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18 CAPÍTULO 18- NO OLHO DO FURACÃO I
Notas iniciais
2- Esse capítulo é bem tenso, particulamente eu acho.
3- Ele tem o I e o II e depois finalmente o 20, que quero que chegue logo e vocês vão saber porque.
4- Não tenho muito o que falar, então, espero que gostem e boa leitura.
'' Em certos momentos nos encontramos em uma encruzilhada, no olho do furacão e sem respiração suficiente mas ás vezes temos uma salvação quando tudo está perdido e outras vezes, não.''
O dia não tinha demorado muito pra passar e eu ainda não tinha comentado nada com Frank. Embora aquela ideia permanecesse em minha cabeça eu não sabia como iria o convidar para ir, aquele ambiente não era exatamente o que ele estava acostumado e eu não sabia que danos colaterais aquilo podia causar. Estava andando impaciente pela casa, já eram quase sete horas e o jantar seria ás nove, o dia na escola tinha sido conturbado, marcado pelos olhares e pelas zombarias toscar feitas pelo mesmo tipo de gente.
Disquei o número da minha mãe, que deu caixa postal umas dez vezes até eu conseguir contatar com ela.
– Mãe?
– Sim? — Falou meio impaciente do outro lado da linha.
– Hoje tem reunião de negócios com os pais do McCracken, não?
– Ah sim, vejo que já foi informado. — Sua voz pareceu alternar o tom. — Mas como dizia?
– Bem, eu quero participar.
– Como? — Ela indagou .
– Eu disse que quero participar.
– Isso eu ouvi... Mas, como assim você quer participar? Assim, do nada?
– Eu resolvi... Digamos que escutar vocês.- Suspirei. — Mas tem uma condição.
– Ah , por Deus. Que condição Gerard?
– Eu quero levar um amigo ao jantar.
– Amigo? Gerard, não é situação para levar companhia.
– Pelo menos dessa vez, sim?
– Tudo bem. Esteja em casa. — Ela advertiu.
– Estarei. — Confirmei e desliguei o telefone.
A parte menos complicada já tinha sido feito. Disquei o número do Frank e respirei fundo antes que ele atendesse, na terceira vez que chamou.
– Ger?
– Frankie. Oi.
– Está tudo bem? — Perguntou estranhando a ligação.
– Sim , está. Na verdade, desculpe a ligação, eu deveria ter falado pessoalmente.
– Hmmm. Você está me assustando, aconteceu algo?
– Não, não. Digo, não é nada disso. É que eu tinha que lhe fazer um convite , bem, na verdade ainda tenho.
– Convite, que convite, Gerard?
– É que... Bem, eu vou entender se você não querer, ok? É que tem um jantar de negócios aqui em casa e eu pedi pros meus pais se poderia trazer um amigo e eles aceitaram, então, eu queria que você viesse.
– Eu... Eu não sei Ger. São... Seus pais e sua casa, seu mundo. Entende?
– Eu entendo. Se você não quiser , tudo bem. — Suspirei.
– Não é isso. Eu quero, sério. Mas eu tenho medo sabe? Não sei como devo me comportar, não sei como... Sabe? Sou Frank Iero.
– Seja você mesmo. não tem o que temer. Então, você vem?
– Tudo bem.
– As 21:00. Estarei te esperando.
Me despedi dele e encerrei a chamada. Joguei meu corpo no sofá e me permiti fechar os olhos, deixando meus pensamentos descansarem por alguns segundos. Logo seria a hora do jantar e eu tinha que me arrumar, então me forçei a ficar de pé e fui tomar um banho, deixando a água molhar meu cabelo e deixar os fios grandes caírem sobre a testa, passei os dedos por entre eles e deixei a água caindo sobre meu ombro me proporcionando um relaxamento. Me sequei e analisei meu rosto no espelho, fazia algum tempo que eu não me deparava com minha imagem sem alguma olheira mas meu rosto estava perfeitamente intacto. Abri meu armário que estava uma verdadeira catástrofe e tentei procurar por uma camisa social, até encontrar um terno branco e seu conjunto,o peguei e depois o vesti. Fazia absurdamente muito tempo que eu não vestia algo do tipo, a última vez fora num jantar do qual eu fora obrigado a participar na casa dos McCracken, eles eram sócios dos meus pais, viviam fazendo negócios juntos e lucrativos por sinal, o que abriu os olhos deles, que quando me revelei homossexual insistiam para que eu ficasse com Bert, uma das coisas que me levou a ter ficado algumas vezes. O fato é que eles nunca viram problema em eu ser homossexual, na verdade era tudo que eles podiam desejar, os filhos dos empresários mais ricos eram quase todos, no mínimo bissexuais e é claro que eles iriam adorar isso.
