Love Story

178 Relacionamentos XXXI - Os Apoios Necessários


Notas iniciais
Hey pandinhas! Era pra ter postado domingo passado, mas não deu, eu estava doente, zero ânimo. Aí pensei "vou postar no próximo domingo" aí chegou no domingo e eu não tinha conseguido digitar tudo ainda, aí pensei "vai na segunda mesmo" hsuahsjak O último capítulo foi um baque, espero que todos já estejam recuperados porque não acabou :') Enfim... Chegamos com mais um capítulo Relacionamentos e esse vai tratar de todo o fim da season 13, com exceção do último episódio que tem continuação, então ele vai ficar pro próximo. Eu acrescentei muita coisa aqui então as coisas dos episódios mesmo serão poucas, aqui vai ser mais focado nos conflitos internos tanto da Sara quanto do Grissom (desse menos), e do Greg também, porque SIM, eu vou fazer menção a todas as cenas Morganders nessa fic, então quem não gosta que chore u.u saushajsh Então terá muito foco na importância da amizade na recuperação da Sara depois que tudo, não só esse como todos os outros capítulos Relacionamentos que vierem daqui pra frente. Chega de falatório e vamos pro cap. Boa leitura :3

O dia seguinte veio, e como era de se esperar, assim que Brass voltou ele soube do que aconteceu com Sara. Um misto de preocupado e furioso. Preocupado com Sara e furioso com Grissom. Pediu desculpas a morena por não estar perto durante aquele perrengue, e Sara obviamente disse que não tinha com o que se desculpar, que já estava tudo bem. E como tinha dito antes, pediu que seu pai postiço não ligasse para Grissom ao ficar sabendo do divórcio, o que claro, Jim não deu ouvidos.

Era uma tarde de sexta-feira. Grissom estava em sua tenda no Peru enfrentando um dilema. Se continuaria com as escavações ou colocaria em prática seu plano de aposentadoria.

A ideia inicial era levar Sara consigo, mas com as circunstancias atuais já não era possível.

Não estava tão arrependido. Imaginava a possibilidade dela estar melhor que ele, com outra pessoa, mais feliz, mais amada, menos presa, e isso fazia com que ele sentisse que fez sim a coisa certa… mesmo sofrendo longe dela. Pelo menos até receber uma ligação de seu amigo detetive. Isso sim foi inesperado para o ex supervisor.

Lá estava ele em sua barraca com Hank sentindo a brisa da floresta e o cheiro da terra molhada, quando seu celular tocou.

— Grissom.- ele atendeu surpreso.

— É você mesmo, seu paspalho!- Gil até tirou o celular da orelha olhando pra ele com o cenho franzido. — Quero que me dê um bom motivo pra ter feito isso com a Sara.

Ué! Como assim só descobriram agora do divórcio deles? Depois de quase dois meses? Sara não tinha contado?

— Jim, eu…- não conseguiu terminar, pois foi interrompido por um Jim nervoso.

— O que você tem na cabeça, Gil? Sara é a mulher da sua vida!

— Eu sei, mas…- foi interrompido novamente.

— Não, você não faz ideia! Se soubesse pelo que ela passou nos últimos dias se arrependeria amargamente de não ter ido ao jantar.

Grissom ficou preocupado. Como assim? O que aconteceu no jantar? Foi exatamente o que ele perguntou.

Jim não quis contar, pois não sabia se Sara aprovaria tal coisa, aliás não aprovaria nem mesmo esta ligação. Resolveu omitir, mas não mentiu.

— Foi o pior aniversário que ela teve, Gil. Sofrendo, sozinha numa mesa de restaurante olhando todos se divertindo ao redor.- Grissom sentiu uma dor imensa no coração ao ouvir tal relato. Não queria que ela passasse por isso. — Isso não teria acontecido se você não fosse um covarde! E eu não me arrependo de te chamar assim!

Jim estava furioso e sabia que a vida deles era somente de respeito a eles, mas Gil merecia ouvir, pois achava que estava causando o bem a Sara e era totalmente o oposto.

Grissom ficou chateado com a bronca que estava levando sem conseguir se defender, mesmo sabendo que não tinha defesa já que mais uma vez causou dor a Sara sem que ela merecesse. E não o julgava pela revolta, sabia que o amigo só estava querendo protegê-la.

