Love Playing
1 CAPÍTULO 1 - FOGO
Notas iniciais
2- O começo as coisas vão meio rápidas, e um pouco confusa,mas depois tudo vai se encaixar perfeitamente.
3- Espero que gostem. Apreciem.
As pessoas são como o fogo. Algumas delas sempre deixam que suas chamas se acendam e se exibam , outras ocultam suas chamas interiores para depois mostrá-las e outras simplesmente, preferem não as mostrar nunca.. Até quando são forçadas a isso.
Sexta feira.
Sim , já é sexta feira.
São quase sete horas, exata hora que eu deveria estar no colégio, ao invéz disso estou colocando meus sapatos com tal pressa que nem eu imaginava que pudia ter um dia, meus pais já sairam para trabalhar na empresa e Doroti, a governanta, me apressa para que eu me arrume logo, neste momento eu já terminei e quase caio descendo a escada. Saio porta á fora e entro no carro, que me esperava . O Sr.Belvord pronuncia uns múrmuros de reclamação mas ignoro, ele já devia saber que eu me atrasava, todas as sextas, por que justo aquela seria excessão? Uma coisa que eu adorava na sexta-feira era saber que no outro dia não teria colégio e nem no outro, isso realmente era animador e extasiante, além disso era o começo das festanças, diversão, bebidas e... coisas que não valem muito á pena serem expostas . O caminho não era muito longo, o que me dava vantagem para não me atrasar muito, apesar disso não importar pois eu sabia que independente do que eu fizesse naquele colégio, não seria expulso ou levaria uma advertência ou qualquer coisa do gênero, porquê essas coisas não são pra mim.
Quando saio do carro vejo que as pessoas estão entrando para as salas de aula, no entanto, posso ver o cabelo ou algo parecido com isso de Ray Toro, meu melhor amigo desde que pisei neste colégio, ele também me vê e então eu o acompanho para irmos á sala.
A primeira aula era de matar, física quântica, eu odiava essa matéria com todas as minhas forças, embora não fosse nem de longe o único. Não conseguia ver nexo naqueles exercícios então pedia ajuda para Iero, o esquisito da sala.
Não custumo conversar com ele e nem achava isso muito agradável , mas eu realmente precisava aprender aqueles exercícios e ele nem era de todo mal, era até ... sociável.
– Hey... Iero.
Ele vê que eu o chama e se vira surpreso pra mim, fita meu olhar e depois apenas responde rapidamente.
– Sim, Way?
– Bem, você sabe, ou pelo menos vai saber agora, eu sou péssimo em física quântica, maldita matéria estúpida e ... Eu esperava que você pudesse me dar uma ajuda.
Ele franzi as sobrancelhas mas depois as desata, suspira e parece se render ao meu pedido.
– Está bem.
Abro um sorriso para ele e já aproximo minha cadeira da sua, quando ele a segura e me encara.
– Mas, é só desta vez. E falo sério Gerard.
– Claro que sim, só desta vez. — Afirmo com um meneio de cabeça e ele solta a cadeira.
Quando ele começa a explicar os exercícios , me sinto mais perdido do que nunca na vida, são coisas complicadas e entediantes de mais para mim e eu esperava que ,na sua empolgação de super sabe tudo nerd, ele resolvesse tudo para mim sem nem mesmo perceber, no entanto, fui frustado. Ele me passou a lapiseira e disse para tentar resolver , eu não queria mas devia , tentei uma vez, duas , três e quando finalmente desisti, quatro vezes, por céus, eu era tão horrível com aquela matéria.
– Gerard, você não está se concentrando no que eu expliquei, assim é impossível.
– Eu juro que estou, sou simplesmente ruim nisto, não dá.
– Tá legal, mais uma vez.
Desta vez prestei total atenção em suas palavras e até mesmo em sua boca e em seus olhos, era tão estranho, seus olhos eram tão... profundos, tão misteriosos, era como se apesar do rótulo de nerd, ele fosse totalmente outra pessoa, bem, era besteira pensar isso então retornei á materia.