Passei um dos milhares de perfume que tinha e me deitei na cama, para fazer o que eu mais adorava, assistir clipes na MTV e cantarolar junto, eu costumava fazer isso com Mikey e é claro que ele sempre ria das minhas caretas cantando e elogia minha voz, o que eu pensava ser somente por ser meu irmão mas é verdade é que minha segunda paixão, depois da arte, era a música, era escrever música. Meus pais chegaram em casa e foram se arrumar para o evento, Doroti tinha preparado tudo para o grande jantar e meu pai foi conferir se eu realmente estava em casa, ficando surpreso quando me viu em casa e vestido adequadamente. Escutei o interfone tocar e pensei ser Frank mas ainda estava cedo e eu tinha lhe falado o horário, mesmo assim desci as escadas com pressa e me deparei com Doroti abrindo a porta para o garoto dos cabelos pretos e do olho azul penetrante, que me olhou e deixou um sorriso malicioso desabrochar antes de adentrar a casa.
– Gerard.
– Bert. — Disse sorrindo irônico e dando as costas.
– Oh, não é assim que se recebe uma visita. — Ele disse sarcástico até a última palavra.
– Vai se foder McCracken. — Revirei os olhos.
– Oh, docinho quanta raiva reprimida, sim?
– Você é mesmo muito.. — O encarei por um momento mais . — Ridículo.
– Ah, vamos deixe disso. — Caminhou até o sofá e ali se sentou.- Você já foi mais receptivo.
– E você menos folgado. Aliás, que diabos você está fazendo aqui, essa hora?
– Eu quis vir antes. — Sorriu debochado enquanto me fitava.
– Oh, você quis vir antes. — Repeti com a voz amargurada.
– Você vai deixar um convidado sozinho?
– Você não é meu convidado. — Ressaltei.
– Como eu disse, quanta raiva.
– Como eu disse, vá se foder. — Trinquei os dentes e sentei ao seu lado.
– Afinal me escutou, não é? Sabia que iria. Sabia que não ia resistir a descobrir a verdade sobre o Iero.
– Você é quem vai descobrir a verdade. — Ri e passeio dedo sobre a barra da minha calça.
– Veremos. Depois dessa noite, você vai agradecer eu ter te alertado. — Disse convicto.
– Quando é que você virou um total imbecil mesmo? — Arqueei as sobrancelhas.
– Quando é que você se tornou um pegador de Frank Iero, mesmo? — Suspirou me olhando.
– Isso não te diz respeito. — Retruquei vendo meus pais descendo a escada.
Minha mãe desceu elegante como sempre, com um vestido preto e um colar de ouro , usando seus habituais brinco de pérolas, ela adorava vestir todo aquele luxo que eu achava detestável, acompanhada de meu pai que vestia como sempre o terno, como se nem tivesse se trocado, indo direto do trabalho para a casa.
– Bert querido, já chegou? — Ela disse sorrindo e ficando atrás do sofá.
– Donna. Sim, eu quis vir um pouco antes, espero não ter problema.
– Não há problema nenhum. Sua presença é mais que bem vinda. — Sorriu e se retirou, indo para a sala de jantar conferir os últimos detalhes.
– Então , Bert. Pronto para assumir um cargo na empresa ? — Meu pai perguntou se sentando na outra ponta do sofá.
– É claro Sr. Way, será um prazer. — Sorriu assentindo.
– Hmmm. Viu, Gerard? É assim que você tem que começar a pensar. Aliás, não seria nada mal vocês trabalharem juntos e...
– Não ! — Falei por impulso o interrompendo.
– E por que não?
Bert nos olhou e depois me lançou novamente aquele olhar de vitorioso que eu detestava, aliás, eu estava, recentemente, o detestando.
– Querido, isso é assunto pro jantar ! Deixe os dois em paz, por favor. — Minha mãe disse sorrindo novamente para Bert e levando meu pai para o outro ambiente.
Bert virou seu corpo e me encarou, riu baixo e depois começou a falar.
– E aí Ger, o que acha, nós dois trabalhando juntos? Vai ser incrível!
– Não, não vai. Isso não vai acontecer, nem pense. — O cortei.
– Oh, você é muito preciptado, sabia? Ah Gerard, você tem que ser menos impulsivo.
Nada respondi. Fiquei mais algum tempo na sala escutando as idiotisses de Bert até ouvir o interfone tocar e pensar que agora sim, só podia ser Frank ou os pais do McCracken. Doroti atendeu a porta e pude ver o pequeno corpo do Iero entrando na casa, ele parecia tímido e gaguejou em falar obrigado para a governanta, ele me olhou e depois seus olhos correram para Bert, ele ficou um pouco paralisado até eu então me aproximar dele.
– Hey, Frankie. Que bom que você veio, salvou minha noite.
– O..O..Oi.- Disse nervoso e colocando as mãos no bolso.
Ele vestia uma jeans e uma camisa preta, nada social mas nada extremo. É claro que meus pais iriam olhá-lo dos pés á cabeça, ainda mais considerando o fato de que Bert estava como um modelo social. Não importa, ele estava ali e era tudo que eu queria.
