Love Story
1 cause you were Romeo, I was a scarlett letter
Notas iniciais
Harry Potter e a Nove Geração são a minha verdadeira paixão e dps de pensar um pouquinho eu percebi que não tinha outro casal possível pra contar essa narrativa que não Rose e Scorpius.
É uma história mais corrida, pensada para iniciar e conluir-se em apenas um capítulo, mas com ela eu tentei passar um pouquinho do que foi essa história de amor Scorose que, na minha cabeça, começou um pouquinho antes do que aquela cena do epílogo.
Espero que gostem ♥
Os ventos de outono costumavam ser mais velozes e gelados, porém, naquele fim de tarde, Rose sentiu o ar lhe tocar o rosto quase como uma suave brisa primaveril e aquilo a fez fechar os olhos por um instante, desligando-se brevemente daquele momento enquanto viajava muitos anos no passado.
No auge de seus sete anos de idade a mais velha filha de Ronald e Hermione evidenciava toda a sua timidez, cobrindo o rosto quase por completo com seus cacheados e volumosos cabelos vermelhos, torcendo silenciosamente para que todos aqueles que falassem com os pais não a percebessem ali. Hugo, anos mais novo, era a borboletinha social da família, atraindo atenção de todos com suas graças e brincadeiras, empanturrando-se de comida de tal forma que Hermione precisaria retirá-lo de perto do buffet para evitar que o filho passasse mal, fazendo com que Rose, ao perceber que tinha perdido um escudo, buscasse instantaneamente por refúgio atrás das pernas do pai. Ronald riu ao perceber a movimentação da filha.
— Querida, você não pode ficar aqui a noite inteira. — Disse o homem, afastando-se apenas o suficiente para poder abaixar-se e ficar na altura dos olhos da filha. — Tem um monte de crianças da sua idade por aqui, por que não tenta fazer amizade com alguns deles? — Estimulou.
Claro que Ron não via problema nenhum em proteger sua princesinha, mas entendia também que alguns medos precisavam ser controlados e se apenas a acolhesse debaixo de suas asas em toda ocasião aquilo apenas faria mal a ela quando a pequena precisasse partir para Hogwarts, por isso, costumava tentar fazê-la sair um pouco da zona de conforto sempre que tinham a oportunidade. E Rose, que não gostava da ideia de decepcionar o pai, apenas concordava, puxando ainda mais cabelo de forma que quase só seus olhos ficassem visíveis, mas abandonando o lugar seguro para dar passos hesitantes pelo salão de festa.
A festa do ministério tinha objetivos diversos que escapavam da percepção da garota, tudo que ela conseguia de fato ver eram os elegantes lustres que brilhavam do teto e os vestidos bonitos, os quais Rose arriscava encostar em um dois até perceber que poderia estar incomodando alguém e correr para longe antes que fosse abordada. Entre as longas silhuetas, a menina fez seu caminho até encontrar uma sacada vazia, iluminada apenas pela luz da lua, e encontraria ali um novo refúgio. Tinha tentado fazer conforme o incentivado pelo pai, não tinha culpa que nenhuma criança surgira em seu caminho.
Do outro lado do salão o jovem Scorpius tentava convencer que o pai o deixasse sair e brincar. Draco Malfoy mantinha-se monossilábico, vez ou outra limitando às restrições em apenas um balançar de cabeça. A presença da família naquele evento era quase inédita e o homem esforçava-se para manter a imagem da família perfeita, sempre ao lado da esposa e filho, não importava a situação. Astoria sabia dos riscos quando aceitara casar-se com um Malfoy após a segunda grande guerra, porém a mulher também vinha usando de seus privilégios e contatos para ajudar a limpar o nome do marido na sociedade bruxa e aquele evento em específico era de extrema importância para aquilo, mas o jovenzinho não tinha a menor ideia de nada daquilo, ele apenas queria poder trocar cartas de sapos de chocolates com as demais crianças que vira por ali.
— Draco meu amor. — Era Astoria quem chamava, apoiando a mão no peito do marido e sorrindo para um fotógrafo que se aproximava. — Ele só tem sete anos, podemos deixá-lo brincar um pouco. — Era quase uma ordem disfarçada de sugestão, Draco suspirou. Scorpius era uma criança bem educada, mas não mediria esforços para começar uma birra quando atingisse o ápice de seu tédio, sabia disso.
— Tome cuidado. Qualquer coisa corra de volta pra cá tudo bem? — A versão em miniatura do homem apenas balançou a cabeça antes de correr para longe dos pais em busca de coisas mais divertidas para fazer do que apenas tirar fotos.
