Love Was My Alibi
5 Capítulo 5
Notas iniciais

Capítulo 5
Eu olhava a tela do computador, daqui a cinco minutos teria que ir ao quarto 244 olhar uma paciente, ela esta em coma há 5 meses e para mim não ia acordar tão cedo.
Caminhei pelos corredores brancos que conhecia tão bem, depois de um ano trabalhando aqui como enfermeira nos acostumamos rápido. Cheguei ao quarto da paciente e como eu previa, ela estava dormindo, o que será que uma pessoa vê enquanto está em coma? Eu não fazia idéia, mas tenho certeza que ela consegue nos ouvir.
-Bom dia Juliet. – falei para ela – Como você está hoje? Eu sei que não vai tão bem, mas ao menos seus sinais vitais estão em ordem.
Eu me virei e comecei a anotar os dados em uma prancheta sobre seu atual estado, e enquanto anotava os aparelhos começaram a apitar, seus batimentos cardíacos estavam alterados e rápidos, olhei se ela esboçava alguma reação, mas ela continuava parada. Apertei o botão de emergência para que fosse mandado um medico rápido.
Comecei a ficar de olho nas máquinas elas apitavam, e a respiração dela estava ofegante, ela estava tendo uma parada cardíaca. Após alguns segundos as máquinas cessaram deixando o quarto de novo em seu silêncio sepulcral. Fui olhá-la quando vi, ela havia aberto os olhos, Juliet havia acordado.
-Juliet? Oh meu Deus, isso é um milagre! – exclamei, e na mesma hora um médico entrou rápido no quarto.
-Ela acordou? – perguntou o médico, eu fiz que sim
Ele pegou uma lanterninha e a apontou para os olhos dela, vendo se ela se mantinha lúcida e consciente, e como esperado ela mostrou que realmente havia acordado. Ela não conseguia falar nada sua boca estava seca, e seus músculos por pouco não atrofiaram, ela mexia seus olhos de um lado para o outro como se quisesse nos dizer algo.
-Precisamos avisar os parentes dela – começou o medico, ele parecia feliz – Hoje é dia 16 de agosto, com isso temos 5 meses e 13 dias de coma. Enquanto isso troque os lençóis e tente falar algo com ela, quanto mais cedo ela voltar para sua família, melhor.
Assenti e o vi sair do quarto.
-Estou tão feliz por você Juliet, não se preocupe médicos são assim mesmo, frios. Você deve estar tão confusa, eu também não entendia direito a sua situação no começo, mas depois passei a entender. Você chegou aqui dia 3 de março, havia sofrido um acidente com o namorado e estava em coma, dia a após dia eu vi você aqui deitada sem esboçar nenhuma reação, enquanto seus parentes faziam fila para falar com você, sabe todos aqui do hospital tinham uma esperança que você acordasse, e olha só ai está você, você conseguiu.
Sorri doce para ela e arrumei os seus lençóis, no meio deles havia um papel.
-Que estranho isso não era para estar aqui. – comentei.
Abri o papel e o que eu vi me deixou desconfiada, era um desenho de um homem, era todo preto e branco a única coisa colorida era os seus olhos que são de um azul profundo.
-Que lindo Juliet, você sabe quem é?
Mostrei para ela, e algo despertou nela seus olhos se encheram de lágrimas e ela mexeu a boca, seu esforço era tão grande para falar algo.
-A... A... Pro... Va... – falou Juliet.
Ela havia falado, isso era impossível, ela está em coma há 5 meses, era para ela começar a falar só após duas semanas. E depois ela fechou os olhos, e dormiu mais uma vez, mesmo depois de tanto tempo dormindo.
****
Olhei para ela, ela havia acabado de acordar e ao seu lado estava uma enfermeira que estava sorridente com sua volta. Seus olhos se mexiam de um lado para o outro como se quisesse dizer algo, eu sabia o que ela queria dizer, ela queria perguntar sobre mim.
-Olá Juliet, eu sei que você não pode me ouvir. – falei, mas como esperado ela não me ouvia – Você também não pode me ver, mas eu estou aqui e espero que ao menos sinta isso. Eu tenho muito o que te explicar, afinal tudo o que você viveu enquanto estava em coma e tudo o que te contei foi uma mentira.
Respirei fundo, vi a enfermeira sair do quarto porque Juliet havia dormido.
