Justin POV

Tinhamos encontado umas gatinhas lá no posto, antes de pegar nossas coisas. E vamos dizer que no meio de uma zombie apocalipse, não se encontram muitas pessoas assim... e muito menos garotas, bonitas.

Tinham duas, uma era burra demais, mas a outra era tipo, durona inteligente e tudo mais. Acho que a burra, que não fazia nada era meio que esperta, mas força braçal não era com ela. Na hora das matanças era ela daquela que gritava e assistia, um saco.

Não sei porque mas aquela desprovida de força me chamou a atenção. As duas eram muito lindas mesmo, e olha que eu não via garotas há muitos meses. Elas eram incrivelmente lindas, e veja que eu sei muito de meninas.

A gente conversou um pouco, uma delas era a Jane, a tal da corajosa, era morena de cabelo cor de mel, olhos da mesma cor. Tá, ela era muito gata, de não se jogar fora. Essa tal de Jane era um pouco mais baixa que a outra, Cat, e sua pele era um pouco mais escura. Também né, a cor de Cat se assemelhava a uma caixa de leite.

Já Cat, eu não tenho explicações, ela não era tão mais bonita que Jane, mas alguma coisa nela me fez ficar estranho. Ela era incrivelmente bonita, seus cabelos loiros eram muito grandes mesmo, uns três palmos acima de sua cintura. Não sei porque eu percebi muito nela, e fiquei muito tempo olhando para ela. A garota estava vestida com uma blusa branca – que já havia deixado de ser branca há algum tempo, e inteira também pois estava com numerosos buracos e rasgados – que estava muito sexy. Me desculpem por ter esses pensamentos masculinos, machistas e poluídos as vezes. Ela usava um aviator da Ray-Ban e um chapéu panamá. Eu sabia que o nome daquele chapéu era panamá porque meu avô já usou e ele me falou o nome, ok? Ela estava vestindo um short jeans que já tinha desbotado e também havia uns buracos naturais também.

Saí do meu momento de imersão nos pensamentos e resolvi perguntar se elas queriam vir com a gente. Elas aceitaram, também bobas nem nada. Modestia parte eu sou muito gostoso e sou o Justin Bieber, fala sério. Subimos para o terraço, a gente mostrou para elas a tiroleza para levar até o abrigo. Eu chamei a mais gata para ir comigo primeiro, claro que eu estava cheio de mal intenção.

A gente chegou lá e tal e mostramos seus quartos, que eram bem quartos mesmo. Aquilo ali era uma antigo shopping e tinha de tudo, mesmo. Os nossos quartos, adaptamos. Onde dormíamos e ficavamos na maioria do tempo era uma grande loja de departamento que pegamos todas as roupas e coisas e guardamos no nosso estoque – a antigo estoque da loja – eu gostava de lá. Também depois de tanto trabalho para arrumar aquilo ali tinhamos que gostar mesmo. Aquele lugar ali estava melhor do que parece ser, juro. Como estávamos em um antigo shopping – que era impenetravel pelos zumbis – podíamos pegar tudo ali, desde móveis, comida, até a roupas. Era bom. Tinhamos até decorado os quartos, dentro de nossas possibilidades, claro. Tinham umas lojas de decoração muito boas ali, colocamos camas, armários. Queríamos nos sentir um pouco confortáveis, depois de tudo que tem acontecido.

A ideia de ficar pegando coisas das lojas e ir montando nossa “casa” foi de Christian, o mais novo e o mais lúdico. Aquele que tem ideias surreais e bobas, quase impossíveis. Mas essa até que foi boa, nunca tínhamos nada para fazer mesmo, estávamos entre garotos, e entre nós não tinha muita coisa que podíamos fazer. Eu acho que essas garotas foram meio que um presente de Deus, só pode. Foram anjas que caíram do céu para animar nossos dias, e noites. Tá, tá, to brincando, ou não. Quero dizer, seria bom que não. Muito bom.


Depois de elas terem tomado banho, achei educado a gente oferecer roupas limpas para elas.

– Obrigada.- respondeu Jane dando um sorriso para Chaz e abrindo as roupas para analisa-las, normalmente. — Você só pode estar de sacanagem.

Todo mundo que antes estava ocupado conversando olhou para Jane, e para as roupas em sua mão. A garota segurava um sutiã rendado vermelho e uma calcinha fio dental da mesma estampa. A cara dela era de choque total olhando para aquilo.

– JURA MESMO? JURA QUE VOCÊ ACHAVA QUE EU VOU USAR ISSO? SOU UMA MENINA DIREITA, DE FAMÍLIA. VOCÊ QUER O QUE EU DESFILE PARA VOCÊS USANDO ISSO? SÓ PODEM ESTAR DE BRINCADEIRA.

– Olha, eu não tinha pensado nisso, mas foi uma boa ideia. — falou Ryan que estava sentado em uma cadeiralá de trás, levantando a cabeça.

– Vai sonhando, vai. — Nisso Jane foi andando até Ryan e deu leves batidinhas em seu rosto. O que a fez soltar um largo sorriso.

– Sonho mesmo. — respondeu Ryan colocando as mãos na cintura de Jane, a fazendo quase cair em seu colo. Tá bom, Ryan tinha saído dos limites, mesmo mencionando que ele não via uma menina bonita há meses. Mas o negócio era que ela era mais esperta que ele. Antes que ele pudesse agarrar ela, deu um tapa na cara dele. Olha que ficou até a marca da mão.

Todo mundo ali na sala gritou um “aiiiiiiiiiiii” e a cara do Ryan era a melhor, era uma mistura de vontade de sorrir com vergonha e um pouco de dor e raiva. A cara dele tava indescritivel.

Eu tinha perdido a Cat de visão por um segundo, procurei ela com os olhos desesperado pela sala e lá estava ela, dando um aperto de mão em Jane e falando: “Mandou bem irmazinha!”

Eu não sabia que elas eram irmãs, mas isso não importava, elas eram lindas e ponto.