Love Portal
6 Capítulo 6 - And so, we meet again.
Notas iniciais
Então, oi -q
Demorei um pouco mais, desculpem :X A inspiração pra essa fic foi passear esses dias, mas voltou hoje por tempo o bastante pra eu terminar o capítulo.
Aqui o video de hoje - http://www.youtube.com/watch?v=dHYbnqI7cao - de 3:15 até 3:55, ou até 4:15 pra quem quiser ver até a hora do elevador. Só tem mais um pouquinho de canon agora.
Espero que gostem :)
Nem pensei. Atirei-me contra o vidro e comecei a gritar o nome dele, apesar de ter quase certeza que ele não poderia me ouvir — até porque, não saiu nenhum som da minha boca.
Frank virou a cabeça em minha direção, confuso, como se não tivesse certeza do que fazia. Então arregalou os olhos. Andou hesitante para mais perto, ficando logo abaixo de onde eu estava. Observei-o de cima, vendo os fios de seu cabelo penderem soltos sobre seus olhos. Senti um atordoamento ao vê-lo, como se algum pensamento estivesse tentando chegar à minha consciência e não conseguisse.
— Oh, aí está você.
Desviei o olhar para uma das câmeras da GLaDOS, dentro da câmara de teste, que se virou para mim. Frank também olhou, parecendo ainda mais confuso. Ele fez um gesto para mim e para a câmera como se perguntasse “vocês se conhecem?”. Eu não sabia o que responder, e, de qualquer jeito, GLaDOS falou por mim.
— Por favor, ignore o estranho atrás do vidro. Volte para o teste — ela claramente estava se dirigindo à Frank, mas ele parecia muito intrigado comigo. Com certeza também sentia algo ao me ver, eu tinha certeza.
Coloquei a mão sobre o vidro e ele esticou a dele, mas era muito alto para que me alcançasse. Balancei a cabeça e tentei fazê-lo entender que ele devia esperar, não devia sair de lá. Ele assentiu e eu me afastei.
— Onde você está indo? — GLaDOS falou, dessa vez para mim, enquanto eu saía da sala e passava pelo escritório arruinado. Tive a impressão de que, dessa vez, Frank não pôde ouvi-la. Ela com certeza controlava onde queria que sua voz saísse.
Ignorei-a — não que eu pudesse fazer outra coisa — e fui pelo corredor que eu havia passado antes. Parei subitamente e me lembrei de algo. Voltei correndo para a sala e peguei as duas pastas que eu havia lido, antes de ir novamente para o corredor. Então olhei para os lados, mas não havia passagem para a câmara onde Frank esperava. Bufei e andei para o único local que sobrara.
Joguei um portal acima de uma plataforma, já que a escada para ela estava quebrada, e voei para uma outra através de portais. Fui ficando cada vez mais apreensivo; eu não sabia para onde estava indo, e Frank estava lá me esperando. Mas eu precisava tentar.
— O que você está fazendo? — GLaDOS perguntou. — Você não escapou, sabe. Você nem está indo pelo lado certo.
Se eu não estivesse tão preocupado em chegar à câmara de teste, eu iria atrás da central dessa robô ou sei lá onde ela é operada, e cortaria fio por fio dessa infeliz. Realmente.
Achei um lugar meio suspeito. Era como um tubo, quebrado em uma parte. Olhei para dentro dele e vi cubos passando velozes. Bem, eu não tinha mesmo outro lugar para ir... e se era por ali que os cubos passavam, era lógico pensar que eu acabaria em uma das câmaras que precisavam de cubos, certo?
Respirei fundo e entrei pelo buraco do tubo, sentindo imediatamente um vento cortante atravessar o espaço e me sugar para frente. Eu não controlava para onde ia, passando por caminhos aleatórios e já quase me batendo por ter decidido entrar ali.
— Olá? Tem alguém aí? — GLaDOS não conseguia permanecer convincente por muito tempo, não é?
Então, tão rápido quanto começou, eu parei. Olhei para baixo e percebi que estava sobre um dos aparelhos que depositavam cubos nos testes. Era isso, eu conseguira!
O buraco sob meus pés se abriu e eu caí na câmara.
— Ok, o teste acabou agora. Volte para a área de recuperação para o seu bolo.
Olhei para frente e vi Frank. Dei um sorrisinho sem graça e acenei. Ele me observou incrédulo, sem saber o que dizer; se bem que ele talvez também não pudesse falar.
— Foi um teste divertido — GLaDOS continuou. — E estamos impressionados com o quanto você ganhou. O teste acabou. Volte!
Frank olhou rapidamente para cima e arregalou os olhos. Correu em minha direção e me empurrou, caindo sobre mim; só entendi o que aconteceu quando um cubo caiu exatamente onde eu estava. Não fora muito inteligente ficar parado ali.
Tentei falar “obrigado”, mas minha voz não saiu, claro. Seu rosto estava muito próximo do meu, e ele me olhava penetrantemente. De repente se deu conta do que estava acontecendo e pulou para trás, corando e esticando a mão para me ajudar a levantar.
— Desculpe — ele murmurou, e ouvir sua voz foi um alívio que quase me fez cair de novo. Eu precisava ouvir algo além de GLaDOS, e nada poderia ser melhor que aquela voz doce e melodiosa.