—Eu sei que disse que também estava em coma, mas como logo você descobrirá eu já morri, eu morri a 5 meses, no dia 3 de março. Mas sabe, eu não menti quando disse que vi você bem devagar naquele carro enquanto ele capotava, eu não menti sobre isso e nem menti quando disse que te amava. Mas eu menti, eu fui egoísta, eu nunca quis que você acordasse do coma, eu queria que você ficasse comigo, eu não sei como criei aquele mundo, talvez Deus viu que meu desejo de te ver era tão grande e ao mesmo tempo tão errado, que ele quis me dar uma lição. Eu queria que você ficasse lá para que eu sempre pudesse te ver, e todas as vezes que você morreu fui eu quem te matei. Sempre que você estava perto o bastante da sair do coma eu ia lá e te matava, eu não queria que você fosse embora, afinal você estava viva Juliet e eu estava morto. Eu roubei as suas memorias também... E naquela hora em que você me chamou e quase ia sendo atropelada, ali eu percebi o quão errado era tudo aquilo, eu estava pronto para contar a verdade, mas na hora eu que eu me toquei que nunca mais ia te ver, comecei tudo de novo. Você estava certa, não havia alternativas ou saídas, eu estava tentando mata-la de novo, mas você sem perceber estava saindo do coma, eu devia ter percebido. E qual é a minha desculpa para isso tudo? A minha desculpa é porque eu te amo, e sempre vou amar... Eu fui burro e egoísta, se eu tivesse esperado mais um pouco eu poderia já ter voltado para esse mundo, e o destino nos colocaria de novo frente a frente. Mas agora eu acabei com a sua vida, eu sei que você vai sofrer e se apegar a mim e não poderá seguir em frente, mas pode ter certeza Juliet eu voltarei para você, na hora em que eu ouvir você chamando por mim eu voltarei e irei te salvar mais uma vez. Eu não sei se devolver as suas memórias foi a melhor coisa que fiz, mas espero que as guarde e nunca mais as perca, e nunca deixe ninguém roubá-las de você assim como eu fiz.
Eu senti como se esse mundo já não fosse o meu lugar, eu sei que já é hora de dizer adeus.
-O amor realmente era o meu álibi Juliet, ele sempre será a minha desculpa para tudo que fiz. Eu te amo, e isso não é um adeus, é um até logo. Eu posso até demorar, mas saiba que eu vou voltar... Porque eu sempre serei o seu Jack.
****
Dirigi-me ao balcão do hospital pronto para pedir uma informação. Estava cansado de procurar a ala psiquiátrica.
-Bom dia.
-Bom dia senhor. – respondeu uma enfermeira sorridente.
-Será que você poderia-me dizer aonde é a ala psiquiátrica? – perguntei.
-Claro, na verdade eu posso mostrar para o senhor. Mas o senhor é o quê? Um visitante, parente?
-Eu sou o novo psiquiatra do hospital, e como você pode ver estou perdido. – completei bem humorado.
-Claro, vamos me acompanhe.
Andamos pelos corredores do hospital, a ala psiquiátrica era em um prédio atrás do hospital. Era grande e disponibilizava de todo o conforto que os pacientes precisavam. A enfermeira me mostrava todo o prédio com entusiasmo.
-Aqui temos tudo que eles precisam profissionais especializados, e tudo mais.
-Percebo, mas me conte você conhece os pacientes daqui? – perguntei.
-Ah claro, eles são especiais. Eu sei que é bem clichê dizer isso, mas eles realmente são especiais para mim, eles amam mais e percebem mais as coisas do que nós pessoas ‘’normais’’ – falou ela, seus olhos brilhavam – Olha só aquele é Edward – apontou para um dos pacientes.
-Qual a doença dele? – perguntei.
-Ele tem esquizofrenia, mas desenha como ninguém! Às vezes as pessoas só enxergam os defeitos deles e se esquecem das qualidades e dons.
Olhei ao redor, estávamos agora no refeitório da ala, estava lotado de pacientes, passei o olhar por cada um memorizando alguns rostos até que meu olhar parou em uma moça sentada em um canto. Ela estava vestida com um vestido branco e seus cabelos loiros caiam em cascata pelo rosto, ela olhava para suas pernas e sobre elas havia um papel.
-Quem é ela?
-Ah é a Juliet, é uma das minhas preferidas, ela canta como ninguém.
-Qual a doença dela?
-A doença dela é amor. – respondeu a enfermeira triste.
-Amor?
-Sim, amor. Ela chegou aqui alguns meses depois de eu começar a trabalhar, ela havia sofrido um acidente de carro com o namorado, ele morreu a caminho do hospital e ela ficou em coma por 5 meses. Um dia fui a seu quarto e ela acabou acordando, foi um milagre. Depois de um tempo todo o hospital se empenhou para que ela se recuperasse, mas ela permanecia triste e solitária, ela acreditava que seu namorado estava vivo. Quando ela conseguiu falar pela primeira vez, ela contou sobre um mundo que iludia as pessoas para que elas nunca acordassem do coma, contou que morreu seis vezes e que quem a salvou foi o seu namorado, e se manteve firme dizendo que sabia que ele havia acordado e que ele queria falar com ela, então contamos a ela, e ela surtou.
