Love Playing

28 CAPÍTULO 28 - NOVO, DE NOVO


Notas iniciais
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SOUNDTRACK
Música: Fun feat. Janelle Monáe - We Are Young
( http://www.youtube.com/watch?v=Sv6dMFF_yts )
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1- Oi! Sinto que devo desculpas pra vocês, eu sumi,tipo sumi mesmo e eu sei o quanto isso é horrível mas está tudo tão corrido pra mim, difícil explicar, então...Só desculpem-me?
2- Vocês vão estranhar porque agora a fic dá uma reviravolta 360° mas depois vocês vão entendendo e tals... Ah! Bomba no capítulo no 30, esperem só.
3- O que aconteceu nesses 4 meses, você vão saber ao longo dos capítulos também, include Frank, Quinn e etc.
4- Não vou me delongar muito então, só espero que gostem e não me matem pela reviravolta e pela demora pra postar.

4 MESES DEPOIS...

'' Acredite, tudo sempre muda.''

Acordei com os olhos inchados e com tudo rodopiando , eu mal conseguia andar sem quase cair, pisquei várias vezes para me certificar de não lembrar da noite passada mas a verdade é que eu lembrava... Uma garrafa em cada mão, as pessoas chocando seus corpos uns contra os outros, o barulho da música. Com esforço, entrei debaixo do chuveiro e tomei um banho demorado, depois vesti uma camiseta do Green Day e desci para a cozinha.

– Gerard? — Mikey me olhou de soslaio.

– Hmm? — Respondi enquanto procurava algo pra comer, sobre a mesa.

– Por que você está com essa camisa?

– É confortável, bonita, hmm, eu gosto. — Sorri e peguei uma panqueca .

– Eu digo, essa camisa, de manhã, escola... — Arqueou a sobrancelha.

– E quem te disse que vou pra escola, irmãozinho? — Suspirei e me sentei na cadeira, ao seu lado.

– Gerard, como assim, não vai?

– Ficando em casa. — Respondi terminando de comer uma panqueca e me servindo de suco natural de laranja.

– Fala sério, você não pode ficar matando aula, essa é a terceira vez só essa semana. — Falou em tom sério, ajeitando os óculos.

– Deixa de ser mané. — Bocejei e sorri.

– É sério Gerard, estou começando a me preocupar.

– Como se eu fosse o mais estudioso da classe. — Revirei os olhos.

– É sério, Ge. Eu acho que... Que você devia conversa com o Fr...

– Michael não se atreva. — Disse sério, o cortando.

Seu rosto ficou sério também mas uma seriedade depressiva.

– Você tem certeza que está bem?

– Dá pra você parar com isso? Eu estou bem, ok? Eu sempre estive bem e vou ficar bem, sempre. — Me levantei, deixando metade do suco ainda lá e subi para meu quarto.

Esperei no meu quarto até que ele fosse embora de casa. Eu sabia, eu o estava deixando louco e magoado, tudo o que eu menos queria mas os dias pareciam tão impossíveis. As paredes do meu quarto pareciam tão apagadas e vazias como eu , revestido em uma melancolia que se escondia atrás de uma máscara, suspirei e vagueei pelo quarto até encontrar um maço de cigarro e acender alguns, eu gostava da sensação, gostava do sabor, gostava de inalar a fumaça e depois despejar aquilo dos meus lábios. O céu estava estranho, parecia sujo , não nublado e o sol não aparecia havia um bom tempo, meu corpo parecia robótico .

Logo eu teria de ir para a empresa, vestir outra máscara sobre uma roupaapresentável e social que me remetesse a aquele mundo,isso era algo que eu não tinha como escapar , eu poderia se realmente quisesse mas com tanta coisa assombrando minha cabeça, trabalhar se tornou uma opção agradável. Bert já não era um problema e eu imaginava o porquê, fato é que agora era como no começo, nos dávamos bem e saímos para festas e para beber embora não tivéssemos nos beijado ou ficado novamente.

Na verdade, tudo parecia estar exatamente como era antes.

