King's Landing 2004

Ela tentava se concentrar na aula de psicologia do professor Baelish mas era muito difícil. Não era uma matéria que fazia parte do seu curso, mas Sansa gostava tanto de psicologia que resolveu pegar um semestre para experimentar e desafiar a cabeça e sua mãe disse que ele é um ótimo professor e o conhecia, então aqui ela estava.

Sansa olhava para o professor e tentava focar, mas sua não conseguia parar de pensar em Jon. Ele tivera que se ausentar por alguns dias para resolver algum problema e voltaria hoje e ela o veria depois que a aula terminar.

Quando essa aula vai terminar? Sansa estava tão empolgada que até comprara um sutiã vermelho novo para usar quando ele voltasse.

Espero que ele goste pensou em quanto começava a rabiscar na folha do caderno com total desinteresse do que estava sendo falado na sala de aula. De alguma forma, Sansa sentia-se diferente, não só como pessoa mas como uma mulher. E percebeu isso quando teve a sua primeira vez com Jon. Pela primeira vez na sua vida, ela não teve dúvidas ou medo do que queria. Quando namorou com Domeric, ela achou que ele era tudo o que ela sonhou, mas chegou um momento em que ele queria avançar o relacionamento e ela simplesmente não estava pronta e era nova demais. Então ele terminou com ela.

Mas com Jon as coisas foram diferentes. Quando eles estavam juntos era como se o mundo parasse e existisse somente os dois. Ela fazia coisas que nunca pensou que faria. A Sansa criança ficaria escandalizada pensou tentando controlar o riso.

– Senhorita Sansa — Professor Petyr interrompeu a aula para lhe chamar a atenção — Algum motivo para rir?

– Não, nenhum — Respondeu sentindo o rosto corar. Nunca tinha sido chamada a atenção na frente de todos na sala de aula, mas de alguma forma ela não se importava — Desculpe

– Quero falar com você depois da aula — Ela concordou e Baelish virou as costas e ela voltou a rabiscar o caderno.

Definitivamente a Sansa de 14 anos se sentiria escandalizada. De repente seu celular vibra no bolso do casado e ela precisou de um esforço sobre-humano para pegá-lo sem ser notada. Era uma mensagem dele e dizia que havia chegado e a esperava.

Ótimo, e eu me consegui mais alguns minutos aqui dentro

Sansa queria correr o mais rápido dali e abraçá-lo, senti-lo e beijá-lo. Ela aprendeu coisas sobre Jon que a deixaria qualquer um com boca aberta. Quando Jeyne apareceu na cidade, Sansa contou-lhe tudo como se fossem crianças de novo.

– Jon? Jon Targaryen? — Perguntou incrédula.

Sansa nunca esteve com mais ninguém mas assumiu que era bom porque conversava com Jeyne e Margaery e sempre usava a experiência das duas para comparar. Elas sempre falavam como os garotos que conheceram só se preocupavam com o prazer próprio e nunca com elas. E com Jon as coisas não eram assim e ele sempre fazia questão que ela sentisse confiança e prazer também. E ela sempre achou engraçado que quando ele estava prestes a gozar, ele se aproximava dela e a penetrava com mais força e sussurrava em seu ouvido coisas que ela duvidava que ele diria em uma situação normal.

Quando eles estavam juntos, somente os dois, Jon se tornava uma pessoa diferente daquela que a chamou para comer bolo de limão depois do primeiro jantar desastroso com a familia que ela o acompanhou. Assim como ela...

– Prova na próxima aula. Estejam prontos! — Ao som da palavra " prova" Sansa despertou dos seus devaneios. Estou ferrada pensou com certo desgosto pois teria que virar noites para conseguir nota.

Ela começou a guardar as coisas dentro da bolsa para dar tempo das pessoas saírem da sala e assim ela conseguir conversar com o professor. Pelos deuses..

– Sansa — Quando ela olhou em volta, a sala estava vazia e Petyr a chamava. Não tinha mais o " Senhora " que usava para demonstrar que tinha uma relação distante com os alunas — Aproxime-se por favor

Rapidamente fechou a mochila e se aproximou. Ele não para de olhar para mim percebeu enquanto caminhava em direção a mesa. Não tinha uma aula dele em que ela sentia-se extremamente desconfortável e ainda teve um encontro assustador na frente da biblioteca

– Desculpa pela aula de hoje — Começou dizendo tentando se mostrar confiante — Não vai acontecer de novo

– Sobre a aula? Não foi nada querida Sansa — Seus olhos verdes a observavam profundamente. — Tem medo de mim?

