Winterfell 1994

Sansa não entendia muito bem o que estava acontecendo, mas sabia que não era muito bom já que Robb e Jon gritavam um contra o outro sem parar por algum tempo. Isso não é legal pensou enquanto estava sentada no canto esperando que os dois acabassem logo a briga para alguém vir resgatá-la. Estavam brincando de Senhoras e Cavalheiros e Sansa acabara de ser sequestrada pelo monstro, que era o Robb e o seu cavalheiro Jon iria recuperá-la do alto da torre, até que de uma hora para outra os dois começaram a brigar de verdade e Sansa não sabia o motivo e nem o que fazer.

–Idiota! — Ouviu Robb gritar do outro lado irritado. A cor do seu rosto era idêntica ao do seu cabelo

–Babaca — Jon gritou do outro lado e jogou a espada de brinquedo no chão. No final cada um seguiu para o seu lado e ela ficou sozinha esperando até perceber que ninguém viria por ela, nem o monstro

Acabou a brincadeira Sansa pensou enquanto descia da pedra Parece que eu vou ter que me salvar

Mais tarde enquanto todos estavam dormindo, Sansa resolveu pegar um pedaço de bolo de limão escondido e comer no seu quarto e enquanto voltava, escutou um barulho de choro vindo do quarto do Jon

–Jon? — Perguntou batendo suavemente na porta — Tudo bem? Porque está chorando?

–Tudo sim — Escutou do outro lado — E não estou chorando

–Está sim. Eu posso escutar — Bateu novamente na porta — Posso entrar?

–Não pode e não estou chorando — Jon respondeu num tom mais grosso

–Eu vou contar para a mamãe o que aconteceu se você não me deixar entrar. Ela não vai ficar feliz em saber que você e o Robb falaram palavras feias — Escutou passos vindo em direção a porta. Está funcionando pensou. Jon abrira a porta com um cara fechada e seus olhos estavam vermelho e seu olhar era infeliz e Sansa não gostava de ver as pessoas tristes e chorando, não era bonito.

–O que foi? — Perguntou com a cara fechada — Eu quero ficar sozinho

–Er... Eu não sei o motivo da briga entre você e o Robb, mas vocês dois estão tristes e quando eu estou triste o bolo de limão me deixa muito feliz — Disse estendendo o braço e dando o bolo para ele — Aqui, pode comer o meu pedaço!- A cara dele aos poucos foi mudando de algo bravo para um rosto mais suave, conseguia ver até um leve sorriso no canto da sua boca

–Sans... Obrigado — Respondeu pegando desajeitado

–Espero que funcione, impossível ficar triste comendo bolo de limão — Deu boa noite e seguiu para o seu quarto.

No dia seguinte, Sansa viu Robb e Jon fazendo as pazes e brincando de algum jogo bobo de meninos e os dois pareciam felizes e Jon lhe deu um sorriso de longe. Eu fiz alguém sorrir pensou... Bem, foi o bolo de limão, mas eu quem dei. Ela se sentiu como uma super heroína, pois tinha conseguido feito Jon sorrir, coisa que ele não fazia com facilidade.

Tree Hill 2015

Alayne

Alayne não conseguia lembrar um momento em sua vida em que se sentia cansada mas feliz ao mesmo tempo. Depois de meses, tudo na sua vida parecia realmente se encaixar e o pensamento de que tudo ia dar errado, foi embora como se nunca tivesse existido.

Eu consegui pensou enquanto subia as escadas para dar boa noite ao seu filho. Muitas vezes ela se questionou sobre o que estava fazendo. Perdeu as contas de quantas vezes chorara no meio da noite querendo ligar para sua mãe e pedir para ela vir busca -la e que tudo não passara de estupidez, desespero e medo, mas todas as vezes que esse pensamento circundava a sua cabeça, ela olhava para seu filho e sabia a vida que não iria dar para ele. Brynden era um menino doce e altivo, não merecia presenciar o que Sansa presenciara por um longo tempo.

Sansa está morta. Lembre-se disso Alayne, todo o tempo.

Em momentos como esse, Alayne apreciava o que ela chamava de lar. Não era nada espetacular, mas era especial por seu tudo seu e do seu filho. O quarto do Brynden foi o único cômodo em que ela se permitiu ter alguma espécie de luxo, a cama era em formato de um carro, tinha uma caixa gigante de brinquedos no outro lado do quarto, e nas paredes, fotos de carros e alguns desenhos que ele faz quando está com vontade. As prateleiras eram todas decoradas com aviões, carros, bonecos e outras coisas. Fora os aviões maiores pendurados no teto.

Alayne passou os olhos pelo quarto e se sentiu orgulhosa, como se ela fosse uma super heroína de alguns quadrinhos que Bry gostava. Ela foi até próximo a cama dele e depositou um beijo e sussurrou que o amava antes de apagar a luz do quarto e deixar a do corredor acessa.