Meus pais não se preocupavam com minhas notas ou se ia ou não para a escola, eles sabiam que no final , eu ia com notas máximas porque iria pagar alguém para fazer meus trabalhos e na prova, colaria de alguém, tinha sido assim desde sempre. A única matéria que eu fazia questão de manter minhas notas por mim mesmo era arte, aquilo era como respirar pra mim no entanto, agora, a arte ficava só nas aulas e não mais como uma futura profissão. Eu estava conciliando tudo perfeitamente, meus pais não reclamavam mais de mim, eu e Bert fechávamos muitos negócios pra ele e o resto... Não o importava.

O problema de estar tão sozinho é justamente o termo literal da palavra,estar sozinho.Era uma solidão que não podia ser preenchida por bebidas, drogas ou cigarros, era algo que eu tinha que lidar constantemente. Afastei esses pensamentos de minha cabeça e fui vestir uma roupa adequada , quando desci a governanta apenas me olhou e eu parti, até mesmo isso tinha mudado, ela agora não parecia mais uma bruxa ou qualquer coisa do tipo ,parecia uma pessoa mumificada e desnecessária. Chegando na empresa , fiquei algum tempo parado diante ao gigante prédio com escrito WAY'S COMPANY, ri para mesmo e aquilo era tão irônico e asqueroso, tudo o que eu sempre tinha prometido não fazer foi justamente o que fiz , fui despejado naquele mundo e simplesmente, me conformei. Era tarde pra lamentações. Entrei no prédio e fui até o escritório aonde já estava Bert sentado com milhares de papéis despejados sobre a mesa.

– Você está atrasado, de novo. — Sorriu.

– Pro inferno, McCracken. — Respondi e me sentei.

– Mas bem , que bom que chegou, eu estava mesmo precisando falar com você.

– Sim? — Liguei meu computador e girei a cadeira, ficando de frenta pra ele.

Algo que era encantador nele, eram seus olhos. O azul era tão profundo, era um oceano de emoções que reluziam e ficavam ainda mais encantadores quando seu olhar era sério ou diabólico.

– Temos que comparecer em um jantar de negócios hoje.

– Temos? Não existe esse plural. Auto-tortura tem limite. — Retruquei.

– Não, você não entendeu. Bem, é um jantar mas é de gala, nada como aqueles jantares toscos como o que somos obrigados a dar em nossas casas, é um grande jantar, todo mundo vai estar lá e realmente temos que ir. Qual é, estou apostando que vai ser divertido.

Pensei por um tempo e por fim não relutei mesmo.

– Está bem. Agora, ao trabalho.

E trabalhamos. Foram quase seis horas dentro do escritório, digitando coisas, procurando pessoas, cancelando acordos, tentando acordos, estudando possibilidades e tudo mais. Quando estava exausto e desliguei meu computador, meu pai entrou no escritório, fechou a porta e ficou encostado nela, fitando eu e Bert.

– O que foi Sr. Way? — McCracken indagou.

– Bem... — Meu pai andou até aonde estávamos e sorriu, como eu não via há anos. — Sabe, eu estava checando os números da empresa e e em pouco tempo que vocês estão aqui, esse número aumentou. Vocês estão fazendo um excelente trabalho e ... Essaparceria de vocês está impecável.

Eu nada respondi. Era bom saber que ele estava satisfeito com meu trabalho e que finalmente ele não me achava mais um inútil porém aquelas palavras ficavam salgando minha mente.

– Isso é apenas o começo, Sr. Way. — Bert sorriu com os olhos cintilando. — Você vai ter muito do que nos parabenizar ainda.

Bert era terrível e maravilhoso ao mesmo tempo. A verdade, é que ele se adaptava, ele conseguia fingir muito bem mas conseguia ser verdadeiro também, olhando de longe, era a melhor pessoa do mundo...De perto, todos sabiam que ele era incontrolável, quando tinha um objetivo, passava por cima de tudo e todos para conseguir e se , mesmo assim, não conseguisse, ele simplesmente destruía tudo.

Eu sabia como ele era porque na verdade, eu tinha sido assim por muito tempo e talvez, somente talvez eu estivesse no caminho de volta .

– Conto com vocês, hoje a noite na casa dos Grimaldi. – Ele sorriu e depois voltou á sua expressão séria, abrindo a porta.