– Não. — Sim – Porque a pergunta?

– Quando lhe ofereci uma carona na biblioteca você parecia muito assustada.

– Ah sim! — Tentou soar calma — Não estava assustada não... Era só porque estava tarde mesmo — Naquela noite especifica ela saíra tarde da biblioteca e resolveu caminhar sozinha para o seu quarto quando Petyr a encontrou na frente da biblioteca lhe oferecendo uma carona. Pela graça dos deuses um dos seus amigos surgiu e ela seguiu com ele. Sansa não perdeu o semblante irritado do Baelish quando ela deu agradeceu e negou a carona.

Petyr parou e a observou sem falar nenhuma palavra. Sansa pensou se isso era uma espécie de punição divina. Jon estava a esperando enquanto ela estava presa com o professor Baelish

– Entendo... Era só isso mesmo. — Sansa levantou da cadeira com uma rapidez que provavelmente a colocaria no livro dos recordes e seguiu diretamente para a porta sem nem olhar para trás — Sansa, não ande por ai sozinha — Ela virou e o escutou dizer com um sorriso estranho no rosto. Apenas agradeceu e correu dali, o mais rápido possível.

Sansa desceu correndo as escadas e esbarrou em algumas pessoas enquanto descia. Jon a estava esperando e ela queria vê-lo demais. Por isso que quando o viu na porta do carro encostado, ela lhe abriu um sorriso de orelha a orelha. Eu sinto tanta falta dele o coração dela pulsava rápido demais. Mas quando chegou lá, Jon não sorriu de volta e estava sério. Alguma coisa dentro dela começava a quebrar

Jon estava encostado no carro e com o semblante fechado. Ele parecia irritado com alguma coisa e Sansa não tinha ideia do que poderia ser. Quando eles conversavam no telefone, ele parecia tranquilo e sempre dizia que estava com saudade dela.

Quando ela se aproximou, Jon jogou o chiclete que estava mastigando fora. Ele estava fumando percebeu. Sansa não gostava do cigarro, mas não o repreendia por fumar e Jon sempre evitava fumar perto dela e quando o fazia, sempre mastigava um chiclete em seguida.

–Oi — Sansa sonhara com esse momento por duas semanas. E nos seus sonhos, ela o abraçaria tão forte que ele ficaria sem ar. Mas devido as circunstâncias resolveu mudar — Tudo bem?

–Sim — Respondeu. Sansa aproveitou para encostar no carro e ficou em silêncio apenas esperando. O sol ia desaparecendo no horizonte. Eu deveria dizer alguma coisa? O que eu devo dizer? – Eu senti sua falta — Ela o ouviu dizer baixo e não a encarando.

– Eu também — Sansa tentou pegar nas mãos dele mas Jon as afastou. Por um momento ela chegou a pensar o pior quando sentiu as mãos do Jon entrelaçando nas suas e o polegar dele acariciando dedos dela. — Se você quiser, a gente pode deixar isso para outro dia e...

– Foda-se — Ela não sabia dizer se ele dizia para si mesmo ou para alguém escutar. Jon apenas a puxou para perto e lhe deu um beijo nos lábios. Não fora um daqueles de tirar o fôlego mas sim um simples toque dos lábios. — Eu achei um lugar meio distante e acho que você vai gostar. Vamos?

Assim que entrou no carro, Sansa não sabia se deveria ter se arrependido ou não. Durante o caminho, ela o observava apertar o volante do carro e respirar fundo algumas vezes. Em situações normais, ela ligaria o rádio e colocaria numa estação de sua preferência e Jon reclamaria um pouco mas sempre cedia mas agora ela nem se atrevia a tocar no rádio.

– Porque demorou para descer? — Ele perguntou

– Professor Petyr me prendeu na sala para conversar

– Sobre o que? — Jon não tirava os olhos da pista — O que aconteceu na biblioteca?

– Quando você estava fora, eu estava estudando na biblioteca e num desses dias eu fiquei até tarde e o professor Petyr me encontrou saindo de lá e ofereceu uma carona. Como você sabe da biblioteca?