– Gerard, eu estou rídiculo. Eu.. Eu.. Desculpe, eu não tinha um terno e ... Eu ia ficar parecendo um espantalho com uma camisa social.
– Shhh. — Sorri e o olhei.- Você está adorável.
Ele sorriu e mordeu o lábio, encarando tudo ao seu redor, obviamente amedrontado.
– Vem, vamos para a sala de jantar. — O incentivei.
– E quanto a mim, não vai me convidar também? — Bert disse se levantando e encarando Iero, abrindo um sorriso maléfico.
– Não seja mais ridículo do que é. — Fiz uma careta em desaprovação.
– Ora, assim eu me ofendo. — Riu e depois correu os olhos para o menor.- Olá , Iero. Quanta coragem sua vir aqui hoje.
– Oi. — Ele respondeu com os olhos se direcionando para todas as direções contrárias.
E então, fomos os três para a sala de jantar. Minha mãe estava colocando alguns papéis no canto da mesa e meu pai observando um relatório, eles nos viram chegando e como eu imaginava, notaram Frank, até mais do que eu gostaria.
– Então é esse, o seu amigo? — Ela perguntou arqueando as sobrancelhas.
O menor nesse momento parecia estar em uma convulsão e suas bochechas coraram totalmente.
– Sim. Ele mesmo. — Concordei firme.
– Prazer. Sou Donna Way. — Ela disse se aproximando e sorrindo , ainda que pouco.
Quando ele foi se apresentar o interfone tocou e meus pais se retiraram bruscamente para atenderem os pais do Bert, que pouco tempo depois foram para a sala de jantar e assim todo mundo se sentou, eles também encararam Frank, o deixando ainda mais desconfortável.
– Hey, calma. — Disse em seu ouvido e apertei sua mão por debaixo da mesa.
– Eles me odiaram. — Suspirou aflito. — Eu nem sei como consegui coragem pra vir aqui.
– E eu aprecio isso. — Sorri e disse por fim.- Agora , tente se acalmar, tá legal?
– Tudo bem.
O jantar foi posto na mesa e Iero não sabia lidar com tantos talheres, dos quais tive que explicar cada função, o da entrada, do jantar principal e sobremesa, apesar disso ele soube lidar muito bem com toda aquela situação mesmo que seu olhar o denunciasse, pelo menos para mim. Durante o jantar não falaram muito de negócios, apenas coisas habituais como a violência da cidade, Bert e seu futuro e sobre como eu tinha excelentes notas.
Meu pai terminou de bebericas seu vinho branco, então encarou o menor por algum tempo e lhe questionou.
– E você, quem é mesmo? Não me lembro de ter lhe perguntado seu nome.
– Eu.. E..Eu.. Sou Frank,Frank Iero.
Todos na mesa encararam Frank de olhos arregalados, menos Bert que tinha um sorriso venenoso nos lábios, o rosto de meu pai parecia querer explodir e ele estava completamente vermelho, bateu seu punho na mesa.
– Gerard, como você tem coragem de trazer esse delinquente pra casa? — Questionou aos berros fuzilando Frank com os olhos.
– Do que você está falando? — Falei incrédulo .
– Do que você está falando? Gerard, o pai desse marginal roubou nossa empresa há alguns anos atrás, muitos dólares, tivemos grandes problemas, quase falimos por culpa do pai desse medíocre e você me traz essa criatura porca para a minha própria casa?
Bert sorria cada vez mais, a cada palavra despejada de meu pai.
– Eu quero esse garoto fora da minha casa ! Agora. — Meu pai ordenou.
– Doroti! — Minha mãe chamou.
O menor olhou assustado e atônito com aquilo, ele tentou falar mas não conseguia emitir som nenhum e eu apenas me via dentro de um furacão, sem saber como me salvar e sem saber somo salvá-lo. Ele tinha mentido para mim, ele tinha omitido, ele não tinha me contado aquilo e McCracken realmente estava certo, eu não sabia tudo sobre Frank, na verdade, agora eu parecia saber quase nada.
Respirei fundo e o fitei , seu olhar estava perdido, desesperado e suplicante.
Aquela confusão toda estava apenas começando.
Notas finais
2- É, a coisa ficou bem tensa. Dei um susto em vocês com o verdadeiro Frank, não? E então, teoria de vocês confirmadas? Sim, não?
3- Quero agradecer a Giulia, que está sempre falando coisas positivas pra mim e me incentivando, sério, muito obrigado. E também a Luiza de love&hate, que sempre tem me apoiado e me ajudado muito. E também a todos que lêem e comentam aqui, isso incentiva de um jeito que vocês não tem noção, essa fanfic existe por causa de vocês.
4- Deculpe erros de ortografia, não revisei hoje mas amanhã ou segunda venho aqui.
5- Até o prox. capítulo!
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