-lhe, sobretudo, a maneira como Yan Da sempre se mantinha na defensiva quando estava perto dele, seu olhar afiado e as palavras cortantes como se ela lhe enxergasse como um inimigo — algo que, em sua visão, era exagerado mesmo com a rivalidade entre os negócios das duas famílias. Além do mais, não podia deixar de se preocupar com o estado dela, especialmente pela forma como ela passara a noite febril delirado por aquele Peng Peng — e essa figura se tornara a pulga atrás da sua orelha.
Às oito e meia, Shi tomou café em um restaurante a duas ruas do seu condomínio, tinha intenção de ir até o aeroporto para receber Ka Suo. O irmão devia chegar por volta das oito da noite, o que dava a Shi tempo de ir ver Huang Tuo, fez uma ligação no caminho para avisar que chegaria um pouco mais tarde na empresa e virou no terceiro sinal para pegar a avenida rumo ao hospital. Aquele médico atrevido lhe devia pela noite anterior e, mesmo sentindo-se culpado por toda a situação e a forma como tratara Yan Da, Shi ainda alimentava dentro de si o medo que ela causasse problemas com a imprensa.
Ao entrar no saguão do hospital, pediu que uma enfermeira do balcão chamasse o doutor Huang; este chegou dez minutos depois da convocação e quase deu meia volta quando avistou o rosto impassível de Ying Kong Shi, sendo amigo dos irmãos há anos, Huang Tuo conhecia bem suas personalidades, ainda que fosse mais próximo de Ka Suo nutria um carinho especial pelo herdeiro mais jovem da Zhang Ying, talvez uma simpatia pela situação que Shi enfrentava desde que viera ao mundo.
— Huang Tuo, seu maldito trapaceiro! — Reclamou Shi tão logo viu o sorriso amarelo do médico. — Eu devia matá-lo!
— Não, não devia. — O médico ergueu as mãos em sinal de rendição. — Primeiro porque estamos em um hospital, o que invalidaria suas chances de escapar, e eu seria atendido rapidamente. Além disso, Ka Suo odiaria ver seu irmãozinho condenado por assassinato, dui ba*?
Shi respirou fundo mentalizando paciência para si mesmo.
— Aya*, Ying Kong Shi, você não pode ter se saído tão mal, não é? — Deu um leve tapinha no braço de Shi mantendo o mesmo sorriso carismático. — A senhorita Meng sobreviveu?
— Você sabe o inferno que eu passei e quase fui morto acusado de perversão?! — Shi se encolheu baixando a voz. — Eu pensei que ela ia me afogar numa jaula de porco*!
Huang Tuo deu uma risada.
— E então, ela é bonita? — Alfinetou.
— Vá pro inferno! — Vociferou Shi lutando pela própria contenção, pois desejava muito bater no médico.
— Ora, vai me dizer que você não deu nem uma espiadinha enquanto resfriava ela? — Huang Tuo parecia decepcionado. — Tem certeza que você não é gay? De repente, eu posso te apresentar alguns amigos.
— Huang Tuo! — O tom de voz de Shi elevou-se soando ameaçador.
— Tá bom, tá bom, parei. Que mal humorado. — O médico sorriu rendendo-se. — Realmente não é normal ela ter tido febre. Quando cheguei hoje de manhã dei uma olhada no prontuário dela e não encontrei nada errado. Ela não tinha machucados graves que poderiam infeccionar, os cortes foram superficiais e foram tratados devidamente. Houve alguma coisa que pode tê-la deixado estressada? Havia recomendado que ela passasse a noite no hospital, mas se recusou.
Shi relatou brevemente seu encontro com Yan Da no elevador e todos os acontecimentos até ela começar a delirar durante o sono. Huang Tuo ouviu sem interromper e, vez ou outra, apoiava o queixo nos dedos e parecia pensativo como se pesasse as palavras de Shi. Por fim, balançou a cabeça.
— Pelo que você falou, pode ter sido um forte estresse emocional que acabou desencadeando a febre, medicamente falando, não há qualquer outra explicação para o fenômeno uma vez que não havia nada errado com ela além da concussão. Contudo, seria interessante ela fazer mais alguns exames caso o problema persista. — Explicou. — Está preocupado com ela?
— Claro que sim, foi minha culpa, apesar de ela ter atravessado a rua na hora errada. — Replicou Shi, apertando a ponte do nariz.
— Amor à primeira vista? — Provocou o médico.
— Huang Tuo, é sério, estou a um passo de transformar você numa pilha de ossos! — Ameaçou Shi.
A resposta foi uma risada bem humorada do médico que era conhecido por seu espírito brilhante e praticamente inabalável. Nada parecia capaz de alterar o bom humor e positividade de Huang Tuo por isso ele era sempre adorável e muito bom com as mulheres.
— Huang yīshēng*, favor comparecer à emergência.
A voz feminina soou nas discretas caixinhas de som espalhadas pelo hospital. Huang Tuo se despediu de Shi e correu para o elevador após fazer um sinal com a mão para que a atendente de balcão informasse que estava a caminho. Por alguns minutos, Ying Kong Shi se manteve parado no saguão pensando na condição de Yan Da. Estresse emocional. Meneou a cabeça e deixou o hospital, com sorte dirigir o faria voltar à razão para se preocupar com seus próprios assuntos e não com a vida dos outros.
※ ※ ※
— Wáng*, o jovem príncipe está em movimento.
— Entendi. — Ka Suo olhou pela janela. — Devemos pousar no início da noite, mantenha os olhos nele.
— Não se preocupe, wáng, não vou perdê-lo de vista.
— Obrigado. Falo com você em breve.
Com um aviso, as assistentes de bordo avisaram para desligar os aparelhos de celular e apertarem os cintos para decolagem. Ka Suo, em uma cabine privada, fitou o céu claro que se perdia no horizonte. À sua frente, a tela do laptop mostrava a foto de uma mulher, tiradas pela lente de um fotógrafo particular. Apertando as mãos em punho sobre o colo com pernas cruzadas, o herdeiro da Zhang Ying recostou-se no assento e fechou os olhos determinado a não permitir-se perder.
Não dessa vez. Disse a si mesmo. Libertarei todos nós. Shi será livre, não importa o que precise sacrificar para isso.
Notas:
*kuai [快] — Rápido, depressa,
*Jia You [加油] é uma expressão de encorajamento como "boa sorte", tem o mesmo sentido do Ganbate [頑張って] no japonês, o Fighting do coreano e o Susu [สู้ๆ] do tailandês.
*Nǐ[你] é "você", aqui eu quis deixar em chinês porque eu gosto muito do modo que eles falam esse pronome quando estão assustados ou indignados. Quem vê drama chinês sabe do que estou falando.
*Biàntài [变态] — pervertido
*Chūqù [出去] — Saia.
*Dui ba [对吧] é uma question tag, seria o equivalente a "certo?", "não é mesmo?"
*Aya [啊呀] é uma espécie de interjeição. Em português seria o equivalente ao nosso "oh" é muito usado em diálogos informais. Nessa frase, ela tem mais um sentido de "vamos lá" ou "qual é".
*Afogar numa jaula de porco — na China antiga essa punição era aplicada para crimes de prosmicuidade
*Yīshēng [医生] — médico, doutor.
*Wáng [王] — rei.
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