Love Story

2 O 'Noivo' Desconhecido


Notas iniciais
e ai galerinha do bem! estamos postando mais um capitulo da nossa fic, tcham tcham tcham! Quem será o novo noivo da Magali? E pq a Mô está chateada com ela? As duas voltaram a ser amigas? Descubra agora! - e não esqueça de comentar e dar cinco. estrelhinhas. :D

beijos e boa leitura,

Laay e Lacilira. :* a musica do capitulo é Ainda Bem, de Vanessa da Mata. link abaixo. :P link: http://www.youtube.com/watch?v=CFOWKaCLMqg divirtam-se.

6:48P.M.;TEATRO DO LIMOEIRO.

Após atravessar a multidão de figurantes que se faziam de convidados, eu o vi. Para dizer a verdade, nem sei o que senti na hora que vi seu cabelo de tom castanho escuro e espetado, ou como os olhos amendoados pareciam entediados no que devia ser seu próprio casamento – acho que, acima de tudo, fiquei confusa.

Ainda bem
Que você vive comigo

Virei meu rosto para Mônica, no exato momento em que passava por ela. Tentei modelar com os lábios as palavras ‘eu não sabia de nada’. Talvez ela tenha entendido, se há expressão um pouco mais amistosa sirva como sinal. Mais leve, porem ainda confusa, deixei que Titi me conduzisse livremente.

Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá

Estava ao lado de Cebolinha muito antes do previsto, e Titi foi perfeito ao fazer o pai preocupado que entrega, receoso, a filha para o pretendente. Meu amigo de infância acenou confortante com a cabeça e tocou minhas mãos levemente. Seus dedos pareceram um pouco ásperos ao primeiro toque – é, sou muito observadora mesmo. – e ele beijou a face de minhas duas bochechas delicadamente. Adquiri um tom de vermelho vivo. Agradeci por não ter sido o selinho do roteiro. Como Joaquim e eu somos verdadeiramente namorados, não existia problema em toques de lábios.

Nos dias frios
Em que nós estamos juntos

Ajoelhamos-nos e ficamos parados, fingindo nos importas com as baboseiras que Cascão – como sempre, o padre/frei – dizia metodicamente. Eu estava muito concentrada em minha própria vergonha.

Nos abraçamos sob o nosso conforto
De amar, de amar

- O que foi? – perguntou Cebolinha, aproximando mais a boca de meu ouvido. E claro, apenas o suficiente para que eu escute e a platéia não perceba o movimento. Arfo. Nunca vou me acostumar com proximidade do sexo oposto. Quero dizer, já me acostumei com o Joaquim.

Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar

- Não foi nada. – disse, aparentando irritada. Porque todo mundo acha que tem algo errado comigo hoje? – Só que não esperava... Bem, você.

- Como assim? – desta vez, ele pareceu confuso.

As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega

- É que ninguém me avisou que o Joaquim não vinha, entendeu? – sussurrei, tentando não tirar os olhos de Cascão e manter a voz baixa. – Eu não fazia idéia que seria você o meu noivo. Foi uma surpresa e tanto.

Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão

- Ah. Claro. – Ele pareceu completamente ausente. Seguindo o ponto onde seus olhos pousavam, distantes, percebi que ele olhava o tempo inteiro para a Mônica – Magali, me esclarece uma coisa?

Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

- Bem, depende. – respondi, desconfiada. Ele voltou a prestar atenção em mim. Cebola

quase rio ao pronunciar as palavras seguintes.

-Você não esta assim apenas por causa deste ‘inconveniente’, não é mesmo? – o percebi querendo se explodir em gargalhadas. Senti-me ofendida com a idéia de alguém querendo rir da minha desgraça e o lancei uma fitada maldosa.

Ainda bem
Que você vive comigo

- Dá para perceber tanto assim? – resmunguei baixinho. Cascão perguntou algo direcionado a mim e, involuntariamente, respondi bem alto e claro: ‘aceito’. E voltei a dirigir a palavra a meu outro amigo, com que, acrescento, estou casando neste momento. – A Mônica está chateada comigo. Muito. Chateada.

Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá

Fizemos um momento de silencio, enquanto meu noivo me aceitava, na alegria e na doença, na felicidade e na tristeza. Revirei meus olhos castanhos. Voltamos a conversar sussurrando, entre as juras e as alianças, e colocávamos no dedo um do outro.

Nos dias frios
Em que nós estamos juntos

- Ué. E por quê? – o olhei pasma após a pergunta. Sério, esse garoto é cego? Segurei-me para não berrar ali mesmo, no meio da minha cerimônia de casamento. E o Cê ainda teve cara para acrescentar, depois de um tempo: — Vocês sempre foram tão amigas. É estranho ver vocês brigadas.