– Grenn me avisou. Ele te tocou?

Grenn não é o tipo de ir para bibliotecas à noite constatou mas guardou o que achava para si mesma.

– Claro que não. Um dos meus amigos apareceu na hora e me deu uma carona. — Jon aproveitou o sinal vermelho para encará-la por alguns segundos — Ele me assusta

– Deixa que eu resolvo

– Como assim? Resolver como?

– Só preciso que confie em mim. Falarei com ele amanhã. — Ela queria perguntar o que ele iria dizer para Petyr, mas deixou melhor esquecer.

Quando Jon parou o carro, ela viu que ela tinha levado para o Bosque Sagrado de King's Landing. Sansa sempre ouvira falar desse local, mas entre ouvir e ver existia uma grande distância. Tinha um acre de olmos, amieiros e choupos que pairam sobre o rio. A árvore-coração é um grande carvalho, cujos antigos ramos se tornaram cobertos de trepadeiras de bagas-fungos.

É lindo pensou. Sansa sempre se sentira mais atraída a fé dos 7, gostava tanto das canções e velas e a cerimônia mas tinha que admitir que o Bosque Sagrado tinha a sua beleza.

Seu encanto foi quebrado quando sentiu Jon pegar na sua mão e puxá -la gentilmente para um banco que tinha em frente ao pequeno lago. Ela apenas o seguiu e sentou ao seu lado.

Eles não trocaram nenhuma palavra por longos minutos, Sansa o olhara pelo canto do olho algumas vezes e sempre que o fazia, Jon mantinha seu olhar fixo na árvore-coração em frente ao lago. Ele vai terminar comigo? Ela simplesmente não conseguia parar de pensar nisso. Tudo estava tão bem... Sansa tentou lutar e respirar fundo mas não conseguiu controlar a lágrima que caiu do seu olho.

Isso deve ter chamado a atenção, porque de repente Jon virou para a sua direção e limpou a lágrima que estava caindo.

– Porque está chorando?

– Porque... Porque... É... — Estou gaguejando que nem uma estúpida. Ela respirou fundo e finalmente disse — Você me trouxe aqui para terminar comigo? — Quando disse em voz alta, ela sentiu-se mais estúpida ainda e para piorar Jon não disse nada, apenas ficou a encarando. É isso, ele vai terminar comigo. Eu me arrumei e marquei os dias no calendário apenas para levar um fora. Sansa não sabia o que matava mais: Os seus pensamentos ou o silêncio do Jon — Você pode dizer alguma coisa?

Ele respirou fundo e a encarou nos olhos — Meu pai nunca conseguiu aceitar a morte da minha mãe. Rhaenys me disse uma vez que ele mandou matar todos os médicos que cuidavam dela e não conseguiram salvá-la. — Jon abaixou a cabeça e respirou fundo novamente. Sansa não sabia se deveria dizer alguma coisa. Talvez ele precise de um espaço pensou — Eu estou com medo — A voz dele era baixa, apenas para ela escutar — Medo de tornar o que ele se tornou. — Ele está chorando percebeu. — Eu o vi matar pessoas por besteiras, homens, mulheres, crianças... E... e eu... eu não podia deixar eles matarem meu pai. — Ele não precisou terminar a frase pois Sansa entendeu o que tinha acontecido. Ela queria ficar com raiva e odiá-lo, mas ao vê-lo assim, qualquer sentimento negativo era bloqueado. Ele não gosta de fazer isso, mas é obrigado. Jon levantou a cabeça e a encarou com os olhos vermelhos — Você brilha Sansa Stark e não faz nem ideia da intensidade disso e eu me recuso a apagar isso.

Desde pequena, Sansa sempre fora chamada de bonita, educada e os mais diversos elogios, mas nunca ninguém a disse que ela brilhava.

– Jon — Sua voz saiu mais firme que o esperado. — Eu não sou uma criança. Eu sei o que acontece e o que vocês fazem.

– Sans...

