Love Portal

15 Capítulo 15 - I'm not even angry


Notas iniciais
Ahh, o capítulo tá pronto há dois dias e eu não consegui postar antes >_> Primeiro porque estava sem tempo pra revisar, depois porque a internet sumiu. Merda ¬¬'
Mas estou aqui agora o/ Sabe que tá acontecendo a mesma coisa que aconteceu com minhas duas outras fics, está saindo maior do que eu esperava -qs
Espero que gostem :)

Frank claramente fazia força para não soltar nem um mínimo som de dor durante a caminhada. Às vezes eu o surpreendia apertando os lábios para se conter e tinha vontade de falar que não tinha problema gemer, chorar, gritar se ele quisesse. Mas aparentemente ele não queria me preocupar, ou não queria que eu o ficasse irritando com isso, talvez.

Ele não disse nada por algum tempo, só nos guiando através dos corredores de metal e jogando portais sempre que conseguíamos ficar em algum lugar mais alto. O objetivo primário ainda era subir, mesmo que quase nunca pudessemos fazer isso.

Acabamos entrando em mais um escritório, como aquele onde eu estava quando vi Frank pela primeira vez. Esse, porém, não tinha nenhuma visão para uma câmara de testes, o que era um alívio, considerando que GLaDOS mantinha câmeras lá. Gentilmente — ou talvez nem tanto — empurrei Frank para uma cadeira, em frente à um computador quebrado, e apontei para seu braço.

— Ah, não precisamos parar de novo — ele falou, cuidando para manter sua voz baixa dessa vez. — Já está bem melhor. Eu consigo... Gerard, ela acabou de achar a gente porque ficamos parados! Ah, ok, ok. Mas só alguns minutos, tá?

Sorri, satisfeito. Era interessante que ele não conseguisse resistir a mim... mas, então, essa era mesmo sua fraqueza, não? Foi por isso que ele sempre me permitia sair das clínicas, porque não conseguia resistir.

Virei-me de costas para ele e fingi ir procurar algo interessante entre as mesas daquele lugar. Eu só queria esconder minha expressão; lembrar do que eu o fiz passar doía e com certeza estava transparecendo.

— Será que tem mais algum daqueles arquivos aqui, dizendo algo sobre nós? — Frank perguntou, e eu dei de ombros. Não acreditava que tivesse, já que ali não parecia ser uma sala de controle para os testes, e sim alguma outra parte abandonada da Aperture Science.

Caminhei distraidamente por lá, mantendo um olho em Frank para ver se ele estava realmente repousando, mas com minha mente voando longe dali. Eu ainda não conseguia lembrar propriamente da cena em que eu... ahn... agarrara Frank na clínica, mas conseguia perceber que depois daquilo eu tive sensações bem mais calmas ao longo das semanas. Algumas tempestades emocionais vieram, sim, mas em geral eu estava bem mais sossegado. Acho que eu finalmente estava me recuperando... mas Mikey, eu não conseguia saber.

— Ele estava pior... — Frank murmurou e eu me virei para ele, fazendo-o perceber que pensara alto. Nossa mente continuava a funcionar ao mesmo tempo! — Ah, desculpa. Eu estava lembrando... Mikey estava pior do que você naquele lugar. Você saiu da clínica depois de um tempo, mas Mikey continuou lá, e... espera, você saiu mesmo?

Assenti e subitamente ele pareceu entender, lembrando-se junto comigo. Sim, eu saíra; mas Mikey ficou tão mal sem a minha presença que eu decidi voltar, para ajudá-lo até que ele melhorasse. Mas não fora uma decisão fácil, foi? Não, eu passei por alguma coisa ruim por causa disso...

Ah, sim. Frank. Ele não queria que eu voltasse, queria que eu... continuasse com ele, em casa. Disse que Mikey tinha que aprender a se virar, que não podia contar com o irmão mais velho para livrá-lo toda vez. Mas eu não podia abandoná-lo agora, Mikey sempre me ajudou quando precisei, foi por minha causa que ele saiu de casa e...

— Eu, você e o Ray brigamos, não foi? — Frank me acordou momentaneamente e eu franzi a testa. Não lembrava de Ray estar na discussão. — Acho que ele não queria que você voltasse para a clínica por causa do Mikey e eu sim, ou o contrário, sei lá.

Encolhi os ombros. Não estávamos nos lembrando da mesma coisa, então um de nós estava errado. Bem, devia ser eu. Parece muito romântico que o Frank estivesse querendo me impedir só para que não nos separássemos; realmente, isso tinha cara de ser produto de uma mente estupidamente apaixonada, como era a minha na época. Não, Ray deve ter sido quem se opôs à ideia... mas não importa, importa, se eu fui do mesmo jeito?

— Acho... que a gente se afastou um pouco nessa época — Frank comentou baixinho, olhando para os pés. — Foi egoísmo meu e do Ray querer que você deixasse seu irmão lá. Não iríamos abandoná-lo, claro, mas era tão bom finalmente ter você em casa de novo...

Ele parou e me olhou, desviando tão rápido que nem tive certeza se me olhara de verdade.

— E Ray estava adorando também, nos visitando toda hora, então ficamos meio chateados quando você decidiu voltar pra clínica. Mas isso não justificava te impedir de ajudar seu próprio irmão. Então... desculpa?