— Por favor, voltem para o elevador anterior. Vocês não precisam terminar esse teste. É só voltar e já terão seu bolo.
Frank suspirou e balançou a cabeça. Pelo jeito, já não acreditava em GLaDOS também. A porta por onde ele entrara estava aberta, nos aguardando, mas não nos movemos.
Eu peguei as pastas, que ficaram esmagadas sob meu braço, e as entreguei. Ele precisava entender que eu não conseguia falar, ou a situação ficaria ainda mais difícil.
Frank pegou as duas pastas, curioso.
— O que é isso?
Fiz um gesto para que ele começasse logo e fiquei ao seu lado, acompanhando seu dedo enquanto ele avançava na leitura. Sua testa se franzia a cada linha, e quando ele chegou na parte das sequelas, eu apontei freneticamente.
— O que você quer dizer? — ele perguntou. — Você... você não pode falar?
Assenti tristemente e ele soltou um xingamento.
— Não acredito, Gee...
Olhei estupefato para ele. Ele sabia meu nome? Eu não mostrara minha ficha. Quer dizer que ele realmente me reconhecera!
— Ahn... — ele sussurrou, corando outra vez. — Seu nome é Gerard, né? Eu... eu não tinha certeza, é só que pareceu...
Concordei, sorrindo para tranquilizá-lo. Então perda de memória o atingiu também. Que ótimo.
— Vocês realmente deviam voltar... — GLaDOS começou. Frank bufou irritado e se virou para uma das câmeras. Sorriu cinicamente e mostrou o dedo do meio para ela, o que me fez rir com vontade.
— Eu reconheço esses gestos humanos, ok? E não me magoam nem um pouco!
Eu ri de novo e apontei a arma para a câmera, criando um portal e fazendo-a cair.
— Só porque eu não posso vê-los não quer dizer que eu não posso mais falar, sabe?
É, eu sabia, mas foi divertido do mesmo jeito.
— Mandou bem — Frank disse, lançando-me uma piscadela antes de voltar a ler. Dessa vez fui eu quem corou.
Aguardei enquanto ele terminava de ler. Em certo momento, ele olhou para cima, parecendo um pouco assustado.
— O que você fez com eles? — perguntou, e eu levei um instante para perceber que ele falava com GLaDOS, sobre as pessoas que haviam trabalhado ali.
Não houve resposta por algum tempo. O silêncio era pior do que uma resposta sincera, e acho que ela sabia disso. Quando Frank finalmente virou o rosto para mim, desistindo, ela falou.
— O mesmo que eu farei com vocês se não voltarem agora — seu tom era decididamente macabro. Ela fez uma pausa, e quando sua voz retornou, estava falsamente animada. — … Comer o bolo sozinha!
Revirei os olhos, mas a ameaça me preocupou. Era bom ter companhia, mas eu não queria que nada acontecesse com Frank.
Nós nos encaramos, pensando no que fazer. A porta por onde GLaDOS queria que entrássemos estava aberta. Olhamos imediatamente para o outro lado.
Não havia alternativa se não ir para a saída da câmara. Nos entreolhamos, demos de ombro e fomos. Demos um jeito de passar o cubo que quase caíra na minha cabeça para o outro lado, e ele ficou sobre o botão que abria a porta.
Ao chegarmos no lugar onde teria o elevador, vimos que ele não estava lá. Aproximei-me cuidadosamente e olhei para baixo. É, teríamos que pular.
Eu já estava com um pé no buraco quando senti Frank me segurando.
— Tá louco? Olha a altura disso!
Apontei para os objetos em nossas pernas que nos preveniam de quedas, e ele deu um sorriso sem graça.
— Ah, é... ok.
Ri baixinho de sua timidez e observei por mais um segundo suas bochechas ficando vermelhas. Então me virei e me preparei para pular; eu sabia que cairíamos novamente nas salas sombrias e cheias de máquinas da Aperture Science, mas estava mais sossegado em enfrentá-las agora. Frank me ajudaria.
Só que isso não aconteceu. Ouvi um barulho e, pela segunda vez, Frank me puxou para trás antes que eu pudesse pular.
O elevador aparecera, de cima, em uma velocidade preocupante. Por um segundo não me pegou.
— Ops — GLaDOS disse cinicamente.
— Você tem um imã para perigo na cabeça ou coisa assim? — Frank me perguntou, mas não conseguiu colocar na voz o humor que queria. Estava com medo, e eu entendia porque.
O elevador se abriu na nossa frente. GLaDOS estava nos controlando novamente, e todos sabíamos disso. Inclusive ela.
— Vocês são previsivelmente rebeldes. É claro que fariam o contrário do que eu pedi... Pena que não consegui descer o elevador a tempo para esmagá-los. Mas tudo bem. Dois sujeitos de teste ao mesmo tempo... — ela parou, e, se não fosse uma robô, eu poderia imaginá-la sorrindo. — Será divertido. Muito divertido.
Eu olhei para Frank. Suspiramos e entramos.
Notas finais
Deixem pra me odiar depois, então -q
Até o próximo o/
Beijo -q
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