– Estaremos lá. – Decidi falar e isso surpreendeu ambos e então, ele se foi.

Agora eu finalmente estava livre para ir pra casa e poder ficar lá, pelo menos por um tempo. Rapidamente saí do escritório e troquei algumas palavras com McCracken , logo depois o motorista me levou para casa . Quando entrei, suspirei aliviado e exausto, subi as escadas para meu quarto e percebi que Mikey estava em casa, tentei não fazer barulho para ele não me notar mas ele veio atrás de mim há tempo.

– Gerard. – Me chamou se movimentando com pressa, até ficar na minha frente.

Girei o corpo e tentei não o encarar muito.

– Sim? – Respondi em um tom despreocupado.

– Você tem que parar de faltar ás aulas.

– De novo esse assunto. – Revirei os olhos e comecei a andar.

Sua mão puxou meu braço, me segurando embora não com muita força.

– Eu falo sério. Essa semana tem provas e logo você estourará em faltas.

– Eu pago qualquer idiota pra fazer minha prova e depois, as faltas, o papai faz uma doação pra escola e a diretora não se recusará a retirar algumas faltas. – Sorri.

Meu irmão ficou um tempo em silencio e soltou meu braço, seus olhos encontraram os meus e eu tentei desviar o olhar, ele suspirou parecendo tão exausto como eu.

– Tudo bem, Gerard. Se você... Se você quer se auto-destruir de novo, então vá. – Depois que disse isso, andou com passos largos até seu quarto.

Tentei ignorar o que tinha escutado. Segui para meu quarto aonde me contentei em desabar na cama e fechar os olhos, eu não queria pensar em nada, lembrar de nada ,muito menos planejar nada, eu só queria dormir. E então a escuridão me abraçou e me levou para dentro dos sonhos.... Acordei faltando cinqüenta minutos para a festa, no meu celular tinha várias chamadas perdidas de Bert , digitei uma mensagem avisando que tinha pegado no sono e que ia me arrumar o mais depressa possível. Corri pro banheiro, tomando um banho tão rápido como pude e até tropecei em algumas roupas espalhadas por meu quarto, quando fui me trocar, quando estava pronto já faltavam apenas dez minutos para começar a festa. Desci as escadas correndo e fui para a festa.

***

A casa era gigante mas não como a minha, era dez vezes maior. Sua fachada era inteiramente em branco e algumas partes da casa eram amadeiradas dando um tom rústico, em todos os cômodos haviam lustres de cristais e os móveis , em sua maioria, também eram de madeira , era uma casa luxuosa mas confortável. No jardim, várias pessoas estavam vestidas socialmente, como sempre em eventos como esse e se servindo de ponches e whisky. Eu estava atrasado apenas quinze minutos , então pensei que ninguém notaria, cheguei no portão da casa e havia um homem alto e com olhos negros como seu cabelo, segurando uma prancheta.

– Gerard Way. – Anunciei.

Ele verificou a prancheta e então acenou positivamente.

Entrei e tive dificuldade até encontrar Bert, a casa era realmente gigante e não só ela, suas propriedades ao redor também, extensos jardins, piscina, um salão ... Os trajes de Bert eram parecidos com o meu contudo ele tinha uma jaqueta de coro em cima de seu terno, aquilo o deixava perigosamente mais bonito, aliás ele sempre ficava elegante em trajes pretos, isso fazia com que sua pele branca aderisse um tom ainda mais forte e seus olhos, por sua vez, brilhavam incandescentes.

– Por que você nunca pode chegar na hora certa? – Brincou com uma taça na mão.

– Tradição. – Ri baixo.

– Seu pai pensou que não iria vir mais.

– Só ele? – Contestei.

– Só ele. –Afirmou sorrindo um tanto malicioso.

– Então, afinal , cadê ele e pra que essa...Hmmm, festa? – Olhei ao redor.

– Ele deve estar conversando com o Sr. Grimaldi ou outro empresário. Você não percebe ,tolo? Essa festa é mais uma forma de fechar um contrato bilionário, para ambas as partes.