– Não, me escute — interrompeu — Meu pai escolheu um caminho diferente para ele e não houve mais derramamento de sangue. — Jon abriu a boca, mas ela não deixou um momento para ele falar — O que eu quero dizer é que você pode fazer diferente e vai fazer diferente. Eu sei que você não gosta disso e o quer que você tenha feito, não foi por prazer mas sim pelo seu pai. Uma vez que você assumir, tudo vai ser novo porque você é uma pessoa boa. — Ela pegou o rosto dele entre as suas mãos e se aproximou — Eu seu disso porque eu te conheço. — Era uma sensação estranha bater o pé para alguma coisa. Ela nunca tinha feito isso. Jon abriu os olhos e a encarava um tanto surpreso — Você disse que eu brilho, certo? — Ela colocou as duas mãos no seu rosto e o trouxe para perto — Deixe — me trazer um pouco de cor para o seu mundo preto e branco? — E o beijou. Era um beijo doce e cheio de amor.

–Sans... — Ele murmurou seu nome como se tivesse tentando se afastar dela e o ela o beijou de novo — Sans... — Sansa se afastou e o olhou nos olhos. Ele não pode fazer isso comigo, não pode. E ele não fez. Dessa vez, ele quem lhe dera um beijo daqueles que significava um milhão de coisa e o principal, que ele a amava. Seu coração pulava de felicidade.

– Arrumem um quarto — Eles ouviram alguém gritar de longe e se separaram

– Estou tentando, mas é ele é difícil demais — Ela respondeu ainda segurando o rosto de Jon em suas mãos e ele riu, um daqueles sorrisos que raros que ele dava para as poucas pessoas.

– Sans... — Jon fechou os olhos por alguns momentos. Uma das mãos dele posou em cima da sua e ele retirou do rosto e a beijou. — Prometa-me — Ele abriu os olhos e a encarou sério. Ela precisava dele e ele precisava dela. Qualquer um poderia ver — Prometa -me que vai estar comigo e não vai me deixar? — Ela sorriu para ele

–Nunca

Exatos uma semana depois ela se preparava para ir a outra aula do Petyr. Jon tinha dito a ela que eles conversaram e não tinha mais motivo para prestar a denúncia e ela confiou. Quando pisou na sala de aula, todos pareciam chocados e tristes.

– O que aconteceu Bethany? — Perguntou a uma das meninas da sala

– Você não sabe né? — Disse — Professor Petyr foi encontrado morto hoje de manhã no carro. A polícia disse que ele se matou.

Alayne

Alayne acordou sentindo-se triste. O sonho que teve era algo doce e ela não queria acordar e enfrentar a realidade de jeito nenhum.

No seu sonho, ela estava correndo num campo verde e florido e quando olhou para trás Arya estava logo atrás tentando pegá-la. Não demorou muito para pular nele e ambas caírem no chão rindo demais e então ela acordou e estava no quarto com Harry dormindo do seu lado.

Eu sinto tanta falta dela. Quando novas, as duas nunca se deram muito bem mas nunca fora falta de amor e sim de entendimento. Ela lembrou-se de uma vez que a irmã veio sem-graça pedir para que lhe deixasse bonita para um encontro. Sansa emprestou um vestido e penteou o cabelo dela. No final, Arya lhe abraçou e disse que a amava bem baixinho.

Eu amo você também pensou quando uma lágrima desceu.

– O que aconteceu? — Harry levantou-se do seu lado e a encarou. Seu cabelo loiro estava todo bagunçado e os olhos azuis lhe encaravam preocupado

– Nada — Garantiu — Só tive um sonho ruim

– Você tem estado estranha esses dias. Inclusive no jantar semana passada. O que aconteceu?

– Só estou tendo uma semana complicada — Ela se aproximou dele e deu um beijo na bochecha e um sorriso. Harry a olhou como se estivesse tentando acreditar — Eu prometo.

Não faça mais perguntas, por favor. Por favor. Por favor. Ele ia dizer alguma coisa quando ouviu batidas pequenas na porta.

– Essa hora? — Brynden raramente acordava cedo por conta própria

– Ele está animado com o jogo. Falou disso a semana inteira — Alayne respondeu rindo e agradecendo aos deuses pela intervenção do seu filho

– Mããããããããe! — A voz do Bryden ecoava pelo quarto — Tá acordada? Posso entrar?

– Pode — Gritou quando o viu correr em direção a cama.

– Tio Harry... É hoje! — O sorriso dele ia de orelha a orelha no. Brynden pulou na cama e sorria como se fosse natal

– Eu sei amigão — Harry respondeu rindo.