-Ela acreditava que seu namorado também estava em coma? – perguntei indeciso.
-Sim, ela dizia que quando estava em coma, ela o viu e ele a salvou, mas era impossível ele já havia morrido há muito tempo. Se ao menos ele estivesse vivo, mas ele morreu na ambulância enquanto ela sobreviveu. Então ela surtou e nunca mais voltou a ser a mesma, ela está aqui há 2 anos e nunca deixou de acreditar que seu namorado está vivo, e jura que ele voltará para salva-la outra vez.
Assenti e observei a moça sentada, ela parecia tão compenetrada naquele papel, ela olhava como se estivesse memorizando ele por completo.
-E o que é aquele papel? – perguntei depois de um tempo.
-É um desenho do namorado dela, ele apareceu misteriosamente no dia que ela acordou, talvez algum parente deve ter deixado. Mas dizendo ela que trouxe esse desenho do tal ‘’mundo’’.
Olhei para ela uma última vez e eu fiquei impressionado como ela parecia confiante e esperançosa.
-Desculpa, mas qual o seu nome mesmo doutor? – perguntou a enfermeira.
-Ah o meu nome é Jack, Jack Coller. – respondi sem conseguir desviar o olhar da garota – Você poderia me mostrar o resto da ala?
-Ah claro.
Segui a enfermeira, e então começou a soar uma voz linda e harmoniosa pelo refeitório, parei onde estava e vi que era a garota chamada Juliet. Era uma música linda, mas eu nunca havia ouvido, era como se a vida toda estivesse esperando essa música.
-Que música é essa?
-Foi ela quem fez, para o seu namorado, ela acha que se ela cantar todos os dias ele irá ouvir e voltar para ela.
-É tão linda.
Time...
Tempo...
‘ll be the enemy
Vai ser o inimigo
When you’re locked in a world of pain
Quando você está trancado em um mundo de dor
Days go floating by
Dias passam flutuando
It just doesn’t change
Ele só não muda
It just stays the same
Ele só permanence o mesmo
Then u came along
Em seguida veio junto
And showed me how to start
Ele me mostrou como começar
Now the sun shines in my heart
Agora o sol brilha em meu coração
The sun shines in my heart
O sol brilha em meu coração
I was so lost, now I’m found
Eu estava tão perdida, agora estou encontrada
The song the used to sing
A canção que costumava cantar
On a Sunday afternoon
Em uma tarde de domingo
Love was my alibi
O amor era o meu alibi
For all the life lost
Para toda a vida perdida
Now u made love my reason
Agora fez o amor a minha razão
U made love my truth
Feito amor a minha verdade
U made love my truth
Feito amor a minha verdade
And the sun shines in my heart
E o sol brilha em meu coração
Time...
Tempo…
Is now a friend to me
Agora é um amigo para mim
U make me feel adored
Me faz sentir adorada
When I look into your eyes
Quando olho em seus olhos
It’s like I’ve never been
É como se eu nunca estivesse
Never been loved before
Nunca fui amada antes
U showed we the way
Me mostrou o caminho
Showed me how to start
Me mostrou como começar
Now the sun shines in my heart
Agora o sol brilha em meu coração
The sun shines in my heart
O sol brilha em meu coração
I was so lost, now I’m found
Eu estava tão perdida, agora estou encontrada
The song they used to sing
A canção que costumava cantar
On a Sunday afternoon
Em uma tarde de domingo
Love was my alibi
O amor era o meu alibi
For all the life lost
Para toda a vida perdida
Now u made love my reason
Agora fez o amor a minha razão
U made love my truth
Fez o amor a minha verdade
U made love my reason
Fez o amor a minha razão
U made love my truth
Fez o amor a minha verdade
And the sun shines in my heart
E o sol brilha em meu coração
Time…
Tempo…
Time…
Tempo…
Assim que ele terminou sua canção, ela olhou para mim com aqueles olhos tão esperançosos, e por um segundo eu juro que vi resquícios de lágrimas em seus olhos. O meu peito parecia cheio de algo que eu não sabia definir, não sei por que, mas eu esperava por essa música.
-Até que o senhor se parece com ele. – comentou a enfermeira me tirando dos meus devaneios.
-Com quem?
-Com o namorado dela. – ela respondeu, e algo se agitou no meu estômago.
-Eu pareço com muitas pessoas, para muitas pessoas. – completei forçando um sorriso – Por que você não me mostra o resto da ala?
-Tudo bem, vamos lá.
Ela saiu andando e eu a segui mantendo um pouco de distância, eu sentia que Juliet ainda me olhava, eu sentia algo que me puxava a ela, mas eu ainda tinha muito tempo para conhecê-la, muito tempo...
Love Was My Alibi
O amor era o meu Álibi
FIM?
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