Havia muita gente no local, todas elas conversavam,agitavam as mãos, pareciam tensas, nervosas e outras pareciam convictas . Avistei uma mulher se aproximando de nós, ela devia ter quarenta anos mas era muito bonita, seus cabelos eram loiros platinados,não amarelados e o cabelo estava preso em um coque, usava um vestido branco com caimento longo , o batom vermelho destacava seus lábios. Tinha um colar sobre o peito e seu rosto parecia rígido demais porém quando ela sorriu se pondo ao nosso lado, essa impressão se desfez.

– Queridos. Esse é o filho do Way? Ge...

– Gerard. – Sorri, me apresentando.

– Um prazer conhecê-lo, Gerard. – Sorriu e beijei sua mão em um gesto educado.

Ficamos alguns minutos conversando com ela, pude logo perceber que ela realmente gostava de luxo, de dinheiro e o modo como ela falava... Me lembrava exatamente o Bert. E é claro,isso fez com que eles se dessem muito bem, aliás, ele sempre conseguia se dar muito bem com todos, mesmo que os odiasse. Tentei fazer o mesmo e acho que obtive algum sucesso quando ela se despediu dizendo apenas um ‘’ Espero reencontrá-lo em breve, Way.’’

Estranhei Mikey não estar ali pois um tempo atrás ele tinha viajado pela empresa e depois, simplesmente ele não se envolveu mais com os negócios , o que era muito estranho porque ele tinha feito um ótimo trabalho, até mesmo antes do tempo previsto. Contudo, ele realmente não estava ali pois Bert e eu andamos em todos os territórios, cumprimentando empresários, conversando com alguns , bebericando algo , até finalmente encontrar meu pai.

– Garotos. – Falou.

– Sr. Way. – Bert assentiu.

Dali em diante, foi entediante, tivemos que ouvir sua perspectiva para os negócios e ele nos apresentando a um milhão de empresários e negociadores mas a melhor parte foi que conseguimos fechar dois negócios . Já estava lá há algumas horas e estava preparado pra voltar pra casa, afinal tinha comparecido e cumprido o que prometera mas McCracken me chamou para andar um pouco mais.

Andamos pelo jardim dos fundos da casa, o céu estava escuro e sem estrelas, ventava um pouco e eu começava a me arrepender de vir sem jaqueta. Nós dois estávamos em silencioso mas podíamos saber que ambos pensávamos em algo, só não conseguíamos falar.

Então,quando estávamos quase no final do grande jardim, o silêncio foi quebrado por Bert.

– Sabe, acho que realmente estamos fazendo um ótimo trabalho.

– É ... Estamos sim. – Foi tudo que consegui responder.

– Você, hmm, continua odiando... A empresa?

Aquilo me pegou de surpresa. Eu realmente não sabia responder aquilo, não como há um tempo atrás.

– Acho que sim. Mas me adaptei. – Confessei.

Ele riu e parou na minha frente, me encarando.

– E a mim?

Mil coisas se passaram diante de minha cabeça e eu tentei lembrar de sentir raiva dele ou querer que ele simplesmente não existisse mas tudo isso parecia ter sido há muito tempo, parecia ter sido apagado.

– Talvez. – Sorri de canto.

Bert se manteve sério mas suas mãos encostaram nas minhas e seu rosto ficou a centímetros do meu, eu podia sentir sua respiração, pensei que ele me beijaria mas não aconteceu.

– Formamos um belo par. – Riu e me encarou uma última vez. – Acho que você acabará se dando conta disso. – Disse por fim e deu as costas, andando lentamente, até a saída do jardim.

Sorri para mim mesmo e deixei com que aquelas palavras penetrassem em minha mente.

Eu descobriria se o que ele estava falando era verdade ou não, sentia isso. Muito em breve.


Notas finais
1- Venho assim que eu puder, agora vai começar minhas provas e eu realmente vou ter que estudar, só pra Geografia, eu tenho 27 folhas pra estudar, então... Não me matem.
2- Obrigado pelos review e paciência pessoal,espero que não tenham e nem me abandonem, rs.
3- Eu sei que deve ter ficado bem confuso essa mudança/recomeço flashback do começo mas acreditem, é crucial.
4- Até o prox. capítulo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.