Nos abraçamos sob o nosso conforto
De amar, de amar

-Meu Caro Cebolinha – o chamei pelo apelido antigo, apenas para deixa-lo irritado. E, aparentemente, funcionou. – Será possível que você é cego, surdo e mudo o bastante para não ter percebido que a Mônica... – sem querer alterei a voz. Cascão nos lançou um olhar sensor e indignado. Ops. Tomei cuidado ao prosseguir. – é (muito) afim de você?

Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar

Cebola pareceu um pouco lisonjeado, sorrindo de orelha a orelha. Porém sua face não adquiriu aquela ‘famosa’ expressão surpresa, o que me deixou sem duvidas. Ele sempre soube, igual a qualquer um que analisasse Mônica próxima dele por mais de um minuto.

As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega

- Pode beijar a noiva.– decretou Cascão, fazendo-me dar um salto no lugar e soar frio. Engoli em seco e fitei desesperadamente Cebolinha, que quase tinha convulsão de tanto segurar o riso. Acho que fiquei vermelha até o couro cabeludo.

Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão

- Não tenha um ataque cardíaco – alertou-me ele, antes mesmo de começar a aproximar seu rosto do meu, já completamente envergonhada. Quase tocando meus lábios, ele desviou rapidamente e acabou por dar o beijo no canto da boca. Suspirei aliviada ao ouvir as palmas vindas da platéia.

Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

Sorri ao virar-me, para o inicio da quadrilha. Meu riso feliz – pelo sucesso – cessou ao ver o rosto ardendo em fúria de milha melhor amiga, que já não estava muito alegre com minha pessoa no inicio da apresentação. Um medo bastante irracional passou por mim.

Neste mundo de tantos anos
Entre tantos outros

Que sorte a nossa heim?

Apenas para piorar minha situação, o Cê tentou agir em minha defesa. ‘Ela não teve culpa de nada’ – li em seus lábios. ‘Conversamos mais tarde’ – os lábios de Mônica produziram as palavras mudas. Não soube se a frase foi direcionada a mim ou a ele. Ou talvez aos dois.


Entre tantas paixões

Esse encontro nós dois
Esse amor

Formamos a coreografia da quadrilha, e tentei não desviar os olhos de Cebola, apenas para não encontrar com a expressão raivosa, chateada e magoada – injustamente. Eu sou inocente. E após a dança animada dos convidados, que faziam alguns passos de forró simples em torno dos noivos, nós dois começamos a dançar no ritmo da musica.

Entre tantos outros
Entre tantos anos

Era bastante interessante a forma como ele sabia me conduzir. Tocando de leve em minha cintura coberta pelo fino pano branco de noiva, enquanto eu apoiava minha mão delicada e feminina em seu ombro tão... forte e músculo – só reparando que não é apenas o Joaquim que tem músculos. Engoli em seco e virei um pouco o rosto, dando praticamente de cada com a Mônica e seu novo par, o Xaveco. Errei a passada.

Que sorte a nossa heim?
Entre tantas paixões

- Magali, o que está acontecendo? – perguntou meu amigo ‘noivo’, sussurrando. Ele conseguiu salvar o passo, e torço que apenas os que sabiam a coreografia tenham percebido o erro. – Você está muito avoada.

- É a Mônica. Ela parece muito chateada mesmo. – esclareci, passando a coreografia inteira na mente e tentando não errar. Pareceu dar certo e me senti mais segura. – Droga de beijo. Estava pensando que tinha conseguido contorna-la um pouco.

- Ela não tem motivo para sentir tantos ciúmes. – disse-me ele, abrindo um sorriso muitíssimo malicioso. – Principalmente na hora festa, aonde irei recompensá-la de todas as formas possíveis por isso.

Esse encontro nós dois esse amor

Enjoei-me com a imensa cara de pau dele. Garotos são todos iguais, vergonha zero, malicia dez. Notifiquei a mim mesma que teria sonhos muito melhores sem saber o que minha melhor amiga e o meu noivo – de brincadeira, claro – andam fazendo na festa junina organizada pelo elenco da peça.

A nossa dança acabou e precisávamos ir a um canto do palco, para esperar o próximo ato teatral – uma dança qualquer das meninas. Bati palmas no ritmo da musica, igual a todos os outros que não participavam da mesma. Cebolinha tocou meu cotovelo com os dedos.

- Oi? – tive de falar com voz alterada, por causa da musica alta.

Entre tantas paixões

- É impressão minha ou você ficou incomodada com o meu semi-beijo? – perguntou ele, e quase me fez engasgar com o nada. Não existia malicia em sua voz, e sim um pouco de, impressionantemente, preocupação.

Esse encontro nós dois esse amor.

- Mas é claro que não! – berrei alto de mais, no exato segundo em que a musica cessou, fazendo todos no teatro olhar, por reflexo, para mim. Corei.

Ai. Já disse que minha vida é uma delicia?

Notas finais
espero que todo mundo tenha curtido ler tanto quanto nós duas curtimos escrever. :D
mandem reviews - que não mata e não engorda. - e fiquem na paz. :*