A própria Rose estava em um vestido muito bonito, tinha reconhecido isso ao tirar o cabelo do rosto e olhar para si. A mãe quem tinha escolhido e as tonalidades turquesa contrastavam com sua pele pálida e os cabelos flamejantes, enquanto davam certo destaque aos olhos azuis. Sentia-se como a princesa Merida, a sua favorita dentre todas elas, apenas por serem parecidas. Mas ali, da sacada onde tinha se instalado, deixava-se encantar com cada novo vestido de gala que desfilava a sua frente, pensando em quais deles gostaria de vestir quando crescesse.
E então, em meio a festa, Rose observou uma pessoa tão pequena quanto ela costurar entre os vestidos e smokings, pessoa esta que também a tinha lhe visto por ali, e aguardou sem nada dizer até que o jovem rapaz se aproximasse.
— Olá! Seu cabelo é tão legal! Posso pegar nele? — Pediu Scorpius. Mesmo mais escondida os cabelos da menina tinham chamado sua atenção de longe, pareciam o fogo e ele achara aquilo legal demais. Rose deu um passo para trás primeiro, mas logo deixou e, enquanto o garoto se aproximava para segurar um de seus cachos, ela o analisou da cabeça aos pés.
— Por que você é tão pequeno se você é velho? — Hermione gostava de brincar que a filha estava eternamente presa na fase dos porquês. Curiosa, Rose odiava não ter resposta para as coisas e sempre buscava motivos e razões para tudo. Naquela noite a pergunta e afirmação tinham um motivo.
Scorpius, assim como o pai, tinham cabelos tão platinados que chegavam a ser brancos. Mas a garota conhecia apenas os avôs com aquelas tonalidades de cabelo, então automaticamente associava aquilo à velhice. Claro, conhecia pessoas loiras daquela forma, como sua tia Fleur, mas para a menina Fleur também era velha. E Vic ou Louis, as crianças da tia em questão, tinham os fios mais dourados. Bill poderia até ter perdido a batalha em propagar os flamejantes cabelos dos Weasley com aqueles dois, mas certamente dera alguma coloração aos prateados cabelos de veela da esposa, o que justificava completamente a confusão de Rose.
— Eu não sou velho. E nem pequeno ó. — Para sustentar seu argumento Scorpius largou a mecha que segurava e parou ao lado da garota, ombro a ombro, ou quase isso, o rapaz se estabelecia alguns poucos centímetros mais alto que ela. — O seu cabelo queima? — Afinal, se ele era como o fogo aquilo era apenas lógico. Rose balançou a cabeça em negativa.
— Mas meu pai já queimou o dedo fazendo chá. — A relação não existia, mas não precisava existir. Eram apenas duas crianças que achavam os cabelos um do outro divertidos e a partir daquilo poderiam conversar por toda a noite. Tornariam-se melhores amigos para toda a vida e, ao irem para a casa, provavelmente nunca mais se veriam novamente. E aquele certamente seria o cenário caso Rose não fosse Rose, ou Scorpius fosse uma outra criança.
Estavam ali já há algum tempo e Scorpius tinha finalmente encontrado uma brecha para falar sobre suas cartas colecionáveis, mostrando para a menina aquelas que ele considerava mais importante em sua coleção, enquanto Rose observava atenta. Tinha sua própria coleção, mas usava mais para brincar com os primos do que realmente por gosto, mas o rapaz falava com tanta paixão sobre o assunto que a deixava interessada.
— Olha esse é o meu…
Não completaria a frase ao sentir-se ser puxada para o colo. Seu pai não parecia muito contente, mas ela não saberia explicar ou dizer com certeza. Scorpius, que segurava a figurinha daquele exato mesmo homem em mãos, olhava admirado para ele, que não retribuía o olhar ao garoto, mas direcionava certa fúria para alguém que surgia em cena, Draco Malfoy.
— Fica longe da minha filha. — Ronald Weasley não era conhecido por ser ameaçador, mas Rose não estava acostumada a ver seu pai assim e, por isso, encolheu-se em seu colo, sem ter ideia do que acontecia, enquanto olhava, uma vez mais por trás dos cachos ruivos, Scorpius ficando para trás, também sem entender o que tinha acontecido por ali.
