Love Song
11 Capítulo 11
Capítulo 11 –
Como prometido, Touma e Cia. foram ao Kinky’s ver o desempenho do Garage Sale. O que Yumi e seus amigos não esperavam era que o bar seria fechado para Nittle Grasper e amigos. Isso não a intimidava, mas ela não gostava de abuso de poder. Hoje os clientes regulares do bar sabiam que eles fariam cover de suas bandas favoritas, mas não poderiam ouvi-los tocar.
Yumi tocou e cantou até ficar exausta e resolveu fazer uma pausa após “Viva La Vida”. Eles resolveram alternar entre covers e suas composições.
– Muito obrigada por terem vindo. – Ela foi cumprimentar o pessoal da Grasper, junto com Kyo e Rui, que estavam muito nervosos.
– É um prazer estar aqui, Ryuichi não estava errado sobre vocês – disse Touma, educado. – Qual o nome daquela música que vocês tocaram antes desta última?
– “Be like him”. É... uma de minhas composições. O senhor gostou?
– É diferente do trabalho da Grasper, mas sei que faria sucesso com um arranjo diferente. Vocês são seguros de si e bons o suficiente, por que se contentam em tocar por trocos em barzinho?
– Bem, eu... – Yumi estava francamente sem jeito – Eu não tinha ideia de que era boa assim como o senhor está dizendo. Mas mandamos demos para várias gravadoras e fomos recusados por todas. Não tentamos a NG-Records por achar que era ambicioso demais para começar e resolvemos juntar dinheiro para gravar através do nosso próprio selo. Atrevido, eu sei, mas era a única solução.
– TOUMAAAAAAAAAA! – Ryuichi veio se jogando em cima de Touma segurando um coelhinho rosa – Você ouviu? Ouviu? Eu não disse?
– Ryuichi-san – disse Touma, sorrindo – É sobre isso mesmo que estamos discutindo.
– Eu quero que cantemos juntos! – ele foi para o lado de Yumi e a olhou com olhos de gatinho carente – Eu tenho uma ideia! Touma, eles podem abrir o show que a Grasper vai fazer nos em Nova York! Podem cantar aquela música que eu ouvi quando vim aqui pela primeira vez!
– Ryuichi-san! – disse Touma, espantado com a ousadia da ideia.
– Sério, Ryuichi, isso não é necessário... Podemos ir aos poucos... – disse Yumi.
– Me chame de Ryu-chan! E sim, eu quero que cantemos juntos a música final! – ele estava praticamente chorando como uma criança que não podia ser contrariada.
Mas Touma sabia que por trás das palhaçadas de Ryuichi sempre havia algo a ser levado a sério. E se ele estava sugerindo isso, é porque ele confiava no potencial dessa banda tanto ou mais do que o próprio Touma.
– O quanto você conhece da Nittle Grasper, Yumi-san? – perguntou Touma resignado. Kyo e Rui, que até agora não haviam dito uma palavra, esgasgaram.
– Bem, eu...
– Você vai precisar fazer sua lição de casa. – disse Touma. – Agora vocês são membros da NG-Records. Não oficialmente, só falta assinarem os papéis, mas é como se já fossem.
Rui estava branco como cera, Kyo tremia, Yumi se controlava para não chorar, mas todos mantiveram o controle.
– E se você insiste, Ryuichi, eles irão abrir o show e ela pode cantar uma música com você. Você é o astro, você escolhe. Com licença, vou beber algo. Negócios dão muita sede.
– É um sonho agora, Yumi? – perguntou Kyo.
– Quase...
– Parabéns! – Ryuichi disse, agitando aquele coelhinho rosa na cara de Yumi.
Então, inesperadamente, ela pegou o bichinho de pelúcia e deu um beijo. Devolvendo-o para Ryuichi, ela agradeceu, do fundo do coração.
***
Kyo sentou no bar e pediu uma dose de whisky. Era emoção demais para uma noite só.
– Ouvi dizer que whisky é ruim para a voz, mas também, o que eu sei? Pode ser só um boato. – disse o homem que estava sentado ao lado de Kyo, puxando conversa.
– Não, é verdade. – disse Kyo, tomando um gole de seu whisky sem gelo, do jeito que ele gostava.
– E você não fica preocupado? Acaba de assinar um contrato com a NG-Records...
– Eu não sou bem um cantor, vou deixar tudo nas costas da Yumi. Fico só com a guitarra mesmo.
– É uma pena. Sua voz é linda. E você...
Kyo se voltou para olhar para o homem, franzindo as sobrancelhas. E sim, ele o conhecia.
– Você é Tatsuha Uesugi? – perguntou Kyo àquela beleza morena que contrastava com seu irmão, que era dourado.
– Desculpe, mas não me lembro de você... De onde me conhece? – perguntou Tatsuha.
– Dos meus sonhos. Quer dizer, eu vi sua foto num livro da Yumi. Deus como estou soando ridículo. Ás vezes não consigo controlar minha língua.
–Ah, mas eu não quero que você a controle... – ronronou Tatsuha.
– Erm. Bem, como eu dizia, minha irmã tem um livro sobre seu irmão, Yuki Eiri e nele fala sobre você também.
– E você leu as partes sobre mim? Ou preferiu as que falavam sobre meu irmão?
Kyo riu, e seus olhos azuis se iluminaram.
– Eu não gosto de loiros. Muito menos de escritores.
– É? E do que você gosta?
– No momento eu gostaria é de sair daqui. Você não gostaria de dar o fora daqui e ir pra outro lugar?
Tatsuha deu um risinho de cumplicidade.
– No momento, não há nada que eu queira mais nesse mundo.
Se Kyo pudesse falar com Yumi agora diria que sim, isso definitivamente era um sonho.
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