Quando estava se preparando para deitar, escutou a campainha tocando. Por um momento achou que fosse Mya ou Myranda querendo passar a noite. Mya odiava ficar em casa, alguma coisa haver com os pais brigando incansavelmente e enquanto Myranda só gostava de ficar mesmo. Alayne não se importava nem um pouco, ambas foram as únicas pessoas que se aproximaram dela sem nem criticar o fato dela ser uma mãe solteira e ela as amou por isso. Quando precisou começar a procurar um emprego, Mya rapidamente se ofereceu para cuidar do Brynden e Myranda a ajudou procurar algum emprego. Elas eram como os 3 mosqueteiros, inseparáveis, da mesma forma que ela fora com Jeyne Poole, sua melhor... Jeyne era a melhor amiga da Sansa. Alayne não tinha nenhuma amiga com esse nome.

Colocou o robe e foi abrir a porta, pela hora, estava preocupada com alguma coisa mas quando viu quem estava parado, sua primeira reação foi ficar com raiva, mas depois de ver um pedaço de bolo de limão na sua mão e um sorriso no seu rosto, esqueceu o motivo da raiva

– Eu sei que falei que não iria passar aqui, mas quando falei com você, parecia tão cansada que resolvi trazer isso para você — Harry estava em pé na frente da sua porta enquanto tentava se explicar — Não está com raiva?

– É o bolo de limão daquela loja no centro? — Ele confirmou — Com um recheio..

– Com recheio de creme e um pouco mais de calda, especialmente para você. — Completou sorrindo. Sentia-se uma criança recebendo bala- Posso entrar?

– Pode sim. — Respondeu pegando o bolo. Harry era um homem muito bonito, alto, com o cabelo loiro cor de arei e profundo olhos azuis, um tanto arrogante, mas desde que começaram a namorar, ela tem tentado consertar esse lado dele — Pensei que não viria hoje...

– Tentei sair de lá o mais rápido possível, estava insuportável. — Ele sentiu no sofá enquanto Alayne pegava o bolo e um garfo — Seria mais divertido se você e o Brynden tivessem ido

– Para ver a sua mãe fingindo que me suporta? — Era verdade. Alayne fazia o impossível para não ter que encontrar com a senhora Hardying.

– Ela gosta de você...

– Quer começar a falar sobre isso? Podemos ficar a noite toda nisso — Quando conheceu a mãe do Harry, a mulher fez todo o tipo de pergunta e ainda disse de forma sutil que o Harry precisava de alguém melhor e sem um filho, em outras palavras, Alayne tinha certeza de que foi chamada de aproveitadora

– Não, realmente não.

– Viu? — Respondeu lambendo a colher — Ela me chama de aproveitadora, mas se ela soubesse quem foi que se aproveitou de alguém nessa relação...

– Eu sou aproveitador? — Franziu o cenho

– Sim, você aproveitou que eu estava desesperada para chegar a tempo de ver o Brynden na escola e disse que só me levaria se eu fosse encontrar você. Isso não é se aproveitar? — Ela podia ver um sorriso se formando no canto da sua boca.

– Eu estava tentando um encontro com você há meses, tempos desesperados pedem medidas desesperadas, não acha? — Quando ela apenas sorriu ele se levantou e ofereceu a mão — Você fica linda comendo bolo de limão

– Eu sei — Respondeu pegando a sua mão, por um momento o bolo de limão ficou esquecido enquanto ele sussurrava o quanto estava com saudade e o quanto a queria. De repente ele a pegou no colo e a estava levando para o quarto

– Espera! — Gritou desesperada

– O que foi? Aconteceu alguma coisa?

– O bolo de limão. Eu não terminei de comer. Dá meia volta...- Tudo o que ela escutou foi o som sorriso e de felicidade, muita felicidade.

Aegon

Ele não nasceu para isso.

Lidar com pessoas, ternos caros e gravatas não era definitivamente a sua praia. Aegon tentou evitar seguir o mesmo caminho que seu pai desde de sempre, por isso que quando Jon resolveu assumir os negócios da família, empacotou as coisas e foi viajar ao redor do mundo. Ser o chefe da família Targaryen era uma posição de prestígio, mas o preço que se pagava por isso nunca fora barato e ele não estava disposto a pagar.

Seu bastardo pensou enquanto se aproximava da casa do Jon. Era para o mais novo aparecer na reunião e fechar o acordo com os Hightower, mas Jon não apareceu e o acordo não foi fechado. Aegon ocupara o lugar de Jon temporariamente, mas isso já fazia 3 anos e ele estava cansado de tapar o buraco que não era dele.

À medida que se aproximava, sua raiva aumentava. Já sabia o estado que encontraria seu irmão e o lugar em que ele estava vivendo. Se a casa ainda estava em pé, era porque Aegon a mantinha assim.

– Onde está o Jon? — Perguntou entrando na propriedade. Luís precisou apenas fechar os olhos para saber a resposta — Eu vou falar com ele.

– Sim senhor. Quer que eu avise?

– Não, não precisa — Agradeceu e seguiu com o carro. Estava cansado e irritado com isso tudo, já tinha passado da idade de servir de babá para um homem adulto.