Demorariam alguns anos até que as crianças voltassem a se encontrar. Ainda na plataforma nove e meia Rose observaria algumas perguntas ganharem respostas quando o pai a direcionasse breves ordens sobre como reagir a Scorpius, de quem ela se lembrava brevemente daquela noite no ministério. Detone-o em testes, não seja muito amiga dele, seu avô jamais a perdoaria se casasse com um purossangue. Rose assentiu, sorrindo nervosa para a mãe que lhe acalmava quanto àquelas afirmações enquanto os demais se distraiam pela história que James trazia sobre Teddy e Victoire. Sem perder mais tempo, a garota embarcou e ao esbarrar em Scorpius na busca por uma cabine vazia ela realmente queria seguir as instruções do pai, por isso apenas acenou com a cabeça antes de seguir seu caminho, sem trazer memórias à tona ou iniciar uma conversa com um amigo em potencial.
Mas, uma vez mais, ainda que as vontades de Rose, ou Ron, fossem umas, o universo tinha planos diferentes para eles. Albus era seu melhor amigo e, apesar dos medos do rapaz, ao fim daquela noite ele acabara sendo selecionado para a sonserina. A viagem no trem tinha bastado para que ele fizesse as pazes com todas as casas de Hogwarts, mas tinha sido surpreendente o fato dele ser o primeiro de todos os Wotter a ir para a sonserina. Corvinal contava com Victoire e Molly II, Lufa-Lufa poderia-se dizer que Teddy representou muito bem nos anos escolares e grifinória era simplesmente a opção certeira de todos os demais, mas sonserina? Aquilo era novidade. Ao contrário, claro, de Scorpius Malfoy, que respondeu a todas as expectativas seguindo a antiga tradição de sua família. Assim como Rose, que com seus cabelos vermelhos não deu dúvidas ao chapéu seletor de para onde deveria ir, ainda que sua perspicácia a tornasse elegível para a corvinal, o desejo do coração da menina falou mais alto que tudo.
Rose certamente faria novos amigos na grifinória, ainda tinha muitos de seus primos por lá em anos acima dos seus então solidão não lhe era um problema, mas Albus continuaria sendo seu melhor amigo. Porém seu melhor amigo arrumaria um novo melhor amigo no mundo completamente novo ao qual ele fora jogado. E, em poucas semanas, contrariando as vontades do pai, Rose veria-se uma amiga muito próxima de Scorpius Malfoy.
O trio permanecia junto enquanto lhes fosse possível, separando-se apenas quando o toque de recolher tivesse início, mas encontrando-se imediatamente logo nos primeiros raios da manhã. Estudavam juntos, ajudavam uns aos outros com as matérias e, para a decepção do pai, fora graças a Rose que Scorpius tirara uma nota equivalente a dela em um dos testes de história da magia, não que Ronald jamais fosse saber disso. Mas Ronald sabia daquela amizade, e não gostava nada dela. Hermione sempre equilibrava a situação, acalmando o marido ao afirmar que o rapazinho não era o pai e, ainda que fosse, o homem tinha mudado. O Weasley não dava ouvidos, tentando persuadir Harry a proibir a amizade de Albus com o rapaz, que apenas dava de ombros ciente de que proibições apenas piorariam as coisas e, além do mais, Scorpius era um rapaz do bem, sabia disso pois correntemente ele aparecia no verão na casa dos Potter para passar um tempo com os amigos, e o próprio Albus viajava até a mansão Malfoy vez ou outra. Rose nunca ia, mas encontrava-se com o rapaz nas vindas dele pro “lado de cá”.
E então, como seria de se esperar, o passar do tempo traria algo a mais para aquela relação. Culpem os hormônios, a luz da lua naquela noite ou a súbita doença altamente infecciosa de Albus que o trancara na enfermaria sem direito a visitas, mas a amizade entre Scorpius e Rose seria completamente arruinada com aquele beijo, não de um jeito ruim, mas de uma forma em que ambos souberam no mesmo instante que não conseguiriam voltar atrás com aquilo, tão pouco fingir que nunca acontecer. E ambos tentaram por um tempo, sem nenhum sucesso.
Decidiram então fazer daquilo um segredo. Albus certamente desconfiava, mas quando confrontava qualquer um dos dois recebia negativas veementes e piadas prontas que logo desviavam o assunto para outra direção. Deixavam torres e masmorras no alto da madrugada para encontrarem-se em uma passagem secreta e ali ficavam até o amanhecer. Justificavam as olheiras pelas noites não dormidas dos piores jeitos possíveis, mas seguiam naquele mundo que era só deles. Vez ou outra escapavam para Hogsmeade e caminhavam pelas ruas vazias sem medos de serem vistos, criando suas próprias narrativas e histórias, conhecendo um ao outro de outras e novas maneiras, do jeito que bem que entendessem, da forma como quisessem.