– Bryn... Você guardou seus brinquedos? — Alayne perguntou levantando da cama e fingindo uma cara séria. O sorriso do seu filho morreu na hora e foi a resposta que ela precisava — Se você não arrumar os brinquedos, não vai para o jogo.

– Mamãe!

– Alayne!

Os dois a encaravam desacreditados. Se ela tivesse com o celular perto, tiraria uma foto e colocaria num quadro.

– Eu pedi para você fazer isso faz um tempão. Sem limpeza sem jogo — E cruzou os braços. Brynden lançou um olhar desesperador para Harrold e ela olhou também.

– Eu não posso fazer nada amigão — Foi a única coisa que ele pode dizer e a encarava com um olhar um tanto desacreditado. Ela podia ler os pensamentos dos dois, e ria internamente por isso.

– Se ele arrumar o quarto agora, eu vai poder ir? — Harrold perguntou esperançoso

– Por favorzinho — Brynden implorou

– Sim — Respondeu — Tá vendo o relógio aqui? Então, quando estiver o 9 e o 00 eu quero todos os brinquedos guardados

– To indo — Brynden pulou da cama e foi correndo em direção ao quarto — Foi tão fácil, sempre tem jogo? — Perguntou rindo

– Eu posso ajudar ele? — Harry perguntou com cara de cachorro sem dono

– Ele tem 2 horas para guardar 10 brinquedos dentro de uma caixa

– Por favor...

Ela respirou fundo e concordou com a cabeça. Harry a beijou e pulou da cama também.

– Deuses — Murmurou e levantou da cama. Ela decidiu que não poderia ficar o tempo todo remoendo por algo que ela não poderia mudar. As pessoas fariam perguntas e ela teria que mentir mais do que já mente e estava cansada disso

Ao descer as escadas ela deu uma passada pelo quarto do Brynden e o viu colocando os brinquedos na caixa enquanto Harry arrumava a cama. Ela quase disse que não precisava fazer tudo isso e que Brynden iria de uma forma ou outra, mas a cena estava tão bonita que resolveu deixar para lá.

Quando começou a fazer o café da manhã, a campainha tocou. Quem ?

– Senhora Alayne? — Um cara do correio perguntou e ela concordou — Temos uma entrega para este endereço, pode assinar?

– Desculpe mas eu não pedi nada. — O cara a olhou por alguns segundos quando Harrold surgiu na porta deu bom dia e pegou os papéis para assinar — O que é isso?

– Eu comprei uma coisa e pedi para entregar aqui. Só isso — O homem entregou uma caixa grande na mão dele e ele pegou. — Bry! — Gritou — Desça aqui!

– O que está acontecendo?

– Eu comprei um presente para ele — Ele falou como se Alayne não tivesse entendido isso. — Veja só — Brynden descia as escadas desconfiado e abriu um sorriso gigante quando viu a caixa.

– É meu? — Perguntou e Harry concordou. Não demorou muito para ter papelão voando por todo os cantos enquanto seu filho de 5 anos fazia um esforço para abrir a caixa. Quando ele viu o que era, abriu um sorriso de orelha a orelha e ela não poderia ficar mais decepcionada. — Um videogame — Sua voz ficou particularmente para uma criança — Obrigado

– Você gostou? — Harrold perguntou como um idiota e Brynden concordou com a cabeça e levantou para abraçá-lo bem forte. Não acredito pensou irritada — Alay! Espera uma momento amigão. Alay! — Ela o ouviu chamar seu nome e não queria escutá-lo. Ela quase conseguiu chegar até a porta do quarto quando o sentiu segurar seu braço. Não não não pensou rápido demais e o medo subiu para o seu corpo antes que pudesse controlá-lo o que deve ter transparecido pois na mesma hora Harrold soltou seu braço. — Desculpa — Ela respirou fundo e contou até 3 mentalmente — O que foi?

– Porque você comprou aquilo para ele?

– Foi um presente

– Harry, eu não sou idiota. Como você sabia que ele queria aquilo? — Harrold ficou em silencio por alguns instantes e foi tudo isso que ela precisava — Você mexeu nas minhas coisas?

– O que? Não! — Ele arregalou os olhos como se estivesse sendo acusado de algum crime grave — Eu escutei o Brynden te pedindo e vi que você negou e disse que não tinha dinheiro. E eu... é... bem... olhei na internet e resolvi comprar para ele

Não posso acreditar que estou passando por isso

– Ele tem 5 anos... Como você dá um videogame para uma criança de 5 anos? Eu vou te pagar de volta. Quanto custou?