— Já que não vai me deixar falar, será que pode me dizer como ela está? Ela está bem, Jim?

— Depende. Qual o conceito de “estar bem” pra você?

Grissom bufou: — Jim!

— Ela está bem sim, estamos aqui pra ela pra garantir isso. Mas Gil… divórcio? Divórcio?? Depois de tudo o que vocês passaram juntos? Depois de tudo o que ela passou por você? Sério?

— Você não entende, Jim.

— Então me explica. Sei que não tenho que me meter, mas sou seu amigo, e Sara é como uma filha pra mim, você sabe disso mais do que ninguém.

— Eu sei. Sei que se importa com ela.

— Não vou falar nada pra ela, Gil, até porque disse que nem mesmo iria ligar pra você como estou fazendo agora. Eu só quero entender o que houve, pois sei que a ama como nunca amou nenhuma outra, e detesto ver Sara do jeito que está.

Não entrou em detalhes disso também, Sara não ia querer que ele soubesse que ela estava com problemas até de saúde por causa dele. Sua insônia, perda de peso — o que resultou em uma quase anemia — e seu cabelo sem vida eram denuncias claras da força que ela não tinha mais.

Grissom fez o mesmo discurso que fez a Sara no dia que a deixou em casa sozinha com sua dor. Não conseguia se abrir com facilidade e não era com Jim que isso aconteceria, só uma pessoa além de Sara tinha esse poder.

Brass resolveu não insistir quando soube que não conseguiria nada, mas disse uma coisa que Gil nunca iria esquecer.

— Um dia você vai se dar conta de que não fez isso para proteger Sara, e sim para proteger a si mesmo. O coração dela lhe pertence, mas você é o único que não vê… E ela não consegue nem odiá-lo por isso.

~ ♥ ~

Poucos dias se passaram e o laboratório não mudou muito depois que a CSI Sidle foi inocentada. Alguns pediram desculpas, outros fingiram que não fizeram nada de mais. Muitos deles só se sentiram mal quando Sara passou a ignorá-los ou tratá-los com frieza. É mal do ser humano julgar sem saber a história por trás, fofocar e depois fingir que nada aconteceu. Só quem sente é o assunto da fofoca, não quem a faz.

Foi fofa a preocupação de Nick na primeira cena de crime que Sara chegou, depois do ocorrido, perguntando se ela estava bem e depois só confirmando perguntando de novo.

Foi fofa não só a preocupação de Nick com ela, como a de Morgan com Ecklie e vice e versa, e de Greg com Morgan também, o que não era novidade.

Conrad estava preocupado, não sabia se aceitava o cargo de sheriff ou não. A conversa com sua filha foi franca e reconfortante. Ele não era o mesmo homem, todos gostavam dele agora — graças a chegada de Morgan —, e ele temia voltar a ser o que já foi se conseguisse esse cargo.

— A carta pra sheriff, você ainda não assinou.- disse a loira.

— Eu queria a sua opinião primeiro.

Morgan se sentou e foi sincera.

— Sorte deles se tiverem você. Não há ninguém mais qualificado.

— Ser sheriff é política, é… é supervisão…- ele estava inseguro.

— É sério, ninguém mais qualificado, você… dirigiu o melhor laboratório criminal do país…

— É, e eu era um cara grosso, exigente e… e também manipulador.

Preparem os guarda-chuvas, pois ele admitiu que era um cuzão. Vai chover!

— Não tem que voltar a ser assim.- disse ela.

— As pessoas podem melhorar, mas quem diz que não podem regredir?

— Eu digo!

— Tabom, mas… por que se arriscar?

Morgan tentou mais uma vez convencê-lo, apelando para os sentimentos. Sabia que aquilo era importante pra ele, assim como ela era, e sabia que ele estava preocupado com ela.

— Ué, eu me arrisquei… vindo aqui. Eu tinha tanta raiva e ódio por você, ela me moveu, mas eu… agora…- suspirou sorrindo sem jeito.

— Está mais velha e mais sábia?- ele também sorriu.

— Nem tão mais velha… Mas bem mais sábia.- e garantiu. — Eu não vou à lugar algum, pai… de jeito nenhum.

Conrad sorriu orgulhoso, tanto dele quanto dela. Era um novo homem e não sairia mais de perto de sua filha nunca mais.