Mais uma vez, ele me passou a lapiseira e desta vez, consegui realizar o exercício embora algumas vezes pensasse novamente, agora tudo parecia se encaixar melhor, afinal, ele explicava bem, muito bem .
Ray também era péssimo em física quântica, ele era péssimo em todas na verdade, e só continuava no St.Juliard porque seu pai era um conhecido empresário, então ele nunca teve interesse em ter notas boas ou qualquer coisa do tipo. Quando estava resolvendo o último exercício, juntamente com Iero, senti um pedaço de papel amassado tocar minha nuca violentamente, olhei pra trás e agarrei-o nas mãos e o desembrulhei, era a caligrafia torta e desajeitada de Ray Toro.
'' Qual afinal é seu interesse em aprender física quântica , Way, qual é, você sabe que não precisa disso. Festa hoje, minha casa. E uma surpresinha. ''
Amassei-o novamente e deixei soltar um riso baixo, ele realmente era um louco e que diabos seria essa surpresa? Ele sabia que eu odiava que escondia coisas de mim. Depois de terminar o meu último exercício agradeci a Frank e os entreguei para o professor. A aula já ia terminar, o dia mal estava começando, no entanto, eu estava ansioso mesmo era para a noite.
''Uma surpresinha.''
Aqueles palavras ficaram ecoando em minha mente, embora eu soubesse que não tardaria muito até eu descobrir o que elas significam, em geral, eu odiava surpresa, ainda mais vindo de Ray. Quando finalmente o sinal tocou , voltei para minha carteira, aonde ele estava próximo.
–Caramba hein cabelo de Coqueiro, o que tu tá aprontando pro meu lado dessa vez?
–Eu ? Nada. Quer dizer, ainda não tenho certeza... Mas se tudo prosseguir como eu espero, será.
–Eu já lhe disse milhões de vezes que odeio essas suas estúpidas surpresas. — Bufei com raiva.
–E você está ficando velho e rabugento, apenas isso. — Respondeu e logo depois a professora Evans, de inglês entrou.
A aula começou e desta vez eu prestava atenção, assim como a maioria. Incrivelmente não demorou muito para que o sinal tocasse e nem mesmo a aula antecedente ao intervalo. Todos se levantavam estasiados e animados, iam conversando pelos corredores, menos o garoto pequenino, Frank Iero. Ele não costumava ter muitos amigos, na verdade quase nenhum, se não fosse pelo insuportável loiro espiga do Quinn Allman. Os dois começaram a andar e senti Ray cutucar minha cintura.
– Ô babão, se vai pro intervalo, ou quer aprender mais física quântica, com o Ierinho?
– Panaca. — Revirei os olhos. — Tá legal anda logo
– E aí, o que pretende fazer essa noite, na festa? — O garoto de cabelos armados perguntava enquanto andávamos.
– Como assim ? O de sempre, você sabe. Nada demais. — Retruquei em tom de desentendimento.
– Hmm. Sempre tem algo demais. Vai ficar chapado, vai se divertir com alguém, vai zoar com a cara de alguém, qual é a dessa vez?
– A dessa vez é você não se intrometer em meus assuntos, Toro. — Sorri amargamente e deixei um riso escapar.
– Você está mesmo ficando rabugento. — Ele ria enquanto adentrávamos o grande salão do pátio.
O resto das aulas passou mais rápido do que eu pude notar, de repente,
já estava em casa e daqui a pouco seria a hora de ir para a festa .Eu
geralmente nunca avisava meus pais que ia para festas ou qualquer outro
lugar, primeiro porque eles dificilmente ligavam ou se quer notavam,
segundo porque depois de um tempo, eu simplesmente não fazia mais
questão de dar nenhuma satisfação.Geralmente quem ia para essas festas
eram as garotas e garotos mais populares do colégio, o típico grupo que
podíamos chamar de classe A. De todo modo, eu até estava um pouco
ansioso, revirei todo meu armário na busca de alguma roupa que me
agradasse e fosse confortável, em geral, era difícil para mim achar uma
deste modo, mas fiquei satisfeito com uma camisa cinza, com alguns
escritos em branco, depois procurei mais a fundo e optei por uma calça
jeans escura e um tenis preto da vans.Ainda tinha algum tempo antes da
festa, então fui para o banho, me livrei das roupas e deixei que a água
caísse sobre meus ombros me dando total extase, quando saí me deparei
com minha imagem refletida no grande espelho e pude perceber que ainda
tinha algumas poucas olheiras, teria que dar um jeito de encobrilas , me
troquei e gostei do resultado final que vi no espelho, então passei um
pouco de lápis e um corretivo para desfarçar as olheiras que ali já não
estavam mais. A governanta adentrou o quarto, com uma bandeija em mãos ,
como sempre, me tentando fazer comer.