– Você está me ofendendo. — Ela não poderia acreditar no que estava ouvindo. Ela não deu o videogame para o Brynden por ele ser uma criança e não por falta de dinheiro. Claro que ela não pagaria com o salário que ganhava sendo recepcionista da clinica da conhecia da Myranda, mas sim com o dinheiro que ela juntou ao longo do ano que estava planejando sua fuga. Dinheiro que veio das vendas de algumas jóias, a aliança de casamento e do Jon, claro que sem ele saber. Alayne só o usava em casos de emergência ou quando queria se permitir alguma espécie de luxo- Eu não quero seu dinheiro

De alguma forma, tudo o que ela entendia era " Você não tem dinheiro para isso "

– Harrold... O que me irrita é você estar sempre colocando seu dedo a favor do Brynden, e eu já disse um milhão de vezes que não gosto disso.

– Alayne — Ele falou com a voz firme — Desculpa, eu deveria ter te consultado, agora podemos voltar lá para baixo por favor?

O estádio estava cheio de pessoas, uma multidão surpreendente para um cidade como Tree Hill. Brynden e Harry eram só sorrisos. Os dois usavam a mesma camisa e praticamente a mesma calça. Ele quer atrair a atenção do Harry de qualquer forma percebeu e Alayne não sabia o porque, mas isso a fazia triste.

–Estamos nos melhores lugares — Harry falou dando um gole no copo

–Eu sei — Brynden respondeu encantando. Ele observava o jogo com uma emoção nos olhos e gritava a cada cesta perdida. Alayne torcia para a Patrulha, que era um time tradicional nortenho, e parte dela queria que Brynden torcesse também, mas ele preferiu torcer para o time da cidade porque Harrold torcia também — Olha eu ali! — Brynden apontou para o telão que mostrava os 3 e de repente todos os olhos estavam neles. Ela queria se esconder...

–Câmera do Beijo — Ela ouviu a voz do loiro — Venha aqui Alayne — Ela olhou para o Harry e antes que percebesse ele lhe plantou um beijo nos lábios e depois o telão mudou para o outro lado procurando outros casais — Vamos comer alguma coisa enquanto está no intervalo

Ela concordou e eles levantaram. Tudo estava tão cheio que tinham lugares que a fila chegava até as escadas. Eles estavam esperando chegar a vez dele quando Brynden murmurou alguma coisa que ela não escutou pois Harrold tinha dito algo na mesma hora.

–Eu disse que tínhamos que sair um pouco antes do jogo — respondeu — Mas você não me escutou. Brynden, o que você... — De repente ele não estava ali e ela apertou a mão do Harry que virou na mesma hora — Onde ele foi?

Ela não precisou nem falar duas vezes. Antes que pudesse girar, Harrold soltou da sua mão e começou a gritar por Brynden ao longo da multidão

–Fica aqui que eu vou olhar por aqui — Quando Alayne pensou em abrir a boca, Harrold interferiu — Se Brynden voltar, você tem que estar aqui. Eu vou olhar aqui e você espera

Meu filho sumiu e você quer que eu sente e espere? Pensou em dizer, mas Harrold já tinha partido no meio da multidão.

Ela sentia o seu coração pulsar como se estivesse desesperado para sair de dentro dela.

Brynden não pode ter ido longe pensou esperançosa Ele não pode. Ela olhou para o relógio no seu pulso e parecia que se arrastava, dando espaço para pensamentos piores.

O estádio está cheio e Jon torce para a Patrulha. Será que ele está me observando e rindo enquanto Brynden está nos seus braços? Ela olhou ao redor procurando alguém que se pareça com o Jon. Não, não pode estar. Se Jon estivesse aqui eu estaria morta antes que pudesse piscar meus olhos. Ou será que ele levaria meu filho junto dele e me deixaria morrer de culpa e sozinha por ser irresponsável?

Ela queria chorar e depois vomitar e depois chorar de novo. Jon tem que estar aqui... Brynden não sumiria assim. Ele levou meu filho e vai me matar. As lágrimas começavam a rolar no seu rosto quando ela viu um par de perninhas pequenas caminhando em sua direção. Quando ela olhou mais firme viu Brynden e Harrold caminhando em direção dela.