Já a questão de Greg, na solução do caso, Morgan acabou tendo que atirar na criminosa pra se defender, estava escuro, cada um tinha ido para um lado e quando Greg ouviu o tiro, a única coisa que foi ouvida depois foi seu grito por Morgan. Quando correu até ela, suas mãos tremiam segurando a arma. Ele tirou da mão dela e perguntou se ela estava bem, aliviado por não vê-la ferida.

A pobrezinha se sentiu mal, pois nunca precisou atirar em ninguém. Aquilo lhe desestabilizou. Mas mesmo que não soubesse, ela sempre teria seu pai e Greg para lhe darem o apoio necessário. Assim como Sara sabia que teria o de todos eles também, principalmente Greg e Nick.

“Todo mundo tem segredos pra contar

Todo mundo tem que ter alguém pra confiar

Alguém que você possa desabafar

Alguém que o destino pôs pra te ajudar” ― Rebeldes

— Aí, Sara! Você podia ir lá em casa, né? Sam está com saudade de você.

Sam era o pastor alemão que Nick tinha adotado de um policial que morreu, o cão também trabalhava na polícia e tinha muito apego ao dono, mas fez de Nick seu novo melhor amigo. Sara tinha jeito com cães, por muito tempo criou um, então sempre que ia pra casa de Nick ela brincava com ele. Inclusive, a namorada de Nick — ou ex, não sabia se ele ainda estava com ela — tinha até um pouco de ciúme pelo cão gostar mais de Sara do que dela. Seu coração aquecia quando brincava com ele, pois sentia falta de Hank, e Sammy era igualmente carinhoso. Ir ver o cão ou vê-lo no laboratório quando Nick o levava a fazia bem.

— Sammy é um amor. Eu vou sim, estou precisando de um… amor canino.- sorriu.

— Grissom nem liga pra você ver o Hank né?- indagou Greg.

— Eu nem pedi isso a ele. Acho que nenhum de nós saberia o que fazer com uma chamada de vídeo ligada só por causa do Hank.- Sara deu de ombros um tanto triste, mas deu. — Sei que Gil vai cuidar bem dele…- suspirou. — A saudade é que vai ser difícil de aguentar.

“Silêncio, agora observe as estrelas

Caindo em uma parede de fogo

Eu estou esperando aqui

Esperando você chegar em casa [...]

Quando é que aprenderei que se eu esperar

Não significa que você voltará

Agora que todas as estrelas se foram,

Sumiram nas fendas da madrugada

E eu ainda estou esperando aqui

Esperando você chegar em casa” — Norah Jones

~ ♥ ~

Era plantão de quarta feira, a maioria dos investigadores do noturno estavam em casa, apenas Finn e Greg terminavam alguns relatórios. Assim que o mais novo terminou, recebeu uma mensagem de Nick combinando de ir até a casa de Sara ver como ela estava e se possível assistirem um filme juntos. Mesmo tentando superar o divórcio e dizendo que estava bem, Nick e Greg sabiam que ela estava murchando aos poucos e não queriam que isso acontecesse.

Como eles tinham o código de segurança e Sara disse que eles podiam ir lá a qualquer hora, eles mandaram uma mensagem avisando e foram pra lá. A casa estava silenciosa, acharam até que ela não estava em casa e teriam que voltar outra hora, mas estava, porém, dormindo.

Chegaram de mansinho e ao que tudo indicava o sonho não estava sendo muito bom. Ela estava agitada.

— Nick...- Greg o chamou. — Olha.- apontou com a cabeça para Sara e se aproximou mais da cama.

Nick fez o mesmo e concluiu:

— Ela está tendo um pesadelo.

— Temos que acordá-la, Nick.

Nick chegou mais pertinho de Sara e começou a chamá-la.

— Sara?- tocou seu ombro. — Maninha, acorda.

Sara continuava sonhando e Nick pôde ver uma lágrima escorrendo por seu rosto e pôde ouvir ela sussurrando o nome de Grissom. Olhou imediatamente para Greg que também tentou acordá-la.

Ela despertou assustada e com os olhos cheios de lágrimas. Seus amigos tentaram acalmá-la.

— Calma Sarinha...

— Shiii... Estamos aqui, maninha.- Nick a confortou em seu abraço.