Os meses passariam rápido e a distância do verão geraria agonia no coração dos adolescentes apaixonados. As cartas guardariam sussurros escritos proferidos de um ao outro. Assinaturas seriam trocadas para que ninguém desconfiasse de algo, mas a caligrafia de um era tão familiar ao outro quanto a própria e aquilo bastava para um novo brilho no olhar e um sorriso no rosto em meio a jantares com aqueles que certamente desaprovariam aquela relação. Faltava apenas uma semana para a volta às aulas, mas a oportunidade de verem-se em diferentes partes dos cômodos parecia boa demais para ser dispersada. Toda a família de Rose estava ali, enquanto celebravam mais um ano de Albus e, em meio a tantos cabelos vermelhos — e outros além, aquela nova geração de Weasleys tinha variado bastante nas tonalidades dos fios — Scorpius se destacava. E para ele, mesmo que dezenas ali fossem exatamente como ela, não existia ninguém além de Rose.
Mantinham uma distância educada, até porque Ronald não permitia que ficassem perto demais, sempre guiando sua filha para outro lugar quando por um acaso se encontrassem a apenas três pessoas de distância ao invés de quatro. Os olhares entre si cruzavam todos os metros que os separavam e, mesmo sem palavras ou toques, se entendiam. E quando Rose viu Scorpius escapulir pela porta da cozinha para os jardins, despercebido, ela soube. Suportou mais uma piada de Fred e acompanhou os três minutos em que James tornava a festa sobre ele, mas em meio ao discurso do primo também deslizou para longe dali, escorregando por entre os parentes até alcançar os jardins e correr em direção ao rapaz que parecia reluzir ao brilho lunar.
Indicadores nos lábios indicavam que nenhum dos dois deveriam fazer barulhos, a luz fraca na ponta da varinha os guiava pelos terrenos da toca até uma região em que as plantas e matos eram altos o suficiente para os esconder e, julgando estarem seguros, estalos de beijos seriam os únicos sons mantidos entre os dois, logo sobrepostos por risadas empolgadas, temerosas, ansiosas e, então, mais pedidos por silêncio. E por muito tempo aqueles momentos roubados pareciam bastar para os dois.
Certamente existia o medo da repreensão de seus respectivos pais e da comoção tamanha capaz de garantir ataques cardíacos aos avôs, mas a decisão em estender aquele relacionamento por tanto tempo em segredo ia além. Aqueles que conviviam com ambos diariamente já tinham há tempos decidido parar de perguntar. O comportamento que tinha mudado há dois anos já era tão rotineiro que todos apenas aceitavam e, ainda em corredores escuros, ainda em encontros que ninguém mais via, rosa e escorpião se perdiam em infinitos jardins, desafiando as mais simples leis da natureza, existindo apenas um para o outro e vice-versa, sem interferência, sem terceiros, sem opiniões, apenas ele, e apenas ela.
Os ciúmes em horário comercial seriam eternamente justificados com as cartas de amizade e apenas desejarem o melhor para aquele a quem tão queriam bem e, à noite, fariam piada da situação, ou trocariam juras de amor, ou brigariam brigas que não duravam mais do que sete minutos, mas sempre eram retomadas em outros contextos no dia seguinte. Mas não importava o que acontecesse, continuavam juntos, e quando este era o caso, o restante do mundo não importava. Porém mesmo no mais longo dia de verão uma hora a noite chega e, às vezes, uma tempestade repentina interrompe um dia quente do lado de fora.
Quando tantas crianças se formam na melhor escola de magia e bruxaria do Reino Unido é de se esperar que sua família planeje algo especial em comemoração, e os Weasley tinham se tornado especialistas naquele tipo de festa de formatura. Os amigos dos formando seriam convidados e, com eles, suas famílias também. Draco não estava realmente empolgado por estar ali, mas o fazia por Scorpius, aproveitando que o garoto Potter tinha amigado dos filhos de velhos conhecidos seus para sentir-se menos isolado, ainda que a mesa especificamente escolhida para ele por Ron Weasley não facilitasse tanto aquele processo.
As crianças brincavam, giravam, dançavam. Tiravam fotos com a família, voltavam para os amigos e então aproveitavam o restante da noite. Dez anos tinham se passado desde aquele primeiro encontro em um baile no ministério. Em teoria não deveriam se ver nunca mais, mas agora nenhum dos dois conseguia suportar a ideia de ficar longe um do outro. A formatura era um momento esperado, mas a perspectiva em não se verem mais diariamente parecia ter atingido ambos Scorpius e Rose de uma só vez que, ignorando a porção de pessoas a sua volta, beijaram-se. E ao contrário dos sentimentos das crianças, Ronald não aceitava a ideia de vê-los juntos. Daquela vez a intervenção de Hermione de nada serviria e as palavras raivosas seriam direcionados ao rapaz, não a seu pai. “Fique longe da minha filha”.