Eu sorri, querendo dizer que era claro que eu desculpava, mas não sabia se era tão simples assim. Aquele foi um período sombrio, o pior que eu já passara desde que conhecera Frank... foi uma rajada misturando solidão, mágoa e culpa que durou muito tempo. Talvez nem tenha sido muito, mas pareceu que sim. Só havia eu e Mikey naquele lugar, e um bando de outras pessoas com quem não nos misturávamos, e Frank e Ray pararam de nos visitar pelo o que pareceu séculos. Ray voltou primeiro, reconhecendo que aquilo afetaria o progresso de Mikey, mas Frank ainda não... eu não sabia se o odiava ou se me odiava por tê-lo deixado, mas ele não entendia? Era o meu irmão!

— Você me perdoa? — ele falou, baixinho novamente. — Eu sei que você deve ter se sentido mal, e eu lembro que eu também... primeiro eu estava triste por você ter ido embora, e depois eu não sabia como voltar a te visitar assim, sem mais nem menos...

Assenti, mas ele não estava olhando. Eu me aproximei ao mesmo tempo em que ele suspirava.

— Ah, Gee... Eu sei que não é escolha sua, mas esse silêncio acaba comigo... seria tão bom ouvir sua voz, sabe. Ter certeza se você me perdoa ou não, por que de que outro jeito eu posso sab...?

Eu não estava pensando, estava? Não, eu definitivamente não estava pensando. Um ser pensante não vai e simplesmente beija o outro. Isso era muito vergonhoso, e se ele não quisesse? E se ele estivesse achando que eu o estava assediando, ou que tinha ficado louco por estar preso ali, ou que...

Mas ele não me afastou. Nossos lábios só se encostavam, sem se mexer, sem ousar se abrir, mas ainda assim, se ele não quisesse ele teria me empurrado, certo? Então eu podia aproveitar como estava aproveitando sem me sentir culpado, podia permanecer com os olhos fechados e concentrar toda minha mente ali, naquele ponto mágico que era a única e singela união entre nossos corpos.

Mas os pensamentos de medo voltaram sorrateiramente e me fizeram ir para trás. Ele talvez só estivesse em choque para reagir. Ou talvez receasse me magoar. Aquele beijo não provava nada, e se eu não me afastasse logo, quem sairia magoado seria eu. E considerando nossa situação, era melhor que estivéssemos completamente bem até que escapássemos. Brigar ali não era uma escolha.

Virei-me rapidamente e fiz um gesto para que ele me seguisse. Fui na frente, passando por uma porta e me recusando a olhar para trás. Eu estava curioso para ver como estava sua expressão, mas a coragem não vinha. Eu sentia meu corpo todo quente, aquela vergonha horrível que sentimos ao se apresentar para uma multidão, e era pior ainda sabendo que seus olhos estavam grudados às minhas costas. Ele não disse nada por vários segundos, em que eu continuava a abrir portas e entrar em salas diferentes sem realmente ver para onde ia.

— Gee... — ele sussurrou finalmente, sua voz acidentalmente sensual parecendo estar bem próxima, o que eu achei um golpe muito baixo.

Não, não quero me explicar, não quero olhar, não quero nada. Então só balancei a cabeça e ergui a mão pedindo silêncio, e ele me obedeceu.

Eu o beijei... Droga, eu não estava nem vendo o chão sob meus pés; não conseguia pensar em mais nada. Eu realmente fiz aquilo. E gostei... adorei, na verdade. Isso significaria que eu ainda o amo? Não foi só algo que ficou no passado? Nossas lembranças eram todas de anos atrás, sei lá quanto havia se passado desde que fomos para a Aperture Science. Será que eu realmente conservava o mesmo sentimento, mesmo sem nem me lembrar de tudo direito?

E, além disso... o beijo pareceu familiar. Provavelmente por causa do dia na clínica, afinal, eu o beijara ali também. Mas ainda assim, me intrigava a sensação calma e conhecida que eu senti no primeiro momento que nossas bocas se encontraram. Era como se fosse uma injeção de calmante; pelo menos até eu me tocar do que estava fazendo e começar a me desesperar.

Eu abri mais um porta e entrei por uma sala e, finalmente, minha atenção voltou para o presente, a realidade. Logo à frente de onde estávamos, depois de uma parede de vidro, estava algo como um robô, com uma grande bola no lugar do que seria a cabeça. Era branco e estava se movendo lateralmente; a cabeça se virava para nós.

— Vocês estavam tão perto de terminar os testes! — GLaDOS anunciou, e, mais uma vez, sua voz me despertou completamente. — Deviam ter continuado. Não precisava ser assim.

A bola que se virava para nós parou, e um buraco na frente dela começou a abrir, dele saindo uma luz verde. Olhei para baixo e percebi que era um laser, batendo em cheio no meu peito.

Ah... não, não é isso.

Um laser... meu Deus, eu estou muito lerdo. Aquilo era uma mira.

Notas finais
Eles estão sempre prestes a morrer, né? É.
Ah, tenho um anúncio a fazer :D Minha próxima fic está sendo planejada e será de HP. Não sei quantos de vocês gostam e quantos gostariam de ler, mas quem se interessar, poderiam dizer o que preferem?
A- A história se passar no ano seguinte às Relíquias da Morte, com os personagens originais de HP refazendo o sétimo ano, ou
B- Na nova geração?
Estou pendendo pra primeira opção, mas gostaria de opiniões :)
Thanks ;*