Sara chorou nos braços do "irmão", soluçou e o abraçou mais forte. Seu alicerce agora era ele.

Depois que se acalmou, Sara fungou e olhou para o outro lado da cama, o travesseiro dele. Suspirou.

“Recordações não param

De atormentar minha cabeça com o que passou

Nossa história fica na minha memória como um filme que marcou

E me faz questionar se tudo o que nós vivemos juntos acabou

Você foi embora, mas deixou uma saudade e com ela a solidão

Que me apavora, que maltrata e machuca o meu coração

Que sofre por não ter a felicidade que está em suas mãos” ― Rick e Renner

Nick deu a volta na cama, pegou o travesseiro sob o olhar dela e de Greg, o guardou na parte de cima do guarda roupa e voltou para perto de Sara.

— Você vai fazer o seguinte, maninha... Você vai seguir em frente.

Ela custava a acreditar que aquilo era possível e fez cara de que não conseguiria. Parecia drama, mas não era.

— Não vou conseguir.- desviou o olhar e Nick logo tratou de fazê-la olhá-lo novamente.

— Vai sim! Olha pra mim.- Sara fez o que ele pediu. — Ele quis assim, Sara. Você não pode fazer nada.

— É culpa minha, não é?- sua voz embargou e seus olhos encheram de lágrimas novamente.

— Não, claro que não.

— É, Sara, você não tem culpa de nada.- Greg completou.

— Mas o que eu faço com esse sentimento? Eu o amo.- uma lágrima caiu, ela não queria chorar mais por ele. Ele não merecia.

Nick a secou.

— Sei que ama, sei disso. Não estou dizendo pra esquecer tudo o que viveram, pois eu tenho certeza que foi muito feliz com ele e que dividiram incríveis momentos. Eu via isso nos seus lindos olhinhos brilhantes.- ela forçou um sorriso. — São lembranças boas que você vai levar pro resto da vida, mas ela segue.

— Você não merece sofrer, Sara, merece ser feliz. Sei que é difícil, mas você vai conseguir superar e seguir em frente, afinal, você não estará sozinha.

— E nunca esteve.- sorriu de lado pra ela.

Sara deu um sorriso triste e abraçou seu amigo, seguido do outro. Agradecia a Deus todos os dias por ter colocado esses dois bobões em sua vida.

— Vocês são tudo o que eu tenho.

— E sempre vai ter.- Greg afirmou sorrindo. — É bom você voltar a dormir. Estamos de plantão, se surgir um caso o Russell liga gritando pra gente.

Sara riu, mas hesitou com medo dos pesadelos.

— A gente deita com você.- Greg percebeu e deu suporte.

— Mas não vão embora assim que eu dormir... não é?- ela não queria ficar sozinha e podia parecer drama, mas todos os dias ela dormia, acordava e estava sozinha. Por que não aproveitar o plantão e a companhia dos amigos?

— Não, vamos ficar com você.- Nick acariciou sua mão.

Sara sorriu de lado.

— Vem.- Greg deitou e a chamou pra aconchegar-se em seu peito. Sara o abraçou pela cintura. — Chega aí, Nick.- Greg o chamou também.

— Quer que eu deite no seu peito também, cara?- Nick brincou só para ver se conseguiria fazer Sara rir, e conseguiu. Sempre valia a pena fazê-la sorrir.

— Não, seu trouxa, é pra vir abraçar a Sarinha também.

Os três riram e Nick abraçou Sara por trás beijando seu ombro enquanto Greg acariciava os cabelos dela.

— Eu amo vocês.

— Também te amamos.- disseram juntos.

Ficaram conversando, jogando conversa fora até dar sono. Não demorou muito pra ela dormir.

— Sara?- Nick a chamou, mas não obteve resposta. — Ela dormiu.

— A gente vai ficar aqui?

— Prometemos pra ela.

— Bom, então boa noite, cara.

— Boa noite, amigão!

~ ♥ ~

Amanheceu, cinco e meia da manhã, ainda de plantão, e Russell ligou para Nick pedindo ajuda. Os meninos acordaram e prepararam o café para Sara, como os melhores amigos que eram e a acordaram pra avisar que iam embora e que o café estava pronto se ela estivesse com fome.

— Ainda estão aqui.- a morena sorriu.