Parece que um furacão esteve aqui pensou em voz alta. A sala era uma mistura de garrafas de bebidas e roupas. Tinha uma mesa no centro, com algumas cartas de baralho e uma garrafa de whisky na metade e uma calcinha que só os 7 sabiam a quem pertenciam. Só faltava pertencer a Ygritte, uma das poucas que Jon mantinha por perto, o motivo só o próprio sabia, pois Aegon teve o desprazer de ficar num cômodo com os dois juntos e não se passava um segundo sem que um estivesse gritando absurdos para o outro.

Ele bateu na porta do quarto de hóspedes e ninguém atendeu, então ele apenas entrou. Jon estava tomando banho enquanto a mulher pegava as roupas largadas em cada canto

–Éer... é — A mulher estava com tanta vergonha que gaguejava cada silaba que saia da sua boca — Que...quem?

–O irmão dele — Respondeu seco. Desde o desaparecimento da Sansa e do problema com os Starks, essas noitadas do Jon tornavam-se cada vez mais comum. Quando não estava pegando qualquer coisa que tinha um buraco entre as pernas, estava ou bebendo com Tormund ou estava procurando mais problemas do que já tinha — Já está de saída?

–Sim

–Não esqueça a calcinha em cima da mesa — Respondeu enquanto viu o rosto da moça ficava vermelho e ela passou correndo por ele

–É sempre a mesma coisa — Murmurou para si quando seguiu em direção a porta do banheiro e bateu com força suficiente para que Jon o escutasse — Estou te esperando na cozinha — Gritou e deixou o cômodo. Recusava-se a se sentar perto de qualquer objeto daquele quarto.

Ele está pior que meu pai. Quando Rhaegar Targaryen recebeu a notícia que Lyanna Snow tinha morrido, ele estava viajando para lidar com os Greyjoy. Seu pai se culpou por isso e não conseguia nem encarar Jon, então o mandou para ser criado com a pessoa mais próxima a Lyanna, Ned Stark. E quando tinha se recuperado, obrigou que o menino retornasse. Mas na verdade, ele queria alguém para a assumir o seu lugar e Aegon se recusou, pois sabia o que acontecia por detrás da fachada da empresa, e Jon calhou de ser perfeito para isso, o típico filho querendo provar que poderia ser o melhor no que faz.

Por um longo período, Aegon achou que Jon poderia assumir os negócios e ficar bem. O casamento dele com a Sansa fora o sonho de todos os jovens casais. Ele sabia que Jon amava desesperadamente a Stark, e quando Brynden veio ao mundo, tudo parecia tão certo. Parecia...

–Você assustou a menina sabia? — Ele já podia ouvir a voz de Jon vindo em sua direção

–Não finja que se importa — Respondeu — Tínhamos uma reunião importante hoje. Sabia disso? — Quando Jon apenas balançou a cabeça sua ira voltou — Eu não vou ficar sendo sua babá eternamente. A empresa está no seu nome, tudo é sua responsabilidade. Eu assumi por você ser incapaz no momento e estava destruído...

–Você não sabe o que eu passei

–Não sei? Estive com você desde o início — Aquilo o matava por dentro — Já fazem 5 anos...

–Não comece — Respondeu — Já sei toda a sua ladainha.

–Ladainha? Isso vem de um adulto que age como uma criança mimada — Retrucou. Conhecia muito bem esse jogo de isolamento que Jon fazia. E em momentos como esse queria surrar o seu meio-irmão- Cresça! Isso já está parecendo uma desculpa para as suas irresponsabilidades

–Eu vou crescer quando tiver com ela na minha frente de novo — Respondeu. Era só citar o nome da Sansa ou fazê-lo lembrar dela, que seu rosto tomava um expressão mais escura. Seus olhos cinzas ficavam quase negros de raiva — E ela vai pagar por tudo o que ela me fez. Aquela puta traidora mentirosa

Mesma coisa todo o santo dia...

– Sansa se foi — Aegon tentava ingerir um pouco de noção na cabeça do mais novo. Desde que a Stark sumiu junto com o Cão de Caça, nunca a encontraram, apenas o Sandor, que morreu e levou o monstro que ele chama de irmão junto — Você só está se destruindo e está levando as pessoas a sua volta junto, Rhaenys e Daenerys perceberam isso e desistiram de você há tempos e vai chegar um dia em que nem eu vou estar mais

– Não faz diferença de quem vai ou fica. Quem tinha que ficar foi embora. — Ele nem consegue dizer o nome dela e do Brynden. Jon parou de dormir no quarto que ele e Sansa dividiam depois dos 3 meses do desaparecimento dela. Com 7 meses, não dizia o nome dela, só se estivesse bêbado — Ela me destruiu primeiro quando foi embora...

Notas finais
Quero agradecer pelos reviews maravilhosos que vocês me mandaram. Fiquei super animada mesmo OBSs: - Resolvi tornar o Harry um cara bem legal e diferente do que vimos no Alayne 1 do TWOW -O Jon que eu imagino dos livros, ele é mais parecido com o Ben Barnes do que com o Kit, mas sintam-se à vontade para imaginar quem quiser.