– Oh querido, você está realmente bonito hoje. — Ela sorriu de forma simpática.
– Talvez esteja afinal. — Suspirei fitando a bandeja.
– Ah, sim. Lhe trouxe um lanche.
– Lamento, mas já tenho planos para ... daqui a pouco. — Retruquei indiferente.
– Mas coma antes de ir, filho. — Ela insistiu me encarando com os olhos cheio de ternura.
– Já disse que não. De todo modo, não estou com fome.
– Tudo bem. — Ela se deu por vencida e fechou a porta.
Em geral era quase sempre assim, ela tentando me convencer a comer, eu
recusando, ela conversando com meus pais e eles fingindo que se
importavam com isso, esquecendo depois de cinco minutos,se não menos.
Mas isso não me importava, eu tinha uma grande festa hoje e eu tinha
total certeza de que coisas boas aconteceriam. Meu celular vibrou na
escrivaninha e eu fui paciente o atendê-lo, olhei para a tela e vi o
identificador com o nome de Bert, um companheiro de festas.
– E aí cara, aonde você tá ? — Perguntou com a voz meio falha.
– Em casa.Ainda. Mas por que ? — Respondi curioso.
– Hmmm. Sem grandes motivos. E então, o verei hoje na festa ?
– É claro! — Suspirei.
– Hoje parece que será uma grande noite.
– Sem dúvidas.
– Então até mais, dear.
– Até. — Desliguei pondo o celular no bolso da calça.
Liguei a televisão do meu quarto e me deitei na cama, em meio a bagunça
de livros, desenhos, cds e essas coisas de sempre, em geral, estava tudo
sempre arrumado, no entanto, eu gostava de bagunça e fazia questão de
deixar tudo como estava novamente, era meu habitat.
Deixei em uma série policial qualquer, apenas para o tempo passar ,
enquanto meus pensamentos vagam pelo quarto. Pensei na festa, na escola e
finalmente meus pensamentos tomaram outro rumo... Bert McCracken, da
última vez que o tinha visto em uma festa, nós ficamos loucamente
bêbados e no final, bem , era de se esperar, nós acabamos ficando. E
desde então as coisas ficaram meio estranhas, pelo menos para mim,
porque para ele , ao menos, parece, que está tudo nos conformes, de
qualquer jeito, deve ser só mais uma estupidez de minha cabeça, sim , é
isso. Ja havia se passado dois episódeos inteiros quando vi a hora, e
já estava um pouco atrasado para a festa, então desci as escadas
rapidamente e peguei uma jaqueta de coro que estava jogada pelo sofá.
– Já vai , querido? — Doroti perguntou arqueando as sobrancelhas.
– Sim, e aliás, já estou atrasado. — Disse com pressa saindo porta a fora.
Sai rapidamente, e o motorista já estava lá para me pegar na hora combinada, entrei no carro e esperei que o trânsito não estivesse muito congestionado. Eu adorava o modo como a cidade ficava iluminada pela noite, era algo simples e não muito notável mas eu achava realmente bonito, era como ... a arte, uma arte abstrata mas não desconsiderável. O motorista fazia curvas rápidas e algumas desajeitadas, ele sabia que eu queria velocidade, então não tardou muito para eu chegar na casa de Ray, que por sinal, já estava aglomerada de pessoas, com ponches na mão, drinks e todas essas coisas, desci do carro apenas dizendo uma última frase.
– Bem, eu não voltarei cedo hoje, não sei nem mesmo se voltarei, de todo modo, está dispensado.