— Claro que estamos.- disse Greg. — E preparamos seu desjejum.

— Será que está bom?- ela brincou.

— Olha lá hein!

Riram.

— Bom, nós temos que ir, Russell deixou você descansar mais um pouquinho. Mas queremos te dizer uma coisa.- sentaram-se mais perto e seguraram as mãos dela. Greg na direita e Nick na esquerda. — Você não deve esquecer que sempre pode contar com a gente pro que precisar. Qualquer coisa, a hora que for.

— Sempre.- enfatizou Greg. — Sabe o que significa essa palavra, Sarinha? Pro resto da vida, por toda a eternidade, até o mundo acabar, até depois que morrermos em todas as encarnações possíveis.

Nick e Sara gargalharam.

— Bobo!- Sara amava o jeito brincalhão de seu amigo. Ele havia amadurecido, mas certas coisas nunca mudam.

— Mas é sério, seja lá onde estivermos, se você precisar de nós, iremos até você num piscar de olhos.

— Exatamente.- Nick concordou.

Sara não sabia o que dizer. Havia sido presenteada com os melhores amigos do mundo! Os abraçou forte e deu um beijo no rosto de cada um, em agradecimento a todo o carinho e amor que eles davam a ela. Ela tinha certeza que não importava o tempo que passasse, a amizade deles só aumentaria.

~ ♥ ~

Um outro dia, Morgan quem quis lhe fazer companhia. Era sua folga e a loira estava de plantão. Como Sara ia dar uma organizada em suas coisas, Morgan quis ajudar.

A ideia de Sara era simples: guardar em uma caixa todas as lembranças que ela tinha com Grissom. Retratos, álbuns, pelúcias, joias, tudo, além da caixinha que já usava com o mesmo propósito. Com o intuito de: não ter que ficar olhando pra essas coisas todos os dias e ficar lembrando do quanto foi feliz e não era mais.

Se era pra seguir em frente, então que fosse pra guardar todo o seu passado a sete chaves no fundo do guarda-roupa, pois assim seria mais fácil — não esquecer — mas se conformar.

— Então… esse é o plano.- Sara explicou pra amiga o que ia fazer.

— Bom… não é que eu queira fazer você lembrar e reviver tudo, Sara, mas… eu queria tanto ver essas recordações.- os olhos verdes dela brilharam. — Acho que Finn, Russell e eu fomos os únicos que não vimos a melhor época de vocês, nunca os vimos juntos, não conhecemos os momentos que quase todos no laboratório comentavam e “invejavam”. Hodges já me disse que vocês eram tipo rei e rainha do baile, sabe?

Morgan falava de um jeito divertido e empolgado fazendo a morena sorrir.

— Não me importo de reviver tudo uma última vez. Gil foi a melhor parte da minha vida, por mais que eu tenha sofrido por ele. Posso te mostrar tudo com o maior prazer.

O entusiasmo de Morgan só aumentou. Mesmo nunca tendo visto os dois juntos, ela admirava o amor que sentiam um pelo outro pelo que demonstravam à distância. E dava pra ver nos olhos de Sara e em algumas fotos com ele, o quanto ela era apaixonada e amada.

— Então… como vocês se conheceram?

Sara relatou tudo, até se emocionou um pouco em algumas partes, contou enquanto guardava tudo o que achava, e quando acabou, Morgan também tinha lágrimas nos olhos. Não havia sobrado nenhuma fotografia, e em seu dedo já não havia mais aliança. Aliás, já tinha uns dias que não havia. Ela enfim conseguiu guardá-la numa caixa pra nunca mais ter que olhar pra ela.

~ ♥ ~

Um mês se passou. Sara ainda estava chateada com Hodges, mas seu trabalho não permitia que parasse de falar com ele, afinal, ele era técnico de laboratório e precisava dele pra ter o resultado de algumas análises de seus casos.

Mas o trabalho não a impedia de ser fria com ele, mesmo sendo educada. Nos primeiros dias até conseguiu ignorá-lo, mas teve um caso específico que ela mesma teve que ir checar o resultado da análise.

Quando chegou na sala, Hodges estava olhando por um microscópio e em sua cabeça havia ma touca de látex azul bebê parecendo de crochê com uma florzinha na lateral.

— Eu nem vou perguntar.- comentou a morena.

— Sério? Que decepção.