Uns tentariam dar continuidade a festa após aquilo, mas Rose seguraria a barra de seu vestido e correria pelas escadas, amaldiçoando a escolha por seus sapatos antes de chutá-los para longe e então parar, com lágrimas nos olhos.
— Por favor. — Rose nunca gostara de implorar, mas vê-lo indo lhe causava uma dor quase física. Scorpius parou os passos e virou-se para a amada.
— Você não pode brigar com eles por minha culpa Rose. — Doía nele também, mas o garoto sabia que aquele era o momento em que ele deveria ser racional.
— Eles não podem me dizer o que eu devo sentir ou por quem. Eu sei que não é fácil, nós dois sempre soubemos, mas isso é real Scorpius, você sabe disso. — Não parecia justo para ela.
Tinham por anos vivido um conto de fadas onde ele era o príncipe e ela a princesa. Fugiam para uma realidade só deles e ali viviam sua história de amor. As coisas não deviam, não podiam acabar daquele jeito. E Scorpius, a seu jeito, concordava.
O rapaz aproximou-se, abrigando a fragilizada Rose em seu abraço e lhe beijando a testa.
— Nós vamos consertar essa bagunça Rosie, não precisa ter medo. — Garantiu, segurando o rosto da menina entre suas mãos e afastando as lágrimas de suas bochechas. — Você espera por mim?
Rose tivera tempo apenas de concordar com a cabeça antes de Ron conseguir desvencilhar-se daqueles que o seguravam e ir em busca da garota. Scorpius, então, desaparatou, e deixou-a ali.
Por mais que o garoto tivesse afirmado que tinha partido para que ela não se desentendesse com a família, aquilo de nada adiantou. Rose não conseguia perdoar o pai pelo que tinha causado, não conseguia entender, quase como se tivesse sete anos novamente sendo bruscamente afastada de um recém-conhecido. Scorpius certamente não se orgulhava mais tanto da figurinha de Ronald Weasley que tinha conquistado em um sapo de chocolate tantos anos atrás, ainda que preservasse em ótimo estado a de Hermione Granger.
As horas viraram dias que se tornaram em semanas e então meses. O verão passou da pior forma que a menina podia imaginar, mas por todo aquele tempo Rose tentou manter as esperanças e a promessa feita de que esperaria por ele. Mas em algum momento aquelas expectativas começariam a diminuir. Suas cartas não tinham retorno, voltavam intactas e nem mesmo Albus sabia lhe dar informações sobre o melhor amigo. Quando Lily a convenceu em irem passear nos arredores da cidade para observarem a chegada do outono e o cair das folhagens das árvores, Rose já não tinha tanta fé que o rapaz retornaria, e isso explica o choque que ela teve ao vê-lo por ali, correndo em sua direção.
Como na cena de um filme, Scorpius a segurou pela cintura e a ergueu no ar por uns instantes, descendo-a em seguida até que os lábios de ambos se encontrassem. Todo o sentimento de solidão e desesperança se esvaia enquanto o rapaz explicava o que fizera ao longo dos últimos meses, tendo conseguido dobrar Ronald Weasley e convencê-lo a permitir que namorasse sua filha. Agora eles poderiam ficar verdadeiramente juntos e nada no mundo seria capaz de separá-los.
Mais anos se passariam até que o pedido sob só um joelho viesse e a escolha pelo vestido branco, mas em determinado momento ambos chegariam junto a um belíssimo anel no dedo anelar da ruiva. Àquela altura mais uma década tinha passado para além de toda a angústia daquele baile de formatura. Era engraçado, se você parasse para pensar, que ao menos uma vez nas últimas duas décadas os garotos estivessem juntos em vestes de gala e em situações tão distintas, mas ao mesmo tempo tão similares de algum jeito ímpar.
Rose abriu os olhos novamente. A viagem pelo passado não tinha durado mais do que alguns segundos, mas as lembranças levaram, em igual escala, um maior sorriso e mais lágrimas a seu rosto. Ouvindo o restante da pergunta conteve-se apenas o suficiente, os olhos azuis fixando-se nos acinzentados em sua frente e então balançou a cabeça para baixo.
— Eu aceito.
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