– Seus pais não vão gostar nada disso, Sr.Way — Ele advertiu.
– Ah qual é, me poupe. Agora vá! — Gargalhei com a tese idiota.
De longe avistei Lindsey, uma das líderes de torcida, que estava incrívelmente bonita hoje, juntamente com Jess e Dan Whitesides, um dos jogadores e também meu colega. Então, me aproximei, sem hesitação, sentindo a brisa da noite, parecia que faria frio por ali, mas não por muito tempo.
– Way! Como vai parceiro? — Dan perguntou ofegante.
– Incrivelmente bem, Dan. Agitando a festa já? — Ri um pouco.
– Claro, man .
– Gerard. Que bom encontrá-lo aqui. — Lindsey falou e depois abriu um sorriso, diria até, encantador.
– Digo o mesmo. — Retribui o sorriso e depositei um beijo em sua bochecha.
– Jess? — Perguntei chamando a atenção da garota.
– Oh sim, desculpe , estou meia distraída hoje. Ola Ger. -Respondeu meio atônita.
– É , a Jess está pensando em quem vai atacar hoje. — Lindsey gargalhou.
– Cala boca, sua idiota. — Jess retrucou meio envergonhada, mas rindo.
– Bom pessoal, vou procural o Ray agora, nos vemos por aí?
Eles assentiram com um meneio de cabeça positivo e adentrei mais o local, a música estava muito alta, tocava rock felizmente, e algumas pessoas já começavam a corar o rosto por conta da bebida enquanto outras ainda estavam timidas.
O ambiente estava agradável, continua andando , agora já dentro da casa, procurando pelo Ray, e esperava que ele já não tivesse começado a sua festinha pessoal, pois eu detestava quando eu tinha que presenciar essas coisas, de verdade. Quando começava a subir a escada senti uma mão em meu ombro, o que me deu um leve susto.
– Ray filho de uma puta. — Bufei e me virei para trás, e não, não era ele.
– Oi, desculpe — Ele disse calmamente , parecendo assustado também.
Quando pude ver quem era, fiquei totalmente surpreso, ele era o tipo de pessoa que realmente não estaria ali, por dois motivos, ele não era popular e com certeza, nem de longe, classe A. Frank Iero.
– Está tudo bem. — Respondi meio desconcertado.
– De qualquer modo, só queria lhe perguntar se você viu, por acaso, o Quinn, não consigo o encontrar em lugar nenhum.
– Quinn? Que Quinn? Quinn Allman? — Disse arregalando os olhos.
– Sim, o Allman. Pelo jeito, não o viu, não é mesmo? — Ele suspirou .
– Não. E você, viu o Ray Toro aqui?
– Também não.
Era inacreditável que Iero e Allman estivessem aqui, isto só podia ser coisa do maluco do Ray, mas que diabos ele estava planejando com isso, afinal? Parecia que Frank não tinha companhia e para falar a verdade, eu não estava muito a fim de continuar procurando Toro, porque eu acabaria o achando uma hora ou outra, então eu podia ajudá-lo a encontrar Quinn ou se não,ser sua companhia. Ok , esta ideia de ser sua companhia é totalmente tola.
– Quer ajuda pra procurar o Allman? — Perguntei fingindo tom de indiferença.
– Não precisa, não quero incomodar sua diversão. — O garoto respondeu ainda tímido e seus olhos pareciam girar em órbita.
– Olha, eu realmente posso lhe ajudar, mas se você não quer...
– Não é isso. Só não quero, você sabe, incomodar. Eu nem devia estar aqui afinal.
– Bobagem. Vem, vamos encontrá-lo e enquanto isso, você me explica como veio parar nesta festa. — Eu ri baixo e dei os primeiros passos, voltando da escada, ele me acompanhava .
– E então, como veio pra cá? — Perguntei sorrindo de canto.
– Sabe, é meio loucura também.. — Ele riu baixo e depois me fitou enquanto andávamos. — Eu estava prester á ir para casa, depois do colégio e estava lá com o Quinn, quando o Toro apareceu e nos convidou para vir até esta festa, disse que seria divertido, e para o Quinn vir também, eu pensei muito em não vir, afinal, todos sabem, eu sei, nós não nos encaixamos aqui. E de algum jeito, decidimos que viríamos , o que custava né?