— Não, não vou mesmo.

— Mas eu coloquei pra você.- ele disse.

Sara fechou a cara sem alternativa, engraçada até. Ela precisava saber.

— Tá, explica.

Hodges explicou e enfim veio a conclusão.

— Homem casado na piscina de lama com duas mulheres, e uma delas admite ter flertado com ele. Romance no trabalho?

Sara sorriu.

— Eu sou suspeita pra falar disso.

— Só um palpite. Poderia levar a um assassinato.

Bom, como a vida dá voltas, Hodges provou um pouco do próprio veneno da desconfiança quando sua noiva Elisabetha achou um corpo numa piscina de lama estando acompanhada de um rapaz. Não foi acusado de trair como Sara foi, mas a sensação pelo menos por um momento de que foi traído também não foi muito boa, e imaginou como a própria noiva se sentiu com o julgamento. Foi o bastante para ele se desculpar com Sara mais uma vez.

A morena até deu uma trégua porque não era de seu feitio guardar mágoa dos outros além de Grissom, isso não lhe fazia bem e era bom manter os relacionamentos saudáveis.

Ok, já com o caso resolvido, Sara foi até a recepção encontrar a viúva da vítima pra devolver a aliança do marido pra ela. Era simbólico e não tinha porque ficar com a polícia. A moça agradeceu e assinou os papéis que precisava assinar.

— O exame de sangue confirmou sua doença. Espero que um dia alguma droga te ajude.

A moça suspirou e olhou bem pra joia em sua mão. Depois olhou bem para Sara.

— Você… já voou nos seus sonhos?

Sara achou estranha a pergunta

— Desde que ele morreu eu fico… entorpecida durante o dia, mas quando eu durmo… eu estou saudável, livre… e eu voo. E de alguma maneira ele está comigo... Aí eu acordo e… vejo que eu estou sozinha, mas… já não estou tão triste… porque eu consigo sentir a presença dele.- a voz embarga e lágrimas acumulam.

— Vocês devem ter se amado de verdade.- Sara comentou. — Eu sinto muito.

— Talvez um dia inventem uma droga que possa me salvar, talvez não… mas eu só sei que quando eu me lembro… de tudo o que a gente viveu… eu não sinto medo.

Dito isso, ela só olhou para Sara mais uma vez e foi embora com a aliança do marido em mãos.

Sara ficou olhando ela se afastar, com o olhar triste e distante. Em parte, se identificava com o que ela disse. Nunca sonhou que estava voando, mas nos sonhos era o único lugar onde ela encontrava Grissom agora. As vezes se sentia como ela, se sentia bem, saudável e livre, outras era o oposto. As vezes tinha pesadelos e revivia o dia em que ele a deixou, e doía, era sempre nesses sonhos que quando acordava procurava consolo e colo, mas sempre estava sozinha.

Também se lembrava de tudo que viveu com ele com muito carinho, pois foi muito feliz enquanto estavam juntos e não se arrependia de nada que fez anos atrás. Gil foi, é e sempre será o grande amor de sua vida, e disso ela nunca esqueceria, mesmo que ele esquecesse.

Lembrou do que disse para Hodges, de que era suspeita pra falar de romance no trabalho e deixou que sua mente viajasse para aquele tempo. Sorriu com melancolia e Greg passou bem na hora.

— Hey… Você está bem?

— Sim, é que… Acabei de falar com Mary e… ela disse umas coisas que eu… me identifiquei.

Greg demorou um pouco, mas conseguiu entender que ela se referia à perda da moça e em como ela amava o marido.

— Grissom ainda ronda seus pensamentos, não é?

— Não consigo evitar.

~ ♥ ~

Uma semana se passou e Sara recebeu uma ligação do laboratório criminal de São Francisco. A ligação era importante e o assunto mais ainda, ela precisava falar com seu supervisor a respeito. E foi isso que fez assim que o caso sobre “fantasmas” que investigaram foi solucionado.

— Oi. Você tem um minuto?

— Sim.- ele apontou a cadeira pra ela e ambos sentaram um de frente pro outro.

— Antes de eu vir pra Vegas, eu trabalhei em São Francisco. Ajudei a prender um cara, um sociopata na verdade. Ele fingiu que era policial, parava mulheres à noite, as agredia sadicamente. Encontramos 17 vítimas. E suspeito que hajam mais.