– Onde você estava? — Gritou enquanto abraçava seu filho. Ela o abraçou forte demais e depois o soltou

– Eu fui ver o sorvete e te avisei. — O seu tom de voz era a coisa mais natural do mundo. Ela podia sentir o ódio subindo

– Você o que? — Ela nunca encostou um dedo para bater no Brynden, mas dessa vez ela queria fazer isso. Harrold colocou as mãos no ombro dela para acalmá-la — É isso! Vamos para casa!

– Alayne, você é exagerando. — Harry interviu — Já resolvemos tudo e ele está bem, viu?

– Exagerando? — Perguntou incrédula — Brynden não é o seu filho, por isso que para você está tudo bem — Harrold iria falar alguma coisa mas desistiu. Ele a estudou com os olhos e ela se arrependeu do que disse, mas estava cansada de ter que ficar explicando as suas atitudes em relação ao seu filho. Então ela pegou a mão do Brynden — Se você não for, nós vamos. Eu vou te pagar o custo dos nossos ingressos

– Alayne, apenas fique quieta — Harrold falou baixo mais firme. — Vamos

O caminho de volta para casa foi feito em silêncio. Parte dela queria pedir desculpas enquanto a outra parte não sentia-se nem um pouco culpada. Brynden dormiu na parte de trás do carro e ela achou melhor mesmo, a raiva ainda estava ali.

– Abra a porta para eu pegar meu filho — Falou uma vez que chegaram em casa e Harry não a abriu

– Eu o pego — Ele falou enquanto olhava para frente — O que aconteceu hoje?

– Me diz você — Alayne sabia muito bem que era o seu orgulho e raiva falando — Quantas vezes eu pedi para você não se intrometer?

– Eu sei, mas estávamos em público e Brynden iria começar a chorar com você gritando com ele dessa forma. Ele é uma criança Alayne, não sabia o que estava acontecendo e na cabeça dele tudo foi normal

– É normal um criança chorar, sabia? Harrold... — Respirou fundo e continuou — ...Brynden é tudo o que eu tenho. Estou pouco me lixando se estávamos em público ou não. Meu filho sumiu bem debaixo dos meus olhos. Talvez eu tenha exagerado? Sim, mas depois eu vou falar com ele e não preciso que você fique me corrigindo na frente dele, especialmente na frente dele. — Harry a olhou e depois abaixou o olhar — E mais uma coisa: Pare de comprar essas coisas caras porque me faz sentir mal. Eu quero você mas não preciso de você. E o mesmo vale para o Brynden. Então por favor, não faça mais isso e não me peça para sentar e olhar enquanto alguma coisa acontece com ele

– Desculpa, eu vou parar — O ouviu dizer e sentiu um alivio — Mas você não precisa fazer tudo sozinha. E falo isso não só em relação à ele e sim sobre nós também. Eu te dou essas coisas e faço essas coisas com ele porque eu quero e gosto de fazer isso. Brynden é o filho que nunca tive. — Alayne sabia essa história. Quando jovens, a namorada dele ficou grávida e ela resolveu abortar enquanto ele queria que ela ficasse com o bebê. — E você tem que me deixar entrar...

Você tem que me deixar entrar... A frase ecoou na sua cabeça. Há 1 milhão de anos atrás ela disse a mesma frase ao Jon...

Notas finais
Esse capitulo era para ser maior, mas resolvi cortar porque estava grande demais e o próximo POV, que é do Jon eu quero fazer bem feito porque os dois vão estar ligados. Gosto muito de ouvir opiniões então podem dizer o que estão achando. * Resolvi aumentar a faixa etária da fic porque eu vou tratar de alguns assuntos meio obscuros futuramente e já quero deixar vocês avisados * Eu vou demorar um pouco mais para atualizar pq estou fazendo um curso de férias na faculdade e depois o semestre começa e já viu né? Além disso estou pensando em outra fic - Sim, nem fiz o próximo capítulo ainda - Vai ser Sansa x Jon pq eu shippo demais. Mas vai ser algo parecido com os acontecimentos que levaram a rebelião de Robert e ao fim da mesma só que num universo alternativo. Quando começar o primeiro capitulo vocês irão ver. E vai ser dark tbm... Por que eu estou numa fase dark gótica hahahaha Então, espero que tenham gostado e deixem suas opiniões.