Love War
1 Prólogo
Notas iniciais
Deixei a sala de cirurgia, ouvindo as felicitações dos meus colegas e com alívio por mais um trabalho bem feito. Por mais que eu fosse médica a pouco tempo, sinto orgulho por nunca ter falhado com um de meus pacientes.
Vesti minhas roupas casuais e fui até o estacionamento em busca do meu carro. Trabalho em um hospital de elite do Rio de Janeiro, recebi a proposta de emprego assim que encerrei meus anos de residência. Não era o que sonhei trabalhar, mas aceitei de imediato para já abrir minha poupança — que depois de apenas um ano, já está bem gorda.
Assim que cheguei no meu apartamento, encontrei meu noivo, Daniel. Estava sentado na mesa de jantar, com a feição séria. Verifiquei meu relógio pensando estar atrasada, mas quando ergui o olhar notei uma carta em suas mãos.
— Quando pretendia me contar? — Daniel sustentava um tom de voz frio.
— Sobre o que está falando? — Perguntei pendurando minha bolsa no cabideiro.
— O trabalho na Turquia, Safira.
Senti o coração palpitar, e fui em sua direção para ler a carta. Tratava-se sobre o médico sem fronteiras, no qual havia me inscrito à um ano atrás. Não perdi muito tempo, pulei para o final onde encontrei a palavra que mudaria minha vida; "Convocada". Abri um sorriso involuntário, mas logo o contive ao ver meu noivo se levantar.
Naquele segundo, vários pensamentos vieram em minha mente. Sei que este era meu objetivo quando iniciei a faculdade, mas não posso deixar tudo que construí no Brasil. Estava no meio daquela avalanche de pensamentos, quando fui interrompida.
— Você não vai. — Daniel disse com autoridade, seguindo na direção do nosso quarto. Fiquei ali atrás plantada, incrédula com seu tom de voz.
— O que? Acha mesmo que pode decidir por mim? — Perguntei o seguindo.
— Não quero saber, Safira. Você é minha noiva, vamos nos casar em 5 meses.
FLASHBACK OFF
Deixei para trás as lembranças desta discussão acalorada. Daniel estava com óculos escuros, e recusava-se a tirar. O terno bem alinhado, junto com a maleta cheia de documentos, visual típico de um advogado. Sentirei falta de vê-lo desse jeito. Minha família já havia se despedido, só estávamos esperando a chamada para meu vôo.
— Você tem certeza? — Perguntou uma última vez.
— Esperei muitos anos por isso, Dan. — Afirmei.
Daniel me puxou para um abraço apertado e demorado. Apesar de sua atitude semana passada, ainda gostava de tê-lo por perto. Sim, eu decidi que iria trabalhar como voluntária, não usar meus conhecimentos para causas humanitárias me parecia muito injusto.
— Por que quer se arriscar em uma guerra? — Ele sussurrou, ainda abraçado.
— Vou ajudar quem realmente precisa... Existem milhares de médicos como eu nessa cidade.
"PASSAGEIROS DO VÔO 737, DIRIGAM-SE AO PORTAL 6"
— Espero que alcance seus objetivos. Você é a melhor médica que conheço, vai se sair bem.
Suspirei aliviada ao ouvir tais palavras, mas aquele sentimento de descrença não me largava. Despedi-me oficialmente e corri para o portal. Este seria o começo de uma nova vida.
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