— Fala de Lyle Brigs, certo?

Sara fez cara de surpresa: — É.

— Não sabia que você fez parte do caso.

— Ele vai tentar a condicional. A investigadora com quem eu trabalhei… acha que ele tem chance de conseguir.

— Certo. O que posso fazer?

— Preciso de uns dias. Quero estar lá, quero depor, ajudar. Quero ter certeza de que isso não vai acontecer.

— Entendo.- ele assentiu e legal como era, não recusou. — Tudo bem. Mas... enquanto estiver lá, faça-me um favor.- Sara arqueou as sobrancelhas. — Tire umas férias. Esse últimos meses foram intensos.- Sara tirou uma ou duas folgas por insistência dele e só, estava trabalhando direto e se recusava a dar uma pausa. — Você merece.

Sara desviou o olhar balançando a cabeça como se estivesse cansada dele insistir que ela fizesse isso.

— Está bem. Só acho que tem exagerado um pouco.

— Eu preciso me distrair, manter a mente ocupada. Não posso “tirar férias”. Por favor, DB, não me faça fazer isso a força…- ela pediu com a voz calma.

— Eu sei, eu sei…- ele suspirou vencido e tocado pelo pedido dela. Estava sendo difícil e faria o possível para ajudá-la.

Greg e Morgan passaram pela sala nesse momento e estavam um pouco pálidos.

— Hey!- Russell chamou a atenção deles.

— O que houve?- Sara olhou pra eles também. — Parece que viram um fantasma.

— Não vimos, mas foi bizarro.- comentou a loira.

— Como assim?

— Convidei Greg para um café, ele fechou o armário que estava aberto para me acompanhar e quando estávamos saindo, o armário abriu sozinho.

— É sério, sozinho.- Greg confirmou. — Paralisamos, mas depois saímos correndo da sala.- ele começou a rir e ela também.

— Bom, como os dois viram, eu acredito. Não tem como os dois terem alucinado isso, né Russell?- Sara sorriu.

— Ou será que tem?- Russell brincou.

— Ah, qual é!- disseram fazendo Russell e Sara sorrirem.

— Então estão indo tomar um café?- Sara disse em um tom provocativo porém sutil.

— É, quer ir junto?- Morgan ignorou a provocação fazendo o possível pra não ficar vermelha.

— Não, obrigada. Divirtam-se.

Quando os dois saíram, Sara voltou a olhar para Russell.

— Eles não admitem, não é?- perguntou ele balançando a cabeça.

— Não.- Sara riu.

~ ♥ ~

No dia seguinte, Sara teve que ir ao médico pois não melhorou da insônia e os sintomas de anemia pioraram. O médico que teve que receitar mais um remédio, não estava sendo fácil.

E pra piorar, não falava com Abby há meses. Ela não atendia suas ligações, nunca mais a viu. Até esse dia que Sara voltava do hospital e passava perto de um beco. Havia um grupo de garotos fumando e fazendo arruaça, e Sara conseguiu ver Abby se juntando a eles com mais duas meninas.

Ficou observando preocupada. Abby não fumava, nem bebia nada, só observava e ria. Menos mal.

Um dos garotos chegou perto dela e segurou seu braço com certa intimidade. Sara já tinha visto aquele garoto antes, era encrenca. Já tinha passado pela delegacia algumas vezes por perturbação da paz e uso de drogas.

Foi com decepção que Sara viu os dois trocarem um beijo e depois o viu dar um cigarro pra ela que hesitava em pegar. Sara não deixaria aquele delinquente levar Abby pro mal caminho, sua Abby não.

Saiu do carro e gritou.

— Abby!

— Sara?- ela pareceu assustada. — O que faz aqui?

— Te faço a mesma pergunta. Sai de perto dela!- ordenou ao garoto que deu um passo pra trás.

— Não! Ele não vai sair!- Abby rebateu, rebelde. — Ele é meu namorado!

— Você só pode ter perdido o juízo, Abby! Esse moleque é um delinquente!

— Aí! Delinquente não!- ele se defendeu.

— Dá o fora daqui antes que eu pegue esse seu baseado e te prenda de novo, oh marginal! Seus pais sabem o que você faz?

O garoto saiu correndo e Abby gritou por ele.