– Hmmmm , entendo. Não compreendo porque ele os chamou, não leve para o lado pessoal... É só que Toro nunca foi de fazer essas coisas.
– Também não entendi muito bem. Mas agora já estou aqui né. — Suspirou e eu percebia em seu tom de voz que ele se arrependeu.
Não sabia porque, mas eu não queria que ele se arrependesse, queria que ele pudesse se divertir e isto era mais estranho ainda do que a atitude de Ray, pois eu geralmente não me preocupava com isso, nenhum pouco. Continuamos a procurar o Quinn, por mais uns minutos, até eu ceder não aguentando mais.
– Ao que parece, não vamos o encontrar tão cedo. Talvez ele não tenha chegado ainda, não quer ir lá pra fora? — Sugeri, suspirando leve.
– Não sei, espero que ele venha, ele combinou. Tudo bem, então vamos. — Respondeu e esperou que eu começasse a andar.
Fomos para fora e lá realmente começava a esfriar, e as pessoas começavam a cada vez mais ficarem loucas, com várias bebidas nas mãos. Quase todos os lugares estava muito lotados, mas eu sabia um local em que teria paz para conversar, e era o que eu queria no momento, mesmo sem saber a razão.
– Vem. — Puxei sua mão o guiando para um local mais afastado, por detrás da grande casa, aonde havia uma grande cadeira de balanço enbutita na parede.
Ele olhou meio confuso, no entanto não negou e sigou guiado pelos meus passos, até chegarmos no local.
– Pronto. Aqui teremos um pouco de sossego, lá estava muito lotado.
Ele assentiu com a cabeça mas pareceu meio incomodado.
– O que foi? Quer voltar? Não tem problemas. — Perguntei encarando seus olhos que no momento pareciam distantes.
– Não é isso , aqui realmente está melhor. É só que estou me sentindo deslocado, não deveria ter vindo. — Suspirou e se sentou no balanço.
Encarei ele por mais um momento e não sabia o que falar ou agir, então me sentei ao seu lado.
– Não concordo. — Respondi baixinho, mas ainda assim audível.
– E por que não? — Retrucou intrigado.
– Por que você também tem que se divertir, qual é, os melhores alunos em física e calculos também tem o direito . — Me permiti rir enquanto esperava que ele respondesse algo.
– Pra você é fácil... Qual é, você é... sabe, o Gerard.
– E você o Frank.
Ele virou seu pequeno corpo para mim e me encarou.
– Olha, Gerard... Não é que eu não esteja gostando, e nem que eu não admire sua ajuda, mas por quê você esta sendo tão legal comigo? Geralmente você não me dá nem um oi.
Aquele pergunta me pegou em cheio, fez minha cabeça dar um nó e tudo se embaraçar. A verdade é que eu não sabia o que responder.
– Serei sincero. Não sei Iero, só queria ajudar e bem, conversar um pouco. Realmente eu não falo quase nada com você, mas pensei que seria bom falar com alguém diferente pelo menos por hoje, espero que não seja problema pra você.
– Hmmm. Não é, só é bastante estranho. Sabe, é como algo impossível de acontecer, acontecendo bem diante de seus olhos.- Ele argumentou girando seu corpo para a posição inicial.
– Você fala como se fosse um milagre. — Gargalhei .
– Quase isso. — Ele riu junto comigo.
– Gerard Way ! — Ouvi uma voz conhecida falando meu nome em um tom um tanto alto, era Ray se aproximando, juntamente com Bert.
Era o terceiro susto que eu tomava aquela noite. O primeiro, que Iero tinha me proporcionado, o segundo a presença dele ali e agora, isto. Me levantei do balanço em que estava e minha respiração teve diferentes picos.
–Iero? Vejo que achou companhia. — Ray riu exibindo seus dentes um pouco amarelados.
–Você viu o Quinn por aí? — O baixinho perguntou enquanto se deparava com a situação e sorria sem graça.
–Hmm. Lamento Iero, não vi. Aliás, não era para ele estar aqui ?
–Era. Realmente era. — Ele murmurou desolado.
Uma coisa que eu só fui capaz de notar agora, era que, a situação realmente estava ficando tensa e que,mesmo que eu sempre soubesse só agora eu fui atribuir importância, Frank era muito baixo, do tipo que era... muito baixinho mesmo, e seu corpo era bem bonito até, aliás, ele estava bonito naquela noite.
–Chega de enrolação Toro, Way, vamos sair daqui. — Bert fez questão de dar intonação no sobrenome dos dois.
–É... Bem, eu acho que prefiro ficar aqui mais um pouco. — Disse sem saber exatamente o que estava fazendo.
–Qual é, está brincando né? Vamos se divertir. — Bert retrucou.
–Gerard, ele está certo. Eu agradeço a companhia até aqui, mas agora é hora de você ir se divertir. — Frank se levantou do balanço e começou a andar antes que eu pudesse descordar.
Ia saindo daquele lugar pouco iluminado e isolado, aos poucos, o trocando novamente pela aglomeração e barulho realmente alto , Bert caminhava com uma garrafa de vodka nas mãos e Ray, com duas.
–Ok. Agora você pode me explicar qual é a sua , de ter convidado o Frank e o Quinn?
–Que foi? Não gostou ? Pelo jeito a conversa estava tão agradável. — O rapaz do cabelo desajeitado e armado gargalhou.
–Palerma. Mas hein, qual é a sua ? — Bufei em retribuição.
–Calma Gerard. Não vamos antecipar as coisas tão rapidamente. — Ele sorriu e começou a se distanciar. — Aproveite !
–McCracken! — Girei meu corpo e meus olhos faiscavam.
–Hey, calminha aí, eu não sei de nada. Só vim junto, porque queria te ver.
–Tá … Tudo bem, me desculpe. — Respirei fundo.
–Bebida ? — Ele perguntou como alguém que oferecia veneno a alguém.
–Hmm. Me dê esta porcaria. — Disse pegando a garrafa ,e a virando em um gole só, depois dando de volta para Bert.
–Dá pra sentir ela queimando na garganta, não é mesmo? — Sorriu com os olhos brilhando.
–Não vejo nada demais. Já tomei coisas piores, você sabe.
–Correção , já tomamos.
–Que seja.
Andei para um banco, aonde não tinha muitas pessoas, a não ser um casal se pegando, literalmente, e um rapaz alto e magricelo que parecia já estar entorpecido pela bebida, me sentei ali e esperei que Bert não viesse atrás, mas como esperado, ele veio. Não é como se eu o estivesse evitando ou o odiando, mas como eu disse, as coisas estavam bem esquisitas.
–O que pretende pra esta noite? — O rapaz de olhos azuis acinzentados questionou.
–Na verdade, não muita coisa. Talvez me chapar, talvez ficar lúcido. É uma noite diferente hoje.
–Você irá ficar lúcido Ge? Qual é sweet. Diferente, por que? — Ele arqueou as sobrancelhas e deu um gole na vodka.
–Não sei. Diferente , simplesmente diferente, não acho que seja capaz de entender. — Ri em reprovação.
–E por que acha isso ?
–Tenho meus motivos. — Estalei os dedos em sinal que queria a bebida.
Ele assim me passou e beberiquei uma vez mais, sentia como ele mesmo disse, a vodka descendo e queimando toda minha garganta, era uma sensação libertadora, eu realmente tinha prazer em bebê-la , não era algo somente para status.
–Sabe , eu estive pensando... Em algumas coisas. — Sorriu.
–Hmm. Que tipo de coisas? — Perguntei rezando para que não fosse, aquele tipo de coisa que eu imaginava.
–Da última vez... Que você sabe, nos encontramos em uma festa.
–Sim, o que tem ?
–Nós ficamos. — Sorriu e apoiou suas mãos sobre minhas pernas.- E eu queria saber o que pensa sobre isso.
Meu estômago revirou, embrulhou e eu quis vomitar ali mesmo, bem nos pés dele, mas não o fiz.
–Co..Como assim, o que eu penso? — Sorri amarelo.
–Ué, o que pensa sobre o beijo, Way. — Ele riu negando com a cabeça.
–Way ! McCracken ! Aí estão vocês meus caros. — Ray riu e se aproximou.
Agora, eu realmente estava agradecendo aos céus que ele tivesse chegado naquele momento, enquanto isso Bert parecia furioso, seus olhos pareciam fuzilar mentalmente Toro, que se sentou no espaço vago do banco, ao meu lado, fazendo assim Bert retirar rapidamente suas mãos de minha perna e eu, bem, eu me sentir aliviado.
–Lembra da sua surpresa?
–Como poderia esquecer, seu idiota, ficou fazendo a porra de um mistério o dia todo. — Disse entre dentes.
–Calma , calma. Então, Frank Iero está aqui. Infelizmente Quinn não.
–Ok. E que diabos Frank Iero tem …. — Arregalei os olhos e bufei. — NÃO! Sem chance.
–Sim,é a surpresa. E como esse ano, você não sabia o que faria, eu mesmo dei um jeito nisso, parabéns, você me deu toda a ideia hoje de manhã, sentando com o Iero. — Ele sorria diabolicamente.
Enquanto isso minhas veias pareciam saltar de raiva, que porra de plano era esse? Bert também pareceu não aprovar nenhum pouco, enquanto o encarava como um animal que cerca sua presa, para dar o bote.
–Você está ficando louco? Seu merda.
–Ora, ora , calma Ger. Já disse, é apenas uma surpresa. E você não quer nem mesmo ouvi-la?
–Não ! Você é insano, você é totalmente débil Toro. — Disse aumentando o tom da voz.
–Olhe aqui, temos alguém nervoso. Qual é Gerard, você fico uma aula com ele na sala e um tempinho aqui na festa e já está apaixonadinho por ele, é isso?
–Não seja ridículo, seu imbecil. — Bati a mão no banco com força.
–Então qual é o problema de fazer , o que tenho pra lhe propor?
–Todo ! Pois você é um asqueroso imbecil, que porra de ideia sem noção é essa.!
McCracken apenas observava e nada falava, mas podia se notar que ele ainda permanecia com raiva,no entanto parecia estar curioso com a ideia, diferente de mim que estava queimando de raiva por dentro e por fora.
–A ideia é o seguinte. Você faz o Ierozinho se chapar, leva ele pra um canto , eu reúno um pessoal e você pega ele de jeito, sempre soube que ele tinha uma quedinha por você e agora vou provar. — Disse satisfeito com seu plano.
–Ah porra ! Você está totalmente louco, vou lhe meter um soco Toro. — Gritei incrédulo com o que ouvia.
–Qual é Gerard, deixa de ser a porra de um frouxo, você sempre pegou garotos e todo mundo sabe disso, então não é problema , e o que o Iero significa pra você ? Nada! Nunca significou , por que agora seria diferente ? E além disso, você nunca recusou um desafio.
–Porque isso não tem nexo nenhum, eu não irei fazer isso, você está ficando louco, totalmente. — Retruquei falando as palavras tão rapidamente que até mesmo eu me surpreendi.
Não creio no que estou ouvindo , você de verdade deve estar gostando desse nerd do caralho, para não aceitar o meu desafio e ficar todo bravinho como se estivesse falando para fazer algo que nunca fez com alguém.
A adrenalina passava entre minhas veias, minha cabeça parecia querer explodir, eu estava morto de ódio mas ser contrariado e desafiado era algo muito letal, eu odiava que me questionassem, que duvidassem de mim, não iria permitir que ficasse por isso, afinal ele estava certo. Frank era apenas o Frank , que mal teria? Eu faria algo naquela noite, iria me divertir e Ray pararia de torrar minha paciência.
– Quer saber ? Tudo bem. Você venceu , eu farei. — Disse calmamente, desta vez.
Notas finais
2- Em breve posto o segundo capítulo, e se preparem, agora a coisa começa a ficar emocionante.
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