— Slade!

— O que há de errado com você? Por que está agindo assim?- tentava manter a voz firme, mas não conseguia.

— A culpa é sua!

— Não, não é!- Sara sentiu a voz embargar deixando as emoções das ultimas semanas tomarem conta dela.

Foi então que percebeu marcas nos pulsos dela, pegou seu braço na hora, mas sem agressividade.

— Que cortes são esses, Abby?

Abby nem tinha se tocado que Sara pudesse ver, tinha até esquecido das cicatrizes ainda vermelhas por serem recentes.

A menina puxou o braço brutalmente mesmo ficando desconcertada pela CSI ter visto sua mutilação.

— Não é da sua conta!

— É da minha conta sim!- Sara estava num misto de preocupação e raiva por Abby estar falando com ela daquele jeito. — Por que fez isso?

— Você ainda pergunta? Queria ter a vida que eu tenho??

— Eu tive a vida que você tem!- Abby paralisou por um segundo com essa frase, mas voltou a ficar como estava, com cara de brava e desafiadora. — O que deu em você? Não pode fazer essas coisas... Tem noção do quão grave isso é??

— Você não se importa!!

— Eu estou cansada disso, Abby! Eu sempre fiz o que podia pra te proteger e cuidar de você. Minha vida ganhou um novo sentido depois que te conheci. Eu precisei tanto de você nos últimos meses quando você precisou de mim! Mas você pegou o fato de eu não poder te adotar e jogou contra mim. Deus sabe o quanto eu queria! Grissom não é mais meu marido, eu estou sozinha como você.- Abby se preocupou na hora com a revelação do divórcio e sua expressão de raiva tomou lugar a uma de surpresa. — Você só consegue pensar no fato de seu não te adotar, não os meus motivos. Minha vida está um inferno tanto quanto a sua. Eu sinto sua falta. Sinto falta de sair pra tomar sorvete, arrumar seu cabelo, ler pra você dormir, te proteger dos pesadelos, te ouvir cantar, fazer você rir, te ensinar cálculos… Tem noção de que eu consegui fazer tudo isso sem te adotar, Abby?

A menina desviou o olhar refletindo sobre o que ela falava, mas sua expressão continuava dura, como se mesmo ouvindo tudo aquilo não mudaria de ideia. Sara ficou magoada com a indiferença que ela aparentava demonstrar.

— Hannah ia querer que vivesse por ela, não é justo desistir assim, eu não aguentaria se isso acontecesse. Você é mais forte do que parece.

— Não sabe nada sobre mim agora!

Sara suspirou.

— Não quero que siga os caminhos errados… e Slade está nesse caminho.- enfim deu-se por vencida, não ia adiantar insistir. — Eu espero que escolha o certo e que saiba que pode comigo independente do que for. Só não tenta mais isso...- apontou para os cortes e os acariciou por um momento. —... por favor.

Abby ficou sem jeito, mas continuou com a pose de durona rebelde, o que ela definitivamente não tinha, como Grissom em sua primeira semana em São Francisco. Sara sorriu internamente com isso.

— Seus amigos estão esperando.

Sara deu as costas e voltou pro carro. Aparentemente Abby achava que era dona do próprio nariz, e as vezes é preciso deixar que eles vejam sozinhos o que não é legal, pra depois não dizer que não avisou. A vida é feita disso, quebrar a cara e aprender concertar depois, levando sabedoria consigo.

Um dia ela entenderia.

E claro que depois de ver aqueles cortes, Sara ficaria de olho nela com mais freqüência. Não queria de jeito nenhum que ela conseguisse fazer aquilo e como Abby não a queria por perto, era o único jeito... Observar de longe.

Notas finais
É isto, muitos acontecimentos: Brass dando bronca no Gil; Ecklie inseguro com o cargo de sheriff e recebendo apoio da Morgan; Greg como sempre se preocupando com ela; Sara recebendo colo dos amigos e conselhos pra seguir em frente; a "reaproximação" da Sara e do Hodges; o pedido da Sara pra viajar; e o fim com a Abby... uffa! O que acharam disso tudo? Digam aqui pra mim ♥ Pamella sua linda, obrigada por me apresentar aquelas músicas na Norah Jones shaushaj eu só conhecia Good Morning ♥ Abraço de urso